"Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros." (João 13:35) "Onde estiverem reunidos, em Meu nome, dois ou três, lá estarei no meio deles." (Mateus 18:20)

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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Kardec e os espíritas são “oportunistas”?

Escreveu Frei Boaventura Kloppenburg:
"AK era oportunista. Daí seu proposital silêncio sobre certas questões, por exemplo, a Santíssima Trindade. Seu único estudo de caráter teológico, embora negativo, sobre a natureza de Jesus Cristo, não foi por ele publicado, mas apareceu apenas depois em suas Obras póstumas. Ele recomenda esta norma de agir: "Cumpre nos façamos compreensíveis. Se alguém tem uma convicção bem firmada sobre uma doutrina, ainda que falsa, necessário é que lhe tiremos essa convicção, mas pouco a pouco. Por isso é que muitas vezes nos servimos de seus termos e aparentamos abundar nas suas idéias: é para que não fique de súbito ofuscado e não deixe de se instruir conosco." (III, 336).
Sendo o Brasil um país tradicionalmente católico ou cristão, os espíritas, de acordo com o citado princípio de AK, se apresentam como "cristãos" e difundem principalmente O evangelho segundo o espiritismo. Começam por dizer que o espiritismo é apenas ciência e filosofia, não cogitando de questões dogmáticas; que eles não combatem crença alguma; que o católico, para ser espírita, não precisa deixar de ser católico; que todas as religiões são boas, contanto que se faça o bem e se pratique a caridade, etc. e por isso vão dando nomes de santos nossos aos centros espíritas. O Conselho Federativo resolveu prescrever a seguinte norma geral: "As sociedades adesas (à Federação Espírita Brasileira), mediante entendimento com a Federação, quando esta julgar oportuno e as convidar para isso, cuidarão de modificar suas denominações no sentido de suprimir delas o qualificativo de 'santo' e de substituir por outras, tiradas dos princípios e preceitos espíritas, dos lugares onde tenham sua sede, das datas de relevo nos anais do espiritismo e dos nomes dos seus grandes pioneiros." Assim, por exemplo, começa algum centro espírita por chamar-se "Centro são Francisco de Assis"; depois, quando a Federação julgar oportuno, suprimirá o qualificativo "santo"; e afinal, quando seus adeptos já estiverem suficientemente distanciados da Igreja, será "Centro Allan Kardec"
Kardec não disse isso e sim os espíritos. Mas a frase está fora do seu contexto.
Lemos em "O Livro dos Médiuns", Kardec perguntando e os espíritos respondendo:
2- Pergunta: Concebe-se que uma resposta possa ser alterada; mas, quando as qualidades do médium excluem toda idéia de má influência, como se explica que Espíritos superiores usem de linguagens diferentes e contraditórias  sobre o mesmo assunto, para com pessoas perfeitamente sérias?
Resposta dos Espíritos: "Os Espíritos realmente superiores jamais se contradizem e a linguagem de que usam é sempre a mesma,com as mesmas pessoas.  Pode, entretanto, diferir, de acordo com as pessoas e os  lugares.  Cumpre, porém, se atenda a que a contradição, às vezes, é apenas aparente; está mais nas palavras do que nas idéias; porquanto, quem reflita
verificará que a idéia fundamental é a mesma.  Acresce que o mesmo Espírito  pode responder diversamente sobre a mesma questão, segundo o grau de adiantamento dos que o evocam, pois nem sempre convém que todos recebam a
mesma resposta, por não estarem todos igualmente adiantados.  É exatamente como se uma criança e um sábio lhe fizessem a mesma pergunta.  De certo, responderíeis a uma e a outro de modo que te compreendessem e ficassem  satisfeitos.  As respostas, neste caso, embora diferentes, seriam  fundamentalmente idênticas."
3- P: Com que fim Espíritos sérios, junto de certas pessoas, parecem aceitar idéias e preconceitos que combatem junto de outras?
R: "Cumpre nos façamos compreensíveis.  Se alguém tem uma convicção bem firmada sobre uma doutrina, ainda que falsa, necessário é lhe tiremos essa convicção, mas pouco a pouco.  Por isso é que muitas vezes nos servimos dos seus termos  e aparentamos abundar nas suas idéias: é para que não fique de súbito ofuscado e não deixe de se instruir conosco. (grifo meu)
"Aliás, não é de bom aviso atacar bruscamente os preconceitos.  Esse o melhor meio de não  se ser ouvido.  Por essa razão é que os Espíritos muitas vezes falam no sentido da opinião dos que os ouvem: é para os trazer pouco a pouco à verdade.  Apropriam a sua linguagem às pessoas, como tu  mesmo farás, se fores um orador mais ou menos hábil.  Daí o não falarem a
um chinês, ou a um maometano, como falarão a um francês, ou a um cristão. É que têm a certeza de que seriam repelidos (...)"
           Mais adiante,  diz-se: "O bem é sempre o bem, quer feito em nome de Allah, quer em nome de Jeová, visto que um só Deus há para o Universo."
          Observemos que o texto não fala sobre ensinar Espiritismo aos de outras religiões.. É um espírito dizendo como eles agem com os médiuns. O titulo do capitulo se refere  às contradições e mistificações entre os médiuns.  Algumas dessas mistificações e erros se devem ao baixo caráter do próprio médium, outras vezes, à má  influência espiritual a que possa estar exposto (não raro por sua própria invigilância).  Neste ultimo caso, não é  de surpreender que tenha absorvido ou crido em sistemas absurdos,  de autoria dos espíritos que o assessoram. Cabe então as bons espíritos falar-lhe nos próprios termos de suas convicções, da mesma maneira como se faz um pregador quando diante de pessoas cujas idéias lhe são estranhas. Uma regra elementar de retórica (usar linguagem apropriada à audiência) é confundida com demonstração de oportunismo.
          Os espíritas não são proselitistas, e pouco lhes importa se alguém está ou não numa igreja ou noutra.  A recomendação de evitar nomes de santos tem uma razão lógica de ser. Muitas instituições espíritas foram fundadas por pessoas que eventualmente fizeram parte das fileiras católicas, e, como tal, afeiçoaram-se a algum "santo" em particular.  Mais tarde, mesmo depois de adeptas do Espiritismo, fundam seus centros e prestam uma homenagem ao seu antigo patrono, não raro especificando-o com o título que lhe atribuía (assim, "S. Sebastião" não seria confundido com um Sebastião qualquer).  A iniciativa da FEB é  louvável, pois realmente não convém a um centro espírita ostentar um nome ligado a uma religião diferente; comparando com o Catolicismo, seria como uma "Igreja do Profeta  Zoroastro", ou uma "Mesquita de N. Senhora das Dores".  Não tem nada a ver com atrair maquiavelicamente os "pobres e incautos cristãos católicos" com o intuito de afastá-los da Igreja.  E, ora, quem define o nome de um centro costuma(m) ser o(s) seu(s) fundador(es) ou dirigente(s): se usa o nome de figuras ligadas a uma outra religião, acrescido do respectivo título que tem nesta, é  porque ainda guarda resquícios dela, o que, convenhamos, não é  apropriado.  É  essa(s) pessoa(s) quem deve se "afastar" ideologicamente da Igreja, ou melhor, completar o "afastamento", já  que católicos não fundam centros espíritas e, pelo que vejo, só vão lá quando tem problemas de saúde ou espirituais.  É até engraçado: quando conseguem uma cura ou alivio qualquer, voltam para a Igreja, sem qualquer conflito interno, até, eventualmente, aparecer um novo problema. Se a Igreja tem de se preocupar com quem lhe toma os fieis, deve se precaver mais contra os protestantes, que realmente tem interesse em "salvar" os católicos do que consideram o Cristianismo desvirtuado, por crerem que a fé exclusiva de alguém em Cristo importa na sua redenção.
Nós, espíritas, cumprimos nossos papel de esclarecer as pessoas e ajudá-las quando precisam e querem, mas não temos como diretriz o dar combate às crenças alheias para substituí-las pelas nossas.  Sabemos que Deus não exige esta ou aquela religião para o bem-estar espiritual, e que não existe a necessidade de professar uma determinada fé  para nos livrarmos do mal ou para alcançarmos a bem-aventurança perante Deus. Portanto, não faz sentido nos atribuir qualquer preocupação com o Catolicismo, além, é claro, da devida resposta às acusações que eventualmente são feitas.
Abaixo, trecho do livro "Por que Sou Espírita", de Américo Domingos, em que o autor responde as acusações feitas ao Espiritismo pelo D. Estevão Bittencourt no livro "Porque não sou Espírita":
" Quanto ao Espiritismo , ' às vezes, se revestir de capa católica, adotando nomes de santos para seus centros e louvando Jesus Cristo', devo informar ao prezado irmão sacerdote que um santo, embora tenha tido atuação no Romanismo, não é privilégio apenas dos católicos, representa uma fonte de luz para toda a Humanidade.
  Para um espírita, o santo é  um missionário de luz, tendo tido ou não uma crença católica. O que faz alguém ser 'santo' é  ter alcançado um elevado grau de espiritualidade. Conforme o Mestre ensinou a respeito dos eleitos, o santo exatamente se caracteriza pela prática desinteressada do amor para com todas as criaturas.
       Será que o prelado considera o 'santo' propriedade da Igreja Católica? Será que o santo, como criatura espiritual de grande expressão, só exerce a fraternidade para os católicos?
       A resposta é  negativa, já que o próprio Jesus não faz diferença entre as pessoas e, conforme foi comentado, anteriormente, o Mestre não se refere a nenhuma crença religiosa, por ocasião do sermão profético, quando fala a respeito dos 'eleitos'.
       É muito boa a abordagem a respeito desses benfeitores espirituais, pois sabe-se que o fenômeno mediúnico foi marcante na vida dos iluminados irmãos, canonizados pela Igreja.
       Cito a seguir alguns exemplos a respeito do assunto, compulsados do excelente livro 'Mediunidade dos Santos', de  autoria de Clovis Tavares, publicado pelo Instituto de Difusão Espírita, de Araras-São Paulo:
       1 - Santa Teresa Galani possuía a mediunidade da vidência;
       2 - Santa Margarida Alacoque era dotada da mediunidade da vidência e da audiência.
       3 - São Pedro de Alcântara era portador da faculdade mediúnica  da cura, premonição   e levitação.
      4 - Santa Margarida de Cortona exercia a mediunidade da vidência.
      5 - São João Crisostomos tinha o dom da psicografia.
      6 - São Pedro de Alcântara dominava a premonição,a  levitação e a cura mediúnica;
      7 - Santa Gemma Galgani apresentava a vidência;
      8 - Santa Catarina Laboure tinha a posse da audiência;
      9 - Santa Tereza D'Avila desempenhava a vidência;
     10 - Santa Brigida era uma médium que levava a efeito a vidência, a audiência, a psicografia, a levitação, a premonição e a cura;
     11 - Santa Clara de Montefalco punha em ação a vidência, o desdobramento ou a projeção da consciência, xenoglossia (falar línguas estrangeiras desconhecidas ao médium), premonição e curas;
     12 - Dom Bosco foi um médium, principalmente, de efeitos físicos. Praticava também a vidência, a premonição e a cura;
     13 - São João Batista Maria Vianney (Cura D'Ars) se distinguiu pela mediunidade da cura e da vidência;
     14 - São Eucarpio, São Trofimo, Santa Joana D'Arc, São Francisco de Assis professavam a audiência;
     15 - Santo Afonso de Ligorio era versado de audiência e na bilocação;
     16 - Santo Antonio de Pádua, além da bilocação, exercitava-se na premonição e na cura;
     17 -  Santa Catarina  de Genova possuía a vidência;
     18 - Santa Catarina de Siena exercia a audiência e a cura;
     19 - São Bento foi um 'expert' na levitação.
     Conclui-se que os denominados Santos eram pessoas dotadas de função mediúnica. Seus dons paranormais são perfeitamente observados e estudados pela Doutrina Espírita, constatando-se nenhum fato miraculoso ou inexplicável. É perfeitamente plausível afirmar, então, que os homens canonizados pelo Catolicismo estão muito mais ligados ao Espiritismo do que a qualquer religião, inclusive a católica.
     Como espíritos evoluídos, fazem parte da grande falange crística dirigida pelo próprio Jesus. Assim como a Doutrina codificada por Allan Kardec representa 'O Consolador prometido pelo Cristo': 'Vos ensinará  todas as coisas e vos lembrará tudo o que vos tenho dito' (João 14:26), e certo que os queridos irmãos, santificados pela Igreja continuam trabalhando espiritualmente para o bem da Humanidade.
      O Mestre disse que 'O Consolador não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido' (João 16:13). Representa, então, uma falange de mensageiros espirituais, que, sob a ordem de Jesus, ('O Pai enviará em meu nome' - João 14:26), virão ensinar o que o Cristo disse que a Humanidade de sua época não podia suportar (João 16:12).
     Em  'O Livro dos Espíritos' (questão 625), Allan Kardec perguntou a Espiritualidade: 'Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e de modelo?'
      A resposta foi incisiva: 'Jesus'.
     Na resposta da pergunta 627, ressalto a seguinte afirmação dos Arautos do Consolador: 'Estamos incumbidos de preparar o reino do bem que Jesus anunciou'.
      É  lógico, portanto, assegurar que as Entidades santificadas pela Igreja, fazem parte das falanges espirituais, cuja presença entre nós reafirmam as palavras do Mestre: 'Não vos deixarei órfãos...' (João 4:18)
    O Codificador do Espiritismo, na elaboração da Doutrina Espírita, recebeu ajuda considerável de vários espíritos, laureados pelo Vaticano, como São Luis, Santo Agostinho, São João Evangelista, São Vicente de Paulo, São Paulo, São Francisco Xavier, Cura de Ars e outros.
Portanto, não há, para o seguidor de Kardec, constrangimento em homenagear os locais onde pratica o amor ensinado e exemplificado pelo Cristo, com os nomes daqueles que são verdadeiros seareiros do bem, chefiando as falanges responsáveis pela implantação do Evangelho na Terra.
Quanto a louvar o Cristo, o Mestre é  realmente o exemplo a ser seguido pelos homens. Allan Kardec disse que 'Jesus constituiu o tipo da perfeição moral a que a Humanidade pode aspirar na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ensinou é  a  expressão mais pura da lei do Senhor, porque, sendo ele o mais puro de quantos tem aparecido na Terra, o Espírito Divino o animava.' ('O Livro dos Espíritos, comentário da resposta da questão 625).
      Também deve se ressaltar que o Espiritismo é  religião da fé  raciocinada e ensina que 'Fora da Caridade Não Há Salvação'. A obra básica da Doutrina, 'O Livro dos Espíritos', começa pela definição de Deus e termina com o estudo das leis morais.
     Num apanhado de todos os livros básicos do Espiritismo, pode-se dizer: 'O Espiritismo vem confirmar as verdades fundamentais da Religião. Respeita todas as crenças: um de seus efeitos é  incutir sentimentos religiosos nos que não possuem, fortalecê-los nos que os tenham vacilantes. Vem opor um dique a difusão da incredulidade. Longe de negar ou destruir o Evangelho, vem, ao contrário, confirmar, explicar e desenvolver, pelas novas leis da natureza, que revela, tudo o quanto Cristo disse e fez. O Espiritismo não vem destruir os fatos religiosos, porem sancioná-los, dando-lhes uma explicação racional.
     Por tudo isso, posso dizer que um católico pode vir a ser espírita. Afinal, eu mesmo fui católico e deixei de sê-lo. Hoje sou espírita e me ufano disso.
     Minha religião não é  calcada no medo. Responde a todos os meus anseios e perquirições. Não impõe uma fé dogmática, contraditória, punitiva, ameaçando as pessoas com penas e sofrimentos irremissíveis. Estuda o Evangelho em espírito e em verdade, sem se prender a 'letra que mata'.   Na minha crença, não há hierarquia religiosa, existe liberdade de pensamento. Não se embala alguém com promessas e mentiras. Não possui sacerdócio, nem liturgia, nem símbolos.
     O espírita não adora imagens, não usa vestes especiais, não utiliza rituais. Segue o ensinamento de Jesus: 'dá de graça o que de graça recebeste', sem auferir, portanto, rendimentos monetários.
       A Doutrina Espírita redivive o Cristianismo primitivo em toda a pureza dos tempos apostólicos. Tem como princípios básicos:
     1 - A crença em Deus, definido como 'inteligência suprema, causa primária de todas as coisas';
     2 - A evolução ou progresso dos seres e dos mundos;
     3 - A Reencarnação, permitindo a evolução, através de varias oportunidades de renascimento na carne e decifrando
todos os enigmas, refletindo a justiça de um Pai que é  AMOR.
     4 - A sobrevivência do espírito, imortal, preexistindo ao corpo somático e sobrevivendo ao mesmo.
     5 - A comunicação entre o Mundo Espiritual e o Físico, estudando as leis que regem esse intercâmbio e proporcionando o recebimento de ensinos por parte dos Espíritos Superiores, como também o consolo para os que ficaram na Terra, chorando a perda de seus entes queridos.
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