"Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros." (João 13:35) "Onde estiverem reunidos, em Meu nome, dois ou três, lá estarei no meio deles." (Mateus 18:20)

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domingo, 6 de fevereiro de 2011

Do que trata realmente a parábola do Rico e Lázaro?

Apologistas cristãos usam essa parábola em seus ataques a Doutrina Espírita:
"Ora, havia um homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo, e todos os dias se regalava esplendidamente. Ao seu portão fora deitado um mendigo, chamado Lázaro, todo coberto de úlceras; o qual desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as úlceras.Veio a morrer o mendigo, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico, e foi sepultado. No hades, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe a Abraão, e a Lázaro no seu seio.E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e envia-me Lázaro, para que molhe na água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que em tua vida recebeste os teus bens, e Lázaro de igual modo os males; agora, porém, ele aqui é consolado, e tu atormentado. E além disso, entre nós e vós está posto um grande abismo, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem os de lá passar para nós. Disse ele então: Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai, porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham eles também para este lugar de tormento. Disse-lhe Abraão: Têm Moisés e os profetas; ouçam-nos. Respondeu ele: Não! pai Abraão; mas, se alguém dentre os mortos for ter com eles, hão de se arrepender. Abraão, porém, lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos." Lucas 16:19-31
Dizem os apologistas cristãos: "... a doutrina da reencarnação vai frontalmente contra o ensinamento de Cristo no Evangelho. Com efeito, ao ensinar a parábola do rico e do pobre Lázaro, Cristo Nosso Senhor disse que, quando ambos morreram, foram imediatamente julgados por Deus, sendo o mau rico mandado para o castigo eterno, e Lázaro mandado para o seio de Abraão, isto é, para o céu. ( Cfr. Lucas 16, 19-31)"
  A parábola conta que há uma separação entre o "céu"  e o "inferno", mas nunca é dito que aquela situação seria para sempre.Por que, então. Abraão chamaria o rico carinhosamente de  filho ? E com toda a certeza, como na parábola do filho pródigo, Deus perdoaria seus pecados,  pois não quer a condenação eterna de seus filhos.
"Os publicanos e prostitutas entrarão primeiro que vós, fariseus hipócritas, no Reino de Deus" (Matheus 21:31)
Entrarão PRIMEIRO... então, TODOS entrarão..  Uns antes, mas TODOS entrarão... Não existe eternidade das penas.
"O Senhor é que tira e dá a vida; o que conduz aos infernos e de lá tira" (I Samuel, II, 6)
Tão claro que dispensa maiores comentários. Mas por inúmeras vezes traduzem "scheol" como sepultura.
Leon Denis diz, em Cristianismo e Espiritismo:  "O termo hebraico  ôlam, traduzido por eterno, tem como raiz o verbo âlam, ocultar. Exprime um período cujo fim se desconhece. O mesmo acontece à palavra gregaaion e à latina aeternitas. Tem esta como raiz aetas, idade. Eternidade, no sentido em que entendemos hoje, diz-se-ia em grego aidios e em latim sempiternus, de semper, sempre. (Ver abade J. Petit, Réssurrection, de abril 1903). As penas eternas significam, então: sem duração limitada. Para quem não lhes vê o termo, são eternas. As mesmas formas de linguagem eram empregadas pelos poetas latinos Horácio, Virgílio, Estácio e outros. Todos os monumentos imperiais de que falam devem ser, diziam eles, de eterna duração."
  Para nós, espíritas,  há   áreas de espíritos sofredores, que chamamos de zonas umbralinas, assim como a dos espíritos superiores. E os espíritos mais atrasados não chegam até áreas de padrão vibratório mais elevado. Mas a situação não é para sempre e sim até que ele se volte para Deus e evolua espiritualmente   Creio que uma mãe que está no céu, se deliciando com os prazeres celestiais, e não se preocupa com os sofrimentos eternos do próprio filho no Inferno, não merece estar onde está, pois é egoísta...
   Também gostam de insistir que a parábola prega contra a comunicação com mortos. Mas em momento algum da parábola Cristo diz ser a comunicação impossível. Quando o rico pede  que um dos mortos vá relatar aos seus irmãos sobre os tormentos por que ele passava, Abraão diz: "Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos.". Que eles não acreditariam, isso é fato. Agora, que a comunicação com os mortos não existe, o texto não diz. Novamente, o problema aqui também é o padrão vibratório e  aqueles homens, tão voltados as coisas materiais, só poderiam se ligar a desencarnados com o mesmo padrão vibratório, jamais a um espírito disposto a dar conselhos para uma mudança de conduta. Sabemos muito bem, nós espíritas, que espíritos de luz não saem por aí alertando a todos que estão no erro, ainda mais os que têm conhecimento sobre o bem e o mal ("a lei e os profetas", neste caso) e mesmo assim preferem ficar nas trevas do que na luz.
   Dizem também: . "Nesta passagem vemos claramente que os mortos não podem e não tem permissão para se comunicarem com os vivos. Demos ênfase ao versículo 26: "E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá passar para cá." (LC 16:26)"
     Seria isso má fé ou um simples engano? Ora, está claro no texto que o  abismo mencionado não é entre os mortos e os vivos, mas entre o lugar em que se achava o rico, o "inferno", e o local em que se achava Lázaro, o "céu". E esse abismo nem era tão grande, já que que o rico, levantando os olhos, "viu ao longe Abraão e Lázaro no seu seio".
Diz Severino C. da Silva em "Analisando as Traduções Bíblicas":
"A primeira análise que queremos ressaltar, nesta parábola, é que muitos utilizam para afirmar que ela proíbe ou nega a comunicação do mundo dos "mortos" com o mundo dos vivos, no entanto, reflita que na parábola, tanto Lázaro quanto o Rico estavam no mundo dos "mortos", de onde se concluí que não existia diferença de mundos. Na verdade, a lição nos demonstra que existe um abismo entre o mundo superior e o abismo dos umbrais. Sabemos que não se pode passar abruptamente dos umbrais às regiões superiores sem galgar com esforços próprios esta condição, através dos degraus reencarnatórios. O contrário, no entanto, pode ocorrer, por misericórdia divina, e nós sabemos do socorro espiritual que muitos espíritos superiores vão levar aos que sofrem nas regiões umbralinas. E é o próprio Cristo quem demonstra esta possibilidade descendo ao "Hades" ou "Umbrais" para levar consolo aos espíritos que ali se encontravam. Veja I de Pedro 3:18 e 4:6.
  E mais interessante ainda, para os que afirmam esta impossibilidade de comunicação entre os "mortos" e os "vivos", é que a própria parábola demonstra esta condição de comunicação. Veja os versículos 27 e 28: "Pai eu te suplico, envia Lázaro até a casa do meu pai, pois tenho cinco irmãos; que leve a eles seu testemunho, para que não venham eles também para este lugar de tormento". Observe que Abraão não afirma que ele (Lázaro "morto") não poderia voltar. Ele mostra não ser necessário, mas que seria possível. Seria! Veja a transfiguração de Jesus em Mateus 17:1-8, a volta de Moisés e Elias do mundo dos "mortos", e em I Samuel 28:3-25, também a volta de Samuel do mundo dos "mortos" conversando com Saul na casa da pitonisa de Endor".
Se Lázaro e o rico estavam no "céu" e no "inferno", como fica a história do juízo final?
Outra pergunta: o rico queria que seus irmãos fossem avisados sobre o quê? Certamente não seria sobre uma "salvação pela graça", não seria sobre a necessidade de "aceitar Jesus'.  Interessante, portanto, notar que, na Parábola do Rico e Lázaro, Jesus, mais uma vez, não ensina que a "salvação" vem através de crenças pessoais, mas que o que agrada a Deus são as nossas virtudes. Mas não por Lázaro ser um pobre homem e o outro um rico, e sim porque, enquanto o rico passou a vida desprezando os pobres e a Deus, comendo e bebendo muito bem, sendo vaidoso, se dedicando apenas a gozar a vida, Lázaro era um pobre sem vaidade, sem reclamar da vida, sofrendo tudo aquilo com resignação, desprezando os bens da Terra. E isso é boa obra(caridade), sim. O Espiritismo fala em caridade em um sentido amplo. Se fosse apenas doar aos pobres, os pobres não poderiam fazer caridade jamais.  Lázaro foi justificado pelo amor, resignação, por não se revoltar contra seu próximo. . Não foi a crença no "sangue redentor" que o salvou, mas o amor, que "cobre a multidão de pecados", a prática do mandamento "Amai ao próximo como a ti mesmo"
Sobre riqueza e miséria diz O Livro dos Espíritos:
"As provas de riqueza e de miséria
814. Por que Deus a uns concedeu as riquezas e o poder, e a outros, a miséria?
  Para experimentá-los de modos diferentes. Além disso, como sabeis, essas provas foram escolhidas pelos próprios Espíritos, que nelas, entretanto, sucumbem com freqüência.
  815. Qual das duas provas é mais terrível para o homem, a da desgraça ou a da riqueza?
São-no tanto um quanto outra. A miséria provoca as queixas contra  a Providência, a riqueza incita a todos os excessos.
816. Estando o rico sujeito a maiores tentações, também não dispõe, por outro lado, de mais meios de fazer o bem?
Mas é justamente o que nem sempre faz. Torna-se egoísta, orgulhoso e insaciável. Com a riqueza, suas necessidades aumentam e ele nunca julga possuir o bastante para si unicamente.
- A alta posição do homem neste mundo e o ter autoridade sobre os seus semelhantes são provas tão grandes e tão escorregadias como a desgraça, porque, quanto mais rico e poderoso é ele, tanto mais obrigações tem que cumprir e tanto mais abundantes são os meios de que dispõe para fazer o bem e o mal, Deus experimenta o pobre pela resignação e o rico pelo emprego que dá aos seus bens e ao seu poder.
A riqueza e o poder fazem nascer todas as paixões que nos prendem à matéria e nos afastam da perfeição espiritual. Por isso foi que Jesus disse: Em verdade vos digo que mais fácil é passar um camelo por um fundo de agulha do que entrar um rico no reino dos céus... "

É só vermos versículos anteriores para percebermos que Jesus endereçou tal parábola justamente aos fariseus gananciosos:
"Nenhum servo pode servir dois senhores; porque ou há de odiar a um e amar ao outro, o há de odiar a um e amar ao outro, o há de dedicar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas. Os fariseus, que eram gananciosos, ouviam todas essas coisas e zombavam dele. " (Lucas 16:13-14)
Veja como os apologistas cristãos só enxergam na parábola o que querem, interpretando do jeito que querem, e fazem "vista grossa" para aquele que é o ensino principal da parábola e que contraria frontalmente suas crenças.
Alias, certos pastores e "bispos" têm mais razão ainda em procurar fugir da verdadeira mensagem da parábola e de versículos como esses abaixo:
"Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, limpai os leprosos, expulsai os demônios; de graça recebestes, de graça dai. Não vos provereis de ouro, nem de prata, nem de cobre, em vossos cintos;  nem de alforje para o caminho, nem de duas túnicas, nem de alparcas, nem de bordão; porque digno é o trabalhador do seu alimento. (Mateus 10:8-10).
" Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens a dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu. Então vem e segue-me." (Matheus 19:21)
" Bem aventurado vós, os pobres, pois vosso é o reino de Deus" (Lucas 6:20)
"Não ajunteis para vós tesouros na terra; onde a traça e a ferrugem os consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai para vós tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem os consumem, e onde os ladrões não minam nem roubam." (Mateus 6:19-20)
"E disse ao povo: Acautelai-vos e guardai-vos de toda espécie de cobiça; porque a vida do homem não consiste na abundância das coisas que possui" (Lucas 12:15)
"Vendei o que possuís, e dai esmolas. Fazei para vós bolsas que não envelheçam; tesouro nos céus que jamais acabe, aonde não chega ladrão e a traça não rói. " (Lucas 12:33)
Portanto, essa a lição dessa parábola. Jesus não estava aqui pregando contra a comunicação com mortos e a reencarnação. Isso é coisa de quem só quer ver o que interessa.

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