"Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros." (João 13:35) "Onde estiverem reunidos, em Meu nome, dois ou três, lá estarei no meio deles." (Mateus 18:20)

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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A existência da reencarnação tornaria desnecessário o sacrifício de Jesus?

Segundo evangélicos e católicos, a reencarnação tornaria "desnecessário o sacrifício de Jesus na cruz, que nos salvou com seu sangue".
   A reencarnação é uma lei natural que toda a Humanidade dispõe como meio de evolução moral e também intelectual. A salvação somente através da crença no "sangue redentor do Cristo" excluiria a maior parte da Humanidade, que não é cristã.  Mesmo muitos daqueles dedicados apenas ao bem estariam condenados a uma pena eterna, já que seriam todos julgados de acordo com crenças pessoais(dogmas), e não de acordo com o bem ou mal feito no corpo. Não consigo ver onde a justiça, misericórdia, perdão e o amor de Deus nessa crença. Ora, se todos os obstáculos de nossas vidas foram superados pelo Cristo, que, segundo a doutrina da Igreja, assumiu todos  os pecados na cruz e na ressurreição, bastando que a criatura aceite ser incluída no rol dos redimidos, qual o interesse de cada um em proceder corretamente e praticar as leis de Deus e dos homens, se sua salvação está assegurada de antemão? Como fica a responsabilidade individual dos que praticam o mal conscientemente? Onde a Justiça Divina, se o malfeitor, o criminoso, o corrupto, o mau, o indiferente são tratados da mesma forma que o caridoso, o sensível aos sofrimentos alheios, o que se sacrifica pelo seu próximo? Há  uma  total injustiça nessa doutrina, que desestimula a prática do bem e a submissão aos ensinos evangélicos, que acena com o sacrifício de si mesmo, o trabalho individual dirigido ao bem, o amor ao próximo como condições de aperfeiçoamento.
   Não negamos a redenção através de Jesus. Diz o Livro dos Espíritos: "Jesus é para o homem o tipo de perfeição moral a que pode aspirar a Humanidade na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ele ensinou é a mais pura expressão de sua lei, porque ele estava animado do Espírito divino e foi o ser mais puro que já apareceu na Terra.".
   É evidente que o Cristo de Deus é  o Salvador da Humanidade, oferecendo sua Mensagem de vida eterna como roteiro, como o caminho e a verdade que Ele mesmo se proclamou. Ele é  exemplificação e modelo, mas compete a cada criatura seguir o caminho indicado, com esforço, com amor, com dedicação e não ficar de braços cruzados a espera da salvação. Quando os homens, repudiando os dogmas e preconceitos a que se aferram há tantos séculos, abrirem as portas da percepção para assimilar a cristalina simplicidade dos ensinamentos do Cristo, eles fatalmente se redimirão pelo amor, cuja prática concorre para o resgate das faltas, como a Escritura deixa bem claro em Prov. 10:12 ("O amor cobre todas as transgressões"),Lucas 7:47 ("Muito será perdoado a quem muito amou") e I Pedro 4:8 ("O amor cobre a multidão de pecados").
O plano elaborado por Deus para a salvação das almas, segundo a ortodoxia cristã (católicos e protestantes) se fundamenta na doutrina do "pecado original", ou seja, pela desobediência do primeiro homem transmitiu-se o pecado a todo o gênero humano, de sorte que pelo erro de Adão todos os seus descendentes ficaram automaticamente excluídos da graça de Deus e condenados irremissivelmente a uma eternidade das penas.
  Custa crer  como os preconceitos se enraízam na mente das pessoas e se transmitem como que por hereditariedade (à semelhança do pecado original...) de modo que não adianta a Ciência haver demonstrado, há mais de um século, com a Paleontologia e o Evolucionismo, que o homem vive na Terra há no mínimo 40 mil anos e que a lenda dos "primeiros pais" vale hoje apenas como um símbolo. Desprezam-se todos os argumentos para manter de pé as velhas concepções, e os denodados padres e pastores continuam pregando nas igrejas que o pecado entrou no mundo por Adão e foi resgatado, satisfazendo à justiça divina, pelo sangue de um inocente no Calvário.
Isso significa que continuam a semear a incredulidade no espírito humano, pois não é admissível que em pleno "Século das Luzes" pessoas inteligentes ainda aceitem como verdades as lendas bíblicas cheias de tantas infantilidades:  1 - Desgraçou todo o gênero humano a desobediência de um ser primitivo que nem sabia distinguir entre o bem e o mal; 2 - Um Deus que não admitia o progresso de suas criaturas e nem queria que vivessem eternamente (Gen. 3:22); 3 - Uma serpente supostamente má, mas que se limitou a falar estritamente a verdade (Gen. 3:4/5); 4 - A transmissão iníqua do pecado a todos os descendentes de Adão, por todos os séculos sem fim (Rom. 5:12). e 5 - A remissão do pecado por outra injustiça maior, ou seja, a imolação de um inocente (Rom. 5:17).
O sacrifício de animais pelos pecados dos israelitas era um ato próprio de um povo bárbaro, sendo inconcebível que Deus, o mesmo que afirmou: "Misericórdia quero, não sacrifício" (Oséas 6:6) engendrasse tão absurdo "plano" para resgatar os erros da Humanidade.
Cristo se sacrificou para assegurar o cumprimento da grandiosa missão que o fez descer a Terra.  Sua morte, sem duvida alguma, estava nas previsões divinas, para provocar o impacto que se fazia necessário na consciência dos homens, seus contemporâneos e os das gerações vindouras. Ele mesmo disse: "Quando for levantado da Terra, atrairei todos a mim!" (João 12:32)
   Nós, espíritas, entendemos que Jesus veio ao mundo para ensinar aos homens a lição do amor (João 13:34) e que a sua morte, predita por vários profetas, resultou da inadequação da Humanidade para assimilar suas extraordinárias mensagens.
   A condenação consiste em permanecer o homem nas trevas espirituais, enquanto as suas obras forem más (João 3:19). Porque não sabem o que fazem. Deus perdoará os maus no dia em que se voltarem para Ele dispostos a corrigir seus erros! E salvação para nós não é a salvação do inferno eterno e sim a "libertação do espírito humano dos grilhões que o oprimem", como  a ignorância, os vícios,as paixões, os erros e os preconceitos. A medida em que o homem se liberta desses grilhões, vai descortinando novos horizontes, tornando-se mais livre, mais sábio, mais puro, numa palavra, mais perfeito.
   Quando Jesus ensinou "Sede perfeitos como perfeito é o vosso Pai Celestial", ele fez depender essa perfeição da prática do amor, como se vê na meridiana clareza de Mateus 5:44/48. Ele mostrou, desse modo, que "a essência da perfeição é a caridade na sua mais ampla acepção, porque implica a prática de todas as outras virtudes" (Evangelho Segundo o Espiritismo)

2 comentários:

Felipe S. Melo disse...

O incrível é ver que as figuras mais ilustres do espiritismo se baseiam em alguns trechos da bíblia para explicar suas teorias, porém discordam de outras partes, invalidando o autor e outrora não. Parece-me que algo se perdeu ou estavam loucos.

Rogerio André disse...

Felipe Melo, então venda a sua filha para pagar dívidas, mate as pessoas mais poderosas da sua cidade, não faça mais a barba... Vamos seguir tudo na Bíblia sem questionar?

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