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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Quem são os “demônios”?

Severino Celestino da Silva no livro "Analisando as Traduções Bíblicas", sobre os “demônios”:
"A palavra demônio não implica na idéia do espírito mau senão na sua significação moderna, porque a palavra grega ´daimon", da qual se origina, significa ´Deus', 'poder divino´, ´gênio', 'inteligência', e se emprega para designar os seres incorpóreos, bons ou maus, sem distinção.
   Segundo o significado vulgar a palavra ´demônios´ significa seres essencialmente malfazejos e seriam, como todas as coisas, criação de Deus. Ora, Deus que é soberanamente justo e bom não pode ter criado seres predispostos ao mal por sua natureza e condenados por toda a eternidade. Se não são obras de Deus, seriam, pois, como Ele, de toda a eternidade, ou então haveria várias potências soberanas.
   Ainda segundo Kardec, a primeira condição de toda doutrina é de ser lógica. Ora, a dos demônios, em seu sentido absoluto, peca por essa base essencial.
    Compreende-se que, na crença dos povos atrasados, que não conheciam os atributos de Deus, fossem admitidas as divindades malfazejas, como também os demônios, mas, é ilógico e contraditório, para aqueles que fazem da bondade de Deus um atributo por excelência, suporem que Ele possa ter criado seres devotados ao mal e destinados a praticá-lo perpetuamente. Isso seria a negação da bondade divina. Os partidários da doutrina dos demônios se apóiam nas palavras do Cristo. Mas estarão bem certos no sentido que Ele dava à palavra demônio? Não sabemos que a forma alegórica era um dos caracteres distintivos da Sua Linguagem? Tudo que o Evangelho contém deve ser tomado ao pé da letra? Não seremos nós quem contesta a autoridade dos Seus ensinamentos, pois desejamos vê-los mais no coração do que na boca dos homens. Não precisamos de outra prova além desta passagem:
   'Logo após estes dias de aflição, o Sol obscurecerá e a lua não derramará mais sua luz, as estrelas cairão do céu e as potências celestes serão abaladas. Digo-vos, em verdade, que esta geração não passará sem que todas estas coisas se tenham cumprido" (Mateus 24: vers. 29 e 35).
   Não temos visto a forma do texto bíblico ser contradita pela Ciência no que se refere à Criação e ao movimento da Terra? Não pode ocorrer o mesmo com certas figuras empregadas pelo Cristo, que devia falar de acordo com os tempos e os lugares? O Cristo não poderia dizer, conscientemente, uma coisa falsa. Assim, pois, se em suas palavras há coisas que parecem chocar a razão, é porque não as compreendemos ou as interpretamos mal.
   Os homens acreditaram ser os anjos entes perfeitos por toda eternidade e tomaram os espíritos inferiores por seres perpetuamente maus. No entanto, pela palavra demônio, devemos entender como sendo os espíritos impuros que, frequentemente, não valem mais do que as entidades designadas por esse nome, e com a diferença de que seu estado é transitório. São, portanto, os espíritos imperfeitos que murmuram contra as provas que devem suportar e que, por isso, suportam-nas por mais tempo; chegando, porém, por seu turno, a saírem desse estado, quando o quiserem. Poder-se-ia aceitar então a palavra "demônio" com esta restrição. Nesse sentido exclusivo, poderia induzir ao erro, fazendo crer na existência de seres criados para o mal."

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