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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Espiritismo não é Panteísta

Capítulo VI do livro   "Porque Sou Espírita", onde  Américo Domingos   Nunes Filho refuta as acusações de Dom Estevão Bittencourt a Doutrina Espírita.
  "Diz o sacerdote: 'O Espiritismo, seja o Kardecista, seja o afro-brasileiro, parece dar menos importância a Deus do que aos
espíritos desencarnados. O culto espírita versa geralmente sobre a comunicação com os mortos.'
  É muito triste constatar que essa asserção saiu dos lábios de um religioso e, ainda por cima, faz parte de um livro.
Ataca o Espiritismo, com afirmações gratuitas, sem conhecer, na realidade e na intimidade de seus escritos básicos, a Doutrina que redivive o Cristianismo primevo.
  Primeiramente, devo, mais uma vez, informar a todos o seguinte: não existe o termo Kardecista. O Espiritismo não foi inventado por Allan Kardec. Ele codificou a Doutrina, que é única. Só existe um Espiritismo. A Umbanda, como outras religiões espiritualistas, não é Doutrina Espírita: 'Não se deve confundir alhos com bugalhos'.
  Quanto ao 'parecer dar menos importância  a Deus do que aos espíritos', não há necessidade de defender a minha religião, porquanto o próprio padre nada afirma, apenas utiliza o verbo parecer, parece mas não é. Aparenta ser, mas não é.
Depois, entra no assunto propriamente dito, sem mais divagar infantilmente.
  'Quando tratam de Deus, vários autores espíritas professam o panteísmo, ou seja, a identificação de Deus com o  mundo e o homem. Ora, tal conceito é ilógico e aberrante, pois Deus, por definição, é o Absoluto e Eterno, ao passo que toda criatura é relativa, contingente e temporária. Eis alguns testemunhos significativos:
*(nota do autor no rodapé da página: O Prelado cita com impropriedade o nome do escritor, chamado Léon Denis)  'Leão Denis: 'Deus é a grande alma universal, de que toda alma humana é uma centelha, uma irradiação. Cada um de nós possui em estado latente forças emanadas do divino Foco', ('Cristianismo e Espiritismo', 5.a edição, p. 246).
* 'Leão Denis: 'O Ser Supremo não existe fora do mundo, porque é sua parte integrante e essencial' (Depois da Morte', 6.a edição, p. 114)
'O escritor espírita Rangel Veloso diz ter ouvido a seguinte declaração num Centro Espírita:
'Deus é como uma folha de papel, rasgadinha em milhões, bilhões e não sei quantas mais divisões. Lançados esses pedacinhos de papel no Universo, cada pedacinho de papel representa um homem e um ser existente; todos reunidos, formando o todo, é Deus'. ('Pseudo-Sábios ou Falso Profetas', 1947, p. 34)
  'O Primeiro Congresso de Espiritismo de Umbanda adotou unanimemente a conclusão n.5:
  'A filosofia (de Umbanda) consiste no reconhecimento do ser humano como partícula da Divindade, dela emanada límpida e pura, e nela firmemente reintegrada ao fim do necessário ciclo evolutivo no mesmo estado de limpidez e pureza, conquistado pelo seu próprio esforço e vontade'.
  '(Textos colhidos no opúsculo de Frei Boaventura Kloppenburg: 'Por que a Igreja condenou o Espiritismo', 2.a edição, Petrópolis, 1954, p. 29)'
  DE FORMA NENHUMA, O ESPIRITISMO É PANTEÍSTA. Em 'O Livro dos Espíritos', nas respostas das questões 14 a 16 e nos comentários sempre judiciosos de Kardec, são encontrados os seguintes ensinamentos, exatamente contrários à afirmação do confuso sacerdote Estevão Bettencourt:
  Questão n.14) 'Deus é um ser distinto, ou será, como opinam alguns, a resultante de todas as forças e de todas as inteligências do Universo reunidas?
  Resposta: 'Se fosse assim, Deus não existiria, porquanto seria efeito e não causa. Ele não pode ser ao mesmo tempo uma e outra coisa.
'Deus existe; disso não podeis duvidar e é o essencial. Crede-me, não vedes além. Não vos percais num labirinto donde não lograríeis sair. Isso não vos tornaria melhores, antes um pouco mais orgulhosos, pois que acreditaríeis saber, quando na realidade nada saberíeis. Deixai, conseguintemente, de lado todos esses sistemas; tendes bastante coisas que vos tocam mais de perto, a começar por vós mesmos. Estudai as vossas próprias imperfeições, a fim de vos libertardes delas, o que será mais útil do que pretenderdes penetrar no que é impenetrável.'
Questão n.15) 'Que se deve pensar da opinião a qual todos os corpos da Natureza, todos os seres, todos os globos do Universo seriam partes da Divindade e constituiriam, em conjunto, a própria Divindade, ou, por outra, que se deve pensar da doutrina panteísta?
Resposta: 'Não podendo fazer-se Deus, o homem quer ao menos ser uma parte de Deus'.
Pergunta n.16) 'Pretendem os que professam esta doutrina achar nela a demonstração de alguns dos atributos de Deus: Sendo infinitos os mundos, Deus é, por isso mesmo, infinito; não havendo o vazio, ou o nada em parte alguma, Deus está por toda parte; estando Deus em toda parte, pois que tudo é parte integrante de Deus, ele dá a todos os fenômenos da Natureza uma razão de ser inteligente. Que se pode opor a este raciocínio?
Resposta: 'A razão. Refleti maduramente e não vos será difícil reconhecer-lhe o absurdo'
  Esta doutrina faz de Deus um ser material que, embora dotado de suprema inteligência, seria em ponto grande o que somos em ponto pequeno. Ora, transformando-se a matéria incessantemente, Deus, se fosse assim, nenhuma estabilidade teria; achar-se-ia sujeito a todas as vicissitudes, mesmo a todas as necessidades da Humanidade; faltar-lhe-ia um dos atributos essenciais da Divindade: a imutabilidade. Não se podem aliar as propriedades da matéria a idéia de Deus, sem que ele fique rebaixado ante a nossa compreensão e não haverá sutilezas de sofismas que cheguem a resolver o problema da sua natureza íntima. Não sabemos tudo o que ele é, mas sabemos o que ele não pode deixar de ser e o sistema de que tratamos está em contradição com as suas mais essenciais propriedades.
    Ele confunde o Criador com a criatura, exatamente como o faria quem pretendesse que engenhosa máquina fosse parte integrante do mecânico que a imaginou.
   'A inteligência de Deus  se revela em suas obras como a de um pintor no seu quadro; mas, as obras de Deus não são o próprio Deus, como o quadro não é o pintor que o concebeu e executou' (Comentário de A. Kardec)
   Portanto, o eclesiástico pode trazer os testemunhos que desejar, pode buscá-los à saciedade nas fontes que desejar. O Espiritismo está alicerçado na Codificação Kardequiana e a teoria panteísta é inteiramente rechaçada pelos Espíritos Superiores, arautos do Cristo. Quanto a ser a alma humana, segundo declara Léon Denis, uma centelha divina, o sacerdote deve discordar, não do poeta do Espiritismo, e sim, do próprio Jesus, que afirmou categoricamente:
'O REINO DE DEUS ESTÁ DENTRO DE VÓS' (Lucas 17:21)
      Em outra oportunidade, disse, confirmando a profecia de Davi (Salmo 82:6): 'VÓS SOIS DEUSES' (João 10:34)
      Realmente, o Espírito é 'o princípio inteligente do Universo' (Questão 23 de 'O Livro dos Espíritos'). Na resposta da pergunta 79, está contida a explicação maior: 'OS ESPÍRITOS SÃO A INDIVIDUALIZAÇÃO DO PRINCÍPIO
INTELIGENTE' ('O Livro dos Espíritos').
    Portanto, a centelha ou Reino de Deus em nós ou princípio inteligente origina-se de Deus (não há efeito inteligente sem uma causa inteligente), sofrendo um processo de individualização através dos milênios, e tendo a eternidade ao seu dispor.
No panteísmo, o ser é parte integrante do todo universal quando surge a desencarnação, tendo ou não consciência de si mesmo, se desfaz, desintegrando-se, voltando a fazer parte do Criador.
      O que Léon Denis afirma, tem base nos ensinamentos do Evangelho. Em Atos dos Apóstolos, capítulo 17, versículo 28: 'Em Deus vivemos, e nos movemos, e existimos, como alguns dos vossos poetas têm dito: 'Porque DELE TAMBÉM SOMOS GERAÇÃO'.
   Allan Kardec, em 'Obras Póstumas' (LAKE, pg. 150), assim arremata o assunto em tela: 'Doutrina Panteísta: O princípio inteligente (alma), independente da matéria, está espalhado por todo o Universo, mas individualiza-se  em cada ser durante a vida e volta, pela morte, à massa comum, como voltam ao oceano as águas da chuva.
   'Conseqüências: Sem individualidade e sem consciência de si mesmo, o ser é como se não existisse. As conseqüências morais seriam exatamente as mesmas do materialismo.
    'Observação: Um determinado número de panteístas admite que a alma, aspirada, ao nascer, do todo universal, conserva a sua individualidade por tempo indefinido, não voltando à massa geral senão depois de ter alcançado o último grau da perfeição. As conseqüências desta variedade de crenças são absolutamente as mesmas que as da doutrina panteísta,
propriamente dita, porque é completamente inútil todo o trabalho para adquirir conhecimentos, dos quais se perderá a consciência, aniquilando-se a alma depois de um tempo relativamente curto.
    'Se o espírito recusa a concepção panteísta em geral, sobe de ponto a repugnância em a admitir, quando se vem dizer que, ao alcançar a ciência a perfeição suprema, perde ele o resultado do seu esforço e desaparece a individualidade.'
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Nota do autor: Compulsando o livro "Cristianismo e Espiritismo" pg 246 6.a edição, Editora FEB, como também a obra 'Depois da Morte', 10.a
edição, pg. 114 NÃO encontramos as referências citadas pelo padre.Embora tenhamos manuseado os livros, com edições diferentes das
observadas pelo sacerdote, não encontramos as citadas fontes, lendo as páginas anteriores e posteriores. Após, inutilmente, tentar relacionar o Espiritismo ao Panteísmo, vem novamente o homem do Clero, com suas alegações infundadas, abordando o tema 'Fora da Caridade não há Salvação', com as costumeiras agressões contra a Doutrina Codificada pelo gênio Kardec.”
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Ainda sobre esse assunto, dizem:  "Para quem nega o panteísmo, AK e sua turma escorrega bastante: Espíritos "se acham mergulhados no fluido divino"( A Gênese, p.56)"
   Kardec fala do  fluido universal, que nada tem a ver com panteísmo.  O que se afirma é que todo o universo estaria "impregnado" por um fluido (hoje se diria, com mais propriedade, energia) homogêneo, de modo que todas as suas partes estariam interligadas.  Esse "fluido" seria um meio-termo entre a matéria física e a espiritual.  Não tem as conseqüências que se quer deduzir, sobre a natureza de Deus.

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