"Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros." (João 13:35) "Onde estiverem reunidos, em Meu nome, dois ou três, lá estarei no meio deles." (Mateus 18:20)

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sábado, 19 de março de 2011

Experiências fora do corpo

- Chico Xavier em desdobramento, certa vez, dirigiu-se a Caratinga e lá foi visto.
- No livro Cidade do Além, há outro fato de desdobramento. Uma médium, em transe, esteve na cidade espiritual Nosso Lar. Ela desenhou um mapa e, mais tarde, Chico Xavier reconheceu como o mapa do  Nosso Lar, da série de livros do  espírito André Luiz.
- Santo Antonio de Pádua, virou santo porque, foi a Portugal salvar seu pai, sem sair de Roma.
- Euripedes Barsanulfo, médium do Brasil, tinha varias experiências dessa. Era medico e professor. Uma vez, por exemplo,  dando aula, entrou em transe, ficou inerte. Os alunos já sabiam desse seu dom e aguardaram. Enquanto isso, ele  foi cuidar de um parto longe dali...
Há casos em que a pessoa viva pode se comunicar com outras pessoas através de um médium.

   O CLAP(Centro Latino Americano de Parapsicologia, chefiado pelo Padre Quevedo), não consegue explicar esses fenômenos. Uma Home Page do CLAP  dizia que "Os sonhos de viagens por lugares distantes ou desconhecidos são interpretados por alguns como uma "viagem astral", mas na verdade nada mais é que a imaginação do inconsciente.A sensação de OOBE ou "experiência fora do corpo é puro sonho. "
  Como explicar como "sonhos"  os fatos acima e muitos outros?

  E quanto aos casos de pessoas vistas naqueles locais por onde passaram ? Segundo a página, isso se deve ao que Quevedo  chama de Fantasmogênese ("Produção ectoplasmática, ao emenos aparentemente inteiro, de pessoa, animal ou coisa. O verdadeiro fantasma não é uma aparição meramente subjetiva, mas é imperfeito, porém é mais ou menos tênue, mais ou menos transparente, com poquíssimo peso em comparação com o peso do modelo reproduzido..."), outro sofisma, "achismo", como tudo na "ciência" deles.
 Insistem também que "essas exteriorizações sempre foram observadas nas proximidades do homem e nunca a distâncias superiores a 50 metros no máximo." e  que  quando a pessoa que passa pelo desdobramento tem consciência de  coisas acontecidas a uma distância maior é... telepatia! (Essas "ginásticas quevedianas" cansam, sinceramente!)
  
 E como explicar que o espírito do encarnado, então, se manifeste através de médiuns ou até gravadores, como pessoas que trabalham com TCI já constataram?


Celso Martins - "Mediunidade ao seu alcance":
  " Através de um médium, não dá comunicação apenas um espírito  desencarnado, não! Esporadicamente, por exceção, em casos especiais poderá ser dada a comunicação de um espírito encarnado, sim!  Estas pessoas vivas  terão os seus organismos noutros locais, como que num estado  mais ou menos de êxtase ou então em repouso de sono. "

"Carlos Imbassahy - O Que é a Morte"
Mensagens entre vivos
         Entre os fenômenos anímicos poderemos incluir as mensagens mediúnicas transmitidas pelos vivos, assim como existem as mensagens mediúnicas  transmitidas pelos mortos, e aquelas seriam um meio de percebermos como estas se produzem.
  Nunca seria demais lembrar a monografia de Bozzano que trata desta parte da "comunicação dos vivos"  e a que deu o nome de Delle Comunicazioni tra Viventi.
        E é assim que nos diz: 'Con l'appelativo di fenomeni medianici viene designato un complesso di manifestazioni, tanto fisiche che intelligenti, le quali si estrinsecano per ausilio di forze o de facoltà sottrate temporareamente a um medium - talora in piccola parte agli assistenti - da una voluntà estrinseca al medium e agli assistenti. Tale voluntà può essere quella de um defunto como quella de un vivente (Ernesto Bozzano. Delle Communicazioni tra Viventi, Pág. 3.

       Traduzindo: "Com a denominação de fenômenos mediúnicos é designado um complexo de manifestações, tanto físicas como inteligentes, que se exteriorizam com o auxílio de forças ou faculdades extraídas temporariamente de um médium - às vezes, um pouco, dos assistentes - por uma vontade alheia aos médiuns e aos assistentes. Tal vontade pode ser a de um defunto ou a de um vivente".
  Bozzano, com um rigoroso método científico,  dividiu essa parte em duas categorias - a das mensagens em que agente e percipiente se acham próximos e as em que se acham afastados, e esta última ainda se divide em sete grupos, como sejam as transmitidas no sono, em vigília, por vontade de um médium, por vontade de um terceiro, por moribundo, ou com auxílio de um guia.
  Vejamos  mensagem transmitida em sonho.  O caso foi publicado na revista russa Rebus. É seu relator K. Gorky.
  Escreve ele que, reunindo um grupo de conhecidos, se deu a tais estudos e conseguiu o auxílio de excelente médium psicógrafo. Um seu irmão se achava em remota cidade da Sibéria. Como tivessem grande empenho na certidão de batismo de uma irmã, escreveram uma carta ao irmão ausente, e depois  um telegrama pedindo informações, que não vieram. Demos agora a palavra do narrador: 'Sentamo-nos como de costume à mesinha de experiências, aflitos pela falta de notícias. O lápis do medium correu rápido e foram ditadas várias comunicações interessantes, quando ele se interrompe bruscamente, para tornar a escrever, agora com caracteres quase ilegíveis. Quando perguntamos quem ali estava, o médium escreveu o nome do meu irmão. Um espanto indizível invadiu-nos os pensamentos pela idéia de que ele estivesse morto, e que essa fosse a razão de não termos tido resposta. Interrompemos a sessão, em grande angústia. Depois de algum tempo, o médium retoma o lápis e continuou a escrever com a mesma celeridade algumas linhas, onde só pudemos ler esta frase: O atestado se encontra em um escaninho secreto do meu cofre.
'Ninguém pensara em revistar aquele antigo móvel, no qual, logo ao abrí-lo, descobrimos o documento no esconderijo indicado.
  'Certos de que nosso irmão amado não existia mais entre os vivos, levantamos a sessão, e fomos tristemente para os nossos quartos, com as lágrimas nos olhos. Mas, um dia depois, o telégrafo trazia-nos uma alegre notícia - meu irmão telegrafava dizendo: O atestado se acha num escaninho secreto do meu cofre.
 'Declarava ele depois em carta que, aflito por não ter podido escrever, cansado, caiu em profundo sono, e sonhou que viera pessoalmente dar a desejada resposta'.
  O artigo, com outros pormenores, é assinado por Kirchdorf Kruitja Gorky, e acompanhado de mais cinco testemunhos. (Revista di Studi Psichici, 1898, Pág. 143).
  Outro episódio é o caso apresentado pela insigne escritora Anneta Boneschi-Ceccoli, que não é possível transcrever na íntegra, dada a sua extensão. Digamo-los em breves palavras:

 A senhorita Giulia, uma intelectual, sentava-se à mesinha de três pés, com sua mãe e uma prima, que pouco acreditava naquilo. Quando a mesa começou  a falar, perguntaram-lhe quem estava presente, e ela respondeu: 'Um teu apaixonado'.
 - Não tenho apaixonados no Outro Mundo - disse Giullia, rindo-se.

 - Não sou um defunto, mas um homem de carne e osso - respondeu ele.
     O comunicante identificou-se: engenheiro, siciliano, ficara enamorado diante de uma novela da moça. Depois de recitar-lhe um madrigal, declarou que iria escrever-lhe. E as sessões continuaram com grande divertimento para a assistência - e cosi ci si diverti mezzo mundo alle spale di quello spirito burlone.
     Era um espírito burlão; mas a surpresa foi grande quando surgiu a carta do siciliano. Giulia procurou informar-se com amiga da localidade de seu enamorado, e soube da realidade da carta e da existência do remetente, com uma nota apenas dissonante - ele era cassado, embora separado da mulher.
    Enfim, apareceu ele um dia: era um simpático bruno... Narrou a sua desditosa vida doméstica, os motivos da separação, e muitas outras coisas disse, mas as relações entre ambos não passaram de un semplice flirt peripatetico  -refere a narradora - e assim terminou esse transcendente romance (Anneta Boneschi - Ceccoli. Luce e Ombra, 1916, Pág. 40).
   Como ligeira amostra ainda da intervenção do desencarnado nas comunicações dos vivos, temos o caso da conhecida e exímia escritora inglesa Florence Marryat.
   Alguns psiquistas perguntaram ao espírito-guia Charlie se era possível invocar o espírito de um vivo. Charlie propôs-se tentar e conseguiu apresentar a aludida escritora. Diz ela: 'Estávamos no coração da noite e eu me achava profundamente adormecida. Os meus amigos reunidos viram a mesa agitar-se, e à pergunta: quem és? - disse a comunicante: -  Eu sou Florence Marryat; como ousam vocês importunar-me? Deixem-me voltar à casa, que meus filhos devem estar em perigo'.

  Os amigos desculparam-se como puderam. Ora, os filhos daquela senhora achavam-se num pequeno aposento, quando um seu cunhado, Enrico Morris, mostrando um fuzil, deu inadvertidamente um tiro, indo a bala alojar-se na parede,a dois dedos da cabeça da filha. Isto já foi pela manhã.

  A senhora indaga como poderia preconceber o que se iria passar acidentalmente na manhã seguinte. Provavelmente era  Charlie que o sabia - ponderava ela. (Mrs. Florence Marryat, There Is no Death. Págs. 36-37).
  A mesma senhora Marryat refere que costumava levar os filhos, na estação estival, aos banhos de mar. E para certificar-se que a mesa poderia mover-se independentemente das  'cerebrações inconscientes' dos homens da Ciência, entendeu-se com dois amigos, para continuar as experiências, ela na própria casa,à beira-mar, e eles em Londres,tudo com o auxílio de Charlie. E deu o nome dos amigos.
  Disse ela a Charlie: 'Pergunte-lhes se sentem falta de mim por lá'. Charlie trouxe a resposta. 'Informe a Mrs. Marryat que Londres parece um deserto sem ela'. Ao que ela replicou, sincera, embora asperamente: 'Estupidez'.
 Poucos dias depois recebeu uma carta de um deles, Helmore, que observava: 'Acho que o bom Charlie já está cansado de servir de moço de recados, porque na última 5.a feira, apesar de nossa insistência em conhecer pela mesa a sua mensagem, a mesa só dizia: Estupidez'  (Mrs Florence Marryat, There is no Death, Págs. 42-44).
  Não é bem uma comunicação direta entre vivos, mas é engraçado.
  Muito teríamos que caminhar se quiséssemos multiplicar os exemplos. Nas Cartas de Júlia (Letters from Julia) do grande jornalista Willian Stead, teríamos um copioso documentário. Mas a estrada ainda é longa e o espaço não permite uma digressão maior.
  Convém por último não desprezar a opinião de um fervoroso católico, que escreveu um livro para defender a imortalidade e as teses de sua religião, e que o  publicou lá pelos idos de 1866: 'Outras vezes, na plenitude da vida, a alma chega a sequestrar-se completamente dos sentidos. No êxtase, no arroubamento, em estranhas divagações para além de nossas balizas e levantamentos sublimes ao Céu, e também certos fenômenos mais ou menos passageiros do magnetismo, a alma tanto se desata de objetos materiais, tanto se entranha em outros mundos, que alguns filósofos a cuidariam realmente separada do corpo' (Buguenault de Puchesse. A Imortalidade - A Morte e a Vida. Trad. de Camilo Castelo Branco. 1866. Pág. 13)
 

   Já sabia em 1866 o que ainda hoje ignora muita gente ilustrada." 

  1 Na Bíblia, vemos a seguinte referência  as experiências fora do corpo:

" Conheço um homem em Cristo que há catorze anos (se no corpo não sei, se fora do corpo não sei; Deus o sabe) foi arrebatado até o terceiro céu.
 Sim, conheço o tal homem (se no corpo, se fora do corpo, não sei: Deus o sabe),
 que foi arrebatado ao paraíso, e ouviu palavras inefáveis, as quais não é lícito ao homem referir." (II Coríntios 12:2-4)

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Do livro "O que é  a Morte", de Carlos Imbassahi
           "Uma das modalidades da exteriorização é  o afastamento mais ou menos prolongado do Espírito, com todas as características de uma viagem pelo Espaço, cheia, algumas vezes, das peripécias comuns aos viajantes.
            No sono natural, a exemplo do sono provocado, o espírito liberto tem percepções que não lhe seriam permitidas em vigília, pelos embaraços que o corpo lhes opõe. Temos então os relatos de viagens a lugares conhecidos ou estranhos, dos encontros com vivos ou mortos, os avisos, as revelações extraordinárias, a premonição. Tudo é  levado a conta de sonhos... Seriam para a Ciência reminiscências, retalhos da vida cotidiana, ou então perturbações do cérebro, do estômago, do fígado, quando não entramos no terreno freudiano.
            E como se trata de sonhos, não lhes presta atenção. À  miopia científica vem juntar-se a empáfia dos "espíritos esclarecidos", e o  assunto, que se prestaria a grandes estudos e nos proporciona grandes ensinos, fica lançado nos rincões da fantasia. Mas o caso  é  que se registram provas patentes da presença e da ação do dormente, conhecidas agora ultimamente como fato supranormal:

             Mr. Newnham vê, em sonho, de repente, transportado para perto de sua noiva, em lugar distante;  sente que lhe toca, e ela, perfeitamente acordada, sente que é  tocada pelo noivo. A surpresa é mútua quando cada qual conta o sucedido (Gurney, Myers and Podmore. Phantasms of the Living, 1. Pag 235)
             O vigário Boyle quando morava na Índia ve em sonho o sogro, então residindo em Brighton, na Inglaterra, e que supunha perfeitamente hígido, estendido na cama, muito pálido, enquanto a sogra atravessava silenciosa o quarto para administra-lhe os medicamentos. Dissipada a visão, continuou a dormir, sem mais se preocupar com o sonho. Mais tarde recebe a noticia do falecimento do sogro e depois a confirmação dos detalhes (Proceedings of S.P.R, 111, 265-266)
          Frederico  Myers, que nos apresenta uma compilação de casos que tais, escreve: "Os fatos que temos citado mostram que, muitas vezes, durante o sono ordinario, a alma abandona o corpo e conserva, de modo mais ou menos confuso, o que ela viu durante sua excursão clarividente".
           E ainda: "Pacientes afirmam muitas vezes ter revisto no sono cenas terrestres e verificado mudanças que se haviam produzido efetivamente   desde que visitaram, em vigília, tais lugares pela ultima vez: (Myers, The Human Personality. Trad. cit. Pags. 359-360)
       Ao grande psicólogo não escapou essa viagem do Espírito durante o sono. É que os fatos não podem ser ajeitados a feição das doutrinas, senão que as doutrinas é  que derivam dos fatos.
        Tais fenômenos já  foram amplamente observados e devidamente registrados em varias obras, e delas poderemos destacar os Proceedings of Society for Psychal Research, o Journal of Society for Psychical Research, e  o trabalho de Gurney, Myers e Podmore - Phantasms of The Living.
         Myers declarava em Personalidade Humana: "Está  provado para mim que certas manifestações de individualidades centrais associadas atualmente ou anteriormente a organismos definidos, foram observados independentemente desses organismos, quer durante a vida deles, quer após a morte."
       E, tratando do hipnotismo:  "Nos estados profundos a alma pode, em parte, distrair sua atenção do organismo e levá-lo a alguma outra parte, podendo retomar instantaneamente sua atitude para com o organismo. Produz-se a morte corporal quando a atenção da alma é completa e irrevogavelmente desviada do organismo, que, por causas físicas, se tornou incapaz de conformar-se com a direção do espírito" (Myers, The Human Personality, na trad. de Jenkelevitch, Pags. 33 e
190)

  Vejamos ainda alguns exemplos, que resumimos o mais possível.
       Há o citado por Varley, o genial eletricista britânico: "Eu fizera estudos sobre a faiança e os vapores de ácido fluorídrico me causaram  espasmos da glote. Como costumasse acordar com ataque espasmódico, aconselharam-me a ter sempre a mão éter sulfúrico; e como seu odor me  fosse insuportável, passei a usar clorofórmio. Certa noite, quando se produziu a insensibilidade, tombei de costas com a esponja sobre a boca.
      "A esposa amamentava uma criança em outro quarto. Pouco depois, via a mulher num quarto, e a mim, no mesmo tempo, deitado de costas, com a  esponja nos lábios, sem poder fazer qualquer movimento."
      Por esforço de vontade,  Varley fé compreender que ele corria perigo. Ela para logo se levantou, tomada de alarme, foi ao pé  do marido e lhe retirou a esponja. O marido reuniu suas forças para dizer-lhe: "Vou esquecer tudo isso, bem como a maneira porque o fato aconteceu, a menos que o recordes amanha. Não deixes, pois, de dizer-me o que te forçou a vir até mim."
     No dia seguinte, ela seguiu fielmente a recomendação;  e ele de fato esquecera tudo, até que, com o correr do dia, lhe veio a mente todo o  episódio (Relatório da Soc. Dialética de Londres, 1869; G Delanne. Apparitions Materialisees)
      Delanne observa que não se podia tratar de sonho, desde que houve fatos materiais como a intervenção da Sra. Varley. Trata-se de narrativa de pessoa que conta o que lhe sucedeu.
 O catedrático americano J. Hyslop narra o seguinte:
           "A uma jovem de 24 anos foi administrado um anestésico por ocasião de uma operação cirúrgica. Conta ela: 'Pareceu-me estar livre no aposento e me sentia eu mesma, bem que sem o corpo. Via-se transformada em Espírito, e acreditava ter alcançado a paz depois de tantas dores.
          Contemplava meu corpo estendido, inerte, na cama. No quarto achavam-se duas irmãs de minha sogra, uma das quais, sentada no leito, aquecia-me as mãos, enquanto a outra ficava de pé, ao lado. Não desejava de forma alguma voltar ao corpo, ao qual, por fim, me senti arrastada, muito contra minha vontade. O que há de mais curioso é  que, logo ao acordar, perguntei: - Onde está  a Sra. K ? Ao que minha sogra observou: - Como sabes que ela veio cá? "

         Tratando do duplo entérico, que é  o perispirito, diz o Dr. Antônio Freire que ele tem funções biológicas, fisiológicas e mediúnicas. E estabelece mais cinco funções, de que transcrevemos a segunda: "Desprender-se do corpo físico, exteriorizando-se em condições particulares (sono fisiológico, narcotizações, hipnotizações, autodesdobramento espontâneo, etc.), projetando o duplo a distâncias quase ilimitadas, animado de velocidades vertiginosas, levando consigo toda a sua individualidade psíquica,corporizando-se por vezes, ficando invariavelmente ligado ao corpo físico, pelo cordão astral, resistindo a todas as forças fisico-químicas e naturais, atravessando todos os obstáculos, por mais densos que sejam, como a luz atravessa os corpos transparentes.
        Esse  fenômeno, já muito  vulgarizado e bem estudado por alguns experimentadores, é  designado, indiferentemente, pelas seguintes denominações: saída em astral, desdobramento, exteriorização do duplo, bilocação, bicorporeidade, etc.
       "A saída  em astral é  uma projeção do duplo, limitada no tempo e no espaço - uma desintegração seguida duma reencarnação - enquanto que a morte, ou mais precisamente, a desencarnação, é  a saída em astral definitiva.
       "A morte, em ultima analise, é  o rompimento completo e integral do cordão astral. Só  assim o perispírito readquire a sua liberdade ascensional para o mundo astral " ( Dr. Antonio J. Freire, Da Alma Humana. Lisboa. Pags. 60 e seg.)

         Aquele notável médico português define, em síntese muito clara, o que é  o desprendimento do ser espiritual, na vida do corpo, e não deixa dúvida sobre o que é  o fenômeno e quais os seus limites.
          Para corroborar a veracidade da exteriorização e demonstrar que o Espírito desprendido se achava distante do corpo e nos lugares que disse ter percorrido, há  os casos em que ele é  visto nesses lugares por terceiros, os quais confirmam muitas vezes outros dizeres do "viajante". Ilustremos a assertiva:

          Conta a Sra. Bardelia que habitava no Auvergne quando teve que sofrer uma operação. O marido escrevia-lhe dando sempre notícia dos filhos. Certa vez não recebeu ela a  costumada carta do conjugue e a noite sonhou que se achava no quarto do filho mais velho, de nome João.
         Ficara em pé, perto da cama do filho e olhava ansiosa para o marido que, munido de um pincel, fazia embrocações na garganta do menino.
        Aflita, contou o sonho a mãe, que atribuiu a exaltação de febre. No dia seguinte, o marido lhe comunicava que a criança tivera difteria, e a missiva terminava assim: "O pobre pequeno, em meio aos seus sofrimentos, não esquece a sua mamãe. Quando me levantei a noite passada a fim de pincelar-lhe a garganta, disse ele em pranto: Por que mamãe está ao pé da cama e não me abraça?" (Pere Henry, Nos Devenirs, Pag. 127)

        Leo Primaresi lia em seu quarto, quando teve a impressão de achar-se na casa de um seu amigo; havia ali uma luz forte; deviam ser 23h47m.
        Indo visitá-lo no dia seguinte, disse-lhe a dona da casa: "Eu o vi ontem; antes de dormir, estava terminando pequena tarefa, quando o percebi num canto do quarto, vestido de preto; por fim desapareceu como uma nuvem que se evapora. Era meia-noite menos um quarto."

        A lâmpada forte estava na posição em que ele a vira, e ele no momento vestia de preto (Annales des Sciences Psychiques. 1907. Pag 135)
      O Sr. John Law, católico, narra que acabara de deitar-se quando, como num sonho, o Espírito se elevou fora do corpo, deixou o quarto para voltar num intervalo de inconsciência. Mais tarde, uma velha perguntou porque tinha passado na rua perto dela sem falar-lhe (Psychica, Dez, 1937, Pag. 201).
      As revelações  dos médicos revestem-se de grande valor. Não nos  furtemos pois ao prazer de apresentá-las. Esta é do Dr. Thomas Melligan: "Tive a impressão de que uma de  minhas doentes estava morta, isto durante três horas. Mas a defunta volta a si e narra a viagem que acabara de fazer. No começo era tudo obscuro - diz ela.  Pareceu-me em seguida que eu deslizava pelo espaço a intermináveis distancias. Depois de certo tempo vi diante de mim uma região iluminada por estranha luz. Mais radiosa que o Sol, era como chama deslumbrante que penetrasse todas as coisas e não provinha de nenhum
ponto do espaço. Noto-me, enfim, em meio a grande multidão que me  sorria e se aproximava de mim. De repente olho e vejo minha mãe; perto dela, um parente afastado, de há muito falecido. Enquanto, absorta, entretenho-me com eles, a luz se foi apagando... e despertei" (The Occult Review e Revue Spirite. 1925. Pag 275).

     É  comum, nos pacientes que experimentam o fenômeno de bilocação, esse estado de euforia, a sensação do esplendor que os circunda, a leveza de que se acham possuídos, o prazer da liberdade, a anulação das dores que os afligiam, um bem-estar incomum, que jamais tiveram, e, muitas vezes, a todas essas magníficas sensações une-se a inexprimível alegria do encontro de parentes e amigos, de pessoas muito caras, tidas como afastadas, como extintas para sempre. São incidentes que nunca é  demais repetir. E nunca é  demais multiplicarmos os exemplos por forma que se tenha a convicção do fato.
     Da descrição de uma senhorita, que se desprendeu em conseqüência ao estado de coma: "... Dirige-me para a porta sem mover os pés, deslizando pelo ar. Passei por portas e paredes, cheguei ao salão, desci as escadas e encontrei-me na rua. Esta me pareceu esplendidamente iluminada, sem transeuntes. Nesse instante, senti-me invadida por um sentimento de beatitude inefável - a da criatura que possuísse saúde, beleza, riqueza, reputação e honra; todo o amor e todas as alegrias da vida, sem nunca haver conhecido pena, desgosto, sofrimento, uma dor qualquer. Era a completa tranqüilidade celestial que experimentara nessa região de perfeição absoluta" (Journal of American Society"; 1918)
      O Dr. Quartin, reportando-se ao fenômeno por que passara, declara: "O que experimentei foi um sentimento delicioso de absoluta liberdade" (Journal of American Society, 1908, Pag. 405). E.M Costa referindo-se ao seu desprendimento por asfixia, em conseqüência da fumaça de um candieiro exclama: "Nunca tive tão clara a sensação de viver como no momento em que me senti separado do corpo" (Reveu Spirite, 15-2-1928, Pag. 82).
      Trarieux d'Ergmont, curioso por saber o que eram tais fenômenos e as sensações que produziam, resolveu experimentá-los em si, o que conseguiu. Escreve, então: "Todas as noções seculares de peso, aprisionamento, impossibilidades, desapareceram como por encanto. Era um estado natural e feérico" (Trarieux d' Ergmont. La Vie d' Outre Tombe. Pag 51)
      Um especialista em tais casos assim descreve as sensações do Espírito, nessa separação temporária:  "A saída para o Astral dá uma sensação especialíssima: experimenta-se como estremecimento; há a impressão de que se vai cair, bem como a de elevar-se; isto da primeira vez, pois as sensações se vão modificando até que verifique o Espírito que ascende no espaço, que pode atravessar paredes e que já não está no corpo" (Luigi Belloti. Per Viaggiari In Australe. Pag 84). 
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