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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Quem são os “anjos” ?

Severino C. da Silva em seu livro "Analisando as Traduções Bíblicas":
 "No Livro dos Espíritos, questão 128, encontramos o conceito de que os anjos, os arcanjos e os serafins não formam uma categoria especial da natureza diferente dos outros espíritos, mas são os espíritos puros daqueles que se acham no mais alto grau da escala evolutiva e reúnem todas as perfeições.
   Esclarece ainda que a palavra anjo revela, geralmente, a idéia da perfeição moral; entretanto, aplica-se, frequentemente, a todos os seres bons e maus que estão fora da Humanidade. Diz-se: o bom ou mau anjo, o anjo da luz e o anjo das trevas. Nesse caso, é sinônimo de Espírito ou gênio. Nós a tomamos aqui na sua boa acepção.
   Os anjos percorreram todos os degraus da escala evolutiva, reencarnaram muitas vezes até atingirem a perfeição. Uns evoluíram mais rápido do que outros, principalmente aqueles que aceitaram suas missões sem murmurar (questão 129. L.E.)
  O conceito de Demônio apresentado por muitos teólogos não apresenta consistência perante os estudos científicos a  esse respeito. Muitos afirmam ser o demônio a personificação do mal.
   Léon Denis afirma ser justo a igreja recomendar prudência aos seus fiéis; errada, porém, em lhes proibir as práticas espíritas, a pretexto de que emanam do demônio. É, por ventura, demônio o Espírito que se confessa arrependido e pede preces? Demônio o que nos exorta à caridade e ao perdão? Na maioria dos casos, em lugar de ser essa personagem astuciosa e maligna descrita pela igreja, Satanás seria completamente destituído de bom senso, não percebendo que trabalha contra si.
(...) A palavra hebraica ´malách´ significa mensageiro que o grego na tradução da Setenta chamou de ´anguelos´ e significa anjo.
Analisando o significado hebraico da palavra, ou seja, 'mensageiro', poderíamos aceitar o belo livro ´Os Mensageiros´ psicografado  por Francisco Cândido Xavier e ditado pelo espírito de André Luiz, como ´o livro dos anjos.
No Antigo Testamento, a forma mais primitiva de fé nos anjos parece ter sido a do ´mensageiro de Iahvéh'. O mensageiro aparece a Agar no deserto(Gn. 16:7-13); 21:17-20), dispensa Abraão de sacrificar Isaac (Gn 22:11-18) e protege o servo de Abraão em sua viagem para encontrar uma mulher para Isaac(Gn 24: 7-40). Fala a Jacó em sonho(Gn. 31:11-13), protege-o de todo o mal(Gn 48:16) e luta com ele em Peniel(Gn. 32:24-30). Aparece a Moisés na sarça ardente (Ex. 3:2-6) e conduz Israel através do mar vermelho e do deserto (Ex. 14:19-31; 23:20-25; 33:2 e 3; Nm 20:16) Impede a passagem  de Balaão na estrada, quando ele vai se encontrar  com Balac(Nm. 22:22-35). Provavelmente, é também o homem que aparece a Josué nas proximidades de Jericó(Js. 5:13-15), o ´chefe do exército de Iahvéh'.  Fala aos israelitas em Boquim(Juízes 2:1-3). Conclama-os a amaldiçoarem os habitantes de Meroz(Juízes 5: 23-25). Aparece a Gedeão(Juízes 6:11-18) e à mãe de Sansão(Juízes 13:3-5). Como anjo exterminador da peste, aparece a David na eira de Areúna(2 Samuel 24:16-17). Aparece a um profeta de Betel(I Reis 13:18 e 19) e a Elias durante a sua viagem ao Horêv (I Reis 19:5-7) e antes do seu encontro com os mensageiros de Ocozias (2 Reis 15 e 16). E também destrói os assírios diante de Jerusalém (2. Reis 19: 35; 2 Crônicas 32:21; Isaías 3&:36). Nos livros de Samuel e dos Reis não aparecem outras vezes mas nos diálogos é usado como exemplo de fidelidade (I Samuel 29:9), de sabedoria (2 Samuel  14:20) e de força (2 Samuel 19:28). No plural, o termo só aparece em Gênesis 19:1(os dois anjos que salvaram Ló de Sodoma) em Gênesis 28:12 (os anjos sobem e descem a escada vista em sonho por Jacó) e em Gênesis 32:2 (vêm ao encontro de Jacó em Maanaim).
   Essas passagens mostram com clareza que o anjo de Iahvéh pertence às partes mais antigas da tradição hebraica. O fato de que o mensageiro aparece com freqüência sempre menor, na medida em que o relato se desenvolve, pode ser explicado, considerando-se que  as tradições mais antigas representam uma visão folclórica que, muitas vezes, acentua o maravilhoso e recorre ao divino para explicar os fenômenos.
    Também é evidente que não se pode distinguir  claramente  o anjo mensageiro de Iahvéh do próprio Iahvéh (segundo Gênesis 16: 13; 21:18;31:13; Êxodo 3:2-6;Juízes 6:14;13:22). Deduz-se que o anjo é um enviado de Iahvéh para falar em seu nome ou em seu nome realizar maravilhas, coisas que, em outros lugares, Iavéh realiza sem intermediários.
    Em algumas das passagens citadas, pode-se pensar que o anjo de Iahvéh seja um acréscimo teológico à narração, acréscimo  que teria o objetivo de preservar a transcendência divina do contato muito íntimo com a criatura, ao passo que outras formas de tradição não demonstram esse escrúpulo. Pode-se concluir que a idéia do mensageiro na fé primitiva oscila entre uma união dos atributos e das operações divinas entre um ser pessoal e celeste determinado. Em Isaías 63:9 não é um mensageiro nem um anjo que liberta Israel, mas a presença de Iahvéh. O mensageiro não é um Deus. E também não é um ser espiritual. Os hebreus não tinham nenhuma idéia da realidade espiritual e distinguiam os seres celestes dos homens apenas somente pela idéia de que os primeiros deveriam ser diferentes do segundo. O anjo não é descrito, mas nada sugere a idéia de que fosse concebido de modo diverso da forma humana.
     O anjo de Iahvéh também continua aparecendo nos livros mais tardios. Ele acampa com aqueles que temem Iahvéh, como o anjo do Êxodo(Sl. 34:8), e persegue os maus (Sl. 35:5 e 6). Rafael, um dos sete anjos, que apresentam as preces do povo de Deus, ajuda Tobit e seu filho em suas necessidades (Tb 12:15). Em especial, aparece como o mediador entre Iahvéh e os profetas. Em Zacarias (1:1-17), cada visão é explicada pelo anjo que acompanha o profeta. A mesma concepção pode ser encontrada em Daniel 8:15-26  e Daniel 9:21-27, onde o anjo  tem forma humana e recebe o nome de Gabriel. Em Daniel 10:9-21 aparece o príncipe Miguel, o anjo do povo de Israel que luta contra os príncipes da Grécia e da Pérsia em defesa de Israel. A mesma função de interpretação é exercida pelo "filho do homem" em Ezequiel 4:1-17 ao passo que Eliú (Jó 33:23) afirma que Deus enviará um anjo "Mediador" para interceder pelo homem atingido pelo sofrimento.
       Há um evidente contraste entre essa representação e a ´palavra de Iahvéh´ que chega diretamente aos profetas nos livros proféticos mais antigos.  Tanto a revelação  como os atos de Iahvéh se realizam pela mediação de um ser celeste, para que a transcendência divina apareça mais claramente.
Os Anjos no Novo Testamento.
     Nos Evangelhos, os anjos têm uma importância marcante. E sobre a infância de Jesus ela é muito evidente. Os anjos avisam José do próximo nascimento do menino (Mateus 1:20-23), da fuga para o Egito (Mateus 2:13) e do retorno (Mateus  2:19). Nesses casos o anjo não difere do "mensageiro" de Iahvéh do Antigo Testamento. Gabriel é o anjo da anunciação: é ele quem fala a Zacarias do nascimento de João Batista(Lucas 1:11-21) e a Maria sobre o nascimento de Jesus (Lucas 1:26-37). Tanto o nome como a função de Gabriel derivam do Livro de Daniel. O anjo do Senhor anuncia o nascimento de Jesus aos pastores, acompanhado por uma multidão do exército celeste que canta um hino de louvor(Lucas 2:9-14). Também aqui nos encontramos concepções do Antigo Testamento. Os anjos assistem Jesus durante as "tentações" (Mateus 4:11 e Marcos 1:13), um anjo o conforta durante a  sua agonia (Lucas 22:43).  Essas citações, no entanto, estão ausentes em alguns dos principais manuscritos. Na ressurreição de Jesus, há a presença de anjos, embora, ao que parece, sejam vistos apenas por poucos(Mateus 28:2;Lucas 24:23 e João 20:12), também aqui eles são mensageiros.
      Os anjos também aparecem como corte celeste que acompanha o Senhor(Lucas 12:8 e 9;15:10), dando-nos a entender que a ela Deus manifesta os seus desígnios (Mateus 24:36). Provavelmente, em Mateus 18:10, os anjos devem ser entendidos como custódios dos pequenos. Da mesma forma, Jesus poderia convocar os anjos para libertá-lo daqueles que O prendiam (Mateus 26:43). São os anjos que levam Lázaro para o seio de Abraão(Lucas 16:22). O anjo da piscina de Batesda não se encontra em quase nenhum dos manuscritos principais e não faz parte do Evangelho original(João 5:4). Os anjos também são ministros do juízo de Deus na Parusia (vinda escatológica do Cristo): reúnem os pecadores para o julgamento (Mateus 13:41 e 49), acompanham o Filho do Homem em sua vinda (Mateus 16:27; Marcos 8:38 e Lucas 9:26), reúnem os eleitos(Mateus  24:31 e Marcos 13:27).
      O que acabamos de apresentar no Antigo Testamento e nos Evangelhos demonstra que não existe diferença da concepção de "anjo" entre os dois distintos períodos. E, ainda que, segundo as informações da Doutrina Espírita, não existe nada de sobrenatural nestas citações. São fenômenos puramente  espíritas e causados por entidades evoluídas chamadas anjos, que ainda hoje assistem  a todos nós em nossas existências terrenas. O que ocorria no passado, ocorre no presente e ocorrerá no futuro.
      Muitos poderão argumentar que estes fenômenos só foram possíveis de se realizar porque foram promovidos pelos profetas e pelo Cristo.
       Mas o que dizer então dos mesmos fenômenos ocorrendo com todos os apóstolos e com o próprio Paulo e demais vultos do Cristianismo nascente?
       Por que o apóstolo João na sua primeira Epístola no capítulo 4:1 recomenda: "Caríssimos, não acrediteis em qualquer espírito, mas examinai os espíritos para ver se os espíritos são de Deus, pois muitos falsos profetas vieram ao mundo" ?
       Se não existisse comunicação com os espíritos, como se justificaria tal recomendação?"

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