"Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros." (João 13:35) "Onde estiverem reunidos, em Meu nome, dois ou três, lá estarei no meio deles." (Mateus 18:20)

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sábado, 12 de fevereiro de 2011

Salvação pela graça X Caridade

Os defensores da salvação pela graça e contrários a salvação pelas obras(caridade), citam  Paulo de Tarso, que afirmou:
  "Pela graça sois salvos, mediante a fé, e isso não vem de vós, é  dom de Deus. Não vem de obras, para que ninguém se glorie" (Efésios 2.8,9)
Paulo diz: "Não vem de obras, para que ninguém se glorie". Não se deve mesmo fazer obras pensando em sua glória pessoal, em si mesmo, em recompensas futuras. É necessário praticar o bem sem interesses, com desprendimento. É o amor que nos leva a Deus e não simplesmente as "obras", que podem muito bem ser interesseiras, como de fato acontecia com os fariseus e por isso a advertência de Paulo. O mesmo ensino de Jesus com a parábola do bom samaritano. Perguntado por um doutor da lei sobre qual o caminho para a vida eterna, Jesus respondeu perguntando o que dizia a lei. Em seguida, disse ao homem pra que praticasse aquilo tudo. Pra finalizar, colocou um samaritano como exemplo de um cumpridor da lei, pois, apesar de samaritanos serem considerados "hereges" pelos fariseus, aquele amava seu próximo de verdade sem se importar em ser glorificado.
  Portanto,  Paulo, ao dizer que ninguém se salvaria pelas obras da lei, estava querendo demonstrar que não bastava a escravidão as formulas e ordenações para agradar a Deus. A lei, por si mesma, não salva e não salvava ninguém, apenas prescrevia o que é certo e o que é errado, o que se deve e o que não se  deve fazer. A seu ver, estavam justificados os gentios que cumpriam naturalmente a lei, sem que para isso estivessem sujeitas a ela como os judeus.(Romanos capítulo 2)
Chamo atenção para os versículos 11-13:
"pois para com Deus não há acepção de pessoas. Porque todos os que sem lei pecaram, sem lei também perecerão; e todos os que sob a lei pecaram, pela lei serão julgados. Pois não são justos diante de Deus os que só ouvem a lei; mas serão justificados os que praticam a lei " (Nota: Independentemente da crença pessoal de cada um, a prática das leis de Deus agrada a Deus - o mesmo pensamento em Atos, 10:34 e 35, além da já citada parábola do bom samaritano)
Ele  advertia os cumpridores hipócritas dos preceitos bíblicos.  Alias, é  justamente isso o  que ele faz em Romanos 2:17-23:
  "Mas se tu, que te dizes judeu e descansas na lei; que te  glorias em Deus; que conheces sua vontade; que discernes o melhor, segundo a lei e te jactas de ser guia de cegos, luz aos que andam nas trevas, educador de ignorantes, mestre de crianças, porque possuis na lei a expressão mesma da ciência e da verdade... Pois bem, tu que instruis os outros, a ti mesmo não instruis! Pregas: não roubar! E roubas! Proíbe o adultério e adulteras. Aborreces os ídolos e saqueias os templos. Tu que te glorias na lei, transgredindo-a, desonra a Deus".
    Paulo afirmou em Romanos 2:6: "(Deus) dará  a cada um segundo as suas obras".    Paulo também escreveu: "Importa que compareçamos perante o tribunal do Cristo, a fim de que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito enquanto no corpo" (II Cor. 5:10)
  Paulo ainda escreveu, em todo o capítulo 13 da Primeira Epístola aos Coríntios,  o mais belo texto que se conhece sobre o poder e a glória do amor "ágape", o amor fraternal, ou seja, a CARIDADE:
"Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o címbalo que retine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse todos os meus bens para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece, não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal; não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos; mas, quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado. Quando eu era menino, pensava como menino; mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Porque agora vemos como por espelho, em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente, como também sou plenamente conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança, o amor, estes três; mas o maior destes é o amor."
   Alguns dizem que Paulo não falava sobre a caridade, pois diz "ainda que distribuísse todos os meus bens para sustento dos pobres...". Mas como foi dito, caridade não é apenas dar aos pobres, sem agir com  amor. E no original grego, também já disse, é o amor "ágape", que é exatamente o amor ao próximo. Tanto é verdade que em algumas traduções da Bíblia está exatamente "CARIDADE".
Está muito claro que, ao falar em  "salvação pela graça", Paulo criticava os que faziam falsa caridade, sem amor, apenas para comprar o céu, como os fariseus. Mas  se há o verdadeiro sentimento de amor na pessoa e ele se transforma em ação (o que é a verdadeira caridade, e não simplesmente dar dinheiro aos pobres, doar alimentos  e roupas...), não há "compra" alguma, e  Jesus, em Mateus 25, dá o prêmio de felicidade eterna àqueles que praticam a verdadeira caridade, sem fazer outra distinção. Isso sim é ser justo. A caridade é universal e está ao alcance de todos. Do ignorante, do sábio, do rico, do pobre. Não é privilégio de nenhuma crença, porque está acima da fé.
No Livro dos Espíritos há a pergunta de Kardec: "Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como entendida por Jesus?" e a resposta dos espíritos: "Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas".
Ao refletirmos sobre a resposta dos espíritos, verificamos que o primeiro passo para o exercício da caridade é sermos benevolente para com todos. Assim, é preciso nos munirmos de boa vontade para tratarmos bem a todos, independentemente de posições sociais, pensamentos religiosos ou proximidade com os nossos corações. Comentário de Kardec à referida pergunta: "caridade, segundo Jesus, não se restringe à esmola, abrange todas as relações em que nos achamos com os nossos semelhantes, sejam eles nossos inferiores, nossos iguais, ou nossos  superiores". O próximo passo é a indulgência para as imperfeições dos outros, o que nos remete ao conceito de evolução. Entendemos que cada um de nós traz uma bagagem de valores morais concordante com seu estado evolutivo. O que é óbvio para nós, no momento atual, é início de aprendizado para o outro. Assim, é preciso reconhecer o direito do outro de errar e aprender com seus erros. Finalmente, a caridade como a entendia Jesus requer o perdão das ofensas. Perdoar é reconhecer a liberdade de pensar e agir do próximo, ainda que ele não corresponda aos nossos padrões de exigência no bem. Sentir-se ofendido é julgar, na ação do outro, atitudes que contrariam a nossa vaidade.
  Espiritismo diz "Fora da caridade não há salvação". Se a caridade fosse apenar ajudar aos necessitados, então, os pobres, os miseráveis, todos aqueles que não se encontram em condição de fazer caridade, estariam condenados. Mas não. Vemos na parábola do rico e Lázaro, que o pobre Lázaro foi justificado pelo amor, resignação, por não se revoltar contra seu próximo.
Outro argumento: "No caso do "bom ladrão" Dimas, que boa obra ele praticou, no sentido de caridade, prática do bem, etc.? no entanto ele foi o primeiro a entrar no paraíso."
Como explicado,  "caridade" é em um sentido amplo.  Se fosse somente a caridade material, de doar a um pobre, o ladrão jamais teria condição de demonstrar sua caridade. Mas o ladrão foi misericordioso com o Cristo(com o homem Jesus Cristo e não o Salvador. Não foi a crença no "sangue redentor" que o salvou, mas o amor, que "cobre a multidão de pecados", a prática do mandamento "Amai ao próximo como a ti mesmo"), enquanto o outro ladrão zombava dele. Agiu, sim, com amor, e Cristo, que conhece o íntimo de cada um, sabia a sinceridade do sentimento dele. E isso é boa obra, sim. O Paraíso é consciencial, está dentro de nós. Naquele dia, o ladrão estaria em paz de espírito. Isso não nega a reencarnação. Ele reencarnaria, sim, mas certamente não mais em uma prova dolorosa, de resgate. O que poucos percebem é que essa parábola nega frontalmente a crença de que os mortos estão esperando um Juízo Final, já que, "naquele mesmo dia", o ladrão estaria no Paraíso. Esse detalhe é "esquecido" por aqueles que só querem lembrar dessa passagem bíblica para atacar a reencarnação e dizer que boas obras não salvam.
Na verdade, as igrejas falam em "salvação pela graça" mas onde a "graça", se é preciso aceitar uma das várias religiões cristãs - cada uma se dizendo mais verdadeira do que a outra -  e freqüentar seus templos, se batizar, doar o dízimo..? Quando falam que a reencarnação e a pratica da caridade eliminam a necessidade do "sacrifício redentor" do Cristo me parece óbvio que estão querendo mesmo é dizer que eliminam a necessidade de um pastor "que salva alma", um padre "que perdoa pecados", um Papa "infalível em questões de fé", enfim, eliminam a necessidade das Igrejas. E isso incomoda aos poderosos da fé.
Também dizem: "Cornélio (Atos 10) era alguém caridoso, piedoso e temente a Deus e que fazia muitas esmolas ao povo (verso 3), e suas orações e esmolas subiram a Deus (verso 4). No entanto, poderia já considerar-se salvo? Não, ainda faltava algo a ele: CRISTO. "
Por ser caridoso, por ter amor no coração, Cornélio foi chamado para que os apóstolos contassem a ele sobre a Boa Nova, ou seja, para que contassem a ele sobre quem foi Cristo, seu exemplo, seus preceitos. Os apóstolos estavam em uma missão de divulgação do Cristianismo e, então, chamaram Cornélio para ele ser convertido a revelação que acabara de surgir. Não significa que Cornélio seria condenado se não fosse chamado, pois são os versículos 34 e 35 que dizem "Deus não faz acepção de pessoas, mas é agradável a todo aquele que em qualquer nação o teme e obra o que é justo". Sendo justo, Cornélio agradaria  a Deus mesmo se não tivesse sido chamado, como o samaritano da parábola contada por Jesus. Mas os apóstolos estavam divulgando o Cristianismo e contaram com ele nessa missão, por ser ele um exemplo de grande "cristão", no sentido de ser justo, de pôr em prática os preceitos cristãos.
  Evangélicos e católicos dizem que para nós o sacrifício do  Cristo é inútil. Mas me parece que para eles os ensinos do Cristo são inúteis, sendo que Cristo disse: "Se sabeis destas coisas, bem-aventurados sereis se as praticardes" (13:17) ?? Ora, certamente, Ele não ensinou tudo aquilo em vão, mas sim para pormos tudo aquilo em prática. Também não colocou outra condição além de praticar tudo o que Ele ensinara. Não disse: "se as praticardes, sem esquecer de me idolatrar como Deus e crer que me sacrifiquei pelos homens...".
    Há grandes evangélicos cristãos, católicos cristãos, espíritas cristãos e até os que não seguem o "Cristianismo", como Gandhi, pois todos vivenciam os ensinos do Cristo, sem buscar recompensas, com desapego, amor ao próximo e com humildade. E de que vale fazer o bem, para que vou lutar contra as minhas imperfeições, se basta eu acreditar em Jesus como um Salvador que se sacrificou por nós?  Então, vou matar, vou roubar, e então no último dia da minha vida basta eu dizer "Senhor, Senhor". E também todo o meu esforço na direção do bem seria inútil se Deus fosse tão cruel a ponto de dizer : "Você é um homem puro, buscou sempre o bem, mas vá lá para o inferno junto a Hitler e outros monstros da História, pois deveria acima de tudo aceitar meu sacrifício pela Humanidade".
   No Orkut, um pastor me disse uma vez: "ESTÁ ESCRITO que cada um é JULGADO perante a sua boa  OBRA, fora o verdadeiro cristão que segue a palavra e tem uma vida santificada,  ele já tem seu nome escrito no livro da vida, pois é obediente a Deus, "Seja santos como eu sou" Disse Jesus."
Ah, quer dizer, então, que os evangélicos não serão julgados só porque são evangélicos e por isso já  são "santos"?  É justamente esse o comportamento que  Paulo condenou. Só por seguirem as "obras da lei", as escrituras, de forma mecânica, se acham justificados. O comportamento típico dos fariseus. Jesus disse para sermos "santos" e também para sermos "perfeitos como o Pai", deixando claro que essa perfeição consiste no amor até com nossos inimigos.
  Certamente, se apóiam nesses versículos: "Quem crê nele não é julgado; mas quem não crê, já está julgado"(João 3:18)
Mas em minha Bíblia, uma João Ferreira de Almeida de 1948, é exatamente isso o que está escrito: "Quem crê nele não é condenado mas quem não crê já está condenado".
  E também a palavra "condenado" ("condemned") e não "julgado" aparece nas várias traduções em inglês, como a famosa King James, nesse site: http://bible.gospelcom.net/passage/?search=John%203:18;&version=31;
    Então, o julgamento é para todos, independentemente da crença pessoal. E quem crê, ou seja, que ouve suas palavras e põe em prática, não será condenado.
  Muitos cristãos atuais parecem seguir mais a Paulo do que a Jesus, acreditando numa "salvação pela graça" onde o mais importante é salvar-se do inferno e onde a prática dos preceitos cristãos são esquecidos, já que as obras viriam em conseqüência, como mágica. Poucos adotam como norma de vida o que Jesus ensinou. A ponto de um teólogo do porte de Rev. Robert  Hastings Nichols, professor em dois seminários norte-americanos, haver escrito em sua obra "História da Igreja Cristã" o seguinte:
  "Jesus, sentindo clara a necessidade de haver uma sociedade constituída de seus seguidores, a fim de oferecer ao mundo o Evangelho,e, ministrar, em seu espírito, os ensinos que lhe dera com o objetivo de propagar o reino de Deus... credo algum prescreveu para ela e nenhum código de regras lhe impôs". (grifo nosso)
   Ora, se não houve aí um lapso do historiador, como admitir que tão eminente teólogo seja capaz de afirmar que Jesus não impôs nenhum "código de regras"? Pois aqui transcreverei algumas das mais importantes regras que Ele ministrou aos discípulos, não só aos de então, como, evidentemente, a todos os que os sucederam e sucederão pelos séculos afora:
"Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus"(Mateus 5:16)
"Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele; para que não aconteça que o adversário te entregue ao guarda, e sejas lançado na prisão. " (Mateus 5:25)
"Eu, porém, vos digo que não resistais ao homem mau; mas a qualquer que te bater na face direita, oferece-lhe também a outra" (Mateus 5:39)
"Dá a quem te pedir, e não voltes as costas ao que quiser que lhe emprestes. " (Mateus 5:42)
"Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem;" (Mateus 5:44)
  "Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial. " (Mateus 5:48)
"Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita; " (Mateus 6:3)
"E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque pensam que pelo seu muito falar serão ouvidos. " (Mateus 6:7)
"Não ajunteis para vós tesouros na terra; onde a traça e a ferrugem os consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai para vós tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem os consumem, e onde os ladrões não minam nem roubam." (Mateus 6:19-20)
"Hipócrita! tira primeiro a trave do teu olho; e então verás bem para tirar o argueiro do olho do teu irmão. " (Mateus 7:5)
"Quando estiverdes orando, perdoai, se tendes alguma coisa contra alguém, para que também vosso Pai que está no céu, vos perdoe as vossas ofensas." (Marcos 11:25)
"Amai, porém a vossos inimigos, fazei bem e emprestai, nunca desanimado; e grande será a vossa recompensa, e sereis filhos do Altíssimo; porque ele é benigno até para com os integrantes e maus. " (Lucas 6:35)
"Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados. " (Lucas 6:37)
"E disse ao povo: Acautelai-vos e guardai-vos de toda espécie de cobiça; porque a vida do homem não consiste na abundância das coisas que possui" (Lucas 12:15) 
"Vendei o que possuís, e dai esmolas. Fazei para vós bolsas que não envelheçam; tesouro nos céus que jamais acabe, aonde não chega ladrão e a traça não rói. " (Lucas 12:33)
"Não julgueis pela aparência mas julgai segundo o reto juízo. " (João 7:24)
  São inúmeros os preceitos, que Cristo ensinou certamente para que o homem pratique, sem achar que a salvação vem sem esforço próprio.
  Diz a Confissão de Fé de Westminster"(item XVII), órgão máximo do presbiterianismo, que "boas obras são somente aquelas que Deus recomendou em sua santa palavra, e não as que sem esta garantia são inventadas por homens por um zelo cego ou sob o pretexto de qualquer boa intenção. Obras feitas por homens não regenerados - embora em si mesmas possam ser matérias que Deus ordena - são pecaminosas e não podem agradar a Deus" (grifo meu)
Entenderam? Se um cristão não pertencer à Igreja, nem tente praticar  boas obras, porque estará é... pecando! Esse primor de intolerância, embora redigido há mais de 300 anos, continua como fundamento da teologia atual. É certo que alguns teólogos mais evoluídos têm procurado conciliar os velhos dogmas com as percepções científicas modernas, mas são logo rechaçados pelos "fundamentalistas".
    Ou seja,   o samaritano, tido como herege, é colocado como exemplo pelo Cristo. Hoje, se um "herege" praticar uma boa ação, segundo a Confissão de Fé de Westminster", estará pecando.
    E os católicos não ficam atrás. O Concílio de Trento, realizado de 1545 a 1563, anatematiza a doutrina da salvação somente pelas obras:
"811. Cân. 1. Se alguém disser que o homem pode ser justificado perante Deus pelas suas obras, feitas ou segundo as forças da natureza, ou segundo a doutrina da Lei, sem a graça divina [merecida] por Jesus Cristo — seja excomungado."   
As Igrejas, principalmente as evangélicas, repetem sempre que salvam pessoas as afastando das drogas, do alcoolismo, do crime,  da prostituição... Isso tudo, realmente, é muito importante. Minha Religião não se julga a única verdade. Nós, espíritas, acreditamos que todas as religiões são importantes desde que levem a reforma íntima do indivíduo.   Mas o mais importante é  pôr o bem em prática e não apenas se afastar de certos vícios nocivos. Eu nunca fumei, nunca bebi, nunca cometi crimes. Os regenerados, a princípio, estão no mesmo nível espiritual que eu, que estou longe de me julgar perfeito, pois, mais do que se regenerar, cada um deve procurar  evoluir cada vez mais.
    A criança que muda de série na escola, evolui intelectualmente; o trabalhador   que se especializa, evolui profissionalmente; jovens que se casam, evoluem  socialmente...
    Evoluir é bem mais trabalhoso do que regenerar.
    Na regeneração, o ser humano apenas volta ao ponto que um dia abandonou,   tomado de perturbação.
    Na evolução, a alma ascende a outros níveis de compreensão, cresce   espiritualmente e adquire o que jamais possuiu.
    Paulo de Tarso, entidade elevada que reencarnou para servir ao Cristo,   regenerou-se após a visão do Senhor na estrada de Damasco; mas, ao  conhecer e vivenciar os ensinamentos evangélicos, ao longo de três décadas   de sofrimentos, evoluiu para planos até então desconhecidos, tornando-se um  dos mais importantes mentores em toda a história da cristandade.
    O Espiritismo, em sua didática divina, propõe três fases distintas para a   educação definitiva da alma: a conscientização, pelo estudo metódico; a  regeneração, pelo arrependimento das faltas cometidas e a evolução pela   prática constante do Bem e pela incorporação de novos valores ao caráter.
    Regenerar é um passo significativo, evoluir é libertação definitiva das   sombras e das limitações humanas.
    A Doutrina Espírita projeta-nos num mundo de novas concepções. Outrora,   induzidos pelo superficialismo das igrejas mundanas, acreditávamos na lei do  menor esforço para obter o "céu". A confissão auricular, a extrema-unção,   dízimo e a indulgência foram mecanismos de enganos religiosos que nos  furtaram a capacidade de aprofundamento das grandes questões da vida.  
    Com o Espiritismo, entendemos que a felicidade após a morte é fruto de   intenso esforço no Bem, aliado à compreensão das leis de Deus.
   O Espírita sabe que não basta a prática da Fé no plano da convivência. É   preciso buscar, além da auto-regeneração, a evolução da própria alma.
   Dizem: "O fato de querer comprar um pedaço do céu com a caridade, está claro, quando agem exatamente como os fariseus, que ao levar a oferta para o Templo, tocavam as trombetas, anunciando a 'caridade'."
   Quando agem assim, realmente são como os fariseus. Mas não é isso o que ensina o Espiritismo. O que estiver fazendo caridade para chamar a atenção, para "comprar o céu", pode desistir. Não deve haver  interesses em conseguir um lugar no céu, mesmo porque acreditamos que na  vida espiritual há muito  trabalho na obra do nosso Pai e não um ocioso paraíso.  O que Espiritismo nos ensina é que temos responsabilidade e que o verdadeiro homem de bem faz o bem com alegria, sem pensar em recompensas.
  Um trecho do livro "Nosso Lar", do espírito André Luiz, Psicografia de Chico Xavier, mostra bem o que estou dizendo. André Luiz, diz para a  sua mãe, que vivia em esferas espirituais mais elevadas, e foi  a cidade espiritual "Nosso Lar"  o visitar:
   " Oh! minha mãe!  deve ser maravilhosa a esfera da sua habitação! Que sublimes contemplações espirituais, que ventura!"
Ao que ela respondeu: "A esfera elevada, meu filho, requer, sempre, mais trabalho, maior abnegação. Não suponhas que tua mãe permaneça em visões beatificas, a distância dos deveres justos. Devo fazer-te sentir, no entanto, que minhas palavras não representam qualquer nota de tristeza, na situação em que me encontro. É antes revelação de responsabilidade necessária. Desde que voltei da Terra, tenho trabalhado intensamente pela nossa renovação espiritual. Muitas entidades, desencarnando, permanecem agarradas ao lar terrestre, a pretexto de muito amarem os que demoram no mundo carnal. Ensinaram-me aqui, todavia, que o verdadeiro amor, para transbordar em benefícios, precisa trabalhar sempre. Desde minha vinda, então, procuro esforçar-me por conquistar o direito de ajudar aqueles que tanto amamos."
   E diz o "Evangelho Segundo o Espiritismo", no Capítulo XVII("Sede Perfeitos"):
" O verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza. Se ele interroga a consciência sobre seus próprios atos, a si mesmo perguntará se violou essa lei, se não praticou o mal, se fez todo o bem que podia, se desprezou voluntariamente alguma ocasião de ser útil, se ninguém tem qualquer queixa dele; enfim, se fez a outrem tudo o que desejara lhe fizessem.
   Deposita fé em Deus, na Sua bondade, na Sua justiça e na Sua sabedoria. Sabe que sem a Sua permissão nada acontece e se Lhe submete à vontade em todas as coisas.
   Tem fé no futuro, razão por que coloca os bens espirituais acima dos bens temporais.
   Sabe que todas as vicissitudes da vida, todas as dores, todas as decepções são provas ou expiações e as aceita sem murmurar.
    Possuído do sentimento de caridade e de amor ao próximo, faz o bem pelo bem, sem esperar paga alguma; retribui o mal com o bem, toma a defesa do fraco contra o forte, e sacrifica sempre seus interesses à justiça.
   Encontra satisfação nos benefícios que espalha, nos serviços que presta, no fazer ditosos os outros, nas lágrimas que enxuga, nas consolações que prodigaliza aos aflitos. Seu primeiro impulso é para pensar nos outros, antes de pensar em si, é para cuidar dos interesses dos outros antes do seu próprio interesse. O egoísta, ao contrário, calcula os proventos e as perdas decorrentes de toda ação generosa"
E mais a frente, mesmo livro, mensagem do espírito François-Nicolas-Madeleine:
"A virtude, no mais alto grau, é o conjunto de todas as qualidades essenciais que constituem o homem de bem. Ser bom, caritativo, laborioso, sóbrio, modesto, são qualidades do homem virtuoso. Infelizmente, quase sempre as acompanham pequenas enfermidades morais que as desornam e atenuam. Não é virtuoso aquele que faz ostentação da sua virtude,  pois que lhe falta a qualidade principal: a modéstia, e tem o vício que mais se lhe opõe: o orgulho. A virtude, verdadeiramente digna desse nome, não gosta de estadear-se. Adivinham-na; ela, porém, se oculta na obscuridade e foge à admiração das massas. S. Vicente de Paulo era virtuoso; eram virtuosos o digno cura d'Ars e muitos outros quase desconhecidos do mundo, mas conhecidos de Deus. Todos esses homens de bem ignoravam que fossem virtuosos; deixavam-se ir ao sabor de suas santas inspirações e praticavam o bem com desinteresse completo e inteiro esquecimento de si mesmos.
À virtude assim compreendida e praticada é que vos convido, meus filhos; a essa virtude verdadeiramente cristã e verdadeiramente espírita é que vos concito a consagrar-vos. Afastai, porém, de vossos corações tudo o que seja orgulho, vaidade, amor-próprio, que sempre desadornam as mais belas qualidades. Não imiteis o homem que se apresenta como modelo e trombeteia, ele próprio, suas qualidades a todos os ouvidos
complacentes. A virtude que assim se ostenta esconde muitas vezes uma imensidade de pequenas torpezas e de odiosas covardias.

Em princípio, o homem que se exalta, que ergue uma estátua à sua própria virtude, anula, por esse simples fato, todo mérito real que possa ter. Entretanto, que direi daquele cujo único valor consiste em parecer o que não é? Admito de boamente que o homem que pratica o bem experimenta uma satisfação íntima em seu coração; mas, desde que tal satisfação se exteriorize, para colher elogios, degenera em amor-próprio.
O vós todos a quem a fé espírita aqueceu com seus raios, e que sabeis quão longe da perfeição está o homem, jamais esbarreis em semelhante escolho. A virtude é uma graça que desejo a todos os espíritas sinceros. Contudo, dir-lhes-ei: Mais vale pouca virtude com modéstia, do que muita com orgulho. Pelo orgulho é que as humanidades sucessivamente se hão perdido; pela humildade é que um dia elas se hão de redimir."


Ainda sobre Paulo, "A influência de Paulo é indiscutível. Mas, para uma corrente de historiadores e teólogos, ele deturpou os ensinamentos de Jesus Cristo – a ponto de a mensagem cristã que
sobreviveu ao longo dos séculos ter origem não em Cristo, mas em Paulo. Esses
pensadores julgam ser mais correto dizer “paulinismo”, não um cristianismo. “As cartas de
São Paulo são uma fraude nos ensinamentos de Cristo. São comentários pessoais à parte da
experiência pessoal de Cristo”, afirmou o pacifista indiano Mahatma Ghandi, em 1928. Opinião
semelhante tem o prêmio Novel da Paz de 1952, o alemão Albert Schweitzer, que declarou: “Paulo
nos mostra com que completa indiferença a vida terrena de Jesus foi tomada”
As principais críticas da corrente antipaulina concentram-se em pontos polêmicos das
cartas do apóstolo. Nelas, em outras coisas, Paulo defende a obediência dos cristãos ao opressivo
Império Romano, bem como o pagamento de impostos, faz apologia da escravidão, legitima a
submissão feminina e esboça uma doutrina da salvação distinta daquela que, segundo teólogos
antipaulinos, teria sido defendida por Jesus. (VASCONCELOS, 2003, p.58).


A remissão de nossos pecados através do sangue do Cristo é um absurdo teológico haurido de crenças pagãs, onde animais eram mortos em sacrifício a Deus para limpar os pecados. A seguir a ritualística de antanho, sem levar em conta que Jesus foi considerado "Cordeiro de Deus" de uma forma poética e não literal, teremos que arrumar outro Cristo para nós, visto que os pecados que pensavam estar pagando ao matar animais eram os já cometidos; não os que iriam cometer posteriormente.

Jesus não veio para salvar o mundo, no sentido em que os teólogos desenvolveram
suas teorias; veio, isso sim, ensinar o caminho da salvação, dizendo o que deveríamos fazer
para alcançá-la; tanto é, que afirmou “a cada um segundo suas obras” (Mt 16,27), totalmente
contrário à crença de que a sua morte seria para nos salvar. Os relatos bíblicos nos dão conta
de que a morte de Jesus não passou de uma trama, muito bem elaborada, por sinal, dos
líderes religiosos de sua época, dos quais sempre ressaltou a hipocrisia, o orgulho, a ganância.
Se Ele voltasse fisicamente outra vez, fariam o mesmo, porquanto, essas lideranças religiosas
dos nossos dias estão cheias de “verdades” de mais e amor de menos.
Se o exemplo de Jesus não pode ser imitado plenamente, como dizem,  então ele nos pregou uma
peça daquelas, pois ele disse: “tudo o que eu fiz vós podeis fazer e muito mais” (Jo 14,12);
e ainda disse, em  Mt 5,48: “Sede perfeitos como perfeito é o vosso pai que está nos
céus”.

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