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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O corpo de Jesus ressuscitado

Jesus ressuscitou no corpo físico? Não, apesar de que isso possa lhe causar um certo choque, mas analisemos.
Quando se apresenta a Maria de Madalena, diz “não me toques, porque ainda não subi para meu Pai” (Jo 20,17), entretanto, a Tomé Ele disse:  “Põe aqui o teu dedo, vê as minhas mãos, aproxima também a tua mão, põe-na no meu lado” (Jo 20,27), nos parecendo contraditório. Ainda mais difícil de compreender quando colocam  Jesus dizendo  “porque um espírito não tem carne, nem ossos, como vós vedes que eu tenho” (Lc 24,39), e, na sequência (v.43), ele está comendo peixe com favo de mel. Tudo isso nos parece ter sido um ajuste para sustentar a ideia de que a alma não sobrevive sem o corpo físico.
No livro de Tobias, encontramos um  anjo fazendo coisas comuns ao seres humanos, inclusive comendo, mas ao final ele declara:  “Eu sou Rafael, um dos sete anjos... Vocês pensavam que eu comia, mas era só aparência... E o anjo desapareceu...”. (Tb 12, 15-22). No caso de Jesus não poderia ter sido uma situação semelhante ou mesmo uma materialização?
Esta hipótese justificaria a questão de poder ser tocado, pois estaria tangível. Mas considerando que, em várias oportunidades, se manifesta e ninguém o reconhece, somente acontecendo após algum   gesto dele. Como isso poderia ocorrer se ele tivesse ressuscitado no corpo físico? Se fosse em   espírito poderia muito bem, por sua evolução espiritual, transparecer com tanta luz que não conseguiram de imediato identificá-lo. Teria Ele, quando vivo, dito algo que negaria depois de morto, já que acreditamos que o que pregou realmente foi a ressurreição do Espírito?
Os evangelistas são unânimes em dizer que o corpo de Jesus foi colocado num túmulo novo. As narrativas de Mateus (27.59-60) e Marcos (15,46) dizem que o túmulo era de José de Arimateia, enquanto a de Lucas (23,52) não dá a entender isso e João (19,41-42) diz que  o túmulo estava localizado no jardim perto do lugar onde Jesus fora crucificado e o colocaram lá apenas porque estava perto, faltam dados para concluir que seria de José de Arimateia. Prestem a atenção à narrativa, pois foi dito “colocaram” em vez de enterraram, com isso não estaria mesmo para ser um lugar provisório?
Em Atos (5,6.10), quando se narra a morte de Ananias, e, logo após, a de Safira, sua mulher, a expressão usada foi: “levaram  para enterrar”, ou seja, em definitivo. Assim, por falta de maiores comprovações, podemos concluir que o lugar onde colocaram o corpo de Jesus não seria o seu túmulo definitivo, o que, provavelmente, foi feito depois, daí a razão do desaparecimento de seu corpo, hipótese mais provável tomando-se como base as narrativas.Por outro lado, no domingo de manhã, dois dias depois da morte de Jesus, algumas mulheres compraram  perfumes e foram  ao sepulcro para embalsamar o corpo (Mc 16,1; Lc
24,1), reforçando-nos a ideia de que estava ali provisoriamente. João (20,1-2) relata que somente Maria Madalena foi ao sepulcro, sem dizer o motivo, que ao encontrá-lo vazio, diz:“levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde o puseram”, ou seja, falou exatamente o  que era de se esperar para uma situação provisória.
Quem vai nos tirar desse impasse? Em Atos (16,7) Paulo e Timóteo tentam entrar na Bitínia, aí diz o texto:  “mas o Espírito de Jesus os impediu”. Em 2Cor 3,17, Paulo afirma:  “O Senhor é Espírito”. Pedro já nos diz que Jesus:  “...sofreu a morte em seu corpo, mas recebeu vida pelo Espírito” (1Pe 3,18) e mais adiante nos dá outra informação dizendo que Jesus foi pregar o Evangelho aos mortos (1Pe 4,4-6), o que Jesus só poderia ter feito em  Espírito. Assim, tudo se converge para a ideia de que Jesus, após sua morte, ressuscitou em Espírito.  A conclusão final, portanto, fica-nos que a ressurreição contida na Bíblia é a do Espírito e não do corpo. E sendo a do Espírito teremos que admitir a comunicação dos “mortos” com os vivos, conforme o acontecido com o próprio Jesus após sua morte.
Paulo da Silva Neto Sobrinho
Fev/2004.
Referências bibliográficas:
Bíblia Sagrada, São Paulo, Edições Paulinas, 1980.
Bíblia Sagrada, São Paulo, Paulus, 1990.

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