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domingo, 20 de fevereiro de 2011

Materialização de espíritos

Celso Martins – Livro "Mediunidade ao seu alcance"
"Os trabalhos de Willian Crookes"
        Kardec  teve inúmeros seguidores, dentre eles se destacando Léon Denis, autor de obras monumentais como O Porquê da Vida;  Depois da Morte; Cristianismo e Espiritismo; O Problema do Ser, do Destino e da Dor; O Grande Enigma; O Além e a Sobrevivência do Ser; No Invisível. Ganhou notoriedade também Gabriel Delanne, que escreveu A Alma é Imortal, A Evolução Anímica, O Espiritismo Perante a Ciência, A Reencarnação, O Fenômeno Espírita. Sobressaiu-se ainda Ernesto Bozzano, cujas obras mais citadas são Animismo ou Espiritismo?, Os Enigmas da Psicometria, Fenômenos Psíquicos no Momento da Morte, Metapsíquica Humana, A Crise da Morte, Pensamento e Vontade, Fenômenos de Transporte, o Espiritismo e as manifestações Psíquicas, Fenômenos de Bilocação; e por fim Camille Flammarion, autor de Deus na Natureza, A Morte e Seu Mistério, etc
      Todos estes livros mencionados  são recomendáveis a quem quiser ter um melhor conhecimento do que seja mediunidade.
       Na verdade, após a Codificação de Kardec apareceram inúmeros pesquisadores dos fatos mediúnicos, estudando as faculdades dos médiuns como Eleonora Piper, Eusápia Paladino, Florence Cook, Daniel Douglas Home, Madame d' Espérance, Madame Salmon, o médium Slade, dentre os mais citados. E diversos foram os pesquisadores da matéria. Citaremos os mais proeminentes: Willian Crookes, Charles Richet, Oliver Lodge, Conan Doyle, Gustav Geley, Albert de Rochas, James Hyslop, Paul Gibier, Alfred Russel Wallace, Robert Dale Owen, Alexandre Aksakoff, César de Vesme, Karl du Prel, Giuseppe Gerosa, Giovanni Schiaparelli, Ercole Chiaia, César Lombroso, Frederick Myers, Eugène Osty, Willian James, Ochorowicz, Willian Stead, etc.
      Todos eles, após pesquisas exaustivas durante anos, chegaram à conclusão da existência da alma, da sobrevivência do espírito, da sua comunicação com os vivos.
      Vejamos os trabalhos desenvolvidos pelo sábio britânico Willian Crookes (1832 - 1919), um dos mais famosos cientistas por seus estudos na Química e na Física. Saiba o leitor que foi ele o descobridor do elemento químico chamado tálio e da energia radiante,  com o emprego da célebre ampola de Crookes. Astrônomo, estudou os fenômenos luminosos e de espectrologia. Pertenceu à Real Sociedade de Londres. Um homem de tantos títulos acadêmicos, ocupou-se da mediunidade e declarou publicamente ser verdadeiro tudo quanto testemunhou ao lado de outros colegas de ciência experimental.
      De 1870 a 1873 investigou médiuns como Kate Fox, Daniel Douglas Home e sobretudo a colegial de apenas 15 anos de idade Florence Cook, a qual fornecia ectoplasma para que se materializasse um espírito que se dizia Katie King. Nas sessões realizadas na casa do referido sábio, pôde ele observar as consideráveis diferenças entre a jovem médium e o fantasma que se materializava na presença de inúmeras testemunhas. A médium usava brincos e o espírito não trazia nada nas orelhas. A médium era muito morena enquanto Katie King era muito clara. Seus dedos eram maiores do que os de miss Cook.
      Certa ocasião, o investigador registrou no fantasma 75 pulsações por minuto, quando a médium, examinada em seguida, exibia  90 batidas, valor que lhe era habitual. Os pulmões do fantasma se mostravam muito mais sadios do que os da moça que,  à época, estava fazendo tratamento médico de uma forte bronquite.
     Willian Crookes conseguiu tomar 44 fotografias do espírito materializado a conversar com as pessoas, passeando pela sala de braços dados, como pesquisador de tão insólito fenômeno. Na última sessão, o fantasma tomou de uma tesoura, cortou pedaços de seus cabelos, de seu vestido, de seu véu e os ofereceu a cada um dos assistentes, depois de apertar-lhe as mãos. E os assistentes viam perfeitamente que, ao mesmo tempo, lá na cabine, a médium permanecia em transe. O espírito, com um vestido branco de mangas curtas e decotado. A médium adormecida, com o rosto coberto por um xale vermelho, para resguardá-lo da luz.
       E, para encerrar os eventos, o espírito Katie King se dirige à  cabina despertando a médium.  Florence sai do transe mediúnico e chora, não quer que a outra vá embora; mas esta diz que findou a sua tarefa. Durante alguns minutos conversam, até que a emoção da médium a impediu de prosseguir palestrando... O espírito desaparece e Willian Crookes, na cabine, socorre a médium que chora convulsivamente!
      Cremos ser impossível uma demonstração mais clara, mais insofismável da comunicação mediúnica, diante de máquinas fotográficas, sob o rigoroso controle de diversos assistentes, durante várias experimentações documentadas. Como leitura complementar sobre estes fenômenos temos dois livros recomendáveis: 1) Fatos Espíritas, de Willian Crookes, e 2) Metapsíquica Humana, de Ernesto Bozzano.
(...)
Ecotoplasmia
      É a formação de diversos objetos que as mais das vezes parece saírem do corpo humano, tomando a aparência de uma realidade material (vestuário, véus, corpos vivos). Aí se enquadram os casos de materialização, assim explicados pelo pesquisador francês Gustave Geley:
    (...) se apresenta em primeiro lugar (...) uma substância amorfa, ora sólida, ora vaporosa; depois, muito rapidamente, de um modo geral, o ectoplasma amorfo se recompõe, tornando assim possível o aparecimento de novas formas, as quais  possuem, quando completa a materialização, as características anatômicas e fisiológicas dos órgãos biologicamente iguais aos dos vivos.
O ectoplasma torna-se pois um ser ou uma fração do ser, o qual por sua vez depende sempre do organismo do médium, organismo esse  de que é uma espécie de prolongamento e em que se dá a sua reabsorção, tão logo termine a experiência. (Conforme o livro L'Ectoplasmie et la Clairvoyance, edição de 1925)
    Anteriormente já fizemos referências às célebres experiências de Willian Crookes com a médium Florence Cook, propiciando as materializações do espírito Katie King. Em acréscimo apresentaremos mais ocorrências do gênero.
        A) Em Varsóvia, estando presente Geley, e também um oficial polonês a palestrar com a médium Kluski, este militar dizia que só acreditaria em fantasmas se visse uma centena deles. Imediatamente eis que uma lufada de ar frio abriu a janela e apagou uma das luzes. Depois, sucessivamente, diante do sofá, onde estavam assentados, passou um desfile de espíritos diferentes, materializados, na forma de mulheres, crianças, velhos, militares, padres. E a assistência (de três pessoas) tremeu diante desta insólita ocorrência. (Conforme a obra citada de Gustave Geley).
         B)  Ainda com o mesmo médium polonês Kluski, que não consentia facilmente em fazer experimentos, o citado Geley, no Instituto Metapsíquico de Paris, tendo-o despido completamente, viu surgirem formas vivas bem diversas, como a de uma velha desdentada e enrugada; a de um oficial polonês uniformizado; a de outro oficial, agora alemão, também envergando o seu uniforme e capacete de ponta. (conforme o livro A Grande Esperança, de Charles Richet).
        C)  Com a médium Madame d'Espérance se materializavam diversos espíritos, como por exemplo Iolanda, uma linda moça de 16 anos de idade; a menina Ana, que foi inclusive reconhecida pela mãe; e uma criancinha de nome Joute, de três para quatro anos. (Conforme o livro da Sra. d'Espérance intitulado No País das Sombras)
D) O médium Guzik, observado por pesquisadores como Osty e Geley, propiciou o aparecimento não só de rostos luminosos por  si sós,  dos quais saía uma voz  rouquenha , como também de animais, como o caso de um cão, que lambia e mordia; de uma águia e mesmo (pasme o leitor!) de um... pitecantropo!  Informo que Osty era médico e dirigia o Instituto Metapsíquico de Paris.
        E) Paul Gibier, com a médium Madame Salmon, viu formar-se um fantasma que disse chamar-se Lúcia, ficando por alguns minutos diante da assistência, enquanto três homens se colocaram entre a aparição e o gabinete onde a citada médium Madame Salmon era mantida totalmente amarrada, numa rede metálica bem fechada. Gibier era discípulo do célebre benfeitor da Humanidade Pasteur. Foi naturalista e dirigiu o Museu da História Natural de Paris, dando-se estas informações aqui para que o leitor tenha uma idéia do gabarito intelectual dos envolvidos em pesquisas psíquicas sérias, sobre a sobrevivência dos espíritos e a sua comunicação com os homens.
        F) Em Moscou, conforme podemos ler na revista Demain, publicada em Bruxelas, em 1943, o fantasma de um homem de 40 anos movia-se entre os assistentes e conversava com eles, enquanto o médium, objeto de experiências por Gustave Lambert Brahy, era mantido em transe profundo. Dois cirurgiões presentes, com um bisturi cortaram um dos braços deste fantasma, ali descobrindo carnes humanas comuns. Cortado o outro braço daquela aparição, acharam apenas certa massa pastosa, gelatinosa a que se dá, conforme visto, o nome de ectoplasma.
       G) O conselheiro do czar da Rússia, ou por outra, o pesquisador psíquico Alexander Aksakof estudou, ao lado de outros cientistas, Madame d' Espérance, já mencionada linhas atrás. Em dada ocasião, à vista de todos, foi-se materializando uma belíssima dama, a começar pelos pés, como se fosse uma estátua de cera colocada sobre a chapa super-aquecida. A cabeça desapareceu, no final, como que envolta numa nuvem.
      H) O pesquisador Gustave Lambert Brahy, no livro Lueurs Sur L'inconnaissable (Vislumbres do Desconhecido) dá-nos ciência de um fato ainda mais curioso: A médium Madame Vlassek estava viajando de trem enquanto aparecia materializada na sala, diante de várias pessoas, dando nome de vários espíritos que ela via naquela ocasião. Estes dados foram integralmente por ela confirmados quando, mais tarde, foi interpelada. Quer dizer, é possível mesmo a materialização de um espírito encarnado, cujo corpo está distante, noutro local.
  I)  Foi mencionado o episódio bíblico relatado em Daniel (cap. 5, vers. 5) quando o rei da Babilônia, durante um banquete, na presença de muitas pessoas, viu a mão materializada de um espírito comunicante escrevendo palavras na parede. No Brasil houve inúmeros casos de materialização, como veremos ainda; mas análogo  ao episódio da Bíblia, recorda o professor Pierre Maciel Ribeiro, no jornal Macaé Espírita, da cidade Fluminese de Macaé, em seu número relativo ao bimestre de maio/junho de 1996 o que sucedeu quando, numa sessão com a presença do médium Peixotinho (Francisco Peixoto Lins), os espíritos anunciaram que após a reunião observassem os assistentes a parede do compartimento onde se efetuavam os passes do Grupo Espírita Pedro. Terminados os trabalhos, todos os presentes constataram, escrita dentro de um desenho de um coração, em letras de um colorido vermelho forte como uma substância fosforescente, a frase: "Deus é Amor". Ainda informa o Professor Pierre Ribeiro que estas palavras perduraram por mais de uma semana sem desaparecer.
J) Em nosso Brasil houve, além de Peixotinho, outros médiuns proporcionando a ectoplasmia. Peixotinho também atuou no Rio de Janeiro, quando nesta cidade estava a Capital Federal; ele era militar, fazendo parte do Grupo Espírita André Luiz, na Rua Moncorvo Filho. Registre-se este depoimento do delegado de polícia, posteriormente prefeito de Guarantinguetá (SP) e mesmo deputado estadual Américo Rafael Ranieri, em seu livro Materializações Luminosas: O médium atuava no G.E André Luiz e, numa dada sessão, entidades de luz iam e vinham socorrendo os doentes. Dentre os enfermos estava a jovem Laís Teixeira Dias, cheia de dores, sendo submetida a uma operação de apêndice vermicular, totalmente inflamado (um processo de apendicite). Um espírito de intensa luminosidade operou a moça e ainda conversou com a quartanista de Medicina (na época) Lenice, irmã da doente cirurgiada por processos paranormais. Desnecessário dizer que a jovem ficou inteiramente curada!
    O médium Carlos Mirabelli, de São Paulo, estudado na telecinesia, também participou de sessões de materialização; o mesmo pode ser dito em relação à médium Ana Prado, nos anos de 1920 e seguintes, em Belém, no Estado do Pará; ainda vale acrescentar  as materializações do padre Zabeu, conforme o depoimento insuspeito de médicos como Drs. Osório César, Paulo Santos Fortes, Jorge Lagos e Odilon Martins. Com relação a Ana Prado, merece leitura o livro O Trabalho dos Mortos, de autoria de Nogueira Faria.
L) Em seu depoimento, Sir Cromwell Varley, engenheiro-assistente do sábio Sir Willian Crookes, declarou que, ao verificar a pulsação, os batimentos cardíacos e a respiração do espírito materializado, o cientista famoso não se conteve e exclamou a Katie King:
  - Vocês também respiram como nós?
  Numa sucinta explicação, o espírito esclarece que os mortos (desencarnados) respiram a essência daquilo que em nosso mundo material damos o nome de atmosfera, constituída de 78% de nitrogênio, 20 de oxigênio e 1% de impurezas diversas como o gás garbônico, o vapor d'água, a poeira, etc.
    Ora, escrevendo em Fraternidade, revista de Lisboa (Portugal), em sua edição de maio de 1995, Carlos de Brito Imbassahy, engenheiro e professor (aposentado) da Universidade Federal Fluminense, faz algumas apreciações que transcrevemos:
     O que foi dito pelo espírito Katie King teve lugar por volta de 1872. Um século mais tarde, Murray Gellman, ao pesquisar a existência e as reações das partículas atômicas, no acelerador da Universidade de Stanford (Estados Unidos da América), declara que não é possível existir nenhuma  subpartícula atômica, por mais elementar que seja, sem que ela corresponda a um agente estruturador estranho ao domínio físico, porque só assim poderá explicar-se a formação destas mesmas partículas subatômicas a partir da energia cósmica em expansão. Esta, por si só, nunca teria, segundo os cientistas do final do século XX, a capacidade de se automodificar e dar condições de existência ou de formação do que quer que seja.
  Nesta ordem de raciocínio, Imbassahy afirma ser o mundo material apenas o espectro materializado de uma outra existência (no caso, a espiritual), da qual seríamos como que um mundo paralelo. Por extensão, teremos de admitir até uma correspondência biológica entre a estrutura do homem e o campo estrutural do espírito encarnado, a que os espíritas dão o nome de perispírito.
     Entende-se assim por que uns têm corpos sadios, fortes, perfeitos; e outros têm corpos doentios, frágeis, aleijados. Trata-se de produto do espírito ali encarnado, trazendo uma bagagem de existências anteriores.

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