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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Chico Xavier foi desmascarado pelo sobrinho?

Muitos adversários do Espiritismo afirmam que Chico Xavier foi "desmascarado pelo sobrinho". Quem mais repete isso são os "parapsicólogos de batina", que buscam os argumentos de acordo com as conveniências. Chico, para eles, é "louco", "culto", "tem um poderoso inconsciente" e ainda é charlatão. Pra começar, Chico foi no máximo ACUSADO, pois nada se provou contra ele.
Vamos aos fatos, de acordo com "As Vidas de Chico Xavier" de Marcel Souto Maior, jornalista que não é espírita:
"Em julho de 1958 , palavras escandalosas atingiam Chico Xavier em cheio.  Seu sobrinho, Amauri Pena Xavier, de 25 anos,  que morava em Sabará, apareceu na redação do jornal Diário de Minas "para desabafar". Precisava se livrar de um peso na consciência: há muitos anos escrevia poemas, atribuía a obra ao espírito de Castro Alves e dizia ter sido escolhido pela espiritualidade para divulgar  na Terra um novo Lusíadas. Pois bem: era tudo mentira.
- Aquilo que tenho escrito foi criado pela minha própria imaginação, sem interferência do outro mundo ou de qualquer outro fenômeno miraculoso. Assim como tio Chico, tenho enorme facilidade para fazer versos, imitando qualquer estilo de grandes autores. Como ele, descobri isso muito cedo. Tio Chico é inteligente, lê muito e, com ou sem auxílio do outro mundo, vai continuar escrevendo seus versos e seus livros.
  Os espíritas próximos a Amauri levaram um susto. O rapaz prometia. Escrevia num caderno, desde criança, poemas impressionantes. Seu trabalho foi acompanhado de perto, durante muito tempo, pelo professor Rubens Costa Romanelli, um dos fundadores da União Juventude Espiritual de Minas Gerais, secretário do jornal O Espírita Mineiro. Espíritas experientes ficaram surpresos com o poema intitulado Os Cruzílidas
Os versos, escritos por Amauri e assinados por Camões, contavam a historia espiritual do descobrimento do Brasil, a epopéia no outro mundo durante o descobrimento do país. Cabral teria sido acompanhado de perto pelos espíritos.
    Amauri exibiu as oitavas lusitanas aos jornalistas, renegou os espíritos, atribuiu a autoria dos versos a si mesmo e levantou novas suspeitas contra o tio. A imprensa ignorou a qualidade de seus textos e explorou ao máximo a chance de transformar Chico Xavier em escândalo.
   O jornal O Globo estampou  em manchete, com direito a ponto de exclamação, na primeira página de sua edição de 16 de Julho: "Desmascarado Chico Xavier pelo sobrinho e auxiliar!"
  O texto, curto, era taxativo:
Depois de se submeter ao papel de mistificador durante anos, o jovem Amauri Pena, sobrinho de Chico Xavier, resolveu, por uma questão de consciência, revelar toda a verdade! Chico Xavier era, desde muito cedo, um devorador de livros.
  A velha polêmica parecia à beira da ressurreição. Para piorar a situação, o Jornal do Brasil se dedicava a estampar na primeira página milagres da Igreja Católica. Amauri colocava o Espiritismo em xeque e o JB transformava em manchete a notícia da cura de uma menina, Ana Luísa que, ao ouvir pelo rádio informações sobre a agonia de Pio XII, fechou os olhos e pediu:
- Papa, lembre-se de mim, antes de morrer.
Tuberculosa, de acordo com a última radiografia, ela ficou curada em instantes.
  O jornal Diário da Tarde decidiu apurar melhor a confissão do sobrinho de Chico Xavier e mandou um repórter a Sabará para entrevistar Amauri. O rapaz estava em Belo Horizonte. O delegado Agostinho Couto recebeu o jornalista e deu a folha corrida do "confessor". Alcoólatra inveterado, "um desordeiro", ele já tinha sido apanhado tentando roubar uma casa e fora expulso da cidade várias vezes pelo policial. O pai de Amauri, Jaci Pena, confirmou as acusações:
- Meu filho é um doente da alma. Todo mundo sabe disso. É dado a bebidas. Ontem mesmo eu o apanhei caído no jardim no maior pileque. Chico conhece Amauri. As declarações dele não alteram nada.
  Só faltava entrevistar o outro envolvido na polêmica: Chico Xavier. No dia 29 de julho, o repórter do Diário de Minas, responsável pelo furo jornalístico, conversou com o tio de Amauri Pena. Chico, na época bastante magoado, disfarçou a tristeza e exibiu seu talento para medir palavras. O discurso seguiu à risca o regulamento cristão.
  Para começar, Chico negou, com humildade, que Amauri Pena fosse seu auxiliar:
  - Meu sobrinho, até agora, não freqüentou reuniões espíritas ao meu lado, mas posso acrescentar que ele tem estado num grupo de espíritas muito responsáveis em Belo Horizonte, junto dos quais sempre recebeu orientação com muito mais segurança que junto a mim.
  Em seguida, perdoou o autor da denúncia:
  - Meu sobrinho é muito moço e, pelo que observo, é portador de um idealismo ardente, em sua sinceridade para consigo mesmo. De minha parte, peço a Jesus, com muita sinceridade, para que ele seja muito feliz no caminho que escolher.
  Para encerrar, deu exemplo de respeito  às crenças ou descrenças alheias:
- Não recebi as palavras dele como acusação nem desafio. Tenho a felicidade de possuir muitos amigos que, em matéria religiosa, não pensam pela minha mesma convicção.
   Na despedida, ainda escreveu um bilhete para ser publicado no jornal do dia seguinte:
   Se algo posso falar ou pedir, nesta hora, rogo a todos os corações caridosos uma oração a Nossa Mãe Santíssima em meu favor, a fim de que eu possa - se for a vontade da Divina Providência - continuar cumprindo honestamente o meu dever de médium espírita sem julgar ou ferir quem quer que seja.
A calma era aparente. Em uma carta a Wantuil de Freitas, no dia 10 de dezembro, ele fez referência a um "familiar deliberadamente vendido aos adversários implacáveis da nossa causa".  E, mais uma vez, destacou Waldo Vieira como alguém capaz de livrá-lo "dos perigos que rondam a tarefa".
  A polêmica acabou ali. Amauri, sempre bêbado, acabou internado num sanatório na cidade de Pinhal em São Paulo e morreu pouco tempo depois. Seu último desejo: divulgar um documento com um pedido de desculpas ao tio. Os diretores da Federação Espírita Brasileira decidiram adiar a retratação. Os adversários podiam insinuar que o jovem havia sido forçado a se arrepender.
   Amauri morreu e deixou como herança um mistério para os espíritas. Por que ele tinha atacado o tio? A versão mais aceita no meio é a de que ele assumiu a autoria dos poemas e levantou suspeitas contra Chico para impressionar e agradar uma moça católica por quem estava apaixonado. Outra versão, mais apimentada, coloca dinheiro na roda: ele teria sido subornado por um padre para desmoralizar o espírita de Pedro Leopoldo. Amauri nunca mandou explicações do além.

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