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sábado, 12 de fevereiro de 2011

Mediunidade na Bíblia II

Escreveu Leon Denis em "O Cristianismo e o Espiritismo":
"Em suas "Confissões"  alude ele (Santo Agostinho) aos infrutíferos esforços empenhados por deixar a desregrada vida que levava. Um dia em que rogava com fervor a Deus que o iluminasse, ouviu subitamente uma voz que repetidas vezes lhe dizia: "Tolle, lege; toma, lê". Tendo-se certificado de que essas palavras não provinham de um ser vivo, ficou convencido de ser uma ordem divina, que lhe determinava abrisse as santas Escrituras e lesse a primeira passagem que sob os olhos lhe caísse. Foram exortações de S. Paulo sobre a pureza dos costumes, o que leu.
  Em suas cartas menciona o mesmo autor "aparições de mortos, indo e vindo em sua morada habitual - fazendo predições que os acontecimentos vêm mais tarde confirmar.
Seu tratado "De Cura pro mortuis"  fala das manifestações dos mortos, nestes  termos:

"Os espíritos  dos mortos podem ser enviados aos vivos, podem desvendar-lhes o futuro, cujo conhecimento adquiriram, quer por outros espíritos, quer pelos anjos, quer por uma revelação divina".
Em sua "Cidade de Deus", a propósito do corpo lúcido,etéreo, aromal, que é o perispírito dos espíritas, trata das operações teúrgicas, que o tornam apropriado a comunicar com os Espíritos e os anjos, e obter visões.
  S. Clemente de Alexandria, S. Gregório de Nissa em seu "Discurso Catequético", o próprio S. Jerônimo em sua famosa controvérsia com Vigilantius, o gaulês, pronunciam-se no mesmo sentido.
  S. Tomas de Aquino, o anjo da escola, no-lo diz o abade Poussin, professor no Seminário de Nice, em sua obra "O Espiritismo perante a Igreja"  (1866), "comunicava-se com os habitantes do outro mundo, com mortos que o informavam do estado das almas pelas quais se interessava ele, com santos que o confortavam e lhe patenteavam os tesouros da ciência divina".
    A Igreja, pelo órgão dos concílios, entendeu dever condenar as práticas espíritas, quando, de democrática e popular que era em sua origem, se tornou despótica e autoritária. Quis ser a única a possuir o privilégio das comunicações ocultas e o direito de as interpretar. Todos os leigos, provado que mantinham relação com os mortos, foram perseguidos como feiticeiros e queimados.
    Mas esse monopólio das relações  com o mundo invisível, apesar dos seus julgamentos e condenações, apesar das execuções em massa, a Igreja nunca o pôde obter. Ao contrário, a partir deste momento, as mais brilhantes manifestações se produzem fora dela. A fonte das superiores inspirações, fechada para os eclesiásticos, permanece aberta para os hereges. A História o atesta. Aí estão as vozes de Joanna D'arc, os gênios familiares de Tasso e de Jerônimo Cardan, os fenômenos macabros da Idade Média, produzidos por espíritos de categoria inferior; os convulsionários de S. Medard, depois os pequenos profetas inspirados de Cavennes, Swedenborg e sua escola. Mil outros fatos ainda formam uma ininterrupta cadeia, que, desde as manifestações na mais remota antiguidade, nos conduz ao moderno Espiritualismo.

Entretanto, numa época recente, no seio da Igreja, alguns raros pensadores investigavam ainda o problema do invisível. Sob o título "Da distinção dos Espíritos", o cardeal Bona, esse Fenelon da Itália, consagrava uma obra ao estudo das diversas categorias de Espíritos que podem manifestar-se aos homens.
  'Motivo de estranheza, diz ele, é que se pudessem encontrar homens de bom senso que tenham ousado negar em absoluto as aparições e comunicações das almas com os vivos, ou atribui-las a extravio da imaginação, ou ainda a artifício dos demônios".
  Esse cardeal não previa os anátemas dos padres católicos contra o Espiritismo.
  Forçoso é, portanto, reconhecê-lo: os dignatários da Igreja que, do alto de sua cátedra, têm anatematizado as práticas espíritas, desnortearam completamente. Não compreendem que as manifestações das almas são uma das bases do Cristianismo, que o movimento espírita é a reprodução do movimento cristão em sua origem. Não se lembram de que negar a comunicação com os mortos, ou mesmo atribuí-las à intervenção dos demônios, é pôr-se em contradição com os padres da Igreja e com os próprios apóstolos. Já  os sacerdotes de Jerusalém acusavam Jesus de agir sob a influência de Belzebu. A teoria do demônio fez sua época; agora já não é admissível."


Outro trecho do mesmo livro:
"... depois da morte do Mestre, os primeiros cristãos possuíam, em sua correspondência com o mundo invisível, abundante fonte de inspiração. Utilizavam-na abertamente. Mas as instruções dos Espíritos nem sempre estavam em harmonia com as opiniões do sacerdócio nascente, que, se nessas relações achava um amparo, nelas muitas vezes encontrava também uma crítica severa, e, às vezes, mesmo uma condenação.
  Pode ver-se no livro do padre de Longueval ("História da Igreja Anglicana") como, à medida que se constitui a obra dogmática da Igreja, nos primeiros séculos, os Espíritos afastam-se pouco a pouco dos cristãos ortodoxos, para inspirar os que eram então designados sob o nome de heresiarcas.
  Montânus, diz também o abade Fleury ("Historia Eclesiástica"), tinha duas profetisas, duas senhoras nobres e ricas, chamadas Priscila e Maximila.  Cerinthe também obtinha revelações.  Apolônio de Tiana contava-se entre esses homens favorecidos pelo céu, que são assistidos por um "espírito sobrenatural".  Quase todos os mestres da escola  de Alexandria eram inspirados por gênios superiores.
     Todos esses espíritos, apoiando-se na opinião de S. Paulo: 'O que por ora possuímos em conhecimento e profecia é muito imperfeito'  (I Corintios, XIII, 9) - traziam, diziam eles,  uma revelação que vinha confirmar e completar a de Jesus.
     Desde o século III, afirmavam que os dogmas impostos pela Igreja, como um desafio a razão, não eram mais que um obscurecimento do pensamento do Cristo. Combatiam o fausto já excessivo e escandaloso dos bispos, insurgindo-se energicamente contra  o que a seus olhos era uma corrupção da moral. (Padre de Longueval, "História  da Igreja Anglicana").
     Essa oposição  crescente tornava-se intolerável aos olhos da Igreja. Os 'heresiarcas', aconselhados e dirigidos pelos  espíritos, entravam em luta aberta contra ela. Interpretavam o Evangelho com amplitude de vistas que a Igreja não podia admitir, sem cavar a ruína dos seus interesses materiais. Quase todos se tornavam neo-platônicos, aceitando a sucessão das vidas do homem e o que Orígenes denominava 'os castigos medicinais', isto é, punições proporcionais às faltas da alma, reencarnada em novos corpos para resgatar o passado e purificar-se pela dor. Essa doutrina, ensinada pelos espíritos, e cuja sanção Orígenes e muitos padres da Igreja, como vimos,  encontravam nas Escrituras, era mais conforme com a justiça e misericórdia divinas. Deus não pode condenar as almas a suplícios eternos, depois de uma vida única, mas deve-lhes fornecer os meios de se elevarem mediante existências laboriosas e provas aceitas com resignação e suportadas com coragem.
   Essa doutrina de esperança e de progresso não inspirava aos olhos dos chefes da Igreja, o suficiente terror da morte e do pecado. Não permitia firmar sobre bases convenientemente sólidas a autoridade do sacerdócio. O homem, podendo resgatar-se a sí próprio das suas faltas, não necessitava do padre. O dom de profecia, a comunicação constante  com os Espíritos, eram forças que, sem cessar, minavam o poder da Igreja. Esta, assustada, resolveu pôr termo a luta, sufocando o profetismo. Impôs silêncio a todos os que, invisíveis ou humanos, no intuito de espiritualizar o Cristianismo, afirmavam idéias cuja elevação a amedrontava.
    Depois de ter, durante três séculos, reconhecido no dom da profecia, ou da mediunidade acessível a todos, conforme a promessa dos apóstolos, um soberano meio de elucidar os problemas religiosos e fortificar a fé, a Igreja chegou a declarar que tudo o que provinha dessa fonte não era mais que pura ilusão ou obra do demônio. Ela se declarou, do alto de sua autoridade, a única profecia viva, a única revelação perpétua e permanente. Tudo o que dela não provinha foi condenado, amaldiçoado. Todo esse lado grandioso do Evangelho, de que temos falado; toda a obra dos profetas que o completava e esclarecia, foi recalcado para a sombra. Não se tratou mais dos espíritos nem da elevação dos seres na escala das existências e dos mundos, nem do resgate das faltas cometidas, nem de progressos efetuados e trabalhos realizados através do infinito dos espaços e do tempo.
   Perderam-se  de vista todos os ensinos; a tal ponto se esqueceu a verdadeira natureza dos dons de profecia que os modernos comentadores das Escrituras dizem que 'a profecia era o dom de explicar aos fiéis os mistérios da religião' (De Maistre de Sacy, 'Comentários sobre São Paulo'). Os profetas eram, a seu ver, o 'bispo e o padre que julgavam, pelo dom do discernimento e as regras da Escritura, se o que fora dito provinha do espírito de Deus ou do espírito do demônio':  - contradição absoluta com a opinião dos primeiros cristãos, que nos profetas viam inspirados não de Deus mas dos espíritos, como o diz S. João, na passagem de sua primeira Epístola (IV, I), já citada.
   Um momento, ter-se ia podido acreditar que, aliada aos descortinos profundos dos filósofos de Alexandria, a doutrina de Jesus ia prevalecer sobre as tendências do misticismo judeu-cristão e lançar a Humanidade na ampla via do progresso, à fonte das altas inspirações espirituais. Mas os homens desinteressados, que amavam a verdade pela verdade, não eram bastante numerosos nos concílios. Doutrinas que melhor se adaptavam aos interesses terrenos da Igreja, foram elaboradas por essas célebres assembléias, que não cessaram de imobilizar e materializar a Religião. Graças a elas e sob a soberana influência dos pontífices romanos é que se elevou, através dos séculos, essa amálgama de dogmas estranhos, que nada têm de comum com o Evangelho e lhe são muitíssimo posteriores - sombrio edifício em que o pensamento humano, semelhante a uma águia engaiolada, impotente para desdobrar as asas e não vendo mais que uma nesga do céu, foi encerrado durante tanto tempo como em uma catacumba.
    Essa pesada construção, que obstrui o caminho à Humanidade, surgiu na Terra em 325 com o concílio de Nicéia, e foi concluida em 1870 com o último concílio de Roma. Tem por alicerce o pecado original e por coroamento a imaculada conceição e a infalibilidade papal.
   É por essa obra monstruosa que o homem aprende a conhecer esse Deus implacável e vingativo, esse inferno sempre hiante, esse paraíso fechado a tantas almas valorosas, a tantas generosas inteligências, e facilmente alcançado por uma vida de alguns dias, terminada após o batismo - concepções que têm impelido tantos seres humanos ao ateísmo e ao desespero."


Do livro "Porque Sou Espírita" , de Américo Domingos:
1) São Paulo, na Primeira Epístola aos Coríntios, descreve com exatidão, sob o nome de dons espirituais, todas as espécies de mediunidade
2) Santo Agostinho, bispo de Hipona, nascido em 354 d.C e desencarnado em 430 d.C, no seu tratado "De cura pro Mortuis" fala das manifestações do Além, afirmando: "Por que não atribuir esses fatos aos espíritos dos finados, e deixar de acreditar que a  Divina Providência faz de tudo um uso acertado, para instruir os homens, consolá-los e induzi-los ao bem?"
3) O mesmo Agostinho escreveu, entre os anos de 413 d.C e 427 d.C, 'A Cidade de Deus', onde aborda os processos telúrgicos para a comunicação com os espíritos.
4) Em 'Confissões (VIII, 12),  Agostinho cita o fato de ouvir uma voz paranormal, dizendo-lhe 'toma, lê', instruindo-lhe a estudar às Escrituras.
5) São Clemente de Alexandria  e São Gregório de Nice aceitavam as comunicações com os espíritos. O último, favorável à reencarnação, disse: 'a alma imortal deve ser melhorada e purificada; se ela não o foi na existência terrena, o aperfeiçoamento se opera nas vidas futuras e subsequentes'  (Grand Discours Catéchétique, III).
6) São Tomas de Aquino, em 'Summa'  (I): 'O Espírito ('anima separata') pode aparecer aos vivos';
7) Tertuliano, em sua 'Apologética': 'Se é permitido aos mágicos fazer aparecer fantasmas, evocar as almas dos mortos,  obrigar os lábios de uma criança a proferir oráculos, se eles têm as suas ordens espíritos mensageiros, pela virtude dos quais as mesas profetizam, quanto maior zelo e solicitude não empregarão os espíritos poderosos para operarem por conta própria o que executam com o auxílio de outrem?'
8) O cardeal de Bona, o ' Fénelon da Itália', em 'Da Distinção': 'É motivo de estranheza que se possam encontrar homens de bom senso que tenham ousado negar, em absoluto, as aparições e as comunicações das almas com os vivos, ou atribuí-las a uma fantasia da imaginação, ou à arte dos demônios'.
9) Escreve o padre Le Brum, em 'História das Práticas Supersticiosas': 'As almas que desfrutam a bem-aventurança eterna, abismadas na contemplação da glória de Deus, não deixam de se interessar, pelo que respeita aos homens, cujas misérias suportaram; e, como atingiram a felicidade dos puros, todos os escritores sacros lhes atribuem o privilégio de poderem, sob corpos etéreos, tornar-se visíveis aos seus irmãos que ainda se encontram na terra, para os consolar e lhes transmitir as divinas vontades'.
10) O padre Marchal, em 'O Espírito Consolador': 'Ora quem nos provará que esse envoltório fluídico, invisível no estado  normal, para os nossos olhos carnais, não pode nalguns casos condensar-se, de modo a tornar-se visível, por intermédio da 'segunda vista'  e até comunicar-se? A História comprova fartamente as aparições desse gênero e, se temos o direito de ser muito severos, quando se trata de comprovar a autenticidade, grande erro fora declará-los impossíveis.'
11) O padre Steinmetz, vendo o seu duplo no jardim, enquanto se achava no quarto em companhia de alguns amigos, disse-lhes apontando-se primeiro com o dedo e depois indicando o seu duplo no jardim: 'Aqui está o Steinmetz mortal e lá o Steinmetz imortal'.
12) O abade Poussin, professor do Seminário de Nice, afirmava que ele próprio 'se comunicava com os seres do outro mundo; com os mortos que lhe informavam do estado das almas, pelas quais se interessava, com os santos que o confortavam e lhe ministravam os tesouros da sabedoria'.

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