"Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros." (João 13:35) "Onde estiverem reunidos, em Meu nome, dois ou três, lá estarei no meio deles." (Mateus 18:20)

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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Perguntas aos que acreditam no fogo eterno do inferno.

Os apologistas cristãos falam em "amor a Deus" e "amor ao próximo". Mas como fica o amor ao próximo de quem está no paraíso ocioso, aproveitando eternamente os prazeres celestiais, em relação a parentes e amigos queridos que penarão eternamente no inferno? Deverão todos se esquecer daqueles que amam e que sofrerão eternamente e pensar de forma egoísta somente na sua "salvação individual"?
Por outro lado, se não esquecermos daqueles que amamos, se houver amor ao próximo, como ter amor  a um Deus que  condenará eternamente seus entes queridos, sem nenhum direito ao perdão, apenas por não terem crido na idéia da "redenção através do sangue de Jesus", mesmo sendo pessoas que só se voltaram ao bem? Me parece impossível conciliar o amor a Deus e ao próximo quando se acredita em um "Deus" assim.
Argumento a favor da idéia do inferno que vi em uma página na Internet:
"Que a ofensa do homem a Deus tenha gravidade infinita decorre da própria infinitude de Deus."
  Então quer dizer que o castigo do homem é infinito, por menor que tenha sido sua falta,  porque Deus é infinito  ? O homem é finito, portanto jamais  poderia cometer uma ofensa infinita, pois  a ofensa não tem relação com a pessoa do ofendido, mas com a capacidade do ofensor. Nas próprias normas do nosso Direito Penal  (arts. 22 a 24), observa-se a "inimputabilidade" do delinqüente por circunstâncias  de idade,  perturbação de sentidos ou alienação mental. Perguntamos: Pode alguém de bom senso e no pleno domínio das suas faculdades sentir-se ofendido pelas  ofensas que lhe dirija um ébrio ou um alienado mental ? Pode um adulto consciente sentir-se atingido pelas injúrias que lhe dirija uma criança de tenra idade ? Não existe aí uma tal desproporção  de maturidade intelectual suficiente para elidir  qualquer possibilidade de agravo ? E não é infinitamente maior a desproporção que existe entre o Ser Supremo e a minha insignificante pessoa, do que a existente entre mim e uma criancinha que mal começa a ensaiar  seus próprios passos ? Então, como posso eu,  Espírito imperfeito,  assim criado por Ele e que mal engatinha em sua peregrinação pelos caminhos do aperfeiçoamento moral, como posso  ofender o Todo Poderoso ao ponto de merecer uma condenação a penas severas e inextinguíveis, por deslizes  resultantes  da imperfeição inerente à minha própria natureza humana ? Não estaria aí a severidade da pena em brutal desproporção com a gravidade da falta ?
   E o pior é que enquanto Jesus nos veio  ensinar  a amar os nossos inimigos, a perdoar indefinidamente as ofensas, a ver no Pai Celestial um ser compassivo e misericordioso, sempre pronto a acolher um filho que se transvia (ver Parábola do Filho Pródigo), esse Deus que a ortodoxia cristã nos impinge é de uma severidade extrema, cominando penas que nenhum tribunal humano subscreveria, e ainda por cima irremissíveis, de nada adiantando, após a morte, o arrependimento dos por essa forma condenados...
   Ora, nós sabemos que a experiência na carne, por prolongada que seja, não passa de um instante fugaz em face da eternidade. Então temos de forçosamente concluir que a condenação a uma eternidade de sofrimentos por falta cometidas durante tão breve tempo, não se coaduna com a idéia de um Deus justo, misericordioso e infinitamente bom. E se Deus perdoa ao culpado que se arrepende de seus erros no curso da vida terrena, por que não poderá fazê-lo em relação aos que se arrependem depois da morte ? De que serviria, então a "pregação do Evangelho aos mortos", a que alude o apóstolo Pedro em sua epístola (I Pedro 4:6)?  E Jesus foi pregar aos espíritos em prisão(1 Pedro 3:19). Por que Jesus pregaria aos mortos, se espíritos estão condenados, sem direito ao arrependimento e sem direito a novas oportunidades(reencarnação!) ?
Pergunta-se: Depois da morte o ser conserva a sua individualidade ou não ? Pode pensar, sentir, raciocinar ? Pode arrepender-se de seus erros ? Se se arrepende, por que não pode ser perdoado ? Que Deus misericordioso é esse que só perdoa as faltas de seus filhos durante a vida terrena, que é um átimo, e não perdoa durante a vida espiritual, que dura a eternidade ?
  Se Deus é onipotente e onipresente, não pode deixar de ver o que se passa em todos os recantos do infinito Universo e, portanto, também o sofrimento dos condenados no inferno. E se fica assistindo ao sofrimento dos infelizes por Ele mesmo criados, a clamarem por perdão num arrependimento inútil, e não se comove ante esse espetáculo  dantesco, esse Deus é de uma insensibilidade espantosa, que nenhum ser humano, por empedernido que fosse, seria capaz de manter.
  Como pode alguém "amar a Deus sobre todas as coisas"  (Deut. 6:5), entendendo que este Deus é um tirano, que condena o pecador eternamente e não o perdoará após a morte, por mais que se arrependa ?
"Os publicanos e prostitutas entrarão primeiro que vós, fariseus hipócritas, no Reino de Deus" (Matheus 21:31)
Entrarão PRIMEIRO... então, TODOS entrarão..  Uns antes, mas TODOS entrarão...
Para nós, espíritas,  há   áreas de espíritos sofredores, que chamamos de zonas umbralinas, assim como a dos espíritos superiores. Os espíritos não reencarnam imediatamente como alguns pensam. Só que o sofrimento não é eterno.
Leon Denis diz em Cristianismo e Espiritismo: "O termo hebraico  ôlam, traduzido por eterno, tem como raiz o verbo âlam, ocultar. Exprime um período cujo fim se desconhece. O mesmo acontece à palavra grega aione à latina aeternitas. Tem esta como raiz aetas, idade. Eternidade, no sentido em que entendemos hoje, diz-se-ia em grego aidios e em latim sempiternus, de semper, sempre. (Ver abade J. Petit, Réssurrection, de abril 1903). As penas eternas significam, então: sem duração limitada. Para quem não lhes vê o termo, são eternas. As mesmas formas de linguagem eram empregadas pelos poetas latinos Horácio, Virgílio, Estácio e outros. Todos os monumentos imperiais de que falam devem ser, diziam eles, de eterna duração."
A idéia do "inferno eterno" pra onde vai a maior parte da Humanidade (a minoria da Humanidade é cristã. A maioria é de países que não são cristãos), exceto os "remidos pelo sangue do Cristo", só interessa as diversas igrejas cristãs, uma se dizendo mais cristã do que a outra. Para elas, que sobrevivem através do medo (do inferno e de demônios) dos seus fiéis, não interessa ver Deus como o amoroso, misericordioso e principalmente PAI, sempre pronto a perdoar seus filhos e oferecendo novas oportunidades através da reencarnação, afinal a reencarnação elimina a necessidade da igreja e, consequentemente, do dízimo, do perdão do padre, etc. Dizem que Deus é amor, Pai, mas também é justo. Ora, até nas leis dos homens a pena é sempre proporcional ao crime cometido.

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