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sábado, 26 de março de 2011

Anjos caídos


Esse é um tema que sempre me despertou curiosidade, primeiramente por ser uma contradição, afinal anjos são (ou deveriam ser) criaturas de pura luz e perfeição.

Os anjos caídos seriam aqueles que se deixaram levar a fazer coisas que eram totalmente contrárias ao propósito de sua criação. E depois, sem citar as muitas histórias (ou estórias, como prefiro) que narram os diversos fatos por eles vividos, gostaria de parar em uma, que fala como eles admiravam a beleza das filhas dos homens, e por elas teriam descido dos céus para habitar entre os homens.

Assim conceituaria os tais anjos, me valendo das palavras de Kardec no livro Céu e Inferno:
Os anjos são seres puramente espirituais, anteriores e superiores à Humanidade, criaturas privilegiadas e voltadas à felicidade suprema e eterna desde a sua formação, dotadas, por sua própria natureza, de todas as virtudes e conhecimentos, nada tendo feito, aliás, para adquiri-los.

Para não haver um mau entendimento das palavras do Codificador peço que leia na íntegra o texto intitulado Anjos, na obra já citada.

Bom, embora os anjos sejam superiores aos humanos em geral, eles podem acabar cometendo os mesmos erros que qualquer humano poderia vir a cometer. Pensava eu: "Mas afinal, que superioridade seria essa?". Mas isso foi há muito tempo. O Espiritismo veio para trazer luz ao mundo, e através desta luz trazer-nos maior conhecimento. Vejamos o que a Doutrina diz a respeito:
As almas ou Espíritos são criados simples e ignorantes, isto é, sem conhecimentos nem consciência do bem e do mal, porém, aptos para adquirir o que lhes falta. O trabalho é o meio de aquisição, e o fim - que é a perfeição - é para todos o mesmo. Conseguem-no mais ou menos prontamente em virtude do livre-arbítrio e na razão direta dos seus esforços; todos têm os mesmos degraus a franquear, o mesmo trabalho a concluir. Deus não aquinhoa melhor a uns do que a outros, porquanto é justo, e, visto serem todos seus filhos, não tem predileções. Ele lhes diz: Eis a lei que deve constituir a vossa norma de conduta; ela só pode levar-vos ao fim; tudo que lhe for conforme é o bem; tudo que lhe for contrário é o mal. Tendes inteira liberdade de observar ou infringir esta lei, e assim sereis os árbitros da vossa própria sorte.

Temos essa descrição ainda no livro Céu e Inferno, e com ela fica bem mais fácil entender os anjos caídos. Eles ainda não são anjos porque ainda caem em tentação, ainda não são perfeitos.

Assim notamos que ser anjo também é uma coisa relativa; os povos primitivos os tinham como anjos, embora fossem eles ainda imperfeitos. É parecido com os espíritos superiores que, embora sejam de fato superiores e nais puros, têm ainda um caminho a percorrer na escala da evolução.

Estamos cientes de porque os anjos caem em tentação, e de que eram anjos no início da história do homem. Mas se Deus nos criou simples e ignorantes, de onde vieram esses anjos? Encontramos essa resposta nas revelações do Espiritismo; como no livro a Gênese, onde lemos:
Logo que um mundo tem chegado a um de seus períodos de transformação, a fim de ascender na hierarquia dos mundos, operam-se mutações na sua população encarnada e desencarnada. É quando se dão as grandes emigrações e imigrações. Os que, apesar da sua inteligência e do seu saber, perseveraram no mal, sempre revoltados contra Deus e suas leis, se tornariam daí em diante um embaraço ao ulterior progresso moral, uma causa permanente de perturbação para a tranqüilidade e a felicidade dos bons, pelo que são excluídos da humanidade a que até então pertenceram e tangidos para mundos menos adiantados, onde aplicarão a inteligência e a intuição dos conhecimentos que adquiriram ao progresso daqueles entre os quais passam a viver, ao mesmo tempo que expiarão, por uma série de existências penosas e por meio de árduo trabalho, suas passadas faltas e seu voluntário endurecimento.
Que serão tais seres, entre essas outras populações, para eles novas, ainda na infância da barbárie, senão anjos ou Espíritos decaídos, ali vindos em expiação? Não é, precisamente, para eles, um paraíso perdido a terra donde foram expulsos? Essa terra não lhes era um lugar de delícias, em comparação com o meio ingrato onde vão ficar relegados por milhares de séculos, até que hajam merecido libertar-se dele? A vaga lembrança intuitiva que guardam da terra donde vieram é uma como longínqua miragem a lhes recordar o que perderam por culpa própria.

Bom, nestas palavras já podemos encontrar a explicação para mais da metade das estórias dos anjos, sendo mais específico, dos anjos caídos. Para ficar mais claro o entendimento, venho lembrar que a história dos anjos caídos também pode ser identificada com o personagem bíblico Adão, que representaria as "raças adâmicas", que nada mais foram que os primeiros homens a caminhar sobre esta terra.

Os anjos caídos vieram para auxiliar o progresso do nosso mundo, e mais, também para, na vivência dita mais selvagem, enfrentar suas fraquezas e falhas, para depois retornarem depurados e prontos a habitarem suas moradas de origem.

Termino lembrando que acredito estarmos à beira de uma dessas grandes mudanças. Mudança essa que será a separação do joio e do trigo, onde a Terra irá caminhar para um novo estágio, onde estaremos um passo mais perto de vivermos em um mundo de espíritos felizes.
Não basta se tenham as aparêcias da pureza; acima de tudo, é preciso ter a do coração. (O Evangelho Segundo Espiritismo – Cap. VIII – Item 10)

3 comentários:

GIL GAVIOLI disse...

Parabéns pelo texto, muito esclarecedor. ..

Cristiane Flôres disse...

Sensacional teu texto de reflexão a partir dos ensinamentos da Codificação! Parabéns! Paz e Luz!

Matheus Henrique disse...

Excelente texto!!!

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