"Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros." (João 13:35) "Onde estiverem reunidos, em Meu nome, dois ou três, lá estarei no meio deles." (Mateus 18:20)

Translate


Pesquisar

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

“Se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”

A passagem bíblica mais usada a favor da reencarnação:
Ora, havia entre os fariseus um homem chamado Nicodemos, um dos principais dos judeus. Este foi ter com Jesus, de noite, e disse-lhe: Rabi, sabemos que és Mestre, vindo de Deus; pois ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele.  Respondeu-lhe Jesus: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? porventura pode tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? Jesus respondeu: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de eu te haver dito: Necessário vos é nascer de novo. O vento sopra onde quer, e ouves a sua voz; mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito. Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode ser isto? Respondeu-lhe Jesus: Tu és mestre em Israel, e não entendes estas coisas? Em verdade, em verdade te digo que nós dizemos o que sabemos e testemunhamos o que temos visto; e não aceitais o nosso testemunho! Se vos falei de coisas terrestres, e não credes, como crereis, se vos falar das celestiais? Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem. E como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado; para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna. Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.  (João 3:1-16)
   Afirmam muitos que "nascer de novo" aqui teria duplo sentido, pois "anothen" também significa "do alto" e não apenas "de novo". Eu não acho relevante se a palavra tem duplo sentido ou não e sim se a palavra tem sentido dentro do contexto. Cristo disse “Nascer de novo”, pois assim Nicodemos entendeu, senão não teria perguntado “Como pode um homem nascer, sendo velho? Porventura pode tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? ”. Já “Nascer do Alto” é uma frase que não tem sentido algum. Na verdade é uma tremenda apelação dos apologistas cristãos para não aceitar a reencarnação, explicando esse “nascer do alto” como uma transformação no homem realizada através do Espírito Santo. São os homens que querem que seja assim, pois se há um duplo sentido, nada impede também que Cristo tenha se referido ao espírito do homem que "desce" aqui na Terra, reencarnando, como ele mesmo diz no versículo 13: "Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem. ", ou seja, para ele "subir",  para evoluir espiritualmente, para se elevar até a mais alta espiritualidade, teve que descer, "nascer de novo", reencarnar.
A idéia de "nascer de novo"/"nascer do alto" conforme dizem os apologistas cristãos entraria em contradição direta com que Jesus sempre pregou quanto à necessidade de nós lutarmos contra nossas imperfeições morais sem crer em uma transformação mágica do homem como muita gente por aí acredita. Nem vou citar aqui os inúmeros versículos com as regras que Jesus ministrou aos discípulos, pois basta isso aqui:
“Certa vez, estando Jesus a ensinar, eis que se levantou um doutor da lei e lhe disse, para o experimentar: - Mestre, que hei de fazer para alcançar a vida eterna? Respondeu-lhe Jesus: - Que está escrito na lei? Como é que lês? Tornou aquele: - ‘Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, com todas as tuas forças e de toda a tua mente; e a teu próximo como a ti mesmo.’ - Respondeste bem, disse-lhe Jesus. Faze isto, e viverás. Mas ele, querendo justificar-se, perguntou ainda: - E quem é o meu próximo? Ao que Jesus tomou a palavra e disse: Um homem descia de Jerusalém a Jericó e caiu nas mãos dos ladrões que logo o despojaram do que levava; e depois de o terem maltratado com muitas feridas, retiraram-se, deixando-o meio morto. Casualmente, descia um sacerdote pelo mesmo caminho; viu-o e passou para o outro lado; Igualmente, chegou ao lugar um levita; viu-o e também passou de largo. Mas, um samaritano, que ia seu caminho, chegou perto dele e, quando o viu, se moveu a compaixão. Aproximou-se, deitou-lhe óleo e vinho nas chagas e ligou-as; em seguida, fe-lo montar em sua cavalgadura, conduziu-o a uma hospedaria e teve cuidado dele. No dia seguinte, tirou dois denários e deu-os ao hospedeiro, dizendo: Toma cuidado dele, e o que gastares a mais pagar-to-ei na volta. Qual desses três se houve como próximo daquele que caíra nas mãos dos ladrões? Respondeu logo o doutor: - Aquele que usou com o tal de misericórdia. Então lhe disse Jesus: - Pois vai, e faze tu o mesmo (Lucas 10:25-37)“
  Se de fato houvesse uma transformação mágica vinda “do alto”, então, Jesus responderia ao Doutor da lei dizendo ser importante ele crer que ele, Jesus, é Deus e se batizar. Mas não, seu discurso foi sempre em direção da reforma íntima, da prática do amor ao próximo acima de tudo, e aqui ainda colocando um samaritano, que pelo povo era tido como herege, como um exemplo de pessoa que seguiu o verdadeiro caminho para Deus. Uma clara lição contra o preconceito. Quis ele provar justamente que não importam ritos e dogmas, mas simplesmente o amor. Afinal, Cristo resumiu a lei e os profetas a "(...) tudo o que vós quereis que vos façam os homens, fazei-o também vós a eles; esta é a lei e os profetas" (Mateus 16:27).”. Enquanto isso, muitos que se dizem cristãos hoje em dia, agem como os fariseus do tempo de Jesus, julgando pessoas por causa de suas crenças pessoais e o apego as escrituras somente, não pela transformação interior que, como eu disse, deve vir com esforço próprio e não por mágica.
Argumentam: "Sabemos que o correto, para o kardecismo, não seria aconselhar a reencarnação (desnecessária, posto que inevitável), mas chamar à prática do bem."
  Jesus não estava aconselhando a reencarnação. Percebam que Nicodemos, ao contrário do homem em Lucas 10(aquele pra quem Jesus aconselhou a prática do bem contando a parábola do bom samaritano), não perguntou sobre qual o caminho para o Reino de Deus. Aliás, nem perguntou nada. Apenas disse: "Rabi, sabemos que és Mestre, vindo de Deus; pois ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele.". O mesmo que lemos aqui: "Os judeus ficaram admirados e perguntaram: "Como foi que este homem adquiriu tanta instrução, sem ter estudado? Jesus respondeu: "O meu ensino não é de mim mesmo. Vem daquele que me enviou. Se alguém decidir fazer a vontade de Deus, descobrirá se o meu ensino vem de Deus ou se falo por mim mesmo. Aquele que fala por si mesmo busca a sua própria glória, mas aquele que busca a glória de quem o enviou, este é verdadeiro; não há nada de falso a seu respeito" (João 7:15-18) "
Por que Jesus era tão especial? Por que não era um homem comum e sim um enviado de Deus ao mundo, um representante de Deus? Por que Deus se manifestava através dele nas palavras, nas obras, nos ensinos, mais do que em qualquer outro homem na História antes e depois dele?
  Jesus respondia:  para ele(Jesus) ser um espírito perfeito, para "subir ao céu", para chegar ao ponto de ser um espírito missionário enviado a Terra por Deus e capaz de realizar todas aquelas curas e outras obras por parte de nosso Criador precisou "nascer de novo", "descer do céu", reencarnar.  E veio ao nosso mundo para trazer as palavras do Pai, os ensinamentos que,  bem praticados, darão também a vida eterna(v.15), ou seja, a necessidade de não precisar mais encarnar a não ser por missão e a partir de então viver a verdadeira vida, que é a vida espiritual. Mas, conforme diz Jesus no versículo 12, se Cristo falava das coisas terrestres(reencarnação) e Nicodemos parecia não compreender, muito menos entenderia as coisas celestiais(a condição de Jesus como o espírito mais perfeito que esteve entre nós, em uma missão divina, sendo o enviado direto de Deus). Se Jesus estivesse falando de uma transformação no homem através de uma mágica operada por Deus, não diria que falava de coisas "terrestres".
  Voltar ao ventre de nossa mãe depois de velho e nascer de novo(v. 4) não é o que prega os reencarnacionistas. Entraremos de novo em um ventre - não  o de nossa mãe atual - não quando estivermos velhos e sim quando formos apenas espíritos, sem  carne. Por isso, a resposta do Cristo: "O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do espírito é espírito" (v. 6) aplica-se como uma luva à tese da reencarnação. A carne vem dos pais, o espírito vem de Deus, "do alto", e, tal como o vento, que sopra onde quer sem que se saiba a sua origem, os homens não sabem de onde eles vem... (v.8)
A idéia de uma transformação mágica operada pelo "alto" não tem lógica.
Diz Jayme Andrade, em seu "O Espiritismo e as Igrejas Reformadas":
"Quando a Igreja primitiva trancou as portas da comunicação com  o mundo invisível, os teólogos passaram a forjar explicações para episódio tão claro. Os protestantes se escoraram na "renovação espiritual" dos que se convertem e recebem o Senhor em seus corações. Ou, como os Pentecostais, entendem que a transformação se opera através da atuação direta do Espírito Santo. Daí os apelos patéticos dos pastores, conclamando os ouvintes a darem um passo decisivo em direção a Cristo. Com as energias mentais de toda a congregação concentradas no veemente propósito de levar os pecadores aos pés do Salvador, é  natural que o efeito sugestivo crie um ambiente de fortes vibrações emotivas, que leva não poucos a se sentirem "tocados pela graça", ou "cheios de espírito" e a se acreditarem, com absoluta sinceridade, participes na "comunhão dos eleitos".
    Formulamos estes conceitos a título meramente ilustrativo, sem o mais leve intuito de menoscabar o sentimento, assaz louvável, dos nossos queridos irmãos. Reconhecemos a piedosa intenção que os move, mas não podemos deixar de ponderar que raramente as pessoas por essa forma sugestionadas, perseveram na "graça", visto como, passado aquele instante emocional, a maioria dos "nascidos de novo", mesmo quando permanecem no seio da Igreja, logo se adaptam a rotina de um Cristianismo quase que meramente de fachada. E tanto isto é  verdade que, de tempos em tempos, surgem movimentos de "renovação espiritual" proporcionando um ensejo de um "novo nascimento" a muitos que vinham trabalhando dentro de suas próprias igrejas. Ai estão para comprová-lo as campanhas de "reavivamento" empreendidas pelos dirigentes das varias denominações, notadamente nos Estados Unidos, movimentos de "renovação da fé", quais os das "Cruzadas", do notável evangelista Billy Graham, levando a salvação  a tantos que já se classificaram como "crentes", com resultados observáveis nas centenas de cartas remetidas aos dirigentes das "Cruzadas" e que são habitualmente divulgadas dentro do seu órgão "DECISION".   E tanto é  presumível que esse "novo nascimento" tenha um valor um tanto precário, que os Pastores de algumas denominações censuram discretamente esse modo de angariar prosélitos, abstendo-se de praticá-lo em suas igrejas, embora com eventuais concessões em movimentos de evangelização, ou durante ocasionais campanhas de reavivamento espiritual. "
     Na Igreja Católica, batizam até crianças, que nem tiveram ainda como "nascer de novo" no sentido de assumir uma nova conduta. E ainda impedem mães solteiras de batizarem os filhos, lançando no inferno (se o batismo é realmente necessário para ir para o "céu") os coitados. 
    Não faz sentido um diálogo com frases tão enigmáticas, como aquelas dos versículos 5 aos 8, e ainda o espanto de Jesus diante da ignorância de Nicodemos ("és mestre em Israel e desconheces essas coisas", "como crereis, se vos falar das coisas celestiais"), para falar em batismo e em um novo nascimento através de uma nova conduta. Por que falar de forma tão enigmática aqui, se Jesus sempre falou claramente sobre a necessidade da reforma íntima, aliás, acima de qualquer coisa exterior como o "batismo", que sabemos muito bem que por si só não transforma e nunca transformou ninguém? Olha a parábola do bom samaritano, por exemplo, para ver que Jesus sempre pregou a reforma íntima sem se importar com a crença pessoal.
É verdade que Cristo mandou os apóstolos batizarem, mas foi claro quanto a isso, sem enigmas como "nascer de novo"/"nascer do alto". Se Jesus falou em batismo com Nicodemos por que foi tão esotérico, ou seja, tão misterioso? E quanto a necessidade de "nascer de novo" no sentido de arrependimento, de transformação em um novo homem, Jesus não poderia ser mais explícito durante sua vida e se fosse o caso com certeza seria ali sem usar enigmas, sem criar frases misteriosas para Nicodemos interpretar e depois estranhar o desconhecimento de um mestre em Israel sobre o assunto. Quanto ao batismo de Jesus, ele disse que era pra que cumprissem as leis e os profetas. Note-se que Jesus não atribui ao batismo nenhuma função mágica. Jesus deveria ser batizado para que se cumprisse sua função messiânica na Terra. No momento do batismo do Cristo, João viu algo em forma de pomba e a voz que confirmava a missão de Jesus. Assim, confirmou para os presentes e para o mundo que Jesus era o Messias. Essa a missão de João Batista, que em seguida foi executado.
E o povo era batizado como um ritual simbolizando a conversão. Só os arrependidos eram convertidos e batizados. Não eram batizados para que se transformassem em pessoas de bem num passe de mágica.
Se não tinha porque Jesus ser tão "misterioso" quanto a esses assuntos, por outro lado a reencarnação sempre esteve entre os "mistérios", era uma doutrina secreta. Realmente, saber ou não sobre reencarnação não vai fazer ninguém melhor, daí os enigmas, pois cada coisa deve vir ao seu tempo, de acordo com o grau de entendimento da Humanidade. Já a necessidade de  uma mudança mágica operada pelo alto, se ela existisse, deveria ser ensinada claramente. Até porque seria o único momento na Bíblia em que Jesus teria dito tal coisa. Ao contrário, disse sempre que devemos perdoar as ofensas, amar até os inimigos, não juntar tesouros e tudo aquilo necessário para nossa evolução, sem uma mágica operada por Deus na pessoa que toma um "banhozinho".
   Se o batismo na água fosse tão essencial, tão mágico, Paulo não teria dito, na primeira Epístola aos Coríntios (1:14-17): "Dou graças a Deus, porque a nenhum de vós batizei, senão a Crispo e Gaio. Para que ninguém diga que foi batizado em meu nome. E batizei também a família de Estefanas, além disso não sei se batizei algum outro. Porque Cristo enviou-me, não para batizar, mas para evangelizar".
  Também de forma enigmática, disse Jesus ao falar que Elias voltara como João Batista. E o que disse em seguida: "Quem tiver ouvidos de ouvir, ouça", comprova que nem todos estavam em condição de entender.
  Associam o "nascer de novo" a essas palavras de Paulo: "Se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram, tudo se fez novo” (2Co 5.17). "
De fato, aquele que está em Cristo, que absorveu os preceitos cristãos, que segue o exemplo que Cristo deixou, é uma nova criatura. Mas insisto: o que Cristo mais fez em sua existência foi falar claramente sobre a necessidade do "novo nascimento" nesse sentido, então não teria porque falar de maneira misteriosa aqui e ainda estranhar a ignorância de Nicodemos.
Segundo alguns apologistas cristãos, Jesus estranhou o desconhecimento de Nicodemos quanto a versículos como esses no Velho Testamento:
“ porque derramei água sobre o solo sedento e correntes de água sobre a terra seca. Derramei o meu espírito sobre a tua raça e a minha bênção sobre os teus descendentes” (Isaías 44:3)

“Borrifarei água sobre vós e ficareis puros; sim, purificar-vos-ei de todas as vossas imundícies e de todos os vosso ídolos imundos. Dar-vos-ei um coração novo, porei no vosso íntimo um espírito novo, tirarei do vosso peito o coração de pedra e vos darei um coração de carne”
(Ezequiel 36:25-26)

Água borrifada não tem nada a ver com batismo, palavra que deriva do verbo grego "baptizein", que significa mergulhar, imergir, como os batismos no Novo Testamento. E aqui primeiro o povo se congrega e é borrifado com água e depois ganha um novo coração, quando para Jesus e os apóstolos era o contrário: batismo era um símbolo do arrependimento: “Mas, vendo ele muitos dos fariseus e dos saduceus que vinham ao seu batismo, disse-lhes: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira vindoura? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento," (Matheus. 3:7-8).

Não tem nada a ver esses versículos com o batismo dos apóstolos, mas uma metáfora com a tradição de purificação dos judeus, que vemos em versículos como esses:
“Toma os levitas do meio dos filhos de Israel, e purifica-os; e assim lhes farás, para os purificar: esparge sobre eles a água da purificação; e eles farão passar a navalha sobre todo o seu corpo, e lavarão os seus vestidos, e se purificarão.” (Números 8:6-7)
"E, quando forem cumpridos os dias da sua purificação, seja por filho ou por filha, trará um cordeiro de um ano para holocausto, e um pombinho ou uma rola para oferta pelo pecado, ã porta da tenda da revelação, o ao sacerdote, qual o oferecerá perante o Senhor, e fará, expiação por ela; então ela será limpa do fluxo do seu sangue. Esta é a lei da que der ã luz menino ou menina. Mas, se as suas posses não bastarem para um cordeiro, então tomará duas rolas, ou dois pombinhos: um para o holocausto e outro para a oferta pelo pecado; assim o sacerdote fará expiação por ela, e ela será limpa." (Levítico 12:6-8)
   Seria muito difícil Nicodemos ligar as palavras enigmáticas de Jesus, principalmente o “nascer do alto” (?), a uma necessidade de um batismo mágico para alcançar o Reino de Deus. Difícil também ele entender que Jesus estava querendo lembrá-lo daqueles versículos, que não falam sobre a atitude que devemos ter para chegar ao Reino de Deus, e sim do retorno do povo judeu para sua terra de aliança. O versículo 24 em Ezequiel 36 diz "Pois vos tirarei dentre as nações, e vos congregarei de todos os países, e vos trarei para a vossa terra.”.Por que Cristo não citou aquelas  passagens de Isaías e Ezequiel para mostrar claramente a Nicodemos do que estava falando? Ele sempre citava o Velho Testamento para mostrar do que estava falando. Aliás, no versículo 14 ele faz isso: "E como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado". Torno a insistir: por que, afinal, Jesus seria tão enigmático?
Essa tradição de  pureza dos judeus foi frontalmente combatida por Jesus:
"Então alguns fariseus e mestres da lei, vindos de Jerusalém, foram a Jesus e perguntaram: "Por que os seus discípulos transgridem a tradição dos anciãos? Pois não lavam as mãos antes de comer!" Respondeu Jesus: "E por que vocês transgridem o mandamento de Deus por causa da tradição de vocês? Pois Deus disse: 'Honra teu pai e tua mãe'* e aquele que amaldiçoar seu pai ou sua mãe será condenado à morte'.* Mas vocês afirmam que se alguém disser a seu pai ou a sua mãe: 'Qualquer ajuda que vocês poderiam receber de mim é uma oferta dedicada a Deus ' ele não é obrigado a 'honrar seu pai'* dessa forma. Assim vocês anulam a palavra de Deus por causa da tradição de vocês. Hipócritas! Bem profetizou Isaías acerca de vocês, dizendo: 'Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Em vão me adoram; seus ensinamentos não passam de regras ensinadas por homens'*". Jesus chamou para junto de si a multidão e disse: "Ouçam e entendam. O que entra pela boca não torna o homem ímpuro'; mas o que sai de sua boca, isto o torna ímpuro' ". Então os discípulos se aproximaram dele e perguntaram: "Sabes que os fariseus ficaram ofendidos quando ouviram isso?" Ele respondeu: "Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada pelas raízes. Deixem-nos; eles são guias cegos.* Se um cego conduzir outro cego, ambos cairão num buraco". Então Pedro pediu-lhe: "Explica-nos a parábola". "Será que vocês ainda não conseguem entender?", perguntou Jesus: "Não percebem que o que entra pela boca vai para o estômago e mais tarde é expelido? Mas as coisas que saem da boca vêm do coração, e são essas que tornam o homem ímpuro'. Pois do coração saem os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as imoralidades sexuais, os roubos, os falsos testemunhos e as calúnias. Estas coisas tornam o homem ímpuro'; mas o comer sem lavar as mãos não o torna impuro' ". (Mateus 15:1-20)
Ou seja, para Jesus importa o interior, não é um banhozinho como o batismo ou qualquer prática puramente exterior que fará o homem agradar mais a Deus.
Quando Cristo fala em "nascer da água", portanto, não tem nada a ver com a purificação do batismo e muito menos a purificação da tradição dos judeus.
"O primeiro versículo em Gênesis 1:1 fala que no princípio criou Deus os Céus e a terra. A palavra "céus" em hebraico "Shamaim" significa carrega água, "Ali existe água", "fogo e água", que misturados um ao outro formaram os Céus.Como podemos observar, tudo começou com as águas. Água é vida e essa era a crença geral naquela época. É lógico que o Cristo não falava de batismo e sim do retorno através da água." - Severino Celestino da Silva, "Analisando as Traduções Bíblicas".
  Em "God is a Verb" , o Rabino David A. Cooper, indica que "água" na tradição hebraica e cabalística significa matéria ou mundos da matéria. Ou seja materialidade num sentido abrangente. Por isso mesmo, Cristo fala no versículo 5 em “nascer da água e do espírito” e logo em seguida em “nascer da carne”. É a mesma coisa.
Se, de acordo com João Batista,  o batismo de Jesus seria com o fogo, por que seria ainda necessário o batismo com água para ver o Reino de Deus?
Batismo com fogo:  o esforço em vencermos nossas imperfeições morais em direção do bem.

   Os judeus conheciam a reencarnação, ao menos para os profetas (Elias, Jeremias, etc.) como comprova a Bíblia. Possivelmente não entendiam a reencarnação como uma lei para toda a Humanidade, então talvez por isso Nicodemos não tenha entendido muito bem as palavras de Jesus.

Nenhum comentário:

Postar um comentário