"Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros." (João 13:35) "Onde estiverem reunidos, em Meu nome, dois ou três, lá estarei no meio deles." (Mateus 18:20)

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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Jesus pregava contra a hipocrisia e intolerância

Jesus foi um homem simples do povo, um jovem  carpinteiro, que nasceu dentro do judaísmo a cerca de 2 mil anos atrás. Foi criado e educado nas leis religiosas e costumes de seu povo; aprendeu a ler na sinagoga e certamente decorou os textos sagrados, como toda criança e todo jovem de seu tempo. Mas, diante do que tinha aprendido, observou que a religião não mudava as pessoas, porque estas não se esforçavam por seguir-lhe os preceitos morais. Pelo contrário, frequentemente, seus líderes e os religiosos praticantes eram também os mais hipócritas; usavam de prática religiosa pra se justificarem perante a sociedade e perante a si mesmos, quando não, para tirarem proveito próprio, como até hoje acontece. Por isso, o jovem carpinteiro de Nazaré, quando resolveu sair para ensinar, a exemplo dos mestres de seu tempo, mostrou-se profundamente indignado com a conduta moral das pessoas, e não deu o valor costumeiro às velhas práticas místicas. Ele próprio, como judeu, pertencia à religião dos pais, mas não se deteve nisso: sua concepção de religião era outra. Assim, preferiu estabelecer uma relação significativa entre a religião e a vida, valorizando a conduta humana(a religiosidade = a ação)  e não as fórmulas consagradas dos cultos(a adoração). Seu princípio máximo foi o “amor ao próximo” (prática do bem) e não a adoração convertida em rituais cerimoniosos, como faziam os fariseus, que viviam pregando as escrituras e cantando louvores em praça pública. Deus deveria ser adorado “Em Espírito e Verdade” e não desta ou daquela forma, neste ou naquele lugar, conforme revelou à mulher samaritana.
Adoradores devotados eram os fariseus, religiosos por excelência, que viviam nas ruas  proferindo sermões com palavras bonitas e envolventes, louvando a Deus, conclamando o povo aos ofícios sagrados e determinando como devia ser a vida das pessoas. No entanto, a vida particular desses homens era geralmente marcada por atitudes comprometedoras, que se chocavam com os mais elementares princípios de moral e respeito humano. Por isso, foram eles que Jesus mais combateu, tomando-os por modelos de hipocrisia e falsidade(túmulos caiados, limpos por fora e cheios de podridão por dentro), ao passo que, em contrapartida, Jesus elevou os que eram rebaixados e desprezados, como os samaritanos, considerados hereges; defendeu a meretriz, compreendeu a mulher adúltera e preferiu os pobres, os sofredores e os deserdados às pessoas socialmente prestigiadas e ricas, combatendo toda sorte de preconceito ou de falso pudor, frequentemente cultivado pela sociedade, como ainda acontece em nossos dias.
Na escola de Jesus o que valia eram os sentimentos e os atos das pessoas. Por isso, o samaritano da parábola é o modelo do homem bom, caridoso, que socorreu o ferido sem sequer perguntar-lhe o nome, a origem ou a religião, e não os religiosos que fugiram ao compromisso moral da caridade, pensando apenas e tão somente em si próprios, na sua comodidade, no seu bem estar.
   O amor, posto em ação, resume toda a doutrina de Jesus e é o mais elevado conceito de moral que o ser humano pode conceber em toda a sua história.
   Esta é a visão que o Espiritismo tem de Jesus e esta é a interpretação que dá à sua missão na Terra, trazida para mostrar ao homem o único caminho da felicidade individual ou coletiva.
   Quando cada ser humano se compenetrar desta verdade e promover sua reforma íntima, a Humanidade inteira estará reformada e o Reino do Céu  se instalará na Terra. E, através da luta na direção do bem,  cada um de nós - não apenas o que tem essa ou aquela crença -  atingirá  a perfeição dos Espíritos Puros, irmanando-se ao Cristo e integrando-se ao Pai. Eis o caminho para a salvação da Humanidade, ou seja, para a transformação moral do mundo, a fim de que “os mansos herdem a Terra”. Os bons, um dia, governarão este mundo!...
  Creio ser essa uma salvação muito mais justa do que aquela só para um certo número de  eleitos com uma crença subjetiva, sem resultados práticos. E como ficariam  os judeus, muçulmanos, budistas... ?
Deus não  faz acepção de pessoas, mas lhe é  agradável a todo aquele que,  em qualquer nação (note que não precisa ser "cristão", não), o teme e obra o que é  justo (Atos, 10:34 e 35)
   Homens como Chico Xavier e Gandhi se  dedicaram ao próximo mais do que muitos que seguem os dogmas das igrejas.  Estariam eles condenados, mesmo com tanta fé e amor, só por não seguirem a crença de que o sangue de Jesus, o próprio Deus encarnado,  liberta o homem de todo o seu pecado? Se a resposta é sim, respondam se acham  justo?? Que Deus é esse??  Ora, colocar os dogmas, o apego as escrituras sagradas, como mais importante do que as nossas atitudes, era justamente o que faziam os fariseus, tão combatidos por Jesus. Seu ensino na parábola do bom samaritano foi justamente contra essa atitude de intolerância e hipocrisia, que vemos em muitos hoje que se dizem "cristãos".

Uma senhora  conhecida minha, que já  faleceu, foi espírita a vida toda, mas tinha um filho evangélico. Quando ela estava no hospital quase morrendo, o filho e amigos ficaram incomodando a pobre coitada, insistindo para que ela se convertesse, já  no final de sua vida.  Depois, no cemitério, não deixaram que os espíritas nem se aproximassem do enterro. Acham que essa atitude intolerante para com o próximo é cristã? Ou uma atitude arrogante e intolerante  dos que se julgam certos de que estão "salvos", apenas porque "acreditam em Jesus" e que o resto vai pro "fogo do inferno" só por não ser da mesma religião ?  Ora, não basta dizer apenas "Senhor, Senhor", já dissera o Mestre. Devemos colocar sua palavra em prática. E a salvação é para todos os justos, não para os que crêem nisso ou naquilo. Esse comportamento de certos "cristãos" não lembra o dos fariseus, se apegando mais as escrituras, aos dogmas, do que ao amor ensinado e exemplificado por Jesus? Não foi justamente esse comportamento que ele criticou em ensinos como a parábola do bom samaritano?

 E mais disse Jesus:
"Propôs Jesus esta parábola a uns que confiavam em si mesmos, como se fossem justos,  e desprezavam os outros:
  Subiram dois homens ao templo para orar: um fariseu, e outro publicano.   O fariseu orava de pé, e dizia assim: graças te dou, o meu Deus, por não ser como os outros homens, que são ladrões, injustos e adúlteros. E não ser também como é aquele publicano. Eu, por mim, jejuo duas vezes por semana e pago o dizimo de tudo quanto possuo.  Apartado a um canto, o publicano nem sequer ousava erguer os olhos para o céu; batia no peito e exclamava: Meu Deus, apiedai-vos de mim, pecador.   Digo-vos, acrescentou Jesus, que este voltou justificado para sua casa, e o outro não, porque todo aquele que se exalta será humilhado, e todo aquele que se humilha será exaltado" (Lucas, 18:9-14)
  Outro ensino claro quanto a hipocrisia e intolerância:  "Os publicanos e prostitutas entrarão primeiro que vós, fariseus hipócritas, no Reino de Deus" (Mateus 21:31)
   Meu pai, que  freqüenta a colônia de hansenianos de Curupaiti com outros espíritas, já me disse sobre isso que Américo Domingos também relata no livro Porque Sou Espírita: "Maravilhoso é visitar uma colônia de hansenianos e observar grupos de espíritas, empenhados na tarefa assistencial aos que lá se encontram, distribuindo, concomitantemente com um sorriso nos lábios, bens alimentícios, roupas,  produtos de higiene e sapatos. Aos incapacitados, dando na boca a sopa deliciosa e apetitosa  que preparam com o devido carinho.
      Importante ressaltar que todas as tarefas são realizadas após uma rápida reunião de congraçamento em torno de uma passagem reconfortante do Evangelho e de uma fervorosa oração.
      Certa feita,  visitando a Colônia de hansenianos de Curupaiti, observei um interno, cabisbaixo, bem abatido, portador de deformidades marcantes (não possuía os membros inferiores, as mãos desprovidas de dedos, a face desfigurada e sem expressão devido à cegueira). Logo que o interpelei e lhe dei alguns petiscos, sorriu e me interrougou se eu era espírita. Imediatamente o questionei: - Por que me pergunta isso?
      Ele prontamente respondeu-me: "-Só os espíritas fazem o que você  está fazendo. Vocês são humanos, conversam comigo e me perguntam se estou precisando de alguma coisa."
      Então, indaguei a respeito da visita de simpatizantes de outros credos religiosos. Imediatamente, afirmou que raramente grupos católicos para lá se dirigiam e quanto aos que se diziam evangélicos, pediam dinheiro para suas igrejas, e insistiam na prática da unção (passar 'óleo benzido' na testa da pessoa)
      Constatei mais uma vez a importância da minha religião e lembrei-me das palavras amorosas de Jesus: 'Estava enfermo e tu me visitastes' (Mateus 25:36)
      É verdadeiramente um 'fato prodigioso'  saber que pessoas, em nome do Cristo, sem nenhum interesse pecuniário, sacrificam seus momentos de 
prazer ou mesmo de repouso em favor do próximo, que pode estar acamado em um leito de dor, recluso em uma prisão, vivendo em um asilo ou internato, ou mesmo abandonado em uma via pública. 



O Mestre ensinou que eleitos são aqueles que praticam a fraternidade, pondo o amor em ação: 'Vinde, benditos do meu pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Por que tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era forasteiro e me hospedastes; estava nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; preso e fostes ver-me' (Mateus 25:34-36)
      Para mim, é uma das mais significativas passagens do Evangelho, desde que Jesus não alude  ao seu sacrifício na cruz, nem faz menção a qualquer religião. Reafirma que 'sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes' (Mateus 25:40)"
     Não quero dizer com isso que os espíritas são todos bonzinhos e os evangélicos não prestam, mas, como diz Américo, mostrar a importância de nossa Religião, tão criticada como "coisa do diabo". Quis mostrar a que leva por um lado a crença na importância da reforma intima, através dos ensinos do Cristo, e, por um outro lado, a crença de que a salvação já está certa para aqueles que bastaram se batizar e acreditar que Jesus morreu por nós como o Deus encarnado.  Insistem que basta "crer" (dentro daquilo que entendem como crer em Jesus), para se transformarem, para "nascerem de novo", para se tornarem novos homens. Mas o que vemos no dia a dia é que, infelizmente, essa  crença só leva ao orgulho pela própria salvação e ao desprezo por quem tem outra crença.  Vemos o esquecimento do verdadeiro amor ao próximo tão ensinado e exemplificado pelo Cristo, enquanto há a insistência em converter até enfermos, como nos casos acima, e até tribos indígenas.
      Vejam as palavras de Gilberto Freyre em um artigo do "Jornal do Comércio", Recife, 15 de março de 1981:
      "Fui ainda, por uns curtos meses, nos Estados Unidos, protestante, pensando até em ser missionário, não sabia onde, talvez entre os índios do Brasil. Mas, repito, só por curtos meses. O que vi de sadismo no tratamento dos negros pelos protestantes brancos - quase assisti a um linchamento, dos então comuns - a rígida divisão, nas próprias igrejas, entre brancos e negros, desencantou-me com o Protestantismo"
   O professor Rubem Alves no seu livro  "Protestantismo e Repressão" (Ed. Ática, 1979) ilustrou muito bem o estado de espírito dominante nas congregações evangélicas. Para uma breve idéia do conteúdo da obra, transcrevemos primeiro um trecho da análise de Renato Pompeu na revista "Veja" de 10-10-79:
     "O caminho da conversão até a lei rigorosamente examinado, em sua lógica de ferro, na maior parte do livro. Fica claro, por exemplo, que o protestantismo, pelo menos o analisado por Alves, se baseia num equívoco. O livre exame, por exemplo, não existe. Tal como o católico, que, na análise da Bíblia deve seguir uma autoridade - por exemplo, um papa infalível - o protestante também não é livre para interpretar as Escrituras. Ele deve seguir o que se chama de "confissões", interpretações elaboradas por pessoas consideradas entendidas do assunto. Só podem ser aceitas as "confissões" aprovadas  pelos poderes  dominantes na comunidade protestante, ou seja, a fé passa a ser uma questão de poder.
     Também o progressismo sócio-político do protestantismo é posto em xeque por Alves, já que as comunidades protestantes julgam mais importante salvar os indivíduos que mudar as estruturas sociais - o que as torna um baluarte do conservadorismo e mesmo reacionarismo"

E agora um pequeno trecho do livro:
    "O que está em jogo na experiência da conversão não são os ensinos do Cristo. O converso não é alguém que abandonou uma filosofia de vida e uma ética para abraçar a filosofia e a ética de Jesus. Se assim fosse, ele deveria ter idéias muito claras acerca da nova filosofia e da nova ética que está abraçando. Mas, como indicamos, a experiência da conversão não se caracteriza por clareza de idéias, mas pela intensidade das emoções. Ninguém se converte aos ensinos do Cristo, seja o mandamento do amor, a lei áurea, o sermão do monte, a despreocupação frente ao futuro, o perdão dos inimigos, (...) Na conversão importa quem foJesus Cristo, e não o que ensinou Jesus Cristo" (página 68)


Sempre bom lembrar as palavras do Cristo:
  Guardai-vos dos falsos profetas que vêm ter convosco cobertos de peles de ovelha e que por dentro são lobos rapaces. - Conhecê-lo-eis pelos seus frutos. Podem colher-se uvas nos espinheiros ou figos nas sarças? - Assim, toda árvore boa produz bons frutos e toda árvore má produz maus frutos. - Uma árvore boa não pode produzir frutos maus e uma árvore má não pode produzir frutos bons. - Toda árvore que não produz bons frutos será cortada e lançada ao fogo. - Conhecê-la-eis, pois, pelos seus frutos. " (Mateus 7:15-20)
   Já encontrei na Internet católicos e evangélicos que até não aceitavam chamar os espíritas de irmãos, pois não merecemos segundo eles ser considerados filhos de Deus.  Mas  o que é necessário para sermos merecidamente chamados de filhos de Deus? Basta citar trechos e mais trechos da escritura e ser como os fariseus hipócritas, sepulcros caiados, intolerantes que desprezam os outros, como o fariseu da parábola do fariseu e publicano? Basta dizer "Senhor, Senhor" ?
Não!! Disse Jesus:  
 9 Bem-aventurados os pacificadoresporque eles serão chamados filhos de Deus.(Mateus 5:9)

 44 Eu, porém, vos digo: amai  aos vossos inimigos, e orai pelos que 
vos perseguem; 
 45 para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus; porque 
ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos 
e injustos. 
 46 Pois, se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? não fazem 
os publicanos também o mesmo? (Mateus 5:44-46)
  48 Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial. (Mates 5:48)



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