"Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros." (João 13:35) "Onde estiverem reunidos, em Meu nome, dois ou três, lá estarei no meio deles." (Mateus 18:20)

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sábado, 12 de fevereiro de 2011

Resposta: O "Evangelho Segundo o Espiritismo" não é cristão

Resposta ao texto de Fabiano Armellini nesse link:http://www.montfort.org.br/action.php?secao=cartas&subsecao=apologetica&artigo=20051029204253&lang=bra&action=print

O "Evangelho Segundo o Espiritismo" não é cristão
PERGUNTA
Nome:  Rosane
Enviada em:  29/10/2005
Local:  Santa Maria - RS, Brasil
Religião:  Católica
Idade:  40 anos
Escolaridade:  Pós-graduação concluída
Profissão:  Professora
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Caro Prof. Orlando.
Gostaria de colocar minha opinião a respeito da doutrina espírita kardecista.
Antes de tudo gostaria de dizer que agradeço a Deus, hoje mais do que nunca, por ter nascido e vivido dentro da religião católica. Sou devota de Nossa Senhora Medianeira, a quem venero e amo de todo o meu coração, pois é para o seu colo materno que eu corro nas horas de aflição, e é a ela que dedico minha gratidão nas horas de alegria.
Sempre tive curiosidade em conhecer outras religiões e seitas porque eu não entendia direito o porque de tantas seitas se a Bíblia é uma só. A conclusão foi que, deixando de lado os dogmas e convicções construídas em cima das interpretações que cada seita faz das escrituras, podemos considerar que todas as seitas são válidas desde que a essência dos ensinamentos de Jesus seja a base de todas elas.
Minha formação católica me fez crer que o respeito é um sentimento mais poderoso que o amor, porque se não é fácil amarmos nossos inimigos é perfeitamente possível, e eu diria até imperioso, respeitá-los. Com base nisto, sempre procurei conhecer e respeitar todas as crenças que me foi possível conhecer e deixar para Deus o julgamento de quem está certo e de quem está errado.
Contudo, confesso que julgo, e sem nenhuma capacidade de compreensão, todos aqueles que se atrevem a desrespeitar Nossa Senhora.
Mas, o que eu realmente quero manifestar é a grande simpatia que tenho pela doutrina espírita. Confesso que há alguns anos atrás eu era totalmente incrédula em relação a esta doutrina, apesar de ter uma grande admiração e respeito pelo trabalho e pela vida de Chico Xavier, que ao meu ver é um exemplo de renúncia e de dedicação aos outros.
Levada por amigos assisti a algumas palestras espíritas e o que me impressionou foi ver que eles são tão cristãos quanto qualquer um. Eu diria, inclusive que no que diz respeito à caridade, os espíritas são bem mais devotados a ela do que muitos católicos e evangélicos. Admiro a frase muito usada pelos espíritas "Fora da Caridade não Existe Salvação".
Hoje eu sou uma leitora de livros espíritas, não qualquer livro, é claro, mas aqueles escritos por médiuns reconhecidamente sérios como Chico Xavier, Divaldo Pereira Franco e outros.
Em resumo, o que eu quero dizer é que o conhecimento da doutrina espírita não interferiu em nada na minha religião, ao contrário ela serviu como uma reafirmação da minha fé. Eu me sinto mais católica do que nunca, porque eu não vejo onde está o problema em uma doutrina que prega a caridade, o perdão, o amor ao próximo, a paciência, a humildade, a exemplo de todas as seitas e religiões cristãs.
Acho que o que mais me fascina na doutrina espírita é a lógica espiritual, ou seja, a maneira como tudo se encaixa, como tudo se explica, como tudo funciona, neste plano e no plano superior. Confesso que foi na doutrina espírita que, pelo menos até agora, tenho encontrado toadas às respostas para as inúmeras dúvidas em relação à obra de Deus que eu cerrego comigo desde a infância. Isto não me faz menos católica, porque a religião é para que nos encontremos com Deus e a Ele rendamos louvores e graças, enquanto que a doutrina espírita me traz um entendimento que me satisfaz.
Li o "Evangelho Segundo o Espiritismo" e confesso que não encontrei nada que venha de encontro aos ensinamentos de Jesus.
Certo ou Errado o sentimento que fica, após a leitura do "Evangelho Segundo o Espiritismo", e no meu caso, até mais que a própria Bíblia, é o quanto estamos distantes de sermos verdadeiramente cristãos. Confundimos caridade com dar esmolas e somos totalmente incapazes de dialogar com alguém que conteste nossos pontos de vista sem sermos intolerantes, arrogantes e desrespeitosos.
Também os espíritas kardesistas acreditam nas duas principais máximas cristãs: "Ama o próximo como a ti mesmo" e “Não faça aos outros aquilo que não queres que façam a ti". Eles acreditam que se a humanidade seguisse esses dois ensinamentos o mundo não seria mais um lugar de expiação dos pecados, mas de aprendizado e evolução. E o que tem de errado nisto?
Professor Orlando, espero que o Senhor leia estas minhas palavras de coração desarmado.
Eu não sou muito boa com argumentos, como o senhor, nem tenho o seu conhecimento no assunto, mas estas minhas palavras vieram do meu coração.
Creia, me tornei uma pessoa mais sensível aos problemas humanos, mais lúcida, mais completa ao trazer a doutrina espírita para dentro da minha fé católica. Hoje eu procuro pensar menos em mim e mais nos outros por entender que a verdadeira caridade não se resume em aliviar as necessidades materiais dos mais necessitados, mas principalmente em aliviar as dores da alma, do abandono, da incompreensão, da desesperança. Entendi que não estamos neste mundo para viver da melhor maneira possível voltados só para nós e nossos familiares, mas para auxiliarmos aqueles menos favorecidos pela sorte.
É isto que a doutrina espírita prega. Nada mais que os ensinamentos de Jesus. E o que tem de errado nisto?
Enfim, era isto que eu gostaria de colocar, respeitosamente, em minha primeira participação neste espaço.
Grata pela atenção.
RESPOSTA
Prezada Rosane,
salve Maria.
Espero que a sra. compreenda que o que vou dizer em minha carta não visa ofender a sua pessoa. Ao contrário, armado tão somente de argumentos que a Igreja Católica sempre usou e defendeu, não viso prejudicá-la, mas antes adverti-la, orientá-la e ajudá-la, como manda a caridade cristã. E procurarei fazer isso de maneira tão franca e respeitosa quanto a sra. em sua missiva.
No entanto, espero que compreenda que a caridade exige que corrijamos os que erram. Isto, antes de ser "desrespeito", é na verdade obra de misericórdia. Vemos nos Evangelhos que Cristo corrigia e punia aos que erravam. Veja, por exemplo, quando Cristo expulsou os vendilhões do templo a chicotadas! Ou quando chamou aos fariseus de "sepulcros caiados" e "filhos do demônio". Se Cristo, manso e humilde de coração, agiu assim, nós, também devemos, como imitadores de Cristo, corrigir aos que erram, até mesmo duramente, por vezes, sem com isso deixarmos de ser mansos ou humildes.
Falando-lhe francamente, o espiritismo não é cristão, pois não aceita integralmente os ensinamentos de Cristo. Antes, escolhe apenas os ensinamentos que vão de acordo com a doutrina espírita, e assumem uma roupagem cristã para enganar pessoas como a senhora. Quanto aos ensinamentos bíblicos contrários à doutrina espírita, os espíritas fingem não existir, ou deturpam totalmente sua interpretação.
Para que a senhora não pense que estou inventando isso, veja o que o próprio Kardec disse na Revue Spirite, uma revista espírita que ele mesmo fundou:
"As partes correspondentes àquelas que tratamos no "Evangelho Segundo o Espiritismo" (...), como nós nos limitamos às máximas morais que, com raras exceções, são geralmente claras, e não podem ser interpretadas de maneira diversa; e também não foram jamais sujeito de controvérsias religiosas. É por esta razão que nós começamos por aí, a fim de sermos aceitados sem contestação, aguardando de resto que a opinião geral se encontre mais familiarizada com a idéia espírita." (Allan Kardec, "Notices bibliographiques - LES ÉVANGILES EXPLIQUÉS" apud: Revue Spirite, Junho de 1866)
A senhora entendeu o que o Kardec está dizendo acima? Está dizendo que escreveu um livro ("Evangelho segundo o espiritismo") que trata tão somente daquelas máximas bíblicas que estão fora de contestação (como, por exemplo, que não se deve matar, que se deve amar o próximo, etc), para que os cristãos não rejeitassem a doutrina espírita e fossem, aos poucos, sendo embebidos pelas doutrinas que não estão de acordo com o cristianismo.
Contra Catolicismo, mas não contra Cristianismo, conforme demonstro nesse meu blog. Para nós o que caracteriza mesmo o Cristianismo é seu aspecto moral e não o apego a Trindade ou outro dogma criado pelo Homem nos concílios. Kardec e os espíritos  nunca quiseram "enganar", mas começaram pela moral cristã por ser a base do Cristianismo, ao contrário do que os "cristãos" de hoje pregam, e também a base do Espiritismo.  Kardec, é claro, pensava na expansão da doutrina e na sua consequência moral pra Humanidade, a moral esquecida do Cristo, pois os "cristãos" preferem insistir em crenças pessoais e no ataque a religião dos outros, como se fossem os únicos eleitos de Deus.
Quer outra citação de Kardec sobre o assunto? Veja essa, extraída do Livro dos Médiuns:
"Com que fim Espíritos sérios, junto de certas pessoas, parecem aceitar idéias e preconceitos que combatem junto de outras?
Cumpre nos façamos compreensíveis. Se alguém tem uma convicção bem firmada sobre uma doutrina, ainda que falsa, necessário é lhe tiremos essa convicção, mas pouco a pouco. Por isso é que muitas vezes nos servimos de seus termos e aparentamos abundar nas suas idéias: é para que não fique de súbito ofuscado e não deixe de se instruir conosco.
Aliás, não é de bom aviso atacar bruscamente os preconceitos. Esse o melhor meio de não se ser ouvido. Por essa razão é que os Espíritos muitas vezes falam no sentido da opinião dos que os ouvem: é para os trazer pouco a pouco à verdade. Apropriam sua linguagem às pessoas, como tu mesmo farás, se fores um orador mais ou menos hábil. Daí o não falarem a um chinês, ou a um maometano, como falarão a um francês, ou a um cristão. E que têm a certeza de que seriam repelidos." (Allan Kardec, Livro dos Médiuns, FEB, 62a. edição, 2a. parte, Cap. XXVII no.301 pp.399-400. Os destaques são meus.)
Parece-lhe cristão e caridoso esse modo de agir? Kardec recomenda, na citação acima, que os espíritas mintam, dissimulem acreditar em algo que não acreditam, só para atrair as pessoas. Isso é cristão? É caridoso? Segue a máxima de não fazer ao próximo aquilo que não quer que seja feito a si mesmo? Claro que não!


O texto  de Kardec está no  "O Livro dos Médiuns":
2- Pergunta: Concebe-se que uma resposta possa ser alterada; mas, quando as qualidades do médium excluem toda idéia de má influência, como se explica que Espíritos superiores usem de linguagens diferentes e contraditórias  sobre o mesmo assunto, para com pessoas perfeitamente sérias?
Resposta dos Espíritos: "Os Espíritos realmente superiores jamais se contradizem e a linguagem de que usam é sempre a mesma,com as mesmas pessoas.  Pode, entretanto, diferir, de acordo com as pessoas e os  lugares.  Cumpre, porém, se atenda a que a contradição, às vezes, é apenas aparente; está mais nas palavras do que nas idéias; porquanto, quem reflita
verificará que a idéia fundamental é a mesma.  Acresce que o mesmo Espírito  pode responder diversamente sobre a mesma questão, segundo o grau de adiantamento dos que o evocam, pois nem sempre convém que todos recebam a
mesma resposta, por não estarem todos igualmente adiantados.  É exatamente como se uma criança e um sábio lhe fizessem a mesma pergunta.  De certo, responderíeis a uma e a outro de modo que te compreendessem e ficassem  satisfeitos.  As respostas, neste caso, embora diferentes, seriam  fundamentalmente idênticas."

3- P: Com que fim Espíritos sérios, junto de certas pessoas, parecem aceitar idéias e preconceitos que combatem junto de outras?
R: "Cumpre nos façamos compreensíveis.  Se alguém tem uma convicção bem firmada sobre uma doutrina, ainda que falsa, necessário é lhe tiremos essa convicção, mas pouco a pouco.  Por isso é que muitas vezes nos servimos dos seus termos  e aparentamos abundar nas suas idéias: é para que não fique de súbito ofuscado e não deixe de se instruir conosco.
"Aliás, não é de bom aviso atacar bruscamente os preconceitos.  Esse o melhor meio de não  se ser ouvido.  Por essa razão é que os Espíritos muitas vezes falam no sentido da opinião dos que os ouvem: é para os trazer pouco a pouco à verdade.  Apropriam a sua linguagem às pessoas, como tu  mesmo farás, se fores um orador mais ou menos hábil.  Daí o não falarem a
um chinês, ou a um maometano, como falarão a um francês, ou a um cristão. É que têm a certeza de que seriam repelidos (...)"

Mais adiante,  diz-se: "O bem é sempre o bem, quer feito em nome de Allah, quer em nome de Jeová, visto que um só Deus há para o Universo."
          Pra inicio de conversa, isso não é Kardec ensinando a mentir para converter pessoas com outras convicções ao Espiritismo, como sugere o católico. São os espíritos respondendo a pergunta de Kardec sobre as contradições aparentes em alguns ensinos mediúnicos. O titulo do capitulo se refere  às contradições e mistificações entre os médiuns.  Algumas dessas mistificações e erros se devem ao baixo caráter do próprio médium, outras vezes, à má influência espiritual a que possa estar exposto (não raro por sua própria invigilância).  Neste ultimo caso, não é  de surpreender que tenha absorvido ou crido em sistemas absurdos,  de autoria dos espíritos que o assessoram. Cabe então aos bons espíritos falar-lhe nos próprios termos de suas convicções, da mesma maneira como se faz um pregador quando diante de pessoas cujas idéias lhe são estranhas. Uma regra elementar de retórica (usar linguagem apropriada à audiência) é confundida com demonstração de oportunismo.


Espero que a senhora esteja começando a ver que o centro espírita e os amigos espíritas que estão lhe recomendando livros espíritas possam estar tentando enganá-la... ou por malícia, ou por estar sinceramente convencidos dos erros espíritas que eles professam crer.


Os espíritas não são proselitistas, e pouco nos importa se alguém está ou não numa igreja ou noutra. Nós, espíritas, cumprimos nossos papel de esclarecer as pessoas e ajudá-las quando precisam e querem, mas não temos como diretriz o dar combate às crenças alheias para substituí-las pelas nossas.  Sabemos que Deus não exige esta ou aquela religião para o bem-estar espiritual, e que não existe a necessidade de professar uma determinada fé  para nos livrarmos do mal ou para alcançarmos a bem-aventurança perante Deus.



Os espíritas deturpam os ensinamentos de Cristo. Quer uma prova? Vejamos o que a senhora mesmo disse em sua carta:
"Também os espíritas kardesistas acreditam nas duas principais máximas cristãs: ´Ama o próximo como a ti mesmo´ e ´Não faça aos outros aquilo que não queres que façam a ti´."
Ora, não são essas as máximas que Cristo ensinou no Evangelho. Ele disse:
"Amarás a teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma e de todo o teu espírito. Este é o máximo e o primeiro mandamento. E o segundo é semelhante a este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.Destes dois mandamentos depende toda a lei e os profetas." (Mt XXII, 37-40)
Note que houve uma supressão de Deus nestas duas máximas espíritas. O amor ao próximo não condicionado ao Amor a Deus não é caridade, é filantropia... é fazer bem por prestígio, por vaidade ou por qualquer outro sentimento egoísta e romântico qualquer.



Me mostre onde a deturpação, se está exatamente assim no Evangelho Segundo o Espiritismo:
“O mandamento maior
4. Mas, os fariseus, tendo sabido que ele tapara a boca aos saduceus, se reuniram; e um deles, que era doutor da lei, foi propor-lhe esta questão, para o tentar: -Mestre, qual o grande mandamento da lei? - Jesus lhe respondeu: Amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu espírito. - Esse o maior e o primeiro mandamento. - E aqui está o segundo, que é semelhante ao primeiro: Amarás o teu próximo, como a ti mesmo. - Toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos. (S. MATEUS, cap. XXII, vv. 34 a 40.)
5. Caridade e humildade, tal a senda única da salvação. Egoísmo e orgulho, tal a da perdição. Este princípio se acha formulado nos seguintes precisos termos: "Amarás a Deus de toda a tua alma e a teu próximo como a ti mesmo; toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos." E, para que não haja equívoco sobre a interpretação do amor de Deus e do próximo, acrescenta: "E aqui está o segundo mandamento que é semelhante ao primeiro" , isto é, que não se pode verdadeiramente amar a Deus sem amar o próximo, nem amar o próximo sem amar a Deus. Logo, tudo o que se faça contra o próximo o mesmo é que fazê-lo contra Deus. Não podendo amar a Deus sem praticar a caridade para com o próximo, todos os deveres do homem se resumem nesta máxima: FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO.”
Então, não houve uma supressão de Deus. Espiritismo ensina a amar a Deus, sim. Só não acreditamos, como os católicos, que esse amor a Deus está condicionado a crença de que Deus é três em um, que se fez homem e morreu para salvar a Humanidade.


É São Paulo quem diz:
"Ainda que eu distribuísse todos os meus bens no sustento dos pobres, e entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade [isto é, se eu não fizer isso por Amor a Deus], nada me aproveita." (I Cor XIII, 3)


Paulo se refere ao amor "agape", amor fraternal, CARIDADE exatamente. Mas não a caridade interesseira e sim exatamente como o Espiritismo nos ensina.
No Livro dos Espíritos há a pergunta de Kardec: "Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como entendida por Jesus?" e a resposta dos espíritos: "Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas".






Tratemos agora dos erros do espiritismo... e falar dos erros das outras doutrinas não é falta de respeito, como a senhora pode alegar, mas é caridade. Um professor que dá errado a um aluno seu que diz que 2+2=5 não o desrespeita, mas usa de misericórdia para como ele. E o que eu viso com isso é ajudar a senhora para que não caia nos erros do espiritismo.
O doutrina espírita é sustentada por dois pilares, que são diametralmente opostos à doutrina católica: a reencarnação e a necromancia (comunicação com os mortos). Um católico não pode crer na reencarnação, nem pode recorrer aconsulta dos mortos (e isto inclui a leitura de livros psicografados), sem com isso estar ofendendo gravemente a Deus.



Veja definição do Aurélio para "necromancia": "1. ADIVINHAÇÃO pela invocação dos espíritos. 2. MAGIA NEGRA"

Segundo o livro "Historia das Religiões" de Antonio de Almeida e Souza, Necromancia é um culto de origem egípcia e africana onde os supostos sacerdotes tentam adivinhar o futuro evocando espíritos e com auxilio de restos mortais de animais e de pessoas

ADIVINHAÇÃO. Tem isso no Espiritismo? NÃO. Se evoca animais usando ossos? NÃO. E é esse tipo de comunicação que a Bíblia proibe.
No livro "Does the Soul Survive - A Jewish Journey to Belief in Afterlife, Past Lives and Living with Purpose", o autor, o rabino Elie Kaplan Spitz, informa que pessoas de sua comunidade que tinham perdido entes queridos estavam consultando um médium americano muito famoso: George Anderson.
Consultou seu professor de seminário, e, para sua surpresa, este confirmou que a Bíblia hebraica condena consultar os mortos para fins de adivinhação apenas. Se o propósito for benéfico, não há nada contra.
Informa também o livro que um comitê de rabinos americanos estudou a questão com base na Bíblia hebraica chegando a mesma conclusão. Mas essa conclusão não interessa aqueles que se dizem "cristãos" e não se dedicam a pregar os preceitos do Cristo e sim a pregar o ódio contra os que não pensam igual.
Entendam:
NECRO = Morto
MANCIA = Adivinhação, como em cartomancia(adivinhações usando CARTAS)
Mancia não significa COMUNICAÇÃO.



Além desses dois pilares, um outro erro bastante grave dos espíritas, e que um católico não pode aceitar de jeito algum, é que, para os kardecistas, Cristo não é Deus, é apenas um espírito evoluído... isso é heresia e não pode ser aceito por nenhum católico. Lembre-se disso!



A Igreja, ou melhor, Constantino, UM PAGÃO, que criou o dogma e fez dele uma regra de fé, quando não tem base bíblica alguma. Para Cristo, o verdadeiro cristão se mede pelo seu caráter e não pela crença pessoal.
Lembre-se disso:: "Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros. " (João 13:35)
Outro claro exemplo é a parábola do bom samaritano.


.Quanto à reencarnação, a doutrina católica, com base na Verdade ensinada nas Sagradas Escrituras, afirma que o "homem só morre uma vez, e depois segue-se o juízo" (Hb IX, 27), e que os que não se prepararem para o juízo serão "lançados nas trevas exteriores, onde haverá pranto e ranger de dentes" (Mt XXV, 30). Já os espíritas pregam que teremos milhares de outras vidas além destas, e que teremos muitas outras chances de alcançarmos a perfeição. Ora, isso vai contra o que Cristo ensina na parábola das dez virgens (Mt XXV, 1-13), onde as virgens loucas, que não se prepararam para as bodas, foram lançadas às trevas exteriores quando chegou o noivo. "Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora" (Mt XXV, 13).

Há trevas também, e chamamos de umbrais... Só não acreditamos que seja para sempre, sem direito ao perdão. A parábola ensina simplesmente a ter prudência, a ser vigilante, pois nunca se sabe a hora em que vamos partir. Não vejo onde nega a reencarnação. Quanto a alcançar a perfeição(relativa, pois só Deus é perfeito, pois é CRIADOR), foi Cristo que disse para sermos perfeitos como o Pai.
"E, como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois o juízo," (Hebreus 9:27)
Isso de forma alguma nega a reencarnação. De fato, o nosso corpo morre uma só vez. O espírito não morre nunca. E quando morremos  somos imediatamente julgados pela nossa própria consciência, conforme os vários relatos de experiência de "quase morte", que mostram que a pessoa passa por uma recapitulação, onde os lances da vida passada do paciente surgem como se fossem revividos novamente e de uma só vez. Além disso, a pessoa sente os efeitos de suas ações boas ou más,  como se tivesse no lugar daquelas pessoas que as experimentaram. Desse modo, o paciente tem uma perfeita e justa avaliação das conseqüências de seus atos, tornando-se o seu próprio julgador.   Esse versículo na tradução da Bíblia de Jerusalém está exatamente: "UM JULGAMENTO", o que é confirmado por Severino C. da Silva no livro "Analisando as Traduções Bíblicas". Não é, portanto, um único juízo, o juízo final, como querem.
  Isso que Paulo disse na verdade nega a ressurreição da carne e não a reencarnação. Aliás, o próprio Paulo disse que a ressurreição é  espiritual e não com o corpo carnal. E os que acreditam na ressurreição de Lázaro se contradizem citando esse versículo. Ou será que Lázaro continua vivo?


E o que dizer da necromancia? A Sagrada Escritura a condena como "abominável". Pois vejamos:
"Quando tiverdes entrado na terra que o Senhor teu Deus te há de dar, guarda-te de querer imitar as abominações daquelas gentes. Não se ache entre vós quem purifique seu filho ou sua filha, fazendo-os passar pelo fogo, nem quem consulte os adivinhos ou observe sonhos ou agouros, nem quem use malefícios, nem quem seja encantador, nem quem consulte os pitões ou adivinhos, ou indague dos mortos a verdade. Porque o Senhor abomina todas estas coisas e por tais maldades exterminará estes povos à tua entrada ." (Deut XVIII, 9-12)



Segundo Severino Celestino no livro Analisando as Traduções Bíblicas, a tradução correta dos versículos em Deut. é essa:
"Quando entrares na terra que Iahvéh, teu Deus, te dá, não aprendas a fazer as abominações daquelas nações. Não se achará em ti quem faça passar seu filho ou sua filha pelo fogo, nem adivinhador, nem feiticeiros, nem agoureiro, nem cartomante, nem bruxo, nem mago e semelhante, nem quem consulte o necromante e o adivinho, nem quem exija a presença dos mortos"

"Quando entrares...": essa frase já mostra que a lei foi temporária, para aquele povo que entrava na terra prometida....
"quem exija a presença": no Espíritismo não há adivinhações e nem se exige a presença do morto.. Como dizia o Chico Xavier, "o telefone toca de lá pra cá".






Os livros do tal Chico Xavier, que a senhora qualifica como "médium reconhecidamente sério", são frutos de uma prática abominada por Deus, a necromancia. Como a senhora pode querer tirar algo de proveitoso de tal ofensa a Deus, ainda que haja verdades nestes livros? É como querer se aproveitar dos lucros de um roubo... afaste-se desses livros, eles fazem muito mal à senhora!



"Fazem mal" apenas por irem contra os dogmas criados pelos homens.
Cristo disse "Pelos frutos os conhecereis".
Com tantos exemplos como Chico Xavier, Bezerra de Menezes, Divaldo Franco e outros ilustres espíritas dedicados ao amor puramente cristão, só resta aos detratores da Doutrina Espírita dizer que seus frutos são ruins porque, mesmo levando as pessoas a fazerem o bem, a buscarem a paz interior, a amarem seu próximo e a Deus, faz o homem perder a sua alma por ensinar, por exemplo, que Jesus não é Deus. Esse e outros dogmas não fazem de ninguém uma pessoa melhor. Basta vermos o ensino da parábola do bom samaritano, onde Cristo coloca um  "herege" como exemplo, para vermos que Cristo não se importa com crenças pessoais e sim com o interior de cada um. Eram os fariseus, tão combatidos pelo Cristo, que achavam mais importante o apego as escrituras do que o amor desinteressado a Deus e ao seu próximo.


Prova de que estes livros estão lhe fazendo mal é que a senhora está perdendo a capacidade de discernir entre o certo e o errado. Desculpe-me se o que vou dizer lhe ofende, mas é a única explicação que eu vejo para o fato da senhora ter lido o "Evangelho segundo o espiritismo" do Kardec e não ter encontrado problemas no livro... ele transborda de ensinamentos contrários à doutrina católica. Estes livros estão fazendo a senhora perder a noção do que seja a doutrina católica, e está começando a confundir catolicismo com espiritismo... que é exatamente a estratégia do Kardec para angariar adeptos para o espiritismo, como ele confessa nas citações que lhe mostrei anteriormente!
Vejamos alguns erros ensinados neste livro do Kardec, apenas a título de exemplo... há muitos mais além dos que vou relacionar a seguir.
Por exemplo, logo na Introdução, Kardec afirma que se o homem contemplar a sua própria essência interior, há de encontrar a divindade, escondida na matéria:
"Quando [a alma] contempla sua própria essência, ela se volta para o que é puro, eterno, imortal, e sendo da mesma natureza, permanece nessa contemplação tanto tempo quanto possível (...) assim, o homem que considera as coisas de baixo, terra a terra, do ponto de vista material, vive iludido." (Allan Kardec, O Evangelho segundo o espiritismo, Ed. EME, 1a. reedição, 1996, Introdução, p. 33)
Ora, é a Gnose, combatida por Santo Irineu, e condenada pela Igreja há quase dois milênios, que afirma que a divindade está presa na matéria e que, portanto, o homem tem Deus dentro de si, e, logo, é Deus.


Kardec primeiro cita a doutrina de Platão e Socrátes: "1I.A alma se transvia e perturba, quando se serve do corpo para considerar qualquer objeto; tem vertigem, como se estivesse ébria, porque se prende a coisas que estão, por sua natureza, sujeitas a mudanças; ao passo que, quando contempla a sua própria essência, dirige-se para o que é puro, eterno, imortal, e, sendo ela desta natureza, permanece aí ligada, por tanto tempo quanto passa. Cessam então os seus transviamentos, pois que está unida ao que é imutável e a esse estado da alma é que se chama sabedoria."
Depois Kardec comenta: "Assim, ilude-se a si mesmo o homem que considera as coisas de modo terra-a-terra, do ponto de vista material. Para as apreciar com justeza, tem de as ver do alto, isto é, do ponto de vista espiritual. Aquele, pois, que está de posse da verdadeira sabedoria, tem de isolar do corpo a alma, para ver com os olhos do Espírito. E o que ensina o Espiritismo. (Cap. II, nº 5.) "
Onde se diz que Deus está na matéria, que o Homem é Deus...?
Está mais do que claro... Fala-se sobre olhar as coisas de modo espiritual, sem se prender a matéria. Apenas isso.



Outro erro do livro de Kardec, que aparece constantemente em suas obras, é o seu pessimismo com relação ao mundo. Sendo gnóstico, considerando a matéria uma prisão para a alma, Kardec vai dizer que o mundo é mal, é um castigo, é uma prisão para o espírito... o que é um absurdo. No mundo há sofrimento, mas também há alegria... se o mundo fosse só castigo, o homem ansiaria por deixá-lo. Ao contrário, as pessoas temem a morte e querem viver o máximo possível. Assim ocorre comigo e assim ocorre com a senhora.
Vejamos algumas dessas citações pessimistas de Kardec, extraídas do "Evangelho segundo o espiritismo", que passaram desapercebidas pela leitura da senhora:
"[Para os espíritos] é um castigo prolongarem sua permanência num mundo infeliz, ou serem relegados a um mundo ainda mais infeliz, por se haverem obstinados no mal" (op. cit., cap.III, n.5, p.59)
 

Kardec fala dos que insistem no mal e não que para todos há infelicidade e que no mundo há só castigo.




"Deus colocou [os espíritos] num mundo ingrato, para expiarem suas faltas através de um trabalho penoso e das misérias da vida, até que se façam merecedores de passar para um mundo mais feliz" (op. cit., cap. III, n. 13, p. 63)
Vejamos:
"Mundos de Expiações e de Provas
Que vos direi, que já não conheçais, dos mundos de expiações, pois basta considerar a Terra que habitais! A superioridade da inteligência, num grande número de seus habitantes, indica que ela não é um mundo primitivo, destinado à encarnação de Espíritos ainda mal saídos das mãos do Criador. Suas qualidades inatas são a prova de que já viveram e realizaram um certo progresso, mas também os numerosos vícios a que se inclinam são o indício de uma grande imperfeição moral. Eis porque Deus os colocou num mundo ingrato, para expiarem suas faltas através de um trabalho penoso e das misérias da vida, até que se façam merecedores de passar para um mundo mais feliz."





Em relação a outros mundos, aqui realmente se pena muito, tem muitas misérias, mesmo que também exista felicidade. Não vi nada de pessimismo, é a realidade....


"O suicida assemelha-se ao prisioneiro que escapa da prisão antes de cumprir a sua pena e que, ao ser preso de novo, será tratado com mais severidade" (op. cit. cap. XXVIII, no. 71, p. 388)
Há muitas outras além dessas. Estou apenas citando alguns exemplos.


Jesus já havia dito que não sairemos da prisão até pagarmos o último centavo. Todos nós passamos por provas, alguns por provas mais difíceis, e se o indivíduo se acovarda tirando a própria vida é lógico que atrapalha seu progresso.
 Por provas dolorosas todos nós passamos e católicos e evangélicos acreditam também nisso. A diferença é que para nós, assim como para Cristo, a prova é temporária, até o pagamento do último centavo, enquanto para eles existe a eternidade do inferno.




Outro erro deste livro do Kardec é o de racismo. Vejamos um exemplo de passagem racista desse livro:
"As raças a que chamais de selvagens [os negros] constituem-se de Espíritos apenas saídos da infância, e que estão, por assim dizer, educando-se e desenvolvendo-se ao contato de Espíritos mais avançados. Vêm a seguir as raças semi-civilizadas (...), essas são, de algum modo, as raças indígenas. (...) Os Espíritos em expiação estão nos povos mais esclarecidos [os brancos] (...) [os quais] foram relegados, por algum tempo, entre os Espíritos mais atrasados, tendo por missão fazê-los avançar, porque trazem uma inteligência desenvolvida e os germes dos conhecimentos adquiridos. É por isso que os Espíritos punidos se encontram entre as raças mais inteligentes (...) mais atingidas pelos atritos do que as raças primitivas, cujo senso moral é mais obtuso" (op. cit., cap. III, no. 14, pp.63-64. Os destaques são todos meus.)
Esta citação é escandalosa!! Primeiro, ele associa o "nível de evolução" de uma alma à raça à qual a pessoa pertence. Quer dizer que um espírito "encarnado" em uma determinada raça seria superior a um espírito "encarnado" em outra raça... e isso é racismo. Depois, ele diz que as raças mais inteligentes animam espíritos superiores (que em outras passagens ele vai esclarecer que se tratam das raças brancas, caucásicas, branquinhas como o Kardec), estas estão na Terra como castigo, por algum pecado que estes espíritos cometeram em "outros mundos" mais superiores, e que têm aqui a missão de fazer avançar os seres das raças inferiores (índios, negros e orientais).
Que doutrina racista horrível. Sabe a quem, ou melhor, a que "espírito desencarnado" Kardec atribui essas palavras absurdas? A nada mais, nada menos que Santo Agostinho, padre da Igreja. Uma blasfêmia.

Kardec fala dos selvagens, nada diz sobre raças. O selvagem, sim, está em uma de suas primeiras encarnações na Terra.

Cito um último erro do livro citado, que vai à contra-mão da doutrina católica. O Kardec dedica um capítulo inteiro deste livro falso, mentiroso e blasfemo à reencarnação. Lá diz ele:
"A reencarnação fazia parte dos dogmas judeus, sob o nome de ressureição." (op.cit., cap. IV, no.4, p.69. O itálico é do original)
Ora, esta afirmação é falsa. Todas as citações que o Kardec apresenta a seguir, para justificar essa sua afirmação, não mostram nada, pois ou se está falando da vida eterna (no céu ou no inferno), ou então do "renascimento para a vida eterna" que é dado pelo batismo. É mentira que o termo "ressurreição" dos judeus quisesse dizer a mesma coisa que a "reencarnação" dos espíritas. As ressurreições relatadas na Sagrada Escritura são todas dadas no mesmo corpo. Quando Cristo ressuscitou a Lázaro e à filha de Jairo, ambos retornaram a vida nos seus próprios corpos, e não numa nova existência. Quando Cristo dizia que ressuscitaria ao terceiro dia, os judeus compreendiam perfeitamente o que Ele queria dizer, e por isso puseram guardas para vigiar seu túmulo, pois entendiam por ressurreição o retorno à vida no mesmo corpo. Há também no Antigo Testamento a passagem em que Sto. Elias ressuscita o filho da viúva de Sarepta (I Reis XVII, 22), que também ocorre em seu próprio corpo, e não numa nova "encarnação". Portanto, é diferente da Reencarnação dos espíritas.


Kardec não disse que Lázaro "reencarnou" ou que Jesus "reencarnou". Mesmo esses dois casos são distintos, pois Lázaro, que foi salvo por Jesus de uma doença (a letargia), não apareceu com o "corpo glorioso" de Jesus, que se manifestou após o desencarne, como um espírito materializado. Foi a ressurreição espiritual que todos nós veremos um dia quando não precisarmos mais vir ao mundo exceto em missão:
"Porquanto, quando ressuscitarem dentre os mortos, nem casarão, nem se darão em casamento, mas serão como os anjos que estão nos céus." (Marcos 12:25)
Serão como anjos, ou seja, espíritos de luz e não carne e sangue como Lázaro.
E há outro sentido para "ressurreição" que só pode ser entendido como reencarnação.
É sabido que a crença dos hebreus no início era o “Sheol", o mundo dos mortos abaixo da Terra. A idéia da ressurreição na doutrina judaica e cristã como conhecemos começou quando os judeus foram capturados em Israel e levados para o exílio babilônico. Mais tarde, em 539 AC, Babilônia foi conquistada pelos persas, que impuseram ao império babilônico derrotado uma teocracia do Zoroastrismo. Foi aí, então, que a religião do Zoroastrismo com sua doutrina de ressurreição começou a exercer uma tremenda influência no Judaísmo. O Cristianismo, por sua vez, herdou o conceito de ressurreição do Judaísmo. De fato, é o Zoroastrismo a origem da ressurreição, a crença nosanjos(incluindo Satanás, como o anjo caído e rival de Deus) , o Juízo Final e outros conceitos.
     Os hebreus depois passaram a viver em uma mistura de crenças. Conceitos gregos e neo-platônicos de reencarnação, ressurreição persa, velhas idéias hebraicas de "Sheol",  várias outras religiões e filosofias co-existiam entre os judeus naqueles tempos.
      No tempo do Cristo havia profecias sobre a volta dos profetas, como Elias, e isso não poderia ser dentro do conceito de ressurreição que eles adquiriram dos Persas, onde os mortos se levantam somente no Juízo final.
Quando Jesus perguntou a seus discípulos o que diziam dele no povo, eles responderam: "Uns dizem que és João Batista; outros, Elias; outros Jeremias, ou qualquer um dos antigos profetas que vieram ao mundo." Os pais de Jesus eram conhecidos, portanto não poderia ser de uma ressurreição da carne que eles falavam. A reencarnação era uma crença conhecida, se fosse uma heresia, obra de “Satanás”, como muitos dizem, então Jesus com certeza os criticaria de cara por cogitarem disso. Mas apenas perguntou: “E vós, quem acreditam que sou?".  Em João 1:21 também perguntam a João Batista se ele era Elias. Além de Jesus e João  não serem homens que levantaram dos túmulos, tem outra coisa: a idéia inicial de ressurreição dos judeus, copiada do Zoroastrismo persa, seria apenas no juízo final, para a eternidade, e não para habitar a Terra. Mas aqui nesse caso de "ressurreição" já havia a influência dos gregos, que acreditavam na reencarnação..
     Os hebreus acreditavam que o retorno de Elias sobre a Terra devia preceder o do Messias.  Isto porque, no Evangelho, quando seus discípulos perguntaram a Jesus se Elias voltaria, ele respondeu afirmativamente dizendo: "Elias já veio e não o reconheceram, mas eles lhe tem feito tudo o que havia sido predito." E seus discípulos compreenderam, diz o Evangelista, que era de João que lhes falava, provando que eles conheciam a idéia da reencarnação e Jesus, que conhecia o pensamento íntimo de cada um, não negou a idéia.


Espero que estas informações sejam esclarecedoras para a senhora. Convém ainda ressaltar, para sua informação, que embora a senhora julgue que ter se tornado "uma pessoa mais sensível aos problemas humanos, mais lúcida, mais completa ao trazer a doutrina espírita para dentro da fé católica", a senhora erra pois a adesão às crenças espíritas é punida com excomunhão pela Igreja Católica, como a própria CNBB afirmou em documento oficial. Veja mais detalhes em outra carta que respondemos há algum tempo: CNBB condena o Espiritismo
Não é possível ser católico e simpático ao espiritismo ao mesmo tempo, pois as doutrinas são inconciliáveis, como espero ter mostrado nesta curta carta. Há muito mais argumentos de onde vieram os que usei neste carta, caso a senhora precise de mais informações acerca da doutrina espírita.
Haveria muito mais o que se dizer sobre o espiritismo. Precisando de auxílio, escreva-me que terei prazer em ajudá-la.
Ao seu dispor,
In Iesu et Maria,
Fabiano Armellini.

Condena? Bem, eu não esperava outra coisa daqueles que acham que têm o poder de mandar para o Inferno ou para o Céu.

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