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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Espiritismo : Nem tudo é.



Alamar Régis Carvalho - SEDA - Salvador, Bahia-
A maioria das pessoas, quando ouve falar em Espiritismo faz uma confusão danada e confunde com coisas que não têm absolutamente nada a ver. Pensam que Umbanda é Espiritismo, que Candomblé é Espiritismo e que cartomantes são espíritas. Chegam até a pensar que são espíritas, também, certas pessoas que distribuem panfletos pelas ruas da cidade prometendo resolver problemas, desde ganhar na loteria até conseguir casamentos, com consultas pagas. Um verdadeiro absurdo.
O pior é que muitas dessas pessoas, depois da decepção e conseqüente desilusão, começam a falar em nome de uma "experiência própria" como se, realmente, tivessem conhecido o Espiritismo. Uma senhora que, certa ocasião, afirmava que não queria saber nunca mais "desse negócio de Espiritismo", muito aborrecida, alegava: "Mas a mãe fulana de tal, que eu freqüentava, e tirou todo o meu dinheiro, era espírita e na casa dela tinha uma placa com o nome de centro espírita".
E daí? Em razão da filosofia de paz do Espiritismo, que procura não criar caso com ninguém, não procura, jamais, envolver ninguém com polícia nem com justiça, muitas pessoas abusam e usam, indevidamente, o seu nome na certeza de que não serão importunadas pelos espíritas.
A palavra Espiritismo foi proposta por Allan Kardec para designar a Doutrina que foi transmitida ao mundo pelos Espíritos, no meado do século passado. O termo espírita é uma decorrência disso. Se alguém, em qualquer parte do mundo, pratica alguma coisa contrária aos postulados da Doutrina Espírita, mesmo que utilize as suas denominações, não é espírita e nem está praticando o Espiritismo. Por isto que dizemos sempre que estão laborando em desonestidade qualquer elemento que tenta incutir na cabeça das pessoas que a Bíblia, escrita a milhares de anos, condena o Espiritismo que tem somente 140 anos.
E daí ? como as pessoas podem distinguir, então, o que é e o que não é Espiritismo ?
É muito fácil, existem várias maneiras: Em primeiro lugar, se é cobrada alguma coisa, direta ou indiretamente, nada tem a ver, pois o Espiritismo segue o preceito: "Dai de graça o que de graça recebestes". Se o lugar apresenta rituais, vestimentas especiais, velas, incensos, defumações, etc... também não tem nada a ver, uma vez que o Espiritismo não adota velas, incensos, imagens, altares, defumações, cantarolas, dízimos, bebidas, exibicionismo e nem justifica manifestações exteriores como gesticulações que caracterizam rituais. Quanto a banhos, o único que o Espiritismo recomenda é o tradicional, com água e sabonete, por razões de higiene, apenas.
Esse negócio de "obrigações" que passam para as pessoas, também, é algo totalmente incompatível porque a Doutrina Espírita não obriga ninguém a nada. Mas existe, também, o caso de algumas pessoas que, para ficarem próximas do "Dai de graça...", usam esse argumento: "Eu não cobro nada, você tem que deixar apenas o dinheiro do material". Isso também não é Espiritismo, já que em nenhuma reunião espírita se adota qualquer espécie de material. Aliás, a única coisa que é utilizada, em alguns casos, é a água, cuja fluidificação ou magnetização não é cobrada de ninguém.
Entretanto, alguém que insiste na confusão, alega: "Mas a mãe fulana de tal é médium e recebe espíritos".
O fato de alguém ser médium não implica que seja espírita, pois a mediunidade é uma faculdade humana e não é uma propriedade do Espiritismo. Existem médiuns em todos os segmentos da sociedade, em todas as correntes religiosas e até mesmo entre aqueles que não têm religião. A mediunidade utilizada, sem a devida educação e sem o menor critério, é verdadeiramente um perigo. Muitos a utilizam como lhes convêm. Assim como existem "malandros" no mundo dos encarnados, existem muito mais no mundo espiritual e quando ocorre a prática da mediunidade, ou do mediunismo desregrado, sem critério e inconseqüente, os espíritos inferiores usam e abusam. É um "prato cheio" para eles.
Com essas afirmativas, então, o autor da matéria quer afirmar que o Espiritismo é contra a Umbanda, o Candomblé e as cartomantes ?
Não. O Espiritismo não é contra ninguém. O não julgueis é uma recomendação que a Doutrina respeita muito. Existe muita gente boa e que vive para servir o seu próximo, na Umbanda, assim como existe no Catolicismo, no Protestantismo e em todos os segmentos religiosos, pois não é o rótulo da religião que enobrece ninguém, mas a sua vivência. O que queremos deixar, bem claro, é que uma coisa nada tem a ver com outra.
Algumas religiões condenam o Espiritismo, mesmo o Espiritismo Kardecista. E aí, como é que fica?
Não existe Espiritismo Kardecista, existe apenas Espiritismo, que é único. Condenar por condenar, isso é coisa que muitos praticam, desde os primórdios. No campo da religião, então, isso é uma prática lamentável. Discordar do Espiritismo é alguma coisa que qualquer pessoa tem direito. O que ninguém tem direito é de afirmar sobre o Espiritismo coisas que ele não é, com afirmativas levianas e desonestas.
Vale salientar que, apesar de ainda existirem algumas pessoas de outras religiões que insistem em atacar uma Doutrina que nunca atacou ninguém, o Espiritismo não é contra nenhuma dessas religiões. Primeiro, porque não é contra ninguém. Segundo, porque estaria contrariando as recomendações do Cristo. Terceiro, porque sabe que os diversos segmentos religiosos deram à humanidade inúmeros apóstolos do verdadeiro Amor, da Paz e da Caridade, como: Teresa D'Ávila, Francisco de Assis, Alberto Schweitzer, Antonio de Pádua, o Pastor Martin Luther King, Madre Teresa de Calcutá, Mahatma Gandhi, Irmã Dulce, Dom Hélder Câmara, o Padre Bruno Sechi, e vários outros.
Salientamos, também, que existem inúmeros religiosos, entre eles alguns padres, freiras, bispos e até cardeais, que têm o maior respeito e admiração pelo Espiritismo e que até trabalham junto com os espíritas pelo mesmo ideal de servir, sugerido por Jesus. Conseguimos, também, estabelecer relacionamentos de amizades com seis pastores protestantes, depois de uma participação na televisão, que hoje demonstram respeito e consideração para com o Espiritismo. Segundo eles, uma Doutrina totalmente diferente da imagem que eles formavam antes. São aqueles que, usando o bom senso, procuraram conhecer antes de tirar qualquer conclusão.
Quanto à condenação do Espiritismo pela Bíblia, qual seria a argumentação? Equívoco absoluto. Não é verdade que a Bíblia condena o Espiritismo, pois um conjunto de livros escritos, há milhares de anos, conforme eu disse, não poderia condenar uma Doutrina que surgiu há cento e quarenta anos. Trata-se de interpretações equivocadas de alguns que procuram ver a Bíblia da forma como mais lhes convêm. Basta dizer que a quantidade de interpretações é tão grande que, só no protestantismo, existem mais de quatrocentas denominações diferentes, cada uma dizendo-se dona exclusiva da verdade.
Mais uma vez, colocamos que a proposta do Espiritismo não é fazer proselitismo nem convidar ninguém a abandonar a sua religião. Porém, caso você tenha curiosidade em conhecer o Espiritismo, não tire as suas conclusões pelo que dizem ou escrevem os seus contraditores. Você pode ser vítima de um radical.
Faça uma visita à Federação Espírita do seu Estado ou a um Centro verdadeiramente espírita. Você saberá qual o Centro verdadeiramente Espírita mais perto da sua casa, onde poderá adquirir os conhecimentos e saber o que é o Espiritismo. Não existe nada mais seguro e honesto para você que tirar as suas próprias conclusões, vendo com os seus próprios olhos, formulando as sua próprias perguntas e esclarecendo as suas próprias dúvidas, na própria fonte. Afinal, a sua inteligência e o seu discernimento merecem respeito. 

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