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domingo, 20 de fevereiro de 2011

Porque esquecemos quem fomos em vidas passadas

Questionam sempre:"Como o homem pode se purificar das faltas e  pecados cometidos nas encarnações anteriores se ele não possui a mínima lembrança do que fez?"
Do Livro dos Espíritos:
"126. Por que não conserva o homem a lembrança de suas anteriores existências? Não será ela necessária ao seu progresso futuro?
Se em cada uma de suas existências um véu esconde o passado do Espírito, com isso nada perde ele das suas aquisições, apenas esquece o modo por que as conquistou. Ao aluno pouco importa saber onde, como, com que professores ele estudou as matérias de uma classe, uma vez que as saiba, quando passa para a classe seguinte. Se os castigos o tornaram laborioso e dócil, que lhe importa saber quando foi castigado por preguiçoso e insubordinado? É assim que, reencarnando, o homem traz por intuição e como idéias inatas, o que adquiriu em ciência e moralidade. Digno em moralidade porque, se no curso de uma existência ele se melhorou, se soube tirar proveito das lições da experiência, se tornará melhor quando voltar; seu Espírito, amadurecido na escola do sofrimento e do trabalho, terá mais firmeza; longe de ter de recomeçar tudo, ele possui um fundo que vai sempre crescendo e sobre o qual se apóia para fazer maiores conquistas. O olvido só se dá durante a vida corporal; uma vez terminada ela, o Espírito recobra a lembrança do seu passado; então poderá julgar do caminho que seguiu e do que lhe resta ainda fazer; de modo que não há essa solução de continuidade em sua vida espiritual, que é a vida normal do Espírito. Esse esquecimento temporário é um benefício da Providência; a experiência só se adquire, muitas vezes, por provas rudes e terríveis expiações, cuja recordação seria muito penosa e viria aumentar as angústias e tribulações da vida presente. Se os sofrimentos da vida parecem longos, que seria se a ele se juntasse a lembrança do passado? Isto perturbaria as relações sociais e seria um tropeço ao progresso. Quereis uma prova? Supondo que um indivíduo condenado às galés tome a firme resolução de tornar-se um homem de bem, que acontece quando ele termina o cumprimento da pena? A sociedade o repele, e essa repulsa o lança de novo nos braços do vício. Se, porém, todos desconhecessem os seus antecedentes, ele seria bem acolhido; e, se ele mesmo os esquecesse, poderia ser honesto e andar de cabeça erguida, em vez de ser obrigado a curvá-la sob o peso da vergonha do que não pode olvidar.
127. Qual a origem do sentimento a que chamamos consciência?
É uma recordação intuitiva do progresso feito nas precedentes existências e das resoluções tomadas pelo Espírito antes de encarnar, resoluções que ele, muitas vezes, esquece como homem. "

Portanto, o esquecimento é na verdade uma benção e basta conservarmos a intuição necessária para o nosso progresso. Caráter e inteligência não se perdem. O espírito bom, não regride, mesmo nascendo numa família voltada ao mal. Vocações, criatividade, talento artístico, conhecimento sobre línguas, etc., ficam apenas adormecidos até que a pessoa tenha contado com aquilo novamente e aprenda com facilidade, tendo a impressão de já ter conhecido aquilo. É o que acontece com os superdotados, como Mozart, que aos 4 anos tocava qualquer música ao piano.
  Há vários motivos pra esquecermos. Inimigos do passado costumam conviver conosco novamente, até na própria família. Já pensou como seria reconhecer em seu filho o seu assassino? Ou, ainda, já pensou como seria penoso viver  sabendo dos erros que você cometeu em vidas passadas?  Não seria terrível conviver com isso? Quantas besteiras que fizemos nesta vida e gostaríamos de esquecer!  E, se você foi um assassino, teria que viver sabendo que, seguindo a lei de causa e efeito, pode de uma hora pra outra vir a ter uma morte  violenta. E o Espírito recebe em cada nova encarnação as mesmas provas em que falhou no passado, e, se conservasse a consciência do fato, isso cercearia o seu livre-arbítrio. Mas a existência verdadeira é a espiritual e nesta o indivíduo conhece todas as causas e todas as conseqüências, sabendo com segurança as razões das provas por que passou.
Vejamos um exemplo de como o esquecimento é na verdade uma benção : pela mediunidade de Chico Xavier ficamos sabendo que os mortos na tragédia do edifício Joelma nos anos 1970 em São Paulo estavam resgatando dívidas contraídas na época das Cruzadas. Agora, imagina se eles soubessem isso antes, quando ainda vivos! Sofreriam sempre de remorso pelo que fizeram e de angústia e medo do resgate das dívidas. Poderiam também, para fugir da morte violenta e sabendo que o resgate também se dá pelo amor, procurar ajudar vítimas de incêndio, por exemplo, e aí não estariam agindo com amor verdadeiro e sim por medo. A aprendizagem do espírito, portanto, tem que acontecer espontaneamente. Devemos fazer o bem quando tivermos realmente o bem em nosso interior e não apenas por medo.
  Imagine ainda a confusão que seria a lembrança de ter sido homem, mulher, feio, bonito, sadio, aleijado, magro, gordo, a esposa do seu atual pai, o marido de sua atual mãe, o pai do seu atual pai, coisas assim.  Imagine lembrar de todas as suas mortes, ainda mais aquelas das mais violentas, ou, ainda pior, ter que suportar a memória das mortes que você causou e conviver com o sentimento de culpa.
  Há casos em que as pessoas tem algumas lembranças em sonhos ou uma sensação de deja-vu ao visitar um lugar. Também podemos nos lembrar através de uma Terapia de Vidas Passadas, que é útil na cura de certos traumas. Mas muitas pessoas que se metem a fazer uma regressão a vidas passadas sem a ajuda de um terapeuta profissional acabam se recordando de coisas traumáticas, como a própria morte, por exemplo, e tendo problemas psicológicos.
  Em "Cartas a um Discípulo", Gandhi  diz: "Não conservar a memória das reencarnações anteriores é sinal da bondade da natureza para conosco. Que bem receberíamos por conhecer os particulares dos inúmeros nascimentos que já tivemos? Se fôssemos obrigados a suportar tão terrível carga de memória ao longo do nosso caminho, a vida se tornaria um fardo muito pesado".

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