"Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros." (João 13:35) "Onde estiverem reunidos, em Meu nome, dois ou três, lá estarei no meio deles." (Mateus 18:20)

Translate


Pesquisar

sábado, 26 de março de 2011

EU SOU A RESSURREIÇÃO E A VIDA

http://espiritismocristao.blogspot.com/2008/11/eu-sou-ressurreio-e-vida.html






Antes de entrar no tema específico que é a afirmativa antológica do Mestre, lembro que esta afirmativa é um diálogo que Jesus teve com Marta, irmã de Lázaro, quando esta lamentou a morte do irmão diante do Rabi.


Antes de receber a notícia da doença grave de Lázaro, Jesus estava em Jerusalém, próximo de Betânia. Ali Jesus falou no Templo e afirmou para os Fariseus que era o Messias. Eles revoltaram-se e tentaram apedrejar a Jesus. Mas o texto de João capítulo 10, diz que Jesus ausentou-se do meio deles.


Foi para a região para além do Rio Jordão, provavelmente na Peréia. Jesus recebeu a notícia da enfermidade grave de seu amigo Lázaro, de Betânia, mas demorou-se dois dias para retornar à Judéia (Jo 11:6-7). Resolveu então retornar à Judéia por causa de Lázaro, retornando na direção de Betânia. Os discípulos se admiraram de Ele querer voltar à Judéia, pois dois dias antes os fariseus tentaram matá-lo. E afirmou então para os discípulos que Lázaro estava morto, mas que ele preferiu permanecer ainda dois dias além do Jordão, para que os judeus acreditassem Nele. (Jo 11:14-15)


Neste momento, Tomé toma uma atitude corajosa, concita os irmãos a irem com Jesus para a Judéia para morrerem juntos com o Mestre (Jo 11:16). Isso é muito importante, por que a personalidade de Tomé é sempre lembrada como aquele que não acreditou na Ressurreição de Jesus. Ele é mais lembrado por esse mau momento em que, frustrado por ter sido o único que não presenciou a entrada de Jesus no Cenáculo após a Ressurreição, deixou escapar,

inadvertidamente algo que o marcou. A afirmativa de que só creria se colocasse a mão nas feridas de Jesus. Foi um momento de invigilância, que não deve ser tomado como uma marca registrada de Tomé: a falta de fé. Dizem os céticos: “sou como Tomé, só acredito vendo”. Isso é uma injustiça com um discípulo que se dispôs a morrer junto com Jesus. Esta demonstração de coragem o reabilita inteiramente: “Vamos para morrer com ele!”


E retornaram à Judéia Jesus e os discípulos à Judéia, para a cidade de Betânia. Ainda nos arredores da cidade, Marta, quando avisada que o Mestre vinha, foi ao seu encontro. Maria também soube, mas permaneceu em casa (Jo 11:20). Este momento também é muito importante por causa da determinação de Marta. Ela que é vítima de ter sido marcada por um momento imprudente, quando pede a Jesus que mande Maria vir trabalhar com ela e é admoestada pelo Mestre (Lc 10:41). Marta, assim como Tomé, é também injustiçada, e que neste belo episódio narrado por João, é também reabilitada maravilhosamente. Aqui Marta é corajosa, decidida e verdadeiramente movida pela fé. Ela diz a Jesus que acreditava que seu irmão ressuscitaria no dia do Juízo e Jesus lhe responde, para a eternidade:


“Eu sou a Ressurreição e a Vida. Aquele que crê em mim, ainda que venha a morrer no corpo, viverá; e todo aquele que vivendo crer em mim, jamais conhecerá a morte.” (Jo 11:25) E depois perguntou a Marta: “Crês tu nisto?”(idem)


Essa é a questão que nos fica, das chamadas eternas perguntas de Jesus: Cremos nós nisto? Vivemos como quem crê nisto, ou seja que Jesus dá vida a quem já terminou a vida corporal e torna imortal a todo que ainda não conheceu a morte física?


Esta afirmativa do Mestre é uma reafirmação de outra sentença proferida anteriormente: “Quem ouve a minha palavra e crê Naquele que me enviou, não entra em juízo; já passou da morte para a vida.” (Jo 5:24)


Como pode-se ainda que morto, viver? Vive, por que alcança um estado glorioso da existência, com um corpo iluminado, livre das transitórias reações biológicas dos corpos físicos. Vive em plenitude, muito mais que muitos vivos, que vivem como mortos.


Há indivíduos que passam a vida com medo da morte. Um medo exagerado, estado de pânico, com sensação de morte iminente, acompanhada de desconforto físico na região do coração. Vai ao pronto-socorro, faz o eletrocardiograma e não acha nada. A pressão está normal ou levemente aumentada, acompanhada de uma taquicardia benigna, que não vai prejudicá-lo. Mas a pessoa acha que está morrendo. Geralmente melhora com tranqüilizantes e com o sono induzido. Essas pessoas que vivem com medo da morte, são mortas na vida. Vivenciam de tal maneira a sua morte que sabem qual é a sensação da morte, sem nunca haverem morrido antes. Pelo menos nesta vida. Mas as memórias de suas desencarnações e dos lamentáveis estados pós-morte em que entraram, estão pressentes.


Crer em Jesus e em Quem enviou Jesus é passar do estado da pânico da morte para a alegria da Vida na Ressurreição!


Todavia o corpo morre! Jesus mesmo disse isso de seu amigo: “Lázaro está morto.” (Jo 11:14) Mas a vontade de crer, a persistência em estudar as leis de Deus, de entender que morte é parte da vida, desfaz a aparente vitória desta, como nos disse Paulo: “Onde está ó morte a tua vitória? Onde está ó morte o teu aguilhão?” (I Cor 15:55)


E que é então a Ressurreição?

Pois que Lázaro voltou a morrer.

Lázaro alguns anos mais tarde desencarnou realmente. Ressurreição é um estado de recuperação da vitalidade do espírito. Um a vez Jesus foi interrogado pelos saduceus, que eram como os agnósticos de hoje, isto é, não cogitavam da vida após a morte. Ignoravam as coisas espirituais, viviam para o momento, como os romanos: “Comamos e bebamos que amanhã morreremos.”


“No mesmo dia chegaram junto dele os saduceus, que dizem não haver ressurreição, e o interrogaram, dizendo: Mestre, Moisés disse: Se morrer alguém, não tendo filhos, casará o seu irmão com a mulher dele, e suscitará descendência a seu irmão. Ora, houve entre nós sete irmãos; e o primeiro, tendo casado, morreu e, não tendo descendência, deixou sua mulher a seu irmão. Da mesma sorte o segundo, e o terceiro, até ao sétimo; Por fim, depois de todos, morreu também a mulher. Portanto, na ressurreição, de qual dos sete será a mulher, visto que todos a possuíram?” (Mt 22:23-28)
Propuseram a Jesus uma situação absolutamente inverossímel, mas cometeram um erro que Jesus imediatamente apontou: “Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus. Porque na ressurreição nem casam nem são dados em casamento; mas serão como os anjos de Deus no céu. E, acerca da ressurreição dos mortos, não tendes lido o que Deus vos declarou, dizendo: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó? Ora, Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos.” (Mt 22: 29-32)


Na Ressurreição os seres em seus novos corpos, que não são os corpos físicos, não têm mais diferenciação sexual e não farão a reprodução sexuada da forma como é feita na terra. Neste novo estado de alma que um dia alcançaremos, seremos apenas espírito (“como anjos no céu”)> Não seremos anjos, mas como anjos, da mesma natureza, isto é, espiritual, como os espíritos puros, chamados anjos.


Assim, ressurreição não é na carne, mas no espírito.


O último capítulo de O Livro dos Espíritos, a questão 1010 é: “O dogma da ressurreição da carne será a consagração da reencarnação ensinada pelos Espíritos? Como quereríeis que fosse de outro modo? Conforme sucede com tantas outras, estas palavras só parecem despropositadas, no entender de algumas pessoas, porque as tomam ao pé da letra.[...]”


Criou-se um dogma da ressurreição na carne, por não se entender o que é a reencarnação, pois a única forma de se alcançar a purificação de nossa vontade, de nosso pensamento, nosso sentimento, nossas emoções, nossas predisposições, nossos hábitos é a reencarnação. A reencarnação, é a Ressurreição na Carne ensinada pela Igreja.


Mas a Ressurreição ensinada por Jesus é um estado de alma ainda muito distante de nossa realidade quando habitaremos corpos gloriosos como revelou Paulo na sua primeira epístola aos Coríntios: “E há corpos celestes e corpos terrestres, mas uma é a glória dos celestes e outra a dos terrestres.”(I Co 15:40).

O nosso corpo físico alcança o seu bom momento quando se depura das doenças, quando se limpa das pressões instintivas que os levam aos vícios. E nosso corpo celeste, espiritual encontra seu momento ótimo quando alcança o estado tal que não necessitará mais da reencarnação como processo depurativo. É por isso que Jesus disse que crer nele, em última análise liberta o ser humano do ciclo das reencarnações.

Nenhum comentário:

Postar um comentário