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domingo, 13 de fevereiro de 2011

Um demônio ou muitos demônios?

É comum sermos advertidos do poder do demônio, de sua astúcia e de sua capacidade de fazer-nos cair nas  tentações da vida cotidiana.  Todas as afirmações anteriores são falsas, tanto no seu mérito quanto nas suas derivações.
Ao aceitarmos a ideia de um demônio poderoso estamos duvidando do poder Divino, da onipotência do Criador e de sua onisciência.
A absorção de lendas babilônicas, a modificação do sentido de termos aramaicos  e gregos, as traduções falhas e tendenciosas são as causas das grandes confusões em relação á personificação mítica do Bem e do mal.  Não nos  aprofundaremos nestas facetas  da questão, pois, aqui o objetivo é discutir a lógica da tese do mal personificado e não sua história.
A maioria das Doutrinas religiosas está em acordo com o fato de que o entendimento de Deus não é acessível ao ser humano.   Se, vislumbramos   seu esplendor é em função   do conhecimento de alguns de seus atributos.
Para nos aprofundarmos na discussão em foco, temos primeiramente que analisar esses  atributos   conhecidos   e unanimemente aceitos   como   reflexo   da perfeição   do   Criador.   Deus sendo a perfeição absoluta, é onisciente, é onipotente, é totalmente bom e justo. 
Parece não haver discordância significativa entre os membros das diversas denominações religiosas quanto ao fato de consideramos os predicados Divinos listados acima como verdadeiros.
Á partir dessas   considerações   poderemos desenvolver um raciocínio   lógico   sobre  a existência do mal absoluto personificado na figura de Lúcifer, ou do demônio. A existência de uma criatura de Deus (ou mesmo de várias) que se revolta eternamente contra o Criador e opta pelo  mal de forma irreversível e definitiva,  é contrária aos  vários atributos Divinos listados acima.
Vejamos:
1- Deus  perfeito  não criaria algo imperfeito,  especialmente se fadado á imperfeição eterna. Os espíritos dos homens não são criados imperfeitos, mas simples e ignorantes.
2- Deus onisciente sabendo do presente, passado e futuro, não criaria um ser que seria seu inimigo eterno. Seria a divisão de um reino por seu próprio imperador.
3- Deus onipotente não seria eternamente desafiado pelo mal absoluto. Já que seu poder é infinitamente superior ao de suas  criaturas. Além disso,  a vitória do  bem não  se faz pela exclusão dos maus, mas pela transformação dos maus em agentes do bem, o que torna o mal inexistente e não apenas restrito.
4- Deus  totalmente bom não permitiria a eternidade do mal em seu universo.  Assim como também não   poderia criar seres destinados   a esse pérfido   fim, caso   contrário   seria conivente com o mal.
5-  Deus totalmente justo não criaria seres fadados ao erro eterno, já que errariam por portarem em seu íntimo a essência do erro,  qualquer atributo da criatura só pode ter origem no  Criador. Não  haveria justiça plena em um Criador que cria alguns  filhos pré-destinados   à glória e outros, ás trevas.
6- Se o  Criador é onisciente,  sabe tudo,  não  erra no  processo  criativo.  Não  faz  o que não quer. Não se arrepende. Se, tudo   sabe não   pode ser ludibriado   ou traído   por seres infinitamente menos lúcidos.

Assim vemos nos textos sagrados, passagens que reforçam de forma cristalina a tese de que o mal é fruto   da ignorância,   é temporário e é frágil.   Pode ser vencido pelo conhecimento da verdade Cristã mais abrangente: O Amor. E ainda, que Jesus é o exemplo de tolerância e caridade mesmo com aqueles que ainda não sabem ser bons.

…”Saiu-lhe ao  encontro  vindo da cidade, um homem que desde muito  tempo  estava possesso de demônios, e não andava vestido, nem habitava em qualquer casa, mas nos sepulcros. E quando viu a Jesus, prostrou-se diante dele, exclamando e dizendo com grande voz: que tenho eu contigo, Jesus, Filho do deus altíssimo? Peço-te que não me atormentes.Porque tinha ordenado  ao  espírito   imundo que saísse daquele homem; pois já havia muito  tempo  que o  arrebatava.  E guardavam-no  preso, com grilhões  e cadeias; mas quebrando as prisões, era impelido pelo demônio para os desertos. E perguntou-lhe Jesus, dizendo: qual é o teu nome? E ele disse: Legião; porque tinham entrado nele muitos demônios.”

Esse trecho do texto sagrado é claro na despersonificação do mal, ou melhor, não existe um único demônio. Havia vários seres atormentando o doente.  A Doutrina Consoladora permite que analisemos a referência á vários demônios, como:
A forma que a linguagem restrita da época permitia expressar a influência de inúmeros espíritos, ainda fortemente ligados ás paixões materiais,   sobre um homem frágil em sua determinação para o bem.
A convivência entre seres corpóreos ou incorpóreos se faz e se mantém pela afinidade entre os companheiros de infortúnio ou de júbilo. Essa afinidade permite que características e atitudes   dos seres inteligentes incorpóreos sejam assimiladas   e expressas   pela vítima da influência espiritual.
Ao se afastarem os perversores, o pervertido deixa o estado de perversão e retorna ao seu estado de lucidez original. Pode, então, exercer seu desejo livre de continuar sintonizado com as trevas ou de procurar a luz pacífica do Criador, difundida magistralmente pelo Cristo.

“E rogavam-lhe que não os mandasse para o abismo. E andava ali pastando no monte uma vara de muitos   porcos; e rogaram-lhe que lhes concedesse entrar neles;  e concedeu-lho.”

Neste ponto observamos  que os  “demônios”   rogaram a Jesus  que não  os  mandasse para o abismo. Caso esse termo,  demônios,  fosse referente a um inimigo visceral e perpétuo de Deus, a atitude coerente não seria a dessa humilde rogativa. Rogaram a Jesus  por serem espíritos filhos do mesmo Pai e por isso merecerem, também eles, a misericórdia do Cristo.
E Cristo em sua grandeza espiritual infinita agiu em relação aos  espíritos sofredores conforme nos ensinou,   com misericórdia e brandura.   Permitiu que acontecesse o que eles solicitaram.

“E, tendo saído os demônios do homem, entraram nos porcos,  e a manada precipitouse de um despenhadeiro no lago, e afogou-se.”

A legião   de espíritos   maléficos,   ao   se afastar do   homem espiritualmente doente, carregou consigo toda a sua potente aura de energia negativa.  A emissão deste tipo de força assustou de tal forma a vara de porcos,  que os  animais  apesar de serem dotados de forte  e natural instinto de sobrevivência, lançaram-se para a morte física em um despenhadeiro.
… “Acharam então  o homem,  de quem haviam saído os  demônios,  vestido, e em seu juízo, assentado aos pés de Jesus; e temeram. … Rogou-lhe que o deixasse estar com ele; mas Jesus o despediu, dizendo: Torna para tua casa, e conta quão grandes coisas te fez Deus. E ele foi apregoando por toda a cidade quão grandes coisas Jesus lhe tinha feito.” Lucas 8,27-39

Ao   doente espiritual foi dada a chance de uma nova vida livre das influências
perniciosas  e também a oportunidade de divulgar  o bem recebido  através da autoridade de
Jesus e sob permissão Divina.
A lição foi mais ampla do que demonstrar o poder Divino exercido através do Cristo. O
exemplo maior está discretamente inserido no   texto. Jesus   permitiu que a rogativa dos
espíritos ignorantes, aqueles perdidos nas trevas, fosse integralmente atendida.
Ainda que esse não fosse  o  percurso mais curto  em direção á comunhão  Divina. Eles,
neste momento   inicial, foram autorizados   pelo   Cristo   a afastarem-se da Luz redentora.
Expresso no texto pela entrada metafórica nos porcos. O afastamento da Luz era imperativo,
pois olhos abertos,   por longos períodos, em trevas densas,   tornam-se dolorosamente
ofuscados pela mais tênue fresta luminosa.
Depois de cultivarem as  mais insignificantes sementes  dos   sentimentos  de amor ao
próximo e a Deus, estes seres serão capazes de gradualmente iluminarem-se com a Luz que
antes   os   ofuscava.   O Amor Cristão   fomentará  o progresso moral e intelectual desses
sofredores que, no futuro, serão mestres do Evangelho da tolerância e da misericórdia.
Giselle Fachetti Machado
http://www.apologiaespirita.org/apologia/artigos/001_Um_demonio_ou_muitos_demonios.pdf

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