"Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros." (João 13:35) "Onde estiverem reunidos, em Meu nome, dois ou três, lá estarei no meio deles." (Mateus 18:20)

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domingo, 20 de fevereiro de 2011

REENCARNAÇÃO - ARGUMENTOS CATÓLICOS CONTRA OS FUNDAMENTOS DO ESPIRITISMO

Lemos, no site da Montfort, um artigo sob título acima, em que o articulista desenvolve, em 20 tópicos, o seu entendimento, dizendo refutar a reencarnação. Para facilitar a compreensão do leitor, esclarecemos que as partes constantes do texto sob comentário foram transcritas do original mediante a utilização das teclas “ctrl+c” e “ctrl+v”, seguindo a mesma ordem de numeração utilizada pelo autor e estão sombreadas. Portanto, se erros houver, estão no original. Diz ele:

1. Se a alma humana se reencarna para pagar os pecados cometidos numa vida anterior, deve-se considerar a vida como uma punição, e não um bem em si. Ora, se a vida fosse um castigo, ansiaríamos por deixá-la, visto que todo homem quer que seu castigo acabe logo. Ninguém quer ficar em castigo longamente. Entretanto, ninguém deseja, em sã consciência, deixar de viver. Logo, a vida não é um castigo. Pelo contrário, a vida humana é o maior bem natural que possuímos.

Contra esse posicionamento, apresentamos o seguinte argumento: quem diz que os espíritas afirmam isso são os católicos e protestantes não afeitos à leitura das obras espíritas, ou mal intencionados, com o único propósito de tentar levar os leitores de seus artigos a um entendimento diverso, confiantes de que os dirigentes de suas respectivas religiões serão obedecidos quanto à recomendação feita aos seus fiéis para não lerem livros espíritas, com o único objetivo de tentar evitar que os seus profitentes tomem conhecimento da verdadeira essência do Espiritismo, que é mostrar ao ser humano, independentemente de sua fé religiosa, que a sua salvação só depende dele próprio, e de suas ações, e não de intermediários, auto-proclamados
representantes de Deus na Terra. O que o Espiritismo divulga é que a vida é o bem maior concedido por Deus ao homem, com a finalidade de corrigir os seus erros eventualmente cometidos em vidas anteriores e não como um meio de puni-lo, embora, em alguns casos, ela também possa ter esse objetivo, de conhecimento do próprio homem, como demonstra a passagem de Jo 9:2, em que os apóstolos perguntam ao Mestre se foi o cego de nascença ou se foram seus pais que pecaram para que ele nascesse cego. Antes que se diga ter o Mestre respondido que ninguém pecou, lembramos não ser a resposta, no caso, o fato indicativo da existência, ou não, de pecado a ser pago, mas, sim, a pergunta, pois ninguém pergunta sobre um fato se não há a possibilidade dele acontecer ou de já ter acontecido; não é certo? Tanto assim, que os apóstolos fizeram a pergunta nesse sentido. Logo, antes do advento do cristianismo, a existência da reencarnação já era do conhecimento comum, bem como, que ela também tinha, dentre outras finalidades, a de permitir ao espírito pagar pecados cometidos em vidas anteriores. Se assim não fosse, a pergunta não
teria sentido, pois, para que um cego de nascença tenha pecado, conforme consta da pergunta dos apóstolos, é necessário que ele tenha vivido antes. Mas, como esse entendimento joga por terra o “dogma da criação do espírito no momento da concepção”, os que tiram seu sustento da pregação terrorista da “vida única”, “vendendo a salvação pela fé” (cega, diga-se de passagem), não aceitam a reencarnação, nem à base de toda a lógica que reveste esse princípio natural. Daí, gostaríamos que o autor e os seus adeptos nos explicassem como a pena eterna no inferno, na qual eles acreditam, contrapondo-a à reencarnação, possa ser
“um bem em si”...
Mais um outro argumento:  consideremos a seqüência de encarnações para o espírito como a vida escolar aqui na Terra para os encarnados. O estudo é uma necessidade para o progresso do indivíduo, embora não seja uma coisa agradável nem uma dádiva; certo? Suponha o leitor que nos seus estudos tenha que repetir um
ano ou tenha tido necessidade de deixar matérias em recuperação ou dependência; será que vai considerar isso como um prêmio, um castigo, ou uma oportunidade para continuar no avanço do seu aprendizado? Da mesma forma acontece com a reencarnação; a vida seguinte não quer dizer que é para pagar um erro cometido na anterior, mas, sim, para continuar a sua evolução espiritual, permitindo Deus que possamos aproveitar essa nova oportunidade para reparar erros cometidos ou dar continuidade a alguma tarefa não concluída em vidas anteriores; não é assim o que acontece nos nossos estudos? Ora, se o homem encontrou uma forma de só haver punição em situação extrema (repetição das mesmas matérias do ano anterior), será
que Deus é menos inteligente do que o homem, a ponto de não ter uma solução melhor do que a humana para reparação dos nossos erros de aprendizado?

2. Se a alma se reencarna para pagar os pecados de uma vida anterior, dever-se-ia perguntar quando se iniciou esta série de reencarnações. Onde estava o homem quando pecou pela primeira vez? Tinha ele então corpo? Ou era puro espírito? Se tinha corpo, então já estava sendo castigado. Onde pecara antes? Só poderia ter pecado quando ainda era puro espírito. Como foi esse pecado? Era então o
homem parte da divindade? Como poderia ter havido pecado em Deus? Se não era parte da divindade, o que era então o homem antes de ter corpo? Era anjo? Mas o anjo não é uma alma humana sem corpo. O anjo é um ser de natureza diversa da humana. Que era o espírito humano quando teria pecado essa primeira vez?

Todas as perguntas desse tópico giram em torno de um só tema: quando o homem pecou pela primeira vez. Inicialmente, convém esclarecer, principalmente àqueles que não querem entender, que o significado de reencarnação é encarnar de novo, ou seja, ter vivido antes. Ora, quando foi que o Adão, mencionado por Moisés, e aceito pela Igreja Católica, pecou? Foi em espírito ou foi quando encarnado, ao desobedecer às ordens recebidas de Deus no “paraíso”? Veja o leitor que até aí, tanto os princípios Espíritas quanto os Católicos estão idênticos, na origem. Aqui é que começam as diferenças, já que, para a Igreja Católica, e as diversas denominações protestantes ditas evangélicas, com a visão de uma só vida, Adão e Eva, somente em
decorrência da desobediência aqui na Terra é que Deus lhes aplicou o castigo eterno. Já, para o Espiritismo, os primeiros seres humanos que nasceram na Terra, inclusive Adão e Eva, nasceram novamente para continuar seu aprendizado evolutivo e, em algumas oportunidades, aproveitando as encarnações seguintes para reparar alguns erros cometidos em existências anteriores; a reparação desses erros implica na necessidade do espírito passar por algumas vicissitudes iguais às impostas por eles a outras pessoas, visando, com isso, sentirem, na própria carne, o que fizeram aos seus semelhantes. Com o que até aqui dissemos, consideramos respondidas as perguntas formuladas nesse segundo tópico. Apenas achamos conveniente esclarecer, quanto à assertiva “Se tinha corpo, então já estava sendo castigado.”, que ela é um sofisma,
pois, a exemplo do Adão Católico, o espírito, na primeira vez que nasceu na Terra, ele apenas recomeçou uma nova série de encarnações, neste novo Planeta, visando reparar erros (ou pecados, na terminologia católica e protestante) cometidos em outro Planeta, já que “Na casa de meu Pai há muitas moradas”, conforme Jo 14:2. Não terá sido em função disso que foi criada a lenda do “pecado original” (e põe original
nisso...) e a do paraíso? Como se vê, o Planeta anterior representa perfeitamente a lenda do paraíso perdido, em relação a Adão e, na parábola do rico e Lázaro, quando esse último vai para “o seio de Abraão”. Agora, vai uma perguntinha: por que alguns autodenominados defensores da Fé Católica condenam a reencarnação na forma entendida pela Doutrina Espírita - de que as faltas cometidas em existências anteriores serão reparadas nas seguintes - e que, sob a ótica católica, isso é uma injustiça, embora aceitando o dogma do castigo eterno? Veja bem, caro leitor, dogma; o que torna obrigatória a sua aceitação como uma verdade. Já o Espiritismo divulga a reencarnação como doutrina, o que dá à pessoa, que toma conhecimento dela, a
liberdade de aceitá-la, ou não. Mais umazinha: será que o castigo eterno, reservado ao espírito, é menor do que o a ele reservado em uma vida, sabidamente temporária aqui na Terra? Coerência é o mínimo que se espera de quem diz pregar em nome de Deus; principalmente em relação àqueles que pregam o sofrimento como forma de aprimoramento espiritual e a salvação pela graça (mas paga pelo dízimo)... Se assim for, podemos deduzir que no inferno o aprimoramento é mais rápido, já que lá o sofrimento deve ser bem maior do que o nosso aqui, e que, por graça, seremos salvos...


3. Se a reencarnação fosse verdadeira, com o passar dos séculos haveria necessariamente uma diminuição dos seres humanos, pois que, à medida que se aperfeiçoassem, deixariam de se reencarnar. No limite, a humanidade estaria caminhando para a extinção. Ora, tal não acontece. Pelo contrário, a
humanidade está crescendo em número. Logo, não existe a reencarnação.

A primeira afirmação desse tópico só seria válida se Deus tivesse feito uma quantidade limitada de espíritos e não mais tivesse criado nenhum. Ora, se Deus, dentro do ponto de vista do articulista, continua criando espírito a cada ser humano que nasce, por que só para a hipótese de reencarnação é que Ele não pode continuar criando? Em função das demais afirmativas contidas nesse tópico, a única dedução a que chegamos é a de que, por todas elas, a capacidade criativa de Deus está sendo limitada; ou não?! Quanto ao sofisma de que, no caso da reencarnação, a população tenderia a diminuir, mais uma vez lembramos que, dessa forma, a capacidade de criação de Deus estará sendo negada. Desculpe-nos o leitor se o que vamos dizer for uma irreverência; se, pela Igreja Católica, Deus cria novos espíritos a cada nascimento, por que não pode ter criado uns de “reserva”, para suprir a quantidade daqueles que deixaram de reencarnar aqui na Terra? Ou será que, no pensamento do articulista, alguns católicos ainda estão naquela de que Deus descansou no sétimo dia e, de lá para cá, não fez mais nada? Ou, de que Ele só trabalha para atender os dogmas da Igreja Católica? Por outro lado, a Terra não é o único local onde o espírito conseguirá todo o seu aperfeiçoamento, já que, não podemos nos esquecer, “há várias moradas na casa de meu Pai” (Jo 14,2).

4. Respondem os espíritas que Deus estaria criando continuamente novos espíritos. Mas então, esse Deus criaria sempre novos espíritos em pecado, que precisariam sempre se reencarnar. Jamais cria ele espíritos perfeitos?

De acordo com o ponto de vista exposto no tópico acima Deus só criaria espíritos em pecado quando destinados à reencarnação. Logo, seguindo o princípio de que não há reencarnação, em obediência aos postulados católicos e protestantes, Deus só teria que criar espíritos sem pecados. Em função disso, perguntamos: por que desde que o mundo é mundo nascem tantos espíritos maus, inclusive nos quadros
dirigentes da “santa madre”? Que dizer, então, dos cruzados e dos membros dos tribunais do “santo” ofício? E não nos venham com a história do pecado original, que o “santo” oficio agiu em defesa da fé e que os cruzados foram em busca do Santo Graal, até hoje não encontrado... Isso porque, se aceito o ponto de vista exposto nesse tópico, Deus, ao criar Adão, o criou com um espírito em pecado; e o que é pior: um
pecado tão grande que até hoje estamos pagando por ele, independente do “a cada um de acordo com suas obras” (Mt 16,27) e “mas cada qual morrerá em razão do próprio pecado e, se alguém comer uvas verdes, serão atingidos os próprios dentes.” (Jr 31,30).
Admiramo-nos muito com essa pergunta, já que foi a própria Igreja Católica a criadora do pecado original e propagadora de que já nascemos com ele. Ora, se já nascemos com pecado, como poderemos ser puros? Mesmo que ele venha a ser “apagado” pelo batismo, coisa que não pode acontecer, já que uma atitude humana não pode alterar uma de Deus...

5. Se a reencarnação dos espíritos é um castigo para eles, o ter corpo seria um mal para o espírito humano. Ora, ter corpo é necessário para o homem, cuja alma só pode conhecer através do uso dos sentidos. Haveria então uma contradição na natureza humana, o que é um absurdo, porque Deus tudo fez com bondade e ordem.

O sistema de estudo adotado para o ser humano aqui na Terra encaixa-se perfeitamente no ponto de vista exposto nesse tópico. Vejamos: qual a criança que, em princípio, gosta de estudar? Entretanto, no decorrer do tempo, algumas compreendem que é bom estudar para poder adquirir conhecimentos e poder progredir. Outros, só mediante castigo ou imposição dos pais é que se convencem de que é necessário estudar; já outros, nem com castigo aceitam estudar. E qual é o pai que não quer o melhor para os seus filhos? Entretanto, não devemos nos esquecer de que Deus, ao nos criar, nos deu o livre-arbítrio; e é esse tal de livre-arbítrio que nos faz querer progredir, ou não. Nesta última hipótese, quantos não dizem?: ah, se eu
tivesse ouvido meus pais.. Perguntamos: onde estava a bondade de Deus quando nos fez nascer com o
pecado de Adão e Eva?

6. Se a reencarnação fosse verdadeira, o nascer seria um mal, pois significaria cair num estado de punição, e todo nascimento deveria causar-nos tristeza Morrer, pelo contrário, significaria uma libertação, e deveria causar-nos alegria. Ora, todo nascimento de uma criança é causa de alegria, enquanto a morte causa-nos tristeza. Logo, a reencarnação não é verdadeira.

Aqui também se aplica a analogia do estudo à vida, já que, repetindo, qual é a criança que gosta de estudar? Ela aceita por insistência dos pais, mostrando que o estudo é necessário ao seu progresso intelectual. Entretanto, quando esse filho se torna adulto, o máximo que o pai pode fazer é aconselhá-lo a estudar e de se
entristecer quando ele não segue os seus conselhos, partindo do princípio de que seu  filho já é suficientemente capaz de assumir as conseqüências dos seus atos, ou seja, deixa a decisão ao livre-arbítrio do filho. É o mesmo que Deus faz conosco; ou não?
Quanto à dedução de que “Se a reencarnação fosse verdadeira, o nascer seria um mal, pois significaria cair num estado de punição, e todo nascimento deveria causarmos tristeza. Morrer, pelo contrário, significaria uma libertação, e deveria causar-nos alegria”, esclarecemos que esse ponto de vista representa duvidar de Deus, pois ambos, nascimento e morte, são criação de Deus; podemos duvidar de suas obras? Já quanto ao nascimento ou a morte causar alegria ou tristeza, o próprio articulista reconhece que esses sentimentos não são do que nasce ou morre, mas, sim, daqueles que aqui estão quando alguém nasce ou morre. Além do mais, o fato do indivíduo entristecer-se ou alegrar-se por um ou por outro acontecimento (nascimento ou
morte), vai depender do estado de consciência que cada um tenha dos seus atos, praticados durante a sua existência na Terra; ou não?
Não resistimos a mais uma pergunta: e o inferno eterno seria um bem?

7. Vimos que se a reencarnação fosse verdadeira, todo nascimento seria causa de tristeza. Mas, se tal fosse certo, o casamento - causador de novos nascimentos e reencarnações – seria mau. Ora, isto é um absurdo. Logo, a reencarnação é falsa.

Se alguém nos tivesse dito ter lido esse tópico em algum lugar talvez duvidássemos, face a vinculação do nascimento ao casamento, como se o casamento fosse condição biológica, essencial ao nascimento. Mas, como nós mesmo estamos lendo, só temos que acreditar que isso está sendo dito... Assim, supondo como
verdade o que aqui é dito, o que devemos dizer dos filhos de mães solteiras? Será que eles não existem? Acasalamento sim, casamento não é necessário. Além disso, pelo que escreveu o articulista, podemos dizer que a reencarnação não existe tanto quanto não existem os filhos fora do casamento. Logo...

8. Caso a reencarnação fosse uma realidade, as pessoas nasceriam de determinado casal somente em função de seus pecados em vida anterior. Tivessem sido outros os seus pecados, outros teriam sido seus pais. Portanto, a relação de um filho com seus pais seria apenas uma casualidade, e não teria
importância maior. No fundo, os filhos nada teria a ver com seus pais, o que é um absurdo.

Devolvemos com essa pergunta: E, dentro do conceito de vida única, os filhos que nascerem terão alguma coisa a ver com os seus pais? Além disso, se fizermos alguns “retoques” na redação desse tópico, veremos
que ele tem tudo a ver com reencarnação; veja o leitor como fica o texto com os nossos “retoques”:
Como a reencarnação é uma realidade, as pessoas nascem de determinado casal somente em função de seus pecados em vida anterior. Tivessem sido outros os seus pecados, outros teriam sido os seus pais. Se assim não fosse, a relação de um filho com seus pais seria apenas uma casualidade, e não teria importância maior, já que os filhos nada teriam a ver com seus pais, o que é um absurdo.

Como podemos ver, a reencarnação é uma questão de lógica e não de religião; muito menos de semântica.

9. A reencarnação causa uma destruição da caridade. Se uma pessoa nasce em certa situação de necessidade, doente, ou em situação social inferior ou nociva -- como escrava, por exemplo, ou pária – nada se deveria fazer para ajudá-la, porque propiciar lhe qualquer auxílio seria, de fato, burlar a justiça divina que determinou que ela nascesse em tal situação como justo castigo de seus pecados numa vida anterior. É por isso que na Índia, país em que se crê normalmente na reencarnação, praticamente ninguém se preocupa em auxiliar os infelizes párias. A reencarnação destrói a caridade. Portanto, é falsa.

Esse tópico já começa com um sofisma, ao afirmar que “a reencarnação causa uma destruição da caridade.” Para justificar esse sofisma socorre-se de uma religião não cristã, citando um suposto comportamento dos hindus mais privilegiados, sem levar em conta que os párias é que aceitam a sua situação de inferioridade com base nos “ensinamentos” dos seus dirigentes religiosos, da mesma forma como os dirigentes das religiões ditas “cristãs”; apenas com uma pequena diferença: enquanto os dirigentes religiosos hindus pregam que o sofrimento decorre do carma os dirigentes ditos cristãos “vendem” a idéia comodista da salvação pela morte de Jesus e não a salvação decorrente de esforço próprio. Ao agirem assim, tais dirigentes esquecem-se de que a reencarnação nos obriga ao cumprimento da recomendação de Jesus de amarmos o nosso próximo com a nós mesmos, contida em Mateus 22,39. É aí que está a verdadeira caridade, que, pelo amor ao próximo, somos levados a ajudar aos mais necessitados, prestando-lhes assistência, seja material, seja
espiritual, e de graça; sem dízimo!
E seria bom lembrarmos que a própria Igreja usava a Bíblia como argumento para a manutenção dos escravos; basta consultar a história e se verá isso.

10. A reencarnação causaria uma tendência à imoralidade e não um incentivo à virtude. Com efeito, se sabemos que temos só uma vida e que, ao fim dela, seremos julgados por Deus, procuramos converter-nos antes da morte. Pelo contrário, se imaginamos que teremos milhares de vidas e reencarnações, então não nos veríamos impelidos à conversão imediata. Como um aluno que tivesse a possibilidade de fazer milhares de provas de recuperação, para ser promovido, pouco se importaria em perder uma prova - pois poderia facilmente recuperar essa perda em provas futuras - assim também, havendo milhares de reencarnações, o homem seria levado a desleixar seu aprimoramento moral, porque confiaria em recuperar-se no futuro. Diria alguém: "Esta vida atual, desta vez, quero aproveitá-la gozando à vontade. Em outra encarnação, recuperar-me-ei". Portanto, a reencarnação impele mais à imoralidade do que à virtude.

Eis aqui outro sofisma e, ao mesmo tempo, uma incongruência! Sofisma, ao dizer que a reencarnação causaria uma tendência à imoralidade e não um incentivo à virtude, estabelecendo uma analogia entre a reencarnação e a hipótese de um aluno ter milhares de provas de recuperação; por que fazemos tal afirmação? Simplesmente porque aqui se está desprezando o aspecto de caráter do indivíduo; se fosse assim,
ninguém passaria ao nível seguinte deixando matéria em recuperação e, muito menos, passaria à série seguinte antes do término do ano letivo (passando por média). Além disso, não devemos nos esquecer que as provas de recuperação foram criadas pelo homem, com o objetivo de dar ao aluno uma oportunidade de não
receber um castigo de repetir, no ano letivo seguinte, todas as matérias em que teve aproveitamento, apenas porque não logrou aproveitamento em uma ou duas matérias da série do curso. Ora, se o homem, por princípio de justiça, achou por bem estabelecer esse critério de oportunidade ao aluno, por que Deus não daria ao ser humano a reencarnação como um critério de oportunidade para a sua evolução espiritual?
Já com relação à incongruência, esta se apresenta pela afirmação de que “temos só uma vida e que, ao fim dela, seremos julgados por Deus”; nesse caso, como fica o tão decantado julgamento final? Haverá dois julgamentos? Se sim, será que o segundo é para corrigir eventuais falhas ocorridas no primeiro? Claro, que só somos contrários ao julgamento final na hipótese de vida única.

11. Ademais, por que esforçar-se, combatendo vícios e defeitos, se a recuperação é praticamente fatal, ao final de um processo de reencarnações infindas?

Aceitando a analogia de vida ao aprendizado escolar, feita pelo articulista, também concluímos que essa afirmação decorre de um sofisma, já que, mais cedo ou mais tarde, a exemplo do aluno, o espírito chegará à conclusão de que, se não estudar (no caso, praticar o bem), não passará de ano, ou seja, não evoluirá; o ato de progredir vai depender única e exclusivamente de sua vontade; e não da salvação por
graça, isto é, sem mérito próprio, o que contraria o “a cada um segundo suas obras”.(Mt 16,27) Veja o leitor que até o articulista não acredita em sua afirmação; tanto assim, que, em relação à recuperação, ele apenas diz que ela “é praticamente fatal ao final de um processo de reencarnações infindas”. Isso porque, se ele tivesse certeza do que disse, não teria usado o advérbio “praticamente”; certo?

12. Se assim fosse, então ninguém seria condenado a um inferno eterno, porque todos se salvariam ao cabo de um número infindável de reencarnações. Não haveria inferno. Se isso fosse assim, como se explicaria que Cristo Nosso Senhor afirmou que, no juízo final, Ele dirá aos maus: "Ide malditos para o fogo eterno"? (Mt. XXV, 41)

Aqui, fazemos uma pergunta ao leitor e ao próprio autor, que também deve ser pai: algum de nós seria capaz de, voluntariamente, aplicar um castigo desproporcional a uma falta cometida por um de nossos filhos? Ora, se não o fazemos, por acharmos que estaremos ferindo os princípios de justiça, muito menos acreditaremos que Deus aplique uma pena eterna para nos punir por atos cometidos apenas durante uma existência aqui na Terra. Em sã consciência, quem admitirá tal despautério? E como fica o “não sairás dali, até pagares o último centavo” constante em Mt 5,26 e Lc 12,59? Isso quer dizer que nós não pararemos de reencarnar enquanto não repararmos todo e qualquer mal praticado aqui na Terra, justificando, assim, o julgamento do juízo final. E não adianta vir com o “Deus tudo pode” ou “quem somos nós para pretender entender os desígnios de Deus?”. Ainda em relação a esse tópico, lembramos que a transcrição de Mt XXV,41 está incompleta, pois falta “destinado ao diabo e aos seus anjos”. (grifamos) Será que foi pela palavra “anjos” que o articulista
não o transcreveu na íntegra, para não mostrar que além da Igreja Católica o diabo também tem anjos? Ou foi para evitar conotação de anjo com espírito, que tanto pode ser bom quanto mau? Se foi, descobrimos...

13. Se a reencarnação fosse verdadeira, o homem seria salvador de si mesmo, porque ele mesmo pagaria suficientemente suas faltas por meio de reencarnações sucessivas. Se fosse assim, Cristo não seria o Redentor do homem. O sacrifício do Calvário seria nulo e sem sentido. Cada um salvar-se-ia por si mesmo. O homem seria o redentor de si mesmo. Essa é uma tese fundamental da Gnose.

Como diz aquela música popular: “só pra contrariar...”, quanto ao que diz o articulista, citamos alguns textos bíblicos: “É pela vossa constância que alcançareis a vossa salvação”.(Lc 21,19); “Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, a quem iríamos nós? Tu tens as palavras da vida eterna”. (Jo 6,68); “louvando a Deus e cativando a simpatia de todo o povo. E o Senhor cada dia lhes ajuntava outros que estavam a caminho da salvação”. (At 2,47); “Pondo-se a seguir a Paulo e a nós, gritava: Estes homens são servos do Deus Altíssimo, que vos anunciam o caminho da salvação”. (At 16,17); “Alexandre, o ferreiro, me tratou muito mal. O Senhor há de lhe pagar pela sua conduta”. (2Tm 4,14) Como se vê, mais claro, inclusive, por esse último versículo, aqui se encaixa o “e então recompensará a cada um segundo suas obras”, constante de Mateus 16,27. Ora, o verbo recompensar subentende dar em troca de algo feito, ou seja, obra. Logo, Jesus foi o Redentor do homem em função dos ensinamentos que ele nos transmitiu, não pela sua morte, já que, se quisermos, pela Bíblia, aceitar o sacrifício a Deus como forma de agradecimento, seria pelo fato Dele ter sido enviado por Deus para nos transmitir seus ensinamentos, entre os quais se incluem as obras em favor do próximo. Ora, se foi em forma de agradecimento, seria um absurdo tal procedimento, pois estar-se-ia matando quem nos veio salvar. Se foi como forma de aplacar a ira de Deus ou como remissão dos pecados (como os oferecidos na vigência do Velho Testamento), esclarecemos que também não se aplica ao caso, já que “a lei e os profetas duraram até João” (Lc 16,16), não se aplicando à morte de Jesus, porque esta ocorreu após a de João, o batista. Mesmo assim, ainda que se pretenda citar Hb 9,15, para justificar tal sacrifício, lá está dito que foi para livrar as pessoas dos pecados cometidos durante a vigência da primeira aliança (Velho Testamento); confira lá e verá.

14. Em conseqüência, a Missa e todos os Sacramentos não teriam valor nenhum e seriam inúteis ou dispensáveis. O que é outro absurdo herético.

Ora, como a missa é um ritual religioso, como é o batismo e tantos outros atos praticados por esses "representantes” de Deus na Terra, a ponto de nela ser incluído o Sacramento da Eucaristia, onde a reencarnação pode interferir na sua validade ou não?! Logo, como um fato, que aqui se afirma não existir, pode tornar sem valor um ato de tal importância? Assim, independentemente da existência desse fato
(reencarnação), ficamos na dúvida se, realmente, o autor acredita no valor da missa como um ato litúrgico... Concorda conosco, leitor? E já que falou em “herético” seguimos aquele que foi o maior de todos: Jesus.

15. A doutrina da reencarnação conduz necessariamente à idéia gnóstica de que o homem é o redentor de si mesmo. Mas, se assim fosse, cairíamos num dilema: a. Ou as ofensas feitas a Deus pelo homem não teriam gravidade infinita; b. Ou o mérito do homem seria de si, infinito. Que a ofensa do homem a Deus tenha gravidade infinita decorre da própria infinitude de Deus. Logo, dever-se-ia concluir que, se homem é redentor de si mesmo, pagando com seus próprios méritos as ofensas feitas por ele a Deus infinito, é porque seus méritos pessoais são infinitos. Ora, só Deus pode ter méritos infinitos. Logo, o homem seria divino. O que é uma conclusão gnóstica ou panteísta. De qualquer modo, absurda. Logo, a reencarnação é uma falsidade.

Aqui o articulista ou está apresentando um sofisma ou não tem noção de grandeza ou, simplesmente, está pensando que os seus leitores (e todos os seus adeptos) são ignorantes, para fazer tal afirmativa e acreditar que aceitamo-la, sem restrições. Primeiramente, devemos ter em mente que, sendo Deus infinito, não poderemos atingi-lo de maneira nenhuma, simplesmente porque somos finitos, fato esse constante da Bíblia desde o tempo de Jó (35,6-8). Além disso, se os nossos pecados nos levam ao inferno, segundo o ponto de vista dos dirigentes católicos e protestantes, é porque só a nós, pobres mortais, eles afetam; da mesma forma, temos que entender em relação às nossas boas ações, obedecendo ao princípio de “a cada um segundo as suas obras”, contido em Mateus 16,27.
Agora, suponha o leitor que, por exemplo, vendo uma pessoa atirando pedra para cima, pergunte a ela por que está fazendo isso e ela responda que está querendo atingir o Sol; o que o leitor vai pensar disso? Certamente, vai pensar que é um absurdo, para não dizer coisa pior. Ora, se essa atitude do homem não pode afetar o Sol, que sabemos a distancia dele da Terra, como poderemos acreditar que uma atitude do homem pode atingir o que o articulista considera infinito? Será que o que estamos dizendo é absurdo?...

16. Se o homem fosse divino por sua natureza, como se explicaria ser ele capaz de pecado? A doutrina da reencarnação leva, então, à conclusão de que o mal moral provém da própria natureza divina. O que significa a aceitação do dualismo maniqueu e gnóstico. A reencarnação leva necessariamente à
aceitação do dualismo metafísico, que é tese gnóstica que repugna à razão e é contra a Fé.

O articulista baseia seu raciocínio em uma premissa falsa, pois, pela forma como está considerando o homem um ser divino, está pretendendo levar o leitor a entender ser o homem igual a Deus. Entretanto, não devemos nos esquecer que, de acordo com a Bíblia, tida pelos católicos e protestantes como a palavra de Deus,
temos apenas o caráter divino, já que fomos criados à imagem e semelhança do Criador, conforme consta em Gn 1,26. Ora, se fossemos divinos por natureza, como quer dar a entender o articulista, não estaríamos aqui na Terra sujeitos às vicissitudes necessárias à nossa evolução espiritual. Além do mais, não somos nós, os espíritas, que somos dualistas, epíteto esse que não nos cabe, pois não admitimos o diabo como o chefe do mal, em contraposição ao bem, mas, sim, cabe bem aos católicos e protestantes, que crêem em tal antagonismo: Deus e seus anjos versus diabo e seus anjos. (Mt 25,41)

17. É essa tendência dualista e gnóstica que leva os espíritas, defensores da reencarnação, a considerarem que o mal é algo substancial e metafísico, e não apenas moral. O que, de novo, é tese da Gnose.

Novamente, o articulista parte de outra premissa falsa ao dizer que consideramos o mal como algo substancial e metafísico. Ora, como um desvio de caráter (ser mau) pode ser considerado substancial e/ou metafísico? Admitindo-se como verdadeira essa afirmação do articulista, daqui para frente, quando alguém
praticar um crime, estará cometendo uma atitude má em termos substanciais ou metafísicos. Tem sentido uma afirmação dessas?! Entretanto, se dissermos que um crime é uma atitude má em termos morais ninguém contestará tal afirmação; correto? É assim que nós, espíritas, entendemos.

18. Se, reencarnando-se infinitamente, o homem tende à perfeição, não se compreende como, ao final desse processo, ele não se torne perfeito de modo absoluto, isto é, ele se torne Deus, já que ele tem em sua própria natureza essa capacidade de aperfeiçoamento infindo.

Com a afirmação aqui contida de que as reencarnações tornam o homem um ser perfeito de modo absoluto, o articulista está tentando levar o leitor a uma dedução que não se coaduna com a realidade, já que absoluto só Deus. Assim, a dedução lógica é no sentido de que as reencarnações infinitas tendem a levar o ser humano a uma perfeição também infinita. Logo, mesmo que se queira elevar o sentido do termo “infinito” à enésima potência, ainda assim estará muito longe de se aproximar do sentido de absoluto. Portanto, jamais o ser humano alcançará a perfeição absoluta de Deus, contrariamente ao que diz o articulista. Além do mais, reencarnar “infinitamente”, até atingir a perfeição, é bem melhor que “assar” eternamente no inferno, por mais dores que a reencarnação nos cause, já que em cada reencarnação o espírito “descansa” do inferno.

19.A doutrina da reencarnação, admitindo várias mortes sucessivas para o homem, contraria diretamente o que Deus ensinou na Sagrada Escritura.
20.Por exemplo, São Paulo escreveu:
"O homem só morre uma vez" (Heb. IX, 27).
Também no Livro de Jó está escrito:
"Assim o homem, quando dormir, não ressuscitará, até que o céu seja
consumido, não despertará, nem se levantará de seu sono" (Jó, XIV,12).

Com relação às duas citações bíblicas para afirmar que “A doutrina da reencarnação, admitindo várias mortes sucessivas para o homem, contraria diretamente o que Deus ensinou na Sagrada Escritura”, temos a comentar:
É impressionante como os anti-reencarnacionistas procuram arranjar desculpas (porque não se pode chamar esse tipo de afirmação de argumento), para combater a existência da reencarnação, a ponto de utilizarem uma única passagem (Hb 9:27) contida em um texto cujo autor nem se sabe o nome e acima de tudo mentiroso, pois, enquanto nessa passagem é dito que só se morre uma vez, existem três outras nos
Evangelhos contradizendo-a e mostrando duas mortes de cada uma das três pessoas ressuscitadas a seguir mencionadas: o filho da viúva de Naim; a filha de Jairo e Lázaro... Por que dizemos autor desconhecido? Pelo simples fato de que em todas as outras epístolas consta o nome do autor, seja em suas introduções, seja nos seus textos; nessa não. Além do mais, pretendem contrapor esse texto de autoria desconhecida a um outro cujo autor é, “apenas”, o filho unigênito de Deus, que diz, com todos os “efes e erres”, em Mateus 11:13-15: “Porque todos os profetas e a lei profetizaram até João. E, se quereis dar crédito, é este o Elias que havia de vir. Quem tem ouvidos para ouvir ouça.” Ora, se não existe reencarnação, como João é Elias? E não nos venham com a desculpa de que João veio com a mesma função ou finalidade de Elias, porque essa já está muito surrada. E mais: Deus, através do profeta Malaquias, disse: “Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível Dia do SENHOR”. (Ml 4:5 ou 3:22 conforme a versão) E Deus não enviaria outro espírito diferente daquele que Ele prometeu enviar. Mais ainda: cotejando-se esse versículo com Mt 11:10 (“É dele que está escrito: Eis que eu envio meu mensageiro diante de ti para te preparar o caminho”), verificar-se-á que, o que é dito neste, nada mais é do que a confirmação dessa profecia de Malaquias. E o próprio Jesus faz essa afirmação no versículo 14 do mesmo Capítulo 11 de Mateus, transcrito linhas acima. Logo, qualquer hipótese que se levante visando contrariar o entendimento de que João é Elias, isto é, aquele é reencarnação deste, fatalmente implicará na absurda conclusão de que Deus nos enganou, já que prometeu enviar Elias e enviou outro profeta, e de que Jesus mentiu, pois afirmou que João é Elias, enquanto o articulista dogmatiza que não existe reencarnação. Nesse caso, a razão estará com o articulista ou com Jesus? Responda quem quiser e puder. Já com relação ao texto de Jó XIV,12, lembramos o que diz Jesus em Lucas 16,16: “A lei e os profetas vigoraram até João”, passagem essa constante também em Mateus 11,13. Logo, como a lei (Antigo Testamento) e os profetas vigoraram até João, exceto o Decálogo, o texto de Jó não tem mais aplicação doutrinária, passando, apenas, a ter valor referencial.

21. Finalmente, a doutrina da reencarnação vai frontalmente contra o ensinamento de Cristo no Evangelho. Com efeito, ao ensinar a parábola do rico e do pobre Lázaro, Cristo Nosso Senhor disse que, quando ambos morreram, foram imediatamente julgados por Deus, sendo o mau rico mandado para o castigo eterno, e Lázaro mandado para o seio de Abraão, isto é, para o céu. (Cfr. Lucas XVI, 19-31) E, nessa mesma parábola Cristo nega que possa alguma alma voltar para ensinar
algo aos vivos.

Com relação ao que é dito nesse tópico, temos duas observações a fazer: A primeira, quanto ao fato deles terem sido imediatamente julgados; se o leitor tiver dúvidas sobre o que vamos dizer, pegue a sua Bíblia e leia os versículos citados pelo articulista, que ora contestamos; avisamos, apenas, que lá não encontrará qualquer alusão ao julgamento imediato, a não ser o que consta no versículo 22, do seguinte teor: “Ora, aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos ao seio de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado.” Como se vê, não há nada informando, muito menos afirmando, sobre o julgamento imediato, motivo pelo qual gostaríamos de saber baseado em que o articulista fez tal afirmação... Talvez tenha sido feita para
dar a conotação de que, em havendo um julgamento, não há necessidade de uma nova encarnação para reparar algum erro cometido na então atual encarnação.
Entretanto, devemos considerar cada encarnação como um período de aprendizado, ao fim do qual é feita uma avaliação do que foi realizado de bom e de mau, visando apurar o grau de evolução do espírito até aquela encarnação, da mesma forma como os estabelecimentos de ensino fazem ao final de cada ano letivo para avaliar o grau de aproveitamento do aluno; não é lógico? Por outro lado, se houve mesmo um julgamento logo após a morte, qual seria a utilidade do juízo final, que pregam por aí? Já a segunda, fazemo-la em função da afirmação de que “Cristo nega que possa alguma alma voltar para ensinar algo aos vivos”, pois a única passagem que pode se aproximar do entendimento que pretende dar o articulista é a do versículo 31 do referido Capítulo XVI de Lucas, que diz: “Abraão respondeu-lhe: - Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco se deixarão convencer, ainda que ressuscite algum dos mortos”. Mesmo não tendo feito nenhum curso de teologia (o que não nos impede, nem ao leitor, de elaborarmos um raciocínio lógico e sem apego ao dogmatismo), a nossa lógica nos leva a deduzir que a fala de Abraão é no sentido de que não adianta mandar Lázaro, ou qualquer outro espírito conhecido porque, como os seus parentes não aceitam o que escreveram Moisés e os profetas, também não aceitarão o que esse espírito disser. A fim de que o leitor possa se certificar da nossa interpretação, sugerimos que, apenas por curiosidade, arrisque a descrever a um
padre, a um pastor ou ao próprio articulista, uma aparição de um familiar dizendo que esse parente deu um aviso sobre a sua situação de penúria espiritual e pediu para doar os bens que ele deixou a uma determinada entidade filantrópica, por exemplo, as Casas André Luiz e veja se eles não vão dizer: “cuidado, isso é coisa do demo querendo deixar vocês na miséria” ou, então, “por que você não dá a uma entidade pertencente ao seu credo religioso, já que caridade é caridade”? Principalmente, se você pertencer ao credo deles. Fora isso, achamos que o máximo que eles irão dizer é: “de qualquer forma, será bom mandar rezar uma missa ou fazer algumas orações em intenção de sua alma”... Não mais do que isso, apostamos...

Em adendo a tudo isto, embora sem que seja argumento contrário à reencarnação, convém recordar que na, Sagrada Escritura, Deus proíbe que se invoquem as almas dos mortos.
No Deuteronômio se lê: "Não se ache entre vós quem purifique seu filho ou sua filha,
fazendo-os passar pelo fogo, nem quem consulte os advinhos ou observe sonhos ou
agouros, nem quem use malefícios, nem quem seja encantador, nem quem
consulte os pitões [os médiuns] ou advinhos, ou indague dos mortos a verdade.
Porque o Senhor abomina todas estas coisas e por tais maldades exterminará
estes povos à tua entrada" (Deut. XVIII-10-12).


Com relação a esse adendo, temos a comentar que só o Decálogo, constante originariamente em Exodo 20,3-17 e repetido com outras palavras em Deuteronômio 5,7-21, é de origem Divina, sendo as demais leis de origem humana, cuja autoria se atribui a Moisés, pois Deus, sendo Ele atemporal, não teria que se preocupar com coisas de caráter meramente temporal. Além do mais, como Moisés assumiu a liderança do povo hebreu com mão de ferro, nada mais lógico do que supor ter ele usado as suas faculdades mediúnicas para impor suas regras de governo, atribuindo as a Deus. Igualmente, observamos que a “infalibilidade” papal foi decretada simplesmente para dar a conotação de origem divina às decisões papais, as quais só são infalíveis quando relacionadas às atividades da igreja, como instituição religiosa, em relação a seus fiéis, e não como Estado político, no caso, o Vaticano. Ora, como duas decisões, tomadas pela mesma pessoa, podem ter valores diferentes? Uma de caráter infalível e outra sujeita a erros? Na época atual, face ao desenvolvimento intelectual do homem, até podemos aceitar a dualidade das decisões papais, já que
tomadas em relação a duas entidades diferentes: uma religiosa (ICAR) e outra política (Estado do Vaticano). Entretanto, naquela época, em que os poderes do Estado e da Religião se confundiam na maioria dos povos, o povo hebreu aceitou as demais como derivadas do poder divino, já que as leis de convivência em sociedade também foram elaboradas pela mesma pessoa que recebera a lei divina, o que facilitou fossem
aceitas todas elas como de origem também divina. Ou é difícil entender dessa maneira?

Em relação à citação de Deut. XVIII-10-12, lembramos que a lei e os profetas só vigoraram até João, conforme nos transmitiu Jesus em Mateus 11,13 e Lucas 16,16.
Para comprovar essa revogação citamos a passagem contida em Mateus 17,3 e em Lucas 9,30, e conhecida como o fenômeno da transfiguração, em que Moisés e Elias apareceram e falaram com Jesus, na presença de Pedro, Tiago e João, oportunidade em que estes apóstolos compreenderam que João era Elias, conforme
consta em Mateus 17,13. Como se vê, essa revogação é demonstrada pelo próprio espírito de Moisés que, quando ainda em seu corpo físico, disse ter Deus proibido falar com os mortos; justamente ele e outro espírito, de um dos mais importantes profetas do Velho Testamento - Elias, aparecem a Jesus e aos referidos apóstolos. Ora se era uma proibição de Deus, como o seu filho unigênito iria desobedecer a uma de Suas
leis, falando com mortos? Podemos aceitar que Jesus iria infringir uma lei do seu Pai? Justamente Ele, que disse “não vim revogar a lei”?!... (Mt 5,17) E não venham com a de que Elias não morreu porque, nesse caso, ficará pior, já que o anunciador (Elias) e o anunciado (Jesus) terão desobedecido, os dois, à determinação de Deus, ao falarem com Moisés.
E é o que, deduzimos, também assim devem entender todos os seguimentos religiosos ditos cristãos, pois, se assim não fosse, continuariam:
a) – a entregar um filho teimoso e rebelde para ser apedrejado, conforme manda Dt. 21:18-21;
b) – exigir que os homens continuassem solteiros (e abstêmios), para não se tornarem pecadores, seguindo Ecl 7:26;
c) – exigir dos homens a apresentação de comprovação médica de que têm “as coisas” no lugar, ou, pelo menos, comprovação ao vivo, mediante exame local, para cumprir Dt 23:2;
d) – para obedecer a Dt. 25:12, mandar cortar a mão das mulheres que desobedecerem ao prescrito em Dt. 25:11;
E, em alguns casos, desobedecem até mesmo o Novo Testamento, pois não proíbem as mulheres de:
a) – orar e profetizar se não estiverem cobertas com véu, conforme manda 1Coríntios 11:5-6;
b) – falar nas reuniões de adoração, conforme manda Paulo em 1Coríntios 14:34;
Em função disso, perguntamos: quais os representantes das igrejas ditas cristãs adotam esses preceitos acima mencionados? Nenhum. Sabe o leitor por que não? Simplesmente porque perderiam seus adeptos e, por conseqüência, as suas respectivas fontes de renda. Logo, a pregação que adotam não decorre de convicção
religiosa, mas, sim, de necessidade econômica, pois, quando eles conseguem meios de subsistência, melhores do que os proporcionados pela suas igrejas, largam logo as suas respectivas “vocações”, alegando qualquer motivo para justificar a atitude por eles tomada.
São esses os nossos comentários que entendemos necessários fazer. Finalmente, se fomos indelicado em alguns trechos da nossa contestação, pedimos desculpas, pois não tivemos a intenção de maltratar a pessoa do autor, já que apenas refutamos os pontos de vista por ele expostos no texto em apreço.
JOÃO FRAZÃO DE MEDEIROS LIMA



http://www.apologiaespirita.org/apologia/artigos/025_Reencarnacao_-_argumentos_catolicos_contra_os_fundamentos_do_Espiritismo.pdf

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