"Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros." (João 13:35) "Onde estiverem reunidos, em Meu nome, dois ou três, lá estarei no meio deles." (Mateus 18:20)

Translate


Pesquisar

domingo, 13 de fevereiro de 2011

A vida do espírito é só no corpo físico?

É um questionamento que sempre vem à cabeça dos que ainda não possuem  uma verdadeira compreensão de como é nossa realidade em relação ao Espírito. Será que a vida do Espírito é só no corpo físico? É a pergunta resultante desse questionamento. Iremos tentar respondê-la.
Mas, primeiramente, recorreremos ao Novo Testamento para ver se ali encontramos algo que possa nos ajudar na resposta. Veremos o que Paulo diz em sua segunda Carta aos Coríntios, capítulo 5, versículo 10, passagem essa que retiramos, para uma melhor compreensão, de várias Bíblias:
Edição Pastoral: “De fato, todos deveremos comparecer diante do tribunal de Cristo, a fim de que cada um receba a recompensa daquilo que tiver feito durante a sua vida no corpo, tanto para o bem, como para o mal”.
Barsa: “Porque importa que todos nós compareçamos diante do tribunal de Cristo, para que cada um receba o galardão segundo o que  tem feito, ou bom   ou mau, estando no próprio corpo”.
Ave Maria: “Porque teremos de comparecer diante do tribunal do Cristo. Ali cada um receberá o que mereceu, conforme o bem ou o mal que tiver  feito enquanto estava no corpo”.
Loyola: “Porque todos nós devemos comparecer diante do tribunal de Cristo, para que cada um receba a recompensa das obras  realizadas quando estava no corpo, quer boas, quer más”.
Vozes: “Pois teremos todos de comparecer perante o tribunal de Cristo. Aí cada um receberá segundo o que houver praticado pelo corpo, bem ou mal”.
As primeiras expressões “durante sua vida no corpo” e “enquanto estava no corpo” nos dão uma ideia que temos outra vida fora do corpo. Ao passo que a última expressão pode trazer-nos uma ideia que foi o corpo que praticou o bem ou o mal, pois rapidamente nos vem à lembrança a afirmativa de Jesus de que “a carne é fraca”. Veja, caro leitor, que com isso  o
sentido do texto estaria completamente mudado. Mesmo que, numa análise mais criteriosa, o texto não dê esta ideia, de qualquer forma é bem provável que muitas pessoas viessem  a pensar assim.
Temos consciência de nossa realidade espiritual até mesmo porque Jesus afirma categoricamente: “Que o espírito é que dá vida, a carne de nada serve”. Entretanto, ainda encontramos pessoas que contraditoriamente dizem ser espiritualistas, mas dão ao corpo físico a primazia sobre o espírito. Não dá para entender, não é mesmo? Entretanto, diante da citada afirmação de Jesus teremos que forçosamente aceitar que temos outra vida fora do corpo físico.
Recentemente, ouvimos de Dom Aldo Pagotto, Bispo Diocesano de Sobral (CE) e atual Presidente da 1ª Regional da CNBB do Nordeste, quando respondia a respeito se acreditava na reencarnação, a seguinte frase: “A vida do espírito é uma só”. Muito embora tenha respondido no sentido da ressurreição e não da reencarnação, disse, sem querer, uma grande verdade,
pois nossa verdadeira vida é mesmo a espiritual, por isso ela é uma só. Temos várias passagens pelo corpo físico, isso vem a ser confirmado com o “durante sua vida no corpo” dita por Paulo. Que, em outra oportunidade, disse que Deus  “quer o nosso aperfeiçoamento... até que todos cheguemos... a ser um homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo”,
ou seja, teremos que nos aperfeiçoar até que venhamos a atingir a condição de homem perfeito como Jesus o é. Para isso é preciso tantas vidas, num  corpo físico, quantas forem necessárias para atingirmos a perfeição.
Certa feita, após encontrar o paralítico, que antes havia curado, Jesus lhe disse:  “Vê, ficaste curado. Não peques mais para que não te aconteça coisa pior”  (João 5,14). Ora, por isso, concluímos que a paralisia desta pessoa era consequência de seus pecados, ou seja, que as nossas deformidades (ou algum tipo de doença) têm sua origem em nossos erros(pecados).
Sendo assim, quando uma pessoa nasce cega, por exemplo, onde estaria seu pecado? Os que pensam que somente temos uma vida não tendo uma resposta lógica, apelam para o tal de “mistérios” de Deus. Entretanto, a lógica nos diz que seu pecado está em uma vida anterior. E se tivemos uma vida anterior é porque a vida do Espírito não se resume numa só vida física. Para confirmar isso, encontramos os discípulos interrogando a Jesus sobre um cego de nascença: “Mestre, quem pecou, para este homem nascer cego, foi ele ou seus pais?” Jesus respondeu:  “Nem ele nem   seus pais, mas isso aconteceu para que as obras de Deus se manifestem nele”. (João 9,2-3) Se não admitissem que erros de vida anterior pudessem interferir na atual, não fariam este tipo de pergunta, não é mesmo?
Por outro lado, Jesus também não disse que isso não poderia acontecer, somente disse que naquele caso específico a causa não era o erro dele nem  de seus pais, mas o caso aconteceu para que as obras de Deus se manifestem nele. Em outras palavras, esta cegueira de nascença não tinha como causa erro de vida anterior, nem do cego, nem seus pais, mas era
necessária para que ficasse evidenciado que Jesus era realmente o Messias, pois o fato Lhe deu oportunidade de fazer aquela cura prodigiosa, diante do que muitos creram Nele. Culpa dos pais não poderia ser, pois em outra oportunidade Ele disse:  “a cada um  segundo suas obras” (Mt 16,27), confirmando, assim, que ninguém paga pelo erro de outro.
Dito isso, restaria a hipótese do erro ser do próprio cego, mas como explicar isso, se Jesus disse que também  não era pelo erro dele. Sabemos que, com   Jesus, reencarnaram vários outros espíritos que tinham por incumbência ajudá-Lo em Sua missão. Este cego, com certeza, era um deles, conforme poderemos perfeitamente comprovar ao lermos no Evangelho
o desenrolar dos fatos após sua cura. Ele é questionado pelos fariseus sobre quem  o tinha curado. Os fariseus eram   tão poderosos que, na época, ninguém ousava enfrentá-los. Entretanto, este cego coloca-os contra a parede. É o que veremos agora:  “Chamaram o cego pela segunda vez e lhe impuseram: “Dá glória a Deus! Nós sabemos que este homem é um
pecador”. Ele respondeu: “Se é pecador, não sei. Uma coisa eu sei: é que eu era cego e agora vejo”. Perguntaram de novo: “Que te fez ele? Como te abriu os olhos?” Ele respondeu: “Já  o disse e não quisestes escutar. Que pretendei ainda ouvir? Será que desejais fazer-vos discípulos dele?” Então os fariseus começaram a insultá-lo dizendo: “Sejas tu discípulo dele.
Nós somos discípulos de Moisés. Sabemos que Deus falou a Moisés. Quanto a ele, não sabemos de onde vem”. O homem se defendeu, dizendo: “Isto é espantoso! Ele me abriu os olhos e vós não sabeis de onde ele vem! Sabemos que Deus não escuta os pecadores. Mas Deus escuta a quem o serve com piedade e cumpre a sua vontade. Nunca se ouviu dizer que
alguém  tenha aberto os olhos a um cego de nascença. Se este homem  não fosse de Deus, nada poderia fazer”. Replicaram: “Tu nasceste no pecado, e pretendes ensinar a nós?” E  o expulsaram”. (Jo 9,24-41).
Podemos concluir então, que nossa vida como Espírito imortal não poderá se resumir em apenas uma passageira vida física. Viemos do plano espiritual e para lá retornaremos, pois é ele a nossa verdadeira pátria. E é lá que vivemos a plenitude de nossa realidade espiritual.
Paulo da Silva Neto Sobrinho
Julho/2001.
Referências bibliográficas:
Bíblia Mensagem de Deus - Novo Testamento. São Paulo: Loyola, 1984.
Bíblia Sagrada, 68ª edição, São Paulo: Ave Maria, 1989.
Bíblia Sagrada, 8ª edição, Petrópolis, RJ: Vozes, 1989.
Bíblia Sagrada, Edição Barsa, s/ed. Rio de Janeiro: Catholic Press, 1965.
Bíblia Sagrada, Edição Pastoral. 43ª impressão. São Paulo: Paulus, 2001

Nenhum comentário:

Postar um comentário