"Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros." (João 13:35) "Onde estiverem reunidos, em Meu nome, dois ou três, lá estarei no meio deles." (Mateus 18:20)

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domingo, 27 de março de 2011

Os 20 erros da Doutrina Espírita apontados por um adventista fanático I

O texto com os  20 argumentos está em vários sites e blogs pela Internet, e apareceu pela primeira vez em um fórum de discussões. Aqui faço um resumo da resposta de Paulo da Silva Neto Sobrinho em http://www.paulosnetos.net/attachments/053_Os_20_erros_da_Doutrina_Espirita_apontados_por_um_adventista_fanatico.pdf   (Original em pdf com 73 páginas, contendo todo o debate do espírita com o adventista naquele fórum)



1o Erro da Doutrina Espírita Claramente Definido: Usar a Bíblia só segundo pareça
conveniente, incoerentemente segmentando seu texto, usando e abusando de textos,
sentenças e mesmo palavras isoladas, sem levar em conta O TEOR GLOBAL de seu ensino,
mesmo desqualificando-a como um livro indigno de confiança, quando não pareça conveniente,
encontrando "contradições gritantes" em seu texto, o que torna o seu emprego pelos próprios
espíritas como injustificável, já que é um livro que não serve para defender doutrinas (a não ser as
espíritas, em segmentos seletos).

Interessante ver pessoas nos acusarem com tanta ênfase, naquilo em que se reprovam.  Quando a Bíblia diz, por exemplo, que Samuel depois de morto falou com Saul, aí então ela não pode ser considerada. Na prática, só a consideram a palavra de Deus quando convém, pois sua autoridade é rejeitada nesse ponto, em nome de interesses dogmáticos, já enraizados, que se opõem a qualquer evidência de consciência e comunicabilidade entre os vivos e os mortos.
O que os detratores do Espiritismo ainda não conseguiram entender é que somente pelo fato de usarem da Bíblia para nos atacar, é que a usamos para nos defender, mostrando a incoerência em que se encontram; não fizessem isso, não a usaríamos; por isso sempre os alertamos: “não faça da Bíblia uma arma, a vítima pode ser você”.
A liderança religiosa de antanho, para se impor aos fiéis, usou e abusou da expressão “a palavra de Deus”, aplicando-a à Bíblia, pois foi um meio fácil de encabrestá-los a seus interesses, prática essa que se perpetua com as lideranças atuais, que vêem nisso uma ótima fonte de recursos para se regalarem com os seus lucros.
Mas por que falamos que não seguimos a Bíblia? Porque, para segui-la, teríamos que abraçar os ensinamentos de Moisés, quando a nossa opção, inarredável, é seguir a Jesus. Isso porque, a bem da verdade, com Jesus, os ensinamentos mosaicos foram revogados, pois foi ele próprio quem disse: “A lei e os profetas vigoraram até João; desde então é anunciado o evangelho do reino de Deus, e todo homem forceja por entrar nele”. (Lc 16,16); ou seja, a Lei e os Profetas, reportando-se com isso ao Antigo Testamento, vigoraram, isto é, prevaleceram até João, pois, depois do Batista, o que vigora é o Evangelho trazido por Jesus. Vejamos outras passagens que confirmam isso:
Rm 7,4-6: “Meus irmãos, o mesmo acontece com vocês: pelo corpo de Cristo, vocês morreram para a Lei, a fim de pertencerem a outro, que ressuscitou dos mortos, e assim produzirem frutos para Deus. De fato, quando vivíamos submetidos a instintos egoístas, as paixões pecaminosas serviam-se da Lei para agir em nossos membros, a fim de que produzíssemos frutos para a morte. Mas agora, morrendo para aquilo que
nos aprisionava, fomos libertos da Lei, a fim de servirmos sob o regime novo do Espírito, e não mais sob o velho regime da letra”.
2Cor 3,6-14: “Foi ele que nos tornou capazes de sermos ministros de uma aliança nova, não aliança da letra, mas do Espírito; pois a letra mata, e o Espírito é que dá a vida. O ministério da morte, gravado com letras sobre a pedra, ficou tão marcado pela glória, que os israelitas não podiam fixar os olhos no rosto de Moisés, por causa do fulgor que nele havia - fulgor, aliás, passageiro. Quanto mais glorioso não será o ministério do Espírito! Na verdade, se o ministério da condenação foi glorioso, muito mais glorioso será o ministério da justiça. Mesmo a glória que aí se verificou, já não pode ser considerada glória, em comparação com a glória atual, que lhe é muito superior. De fato, se foi marcado pela glória o que é passageiro, com maior
razão há de ser glorioso o que é permanente. Fortalecidos por tal esperança, estamos plenamente confiantes: nós não fazemos como Moisés que colocava um véu sobre a face para que os filhos de Israel não percebessem o fim daquilo que era passageiro...
No entanto, os espíritos deles se tornaram obscurecidos. Sim, até hoje, quando eles lêem o Antigo Testamento, esse mesmo véu permanece; não é retirado, porque é em Cristo que ele desaparece”.
Gl 2,21: “Portanto, não torno inútil a graça de Deus, porque, se a justiça vem
através da Lei, então Cristo morreu em vão”.
Gl 3,23-24: “Antes que chegasse a fé, a Lei tomava conta de nós, à espera da fé
que devia ser revelada. A Lei, portanto, é para nós como um pedagogo que nos
conduziu a Cristo, para que nos tornássemos justos mediante a fé”.
Hb 7,18-19: “Assim, fica abolida a lei anterior, por ser fraca e inútil; de fato, a
Lei não levou nada à perfeição. Por outro lado, introduziu-se uma esperança
melhor, graças à qual nos aproximamos de Deus”.
Hb 8,6-8.13: “Jesus, porém, foi encarregado para um serviço sacerdotal superior, pois
é mediador de uma aliança melhor, que promete melhores benefícios. De fato,
se a primeira aliança não tivesse defeito, nem haveria lugar para segunda
aliança. Mas Deus, queixando-se contra o seu povo, diz: 'Eis que virão dias, fala o
Senhor, nos quais concluirei uma aliança nova com a casa de Israel e com a casa de
Judá'. Dizendo 'aliança nova', Deus declara que a primeira ficou antiquada; e
aquilo que se torna antigo e envelhece, vai desaparecer logo”.
Está aí a prova do que dissemos; entretanto, o nosso desafiador segue a Moisés, não a
Cristo, que, aliás, nunca se preocupou com a religião que os outros seguiam, para impor sua
maneira de pensar.
Podemos dividir os crentes na Bíblia em duas classes. A primeira é a dos líderes, que
fazem de tudo para manter seu status de poder ou sua fonte de renda, e, por isso, distorcem
os textos às suas conveniências. A segunda é dos fiéis, aqueles que, morrendo de medo de
questionar seus líderes, se lhes submetem incondicionalmente, não enxergando o que Jesus já
alertara: “São cegos guiando cegos!”
Esses líderes ficam indignados conosco, porquanto “examinamos tudo e retemos o que
é bom” (1Ts 5,21) e, com isso, mesmo, sem ser o nosso objetivo, tornamo-nos um obstáculo
às suas pretensões, já que jamais abriremos mão do direito de questionar, seja lá o que for,
mas, principalmente, o que eles dizem, colocando, assim, em evidência que seguem a seus
próprios interesses, não a Jesus.

2o Erro da Doutrina Espírita Claramente Definido: Ter uma visão distorcida da Divindade,
negando que tenhamos um "Deus pessoal" e deixando de entender que Deus é não só
AMOR, como JUSTIÇA. Esse tipo de Deus "Saci Pererê" do espiritismo (que se apóia só sobre
uma "perna" -- do amor), com a imagem do Deus bíblico condenada por espíritas como injusto por
causa de relatos do Velho Testamento que não conseguem entender à luz de sua contextuação
cultural, histórica, e dentro do TEOR GLOBAL do ensino bíblico, impede-os de realmente entender que na cruz houve o encontro de AMOR e JUSTIÇA (Salmo 85:10).


Essa de “o Espírita tem visão distorcida da divindade” é de morrer de rir. Pela visão da
Doutrina Espírita Deus é Deus, não só dum bando de fanáticos, mas de todos os seres
humanos, já que, quer gostem ou não, somos todos seus filhos. E justiça é dar a todos, tudo o
que se dá a qualquer um, sem estabelecer privilégio de espécie alguma; aliás, uma frase de
Jesus deixa isso bem claro: “... porque ele faz o sol nascer sobre maus e bons, e a chuva cair
sobre justos e injustos” (Mt 5,45).
Somente pela visão Espírita poder-se-á conciliar o amor de Deus e Sua justiça com
tantas desigualdades que existem ao nosso redor. Mas, se a nossa vida for única, como
acredita nosso contraditor e a maioria dos cristãos, não haverá explicação alguma para essas
aparentes distorções, dentro, obviamente, de um senso mínimo e aceitável de justiça.
Por outro lado, se o destino de alguns for o inferno, ou quem sabe a segunda morte,
como outros crêem, apenas porque freqüentam determinada Igreja ou seguem determinadas
regras, for compatível com justiça, preferimos continuar acreditando num Deus “saci-pererê”,
mas que não aplica penas eternas e nem destrói sua própria criação.
Dos ensinamentos de Jesus concluímos que nada atingirá a Deus; até poderemos dizer
que Ele é “inofendível”, já que, para Deus, mil anos são como se fossem um dia (Sl 90,4);
portanto, não há pena eterna por aquilo que fizermos, uma vez que Ele é infinitamente
misericordioso e compassivo; por isso, não repreende perpetuamente, pois não conserva sua
ira para sempre conforme, inspiradamente, disse Davi (Sl 103,8-10); até mesmo porque a
maldade do homem só afeta a outro homem (Jó 3,58); bem ao contrário do que se prega por
aí... Mas, se não fizerem assim, como manter sob domínio seus fiéis? Como extorquir-lhes o
dízimo? Ou como mantê-los totalmente encabrestados?
Querendo abrandar os absurdos bíblicos, atribuídos a Deus, justificam-se dizendo da
contextualização histórica; mas, sendo Deus o Senhor dos tempos e imutável por natureza,
nada do que fazia antes poderá ser mudado. Assim, por coerência, não atribuímos esses
absurdos como provindos da divindade, com os quais se amesquinha a Deus, fazendo a Bíblia
perder a couraça de infalível; nós, ao contrário, preferimos atribui-los aos homens que a
escreveram, colocando nela seus próprios pensamentos, uma vez que foram eles que criaram
um Deus a sua imagem e semelhança e não o contrário.

3o A visão até ingênua de que o Novo Testamento é superior ao Velho no que tange aos atos
divinos, por causa do muito "sangue derramado" da primeira parte das Escrituras, quando
no Novo Testamento há até mais sangue derramado, como nos relato das fulminantes mortes de
Ananias e Safira (Atos 5), o apedrejamento de Estêvão (Atos 7:54-50), a morte de Herodes,
comido por vermes (Atos 12:20-23), e especialmente nas descrições detalhadas do castigo final
aos ímpios em Apocalipse, especialmente 14:19,20 (o lagar do castigo com sangue que se
espalha por quase 300 km), com ainda a festança das aves sobre as carnes dos inimigos do povo
de Deus (19:20,21). Estas passagens mostram a severidade do castigo divino, pois Deus não é só
amor, mas também justiça, como já destacado no 2o. tópico, acima.







A ingenuidade fica por conta de quem tenta desesperadamente tapar o Sol com uma
peneira. Mas antes de adentrarmos no âmago da questão, vamos ver primeiro o que consta
nas obras Espíritas a respeito deste assunto.
Na Revista Espírita 1861, lemos o seguinte sobre a lei de Moisés e a lei do Cristo:

Um de nossos assinantes de Mulhouse nos dirige a carta e a comunicação seguintes:
..."Aproveito da ocasião que se apresenta para vos escrever, para vos fazer parte de uma
comunicação que recebi, como médium, de meu Espírito protetor, e que me parece interessante e
instrutiva a justo título; se a julgais tal, vos autorizo a fazer dela o uso que julgar mais útil. Eis qual
lhe foi o princípio. Devo primeiro vos dizer que professo o culto israelita, e que sou naturalmente
levado às idéias religiosas, nas quais fui educado. Eu tinha notado que em todas as comunicações
feitas pelos Espíritos, não era sempre questão senão da moral cristã pregada pelo Cristo, e que
jamais falara da lei de Moisés. Eu me dizia, entretanto, que os mandamentos de Deus, revelados
por Moisés, me pareciam ser o fundamento da moral cristã; que o Cristo pôde dela alargar o
quadro, desenvolvendo-lhe as conseqüências, mas que o germe estava na lei ditada no Sinai.
Perguntei-me, então, se a menção, tão freqüentemente repetida da moral do Cristo, se bem que a
de Moisés não lhe fosse estranha, não provinha do fato de que a maioria das comunicações
recebidas emanava de Espíritos que pertenceram à religião dominante, e se elas não seriam uma
lembrança das idéias terrestres. Sob o império desses pensamentos, evoquei o meu Espírito
protetor, que foi um de meus parentes próximos e se chamava Mardoché R... Eis as perguntas que
lhe dirigi e as respostas que me deu, etc...
1. Em todas as comunicações que são dadas na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas,
cita-se Jesus como sendo aquele que ensinou a mais bela moral; o que devo disso pensar? - R.
Sim, foi o Cristo o iniciador da moral mais pura, a mais sublime; a moral evangélica cristã que deve
renovar o mundo, aproximar os homens e torná-los todos irmãos; a moral que deve fazer jorrar de
todos os corações humanos a caridade, o amor ao próximo; que deve criar entre todos os homens
uma solidariedade comum; uma moral, enfim, que deve transformar a Terra e dela fazer uma
morada para Espíritos superiores àqueles que hoje a habitam. É a lei do progresso à qual a
natureza está submetida que se cumpre, e o Espiritismo é uma das forças vivas, das quais Deus
se serve para fazer a Humanidade avançar no caminho do progresso moral. Os tempos são
chegados em que as idéias morais devem se desenvolver para cumprir os progressos que estão
nos desígnios de Deus; elas devem seguir o mesmo caminho que as idéias da liberdade
percorreram, e das quais elas eram precursoras. Mas não é preciso crer que esse
desenvolvimento se fará sem lutas; não; elas têm necessidade, para chegarem à maturidade, de
abalos e discussões, a fim de que atraiam a atenção das massas; mas uma vez fixada a atenção,
a beleza e a santidade da moral atingirão os Espíritos, e eles se ligarão a uma ciência que lhes dá
a chave da vida futura e lhes abre as portas da felicidade eterna.
Deus é só e único, e Moisés é o Espírito que Deus enviou, em missão, para se fazer conhecer,
não só aos Hebreus, mas ainda aos povos pagãos. O povo hebreu foi o instrumento do qual Deus
se serviu para fazer a sua revelação por Moisés e pelos profetas, e as vicissitudes desse povo tão
notável eram feitas para atingir os olhos e fazer cair o véu que escondia, aos homens, a Divindade.
2. Em que, pois, a moral de Moisés é inferior à do Cristo? - R. Naquilo em que a de Moisés não
era apropriada senão ao estado de adiantamento no qual se encontravam os povos, que fora
chamado a regenerar, e que esses povos, semi-selvagens quanto ao aperfeiçoamento de sua
alma, não teriam compreendido que se pode adorar a Deus de outro modo que pelos holocaustos,
nem que fosse necessário perdoar a um inimigo. Sua inteligência, notável do ponto de vista da
matéria, e mesmo sob o das artes e das ciências, era muito atrasada em moralidade, e não se
converteria sob o império de uma religião inteiramente espiritual; era-lhe necessária uma
representação semi-material, tal como a oferecia então a religião hebraica. Assim é que os
holocaustos falavam aos seus sentidos, enquanto que a idéia de Deus falava ao seu espírito.
Os mandamentos de Deus, dados por Moisés, trazem o germe da moral cristã a mais extensa,
mas os comentários da Bíblia restringiram-lhe o sentido, porque empregados em toda a sua
pureza, não seriam compreendidos então. Mas os dez mandamentos de Deus com isso não
ficaram menos o frontispício brilhante, como o farol que deveria esclarecer a Humanidade no
caminho que tinha a percorrer. Foi Moisés que abriu o caminho; Jesus continuou a obra; o
Espiritismo a terminará.(...) MARDOCHÉ R....(KARDEC, 1993, p. 90-92).





E falando dos caracteres da Revelação Espírita, Kardec disse:
É, pois, com razão que o Espiritismo é considerado como a terceira grande revelação. Vejamos
em que elas diferem, e por qual laço elas se ligam uma à outra.
21. - MOISÉS, como profeta, revelou aos homens o conhecimento de um Deus único,
soberano senhor e criador de todas as coisas; promulgou a lei do Sinai e colocou os fundamentos
da verdadeira fé; como homem, foi o legislador do povo pelo qual essa fé primitiva, em se
depurando, deveria se derramar sobre toda a Terra.
22. - O CRISTO, tomando da antiga lei o que era eterno e divino, e rejeitando o que não era
senão transitório, puramente disciplinar e de concepção humana, acrescentou a revelação da vida
futura, da qual Moisés não tinha falado, a das penas e das recompensas que esperam o homem
depois da morte. (Ver Revista Espirita, 1861, p. 90 e 280.)
23. - A parte mais importante da revelação do Cristo, no sentido de que ela é a fonte primeira, a
pedra angular de toda a doutrina, é o ponto de vista todo novo sob o qual faz encarar a divindade.
Não é mais o Deus terrível, ciumento, vingativo de Moisés, o Deus cruel e impiedoso que
irriga a terra com o sangue humano, que ordena o massacre e o extermínio dos povos, sem
excetuar as mulheres, as crianças e os velhos, que castiga aqueles que poupam as vitimas;
não é mais o Deus injusto que pune todo um povo pela falta de seu chefe, que se vinga do
culpado pela pessoa do inocente, que fere as crianças pela falta de seu pai, mas um Deus
clemente, soberanamente justo e bom, cheio de mansidão e de misericórdia, que perdoa o
pecador arrependido, e dá a cada um segundo as suas obras; não é mais um Deus de um único
povo privilegiado, o Deus dos exércitos presidindo os combates para sustentar a sua própria causa
contra o Deus de outros povos, mas o Pai comum do gênero humano, que estende a sua proteção
sobre todos os seus filhos, e os chama todos a si; não é mais o Deus que recompensa e pune só
pelos bens da Terra, que faz consistir a glória e a felicidade na escravização dos povos rivais e na
multiplicidade da progenitura, mas que diz aos homens: "Vossa verdadeira pátria não é neste
mundo, ela está no reino celeste; é lá que os humildes de coração serão elevados e que os
orgulhosos serão rebaixados. Não é mais o Deus que faz uma virtude da vingança e ordena
restituir olho por olho e dente por dente, mas o Deus de misericórdia, que diz: "Perdoai as ofensas,
se quiserdes que vos seja perdoado; restituí o bem pelo mal; não fazei a outrem o que não
gostaríeis que vos fosse feito." Não é mais o Deus mesquinho e meticuloso que impõe, sob as
penas mais rigorosas, a maneira pela qual ser adorado, que se ofende na inobservância de uma
fórmula, mas o Deus grande, que olha o pensamento e não se honra pela forma; não é mais,
enfim, o Deus que quer ser temido, mas o Deus que quer ser amado.
24. - Sendo Deus o centro de todas as crenças religiosas, o objetivo de todos os cultos, o
caráter de todas as religiões é conforme à idéia que elas dão de Deus. Aquelas que fazem dele um
Deus vingativo e cruel, crêem honrá-lo por atos de crueldade, pelas fogueiras e as torturas;
aquelas que dele fazem um Deus parcial e ciumento, são intolerantes, elas são mais ou menos
meticulosas na forma, segundo elas o crêem mais ou menos manchado das fraquezas e das
pequenezes humanas.
25. - Toda a Doutrina do Cristo está fundada sobre o caráter que ele atribui à divindade. Com
um Deus imparcial, soberanamente justo, bom e misericordioso, pôde fazer do amor de Deus e da
caridade para com o próximo a condição expressa da salvação, e dizer: Aí está toda a lei e os
profetas e dela não há outra. Somente sobre esta crença, ele pôde assentar o princípio da
igualdade dos homens diante de Deus, e da fraternidade universal.
Esta revelação dos verdadeiros atributos da divindade, junto à da imortalidade da alma e da
vida futura, modificou profundamente as relações mútuas dos homens, lhes impôs novas
obrigações, fê-los encarar a vida presente sob uma outra luz; foi, por isto mesmo, toda uma
revolução nas idéias, revolução que deveria forçosamente reagir sobre os costumes e as relações
sociais. Incontestavelmente, por suas conseqüências é o ponto mais capital da revelação do
Cristo, e do qual não se compreendeu bastante a importância; é lamentável dizê-lo, é também
aquele do qual se está mais afastado, que se o tem mais desconhecido na interpretação de seus
ensinamentos.
26. - No entanto o Cristo acrescenta: Muitas das coisas que vos digo não podeis ainda
compreendê-las, e delas teria muitas outras a vos dizer que não compreenderíeis; é porque vos
falo por parábolas; mas, mais tarde, eu vos enviarei o Consolador, o Espírito de Verdade, que
restabelecerá todas as coisas e vo-las explicará todas.
Se o Cristo não disse tudo o que teria podido dizer, foi porque acreditou dever deixar certas
verdades na sombra até que os homens estivessem em estado de compreendê-las. Como ele
declara, seu ensino estava, pois, incompleto, uma vez que anuncia a vinda daquele que deverá
completá-lo; ele previa, pois, que desprezariam suas palavras, que desviariam seu ensinamento,
em uma palavra, que se desfariam o que fez, uma vez que toda coisa deve ser restabelecida; ora,
não se restabelece senão o que tem defeito.
27. - Por que chama ele o novo Messias Consolador? Este nome significativo e sem
ambigüidade é toda uma revelação. Ele previa, pois, que os homens teriam necessidade de
consolações, o que implica a insuficiência daquelas que encontraram na crença que iriam se fazer.
Jamais, talvez, o Cristo foi mais claro e mais explícito do que nestas últimas palavras, as quais
poucas pessoas guardaram, talvez porque evitaram de colocá-las à luz e de aprofundar-lhes o
sentido profético.
28. - Se o Cristo não pôde desenvolver o seu ensino de maneira completa, é que faltavam aos
homens conhecimentos que estes não poderiam adquirir senão com o tempo, e sem os quais não
poderiam compreendê-lo; há coisas que teriam parecido insensatas no estado dos conhecimentos
de então. Completar o seu ensino deve, pois, se entender no sentido de explicar e de desenvolver,
bem mais do que acrescentar-lhe verdades novas; porque ali tudo se encontra em germe; faltava a
chave para entender o sentido de suas palavras.
29. - Mas quem ousa permitir-se interpretar as Escrituras sagradas? Quem tem este direito?
Quem possui as luzes necessárias, se não são os teólogos?
Quem o ousa? A ciência primeiro, que não pede permissão a ninguém para fazer conhecer as
leis da Natureza, e salta de pés juntos sobre os erros e os preconceitos. - Quem tem esse direito?
Neste século de emancipação intelectual e de liberdade de consciência, o direito de exame
pertence a todo o mundo, e as Escrituras não são mais a arca santa na qual ninguém ousava tocar
o dedo, sem se arriscar de ser fulminado. Quanto às luzes especiais necessárias, sem contestar
às dos teólogos, e por muito esclarecidos que fossem os da Idade Média, e em particular os Pais
da Igreja, no entanto, não o eram ainda bastante para não condenar, como heresia, o movimento
da Terra e a crença nos antípodas; e sem remontar mais alto, os de nossos dias não lançaram
anátema aos períodos da formação da Terra?
Os homens não puderam explicar as Escrituras senão com a ajuda do que sabiam, das noções
falsas ou incompletas que tinham sobre as leis da Natureza, mais tarde reveladas pela ciência; eis
porque os próprios teólogos puderam, de boa-fé, se enganar sobre o sentido de certas palavras e
de certos fatos do Evangelho. Querendo a todo preço nele encontrar a confirmação de um
pensamento preconcebido, giravam sempre no mesmo círculo, sem mudar seu ponto de vista, de
tal sorte que ali não viam senão o que queriam nele ver. Por sábios teólogos que fossem, não
podiam compreender as causas dependentes de leis que não conheciam.
Mas quem será juiz das interpretações diversas, e freqüentemente contraditórias, dadas fora
da teologia? - O futuro, a lógica e o bom senso. Os homens, cada vez mais esclarecidos à medida
que novos fatos e novas leis vierem se revelar, saberão fazer a parte dos sistemas utópicos e da
realidade; ora, a ciência faz conhecer certas leis; o Espiritismo delas faz conhecer outras; umas e
as outras são indispensáveis à inteligência dos textos sagrados de todas as religiões, desde
Confúcio e Buda, até o Cristianismo. Quanto à teologia, ela não saberia judiciosamente escusar as
contradições da ciência, então que ela não está sempre de acordo consigo mesma.
30. - O Espiritismo tomando seu ponto de partida nas próprias palavras do Cristo, como o
Cristo tomou as suas de Moisés, é uma conseqüência direta de sua doutrina.
À idéia vaga da vida futura, ele acrescenta a revelação do mundo invisível que nos cerca e
povoa o espaço, e por aí ele precisa a crença; dá-lhe um corpo, uma consistência, uma realidade
no pensamento.
Ele define os laços que unem a alma e o corpo, e levanta o véu que escondia, aos homens, os
mistérios do nascimento e da morte.
Pelo Espiritismo, o homem sabe de onde vem, para onde ele vai, porque está sobre a Terra,
porque nela sofre temporariamente, e ele vê por toda a parte a justiça de Deus.
Ele sabe que a alma progride sem cessar, através de uma série de existências sucessivas, até
que ela tenha alcançado o grau de perfeição que pode aproximá-la de Deus.
Ele sabe que todas as almas tendo um mesmo ponto de partida, são criadas iguais, com uma
mesma aptidão de progredir em virtude de seu livre arbítrio; que todas são da mesma essência, e
que não há entre elas senão a diferença do progresso realizado; que todas têm o mesmo destino e
alcançarão o mesmo objetivo, mais ou menos prontamente segundo seu trabalho e sua boa
vontade.
Ele sabe que não há criaturas deserdadas, nem mais favorecidas umas do que as outras; que
Deus não as criou que sejam privilegiadas nem dispensadas do trabalho imposto a outras para
progredir; que não há seres perpetuamente votados ao mal e ao sofrimento; que aqueles
designados sob o nome de demônios são Espíritos ainda atrasados e imperfeitos, que fazem o mal
no estado de Espíritos, como o faziam no estado de homens, mas que avançarão e se melhorarão;
que os anjos ou puros Espíritos não são seres à parte na criação, mas Espíritos que alcançaram o
objetivo, depois de ter seguido a fieira do progresso; que, assim, não há criações múltiplas de
diferentes categorias entre os seres inteligentes, mas que toda criação ressalta da grande lei de
unidade que rege o universo, e que todos os seres gravitam para um objetivo comum, que é a
perfeição, sem que uns sejam favorecidos às expensas dos outros, todos sendo os filhos de suas
obras. (KARDEC, 1999, p. 264-268). (grifo nosso).



Está aí a posição oficial da Doutrina Espírita em relação à lei de Moisés e à lei de Cristo,
deixando bem claro a verdade que querem esconder debaixo do tapete a respeito desse “deus”
sanguinário. A questão que se poderia colocar é: temos ou não razão? Para a resposta iremos
transcrever algumas passagens bíblicas, onde o próprio Deus, ou alguém agindo em Seu
nome, pratica a matança indiscriminada. Leiamos:
Gn 6,13-17: “Então Deus disse a Noé: 'Para mim, chegou o fim de todos os homens,
porque a terra está cheia de violência por causa deles. Vou destruí-los junto com a
terra... Eu vou mandar o dilúvio sobre a terra, para exterminar todo ser vivo que
respira debaixo do céu: tudo o que há na terra vai perecer'”.
Gn 9,6: “Quem derrama o sangue do homem, terá o seu próprio derramado por outro
homem”.
Gn 19,24-25: “Então Javé fez chover do céu enxofre e fogo sobre Sodoma e Gomorra;
destruiu essas cidades e toda a planície, com os habitantes das cidades e a vegetação
do solo”. (ao todo foram destruídas cinco cidades).
Ex 12,12: “Nesta noite, eu passarei pela terra do Egito, matarei todos os primogênitos
egípcios, desde os homens até os animais”.
Ex 14,27-28: “... Os egípcios, ao fugir, foram ao encontro do mar, e Javé atirou-os no
meio do mar. As águas voltaram, cobrindo os carros e os cavaleiros de todo o exército
do Faraó, que os haviam seguido no mar: nem um só deles escapou”.
Ex 32,27-28: “Moisés então lhes disse: 'Assim fiz Javé, o Deus de Israel: 'Cada um
coloque a espada na cintura. Passem e repassem o acampamento, de porta em porta,
matando até mesmo o seu irmão, companheiro e parente'.'... E nesse dia morreram
uns três mil homens do povo”.
Nm 14,29-30: “Seus cadáveres cairão neste deserto. E todos os que foram
recenseados, de vinte anos para cima, e que murmuraram contra mim, não entrarão na
terra onde jurei estabelecer vocês. A única exceção será Josué, filho de Num e Caleb,
filho de Jefoné”.
Nm 14,36-38: “Quanto aos homens que Moisés enviou para explorar a terra e que
colocaram a comunidade contra ele, fazendo pouco da terra, morreram fulminados
diante de Javé. De todos os que haviam explorado a terra, somente Josué, filho de
Num e Caleb, filho de Jefoné, permaneceram vivos”.
Nm 15,35-36: “Javé disse a Moisés; “Esse homem é reu de morte. Toda a comunidade
deverá apedrejá-lo fora do acampamento”. A comunidade o levou para fora do
acampamento e o apedrejou. E o homem morreu, conforme Javé tinha ordenado a
Moisés”.
Nm 16,30-35: “Mas se Javé fizer alguma coisa estranha, se a terra se abrir e os engolir
com todos os seus, descendo vivos à mansão dos mortos, então vocês ficarão sabendo
que esses homens desprezam Javé. Logo que Moisés acabou de falar, o chão rachou
debaixo dos pés deles, a terra abriu sua boca e os engoliu com suas famílias, junto com
os homens de Coré e todos os seus bens. Desceram vivos à mansão dos mortos,
juntamente com todas as coisas que lhes pertenciam. A terra os cobriu e eles
desapareceram da comunidade. Quando eles gritaram, os filhos de Israel, que estavam
ao redor, fugiram correndo, pois pensavam que a terra iria engolir a eles também. Saiu
um fogo da parte de Javé e devorou os duzentos e cinqüenta homens que ofereciam o
incenso”.
Nm 21,2-3: “Então Israel fez um voto a Javé: 'Se entregares este povo em meu poder,
eu consagrarei suas cidades ao extermínio'. Javé atendeu a Israel e lhe entregou os
cananeus em seu poder. Então os filhos de Israel os consagraram ao extermínio, junto
com os as cidades deles...”
Nm 21,6: “Então Javé mandou contra o povo serpentes venenosas que os picavam, e
muita gente de Israel morreu”.
Nm 25,4-5: “Javé disse a Moisés: 'Tome os chefes do povo e pendure-os num poste ao
sol, diante de Javé, para que a ira ardente de Javé se afaste de Israel'. Moisés disse,
então, aos juízes de Israel: 'Que cada um mate os parentes que se ligaram com o Baal
de Fedor'”.
Nm 25,8-9: “... Então se acabou a praga que feria os filhos de Israel. Dentre eles,
morreram vinte e quatro mil por causa da praga”.
Nm 31,1-8: “Javé disse a Moisés: 'Execute a vingança dos filhos de Israel contra os
madianitas... Guerrearam contra Madiá, conforme Javé ordenara a Moisés, e mataram
todos os homens. Mataram também os reis de Mediá: Evi, Recém, Sur, Hur e Rebe, os
cinco reis de Mediá; também passaram a fio de espada Balaão, filho de Beor”.
Nm 31,9-17: “Os filhos de Israel levaram como prisioneiras as mulheres medianitas
com suas crianças, e saquearam todo o gado, rebanhos e bens. Incendiaram as cidades
e todos os povoados. Moisés ficou furioso com os chefes da tropa, generais e capitães...
e lhes disse: 'Por que vocês deixaram as mulheres com vida?'... Agora, portanto,
matem todas as mulheres que tiveram relações sexuais com homens. Deixem vivas
apenas as meninas que não tiveram relações sexuais com homens, e elas pertencerão
a vocês”.
Dt 2,32-34: “Seon veio ao nosso encontro em Jasa, com todas as suas tropas. Javé
nosso Deus o entregou a nós, e nós o vencemos, e também os seus filhos e todo o seu
exército. Tomamos posse de todas as suas cidades e sacrificamos cada uma delas,
como anátema: homens, mulheres e crianças, sem deixar nenhum sobrevivente”.
Dt 3,4-6: “... na região de Argob, ... destruímos cada cidade, com homens, mulheres e
crianças'.
Dt 7,1-2: “Quando Javé seu Deus o introduzir na terra onde você está entrando para
tomar posse; quando ele tiver expulsado nações mais numerosas que você – os heteus,
gergeseus, amorreus, cananeus, ferezeus, haveus e jebuseus – sete nações mais
numerosas que você; quando Javé seu Deus as entregar, você as vencerá e as
sacrificará como anátema.”
Js 6,20-21: “O povo lançou o grito e tocaram-se as trombetas. Ao ouvir o toque de
trombeta, o povo deu um grande grito e a muralha da cidade [Jericó] veio abaixo. O
povo entrou para a cidade, cada um do seu lugar, e tomou a cidade. Consagraram ao
extermínio tudo o que havia na cidade: homens e mulheres, jovens e velhos, vacas,
ovelhas e burros; passaram tudo a fio da espada”.
Js 8,18-27: “Então Javé disse a Josué: 'Estenda contra Hai a lança que você tem na
mão, pois eu vou entregar a você essa cidade. ... Quando Israel terminou de matar
todos os habitantes de Hai no campo, no deserto onde eles os haviam perseguido, e
depois que todos eles caíram ao fio da espada, os israelitas voltaram para Hai e
passaram ao fio da espada toda a população. O total dos que caíram nesse dia, entre
homens e mulheres, foi de doze mil, isto é, toda a população de Hai”.
Js 10,5-27: “Os cinco reis amorreus – os reis de Jerusalém, de Hebron, de Jarmute, de
Saquis e de Elgon – se reuniram, subiram com seus exércitos, cercaram e atacaram
Gabaon. ...Quando Josué e os israelitas acabaram de derrotar os inimigos,
exterminando-os, aqueles que conseguiram escapar vivos entraram nas cidades
fortificadas... Em seguida, Josué matou os reis e mandou suspendê-los em cinco
árvores,...”
Js 10,28: “Nesse mesmo dia, Josué tomou Maceda, passou os habitantes a fio da
espada, consagrando ao extermínio o rei e todas as pessoas que nela se encontravam.
Não deixou nenhum sobrevivente e tratou o rei e todas as pessoas que nela se
encontravam”.
Js 10,30: “Javé entregou também Lebna nas mãos de Israel, que passou a fio de
espada o rei e todos os que viviam na cidade. Não deixou nenhum sobrevivente, ...”
Js 10,32: “Javé entregou Laquis na mão de Israel que, no dia seguinte, tomou a cidade
e passou ao fio de espada todas as pessoas que aí viviam, da mesma forma como já
havia feito com Lebna”.
Js 10,33: “Horam, rei de Gazer, subiu para socorrer Laquis, mas Josué o derrotou
juntamente com seu exército, sem deixar nenhum sobrevivente”.
Js 10,34: “Neste mesmo dia, tomaram a cidade [Eglon] e passaram ao fio de espada os
habitantes, consagrando ao extermínio todas as pessoas que nela viviam, conforme
tudo o que já haviam feito a Laquis”.
Js 10,37: “Tomaram a cidade [Hebron] e passaram ao fio da espada seu rei, e também
toda a sua população e as cidades dependentes. Não ficou nenhum sobrevivente...
Consagraram a cidade ao extermínio, juntamente com todas as pessoas que nela
viviam”.
Js 10,39: “Tomou a cidade [Dabir], bem como seu rei e todas as cidades dependentes;
passaram a população ao fio de espada, consagrando ao extermínio todas as pessoas
que nela viviam. Não ficou nenhum sobrevivente.”
Js 10,40: “Desse modo, Josué conquistou toda a região montanhosa, o Negueb, a
planíce e as descidas das águas, juntamente com seus reis. Não deixou nenhum
sobrevivente, mas consagrou ao extermínio todo ser vivo, como Javé, o Deus de Israel,
havia ordenado”.
Js 11,5-9: “Todos esses reis se aliaram [Jabin, Jobab, Merom, Semeron e Acsaf]...Os
israelitas os derrotaram, a ponto de não deixar um único sobrevivente”.
Js 11,10,11: “Nesse mesmo tempo, Josué voltou, tomou Hasor era antes a capital de
todos esses reinos. Passaram ao fio de espada todas as pessoas que nela viviam,
consagrando-os ao extermínio; não deixou ficar um único ser vivo, e incendiou Hasor”.
Js 11,21-22: “Nesse tempo, Josué eliminou os enacim da regição montanhosa de
Hebron, de Dabir, de Anab, de toda a serra de Judá e de toda a serra de Israel. Josué
os consagrou ao extermínio junto com suas cidades. Nenhum dos enacim restou na
terra de Israel; só ficaram alguns em Gaza, Pat e Azoto”.
Js 12,1-34: “São estes os reis da terra que os israelitas derrotaram e de cuja terra
tomaram posse...ao todo, trinta e um reis”.
Jz 7,19-22: “Gedeão... Enquanto os trezentos homens tocavam as trombetas, Javé fez
com que uns e outros no acampamento se matassem ao fio da espada”.
Jz 8,16-17: “Gedeão pegou os anciãos da cidade e rasgou a carne deles com espinhos e
cardos do deserto. Destruiu também a torre de Fanuel e massacrou os habitantes da
cidade”.
Jz 12,6: “... Nesse tempo, foram mortos quarenta e dois mil efraimitas”.
Jz 15,13: “... O espírito de Javé invadiu Sansão,... Vendo uma queixada de jumento
ainda fresca, Sansão a pegou e com ela matou mil homens.”
Jz 16, 28-30: “Sansão invocou Javé: 'Javé por favor, senhor Javé, lembra-te de mim.
Dá-me forças mais uma vez, para que me vingue dos filisteus com um só golpe por
causa dos meus olhos... ao morrer, Sansão matou muito mais gente do que tinha
matado durante toda a sua vida”.
Jz 20,48: “Os israelitas se voltaram contra os benjamitas e passaram ao fio de espada
a população masculina da cidade até mesmo o gado e tudo o que encontraram.
Também puseram fogo em todas as cidades que encontravam”.
Jz 21,10-11: “Então a comunidade mandou para lá doze mil homens armados, com
esta ordem: 'Vão e passem ao fio da espada todos os habitantes de Jabes de Galaad,
inclusive mulheres e crianças. Façam de modo que todos os homens e as mulheres
casadas sejam mortos. Deixem com vida apenas as solteiras”.
1Sm 15,2-3: “Assim diz Javé dos exércitos: Vou pedir contas a Amalec pelo que ele fez
contra Israel, cortando-lhe o caminho, quando Israel subia do Egito. Agora, vá, ataque,
e condene ao extermínio tudo o que pertence a Amalec. Não tenha piedade: mate
homens e mulheres, crianças e recém nascidos, bois e ovelhas, camelos e jumentos”.
1Rs 20,28-30: “O homem de Deus se aproximou do rei de Israel e lhe disse: 'Assim diz
Javé: Os arameus disseram que Javé é um Deus de montanha e não de planície. Por
isso, eu vou entregar a você esse exército imenso, para que você reconheça que eu sou
Javé'. Durante sete dias, os dois exércitos estiveram acampados um na frente do outro.
No sétimo dia começou a batalha, e num só dia os israelitas mataram cem mil soldados
da infantaria dos arameus. Os sobreviventes fugiram para a cidade de Afec, porém as
muralhas desabaram sobre os vinte e sete mil homens que tinham sobrado...”
2Rs 29,35: “Nessa mesma noite, o anjo de Javé saiu e feriu cento e oitenta e cinco mil
homens no acampamento assírio. De manhã, ao despertar, só havia cadáveres”.
Não necessita nem de comentários. Parabéns para quem conseguiu passar por esses
textos bíblicos sem sentir náuseas ou ter que correr para lavar as mãos de tanto sangue que
saiu destes relatos. Inclusive, em algumas situações, causando horror às pessoas mais
sensíveis, matou-se até mesmo crianças e recém-nascidos. Hoje, fatalmente, tais barbaridades
seriam enquadradas em crimes de guerra, já o dissemos alhures.
Os rituais religiosos dos judeus eram todos eles realizados oferecendo-se animais em
sacrifícios a Deus. Vejamos:


Ex 8,22: “Moisés respondeu: 'Não é oportuno fazer isso, porque nossos sacrifícios a
Javé nosso Deus são abomináveis para os egípcios. Se imolarmos diante deles o que
eles abominam, certamente irão nos apedrejar'.”
Ex 10,25-26: “Moisés respondeu: 'Mesmo que você desse as vítimas para os sacrifícios
e holocaustos, a fim de oferecermos a Javé nosso Deus, ainda assim o nosso gado
deveria ir conosco. Não ficará nenhum animal, pois precisamos deles para oferecer a
Javé nosso Deus. Nem nós mesmos sabemos como vamos servir a Javé, enquanto não
chegarmos lá'".
Ex 20,24: “Faça para mim um altar de terra, para oferecer sobre ele seus holocaustos,
sacrifícios de comunhão, ovelhas e bois. Nos lugares onde eu quiser lembrar o meu
nome, virei a você e o abençoarei”.
Ex 24,5-8: “Em seguida, mandou alguns jovens de Israel oferecer holocaustos e imolar
novilhos a Javé como sacrifício de comunhão. Moisés pegou a metade do sangue e
colocou em bacias, a outra metade do sangue, ele a derramou sobre o altar... Moisés
pegou o sangue e o espalhou sobre o povo, dizendo: 'Este é o sangue da aliança que
Javé faz com vocês através de todas essas cláusulas”.
Ex 29,38-39: “Eis o que você deverá oferecer sobre o altar: dois cordeiros machos de
um ano, cada dia e perpetuamente. Ofereça um dos cordeiros pela manhã e outro pela
tarde”.
Nestes rituais, o sangue dos animais era utilizado nas várias fases do processo, o que
tornava a coisa tão macabra que nos custa acreditar neles, mesmo tendo-os escritos diante de
nossos olhos:
Lv 3,1-2: “Se for sacrifício de comunhão, e se você oferecer para Javé animal grande,
macho ou fêmea, ele deverá ser sem defeito. Coloque a mão sobre a cabeça da vítima
e imole-a na entrada da tenda da reunião. Em seguida os sacerdotes, filhos de Aarão,
derramarão o sangue por todos os lados do altar”.
Lv 4,3-7: “Se foi o sacerdote consagrado quem cometeu a violação, comprometendo
assim todo o povo, ele deverá oferecer para Javé, pela violação cometida, um bezerro,
animal grande, sem defeito. Levará o bezerro diante de Javé, à entrada da tenda da
reunião, colocará a mão sobre a cabeça do animal e o imolará diante de Javé. Depois o
sacerdote consagrado pegará sangue do bezerro e o levará à tenda da reunião. Molhará
o dedo no sangue e fará sete aspersões na frente do véu do santuário, diante de Javé.
O sacerdote colocará então um pouco desse sangue sobre os cantos do altar do incenso
que se queima diante de Javé na tenda da reunião, e derramará todo o sangue do
bezerro na base do altar dos holocaustos, que se encontra na entrada da tenda da
reunião.
Lv 4,13-18: “Se foi a comunidade toda de Israel que, sem querer, violou alguma coisa
proibida pelos mandamentos de Javé, tornando-se por isso culpada, mas sem tomar
consciência do fato, ao se dar conta da violação cometida, a comunidade oferecerá, em
sacrifício pelo pecado, um bezerro, animal grande e sem defeito. Ele será levado diante
da tenda da reunião, e, diante de Javé, os anciãos da comunidade colocarão as mãos
sobre a cabeça do bezerro e o imolarão diante de Javé. Em seguida, o sacerdote
consagrado levará um pouco do sangue do bezerro para a tenda da reunião. Molhará o
dedo no sangue e fará sete aspersões na frente do véu, diante de Javé. Ungirá com
sangue os cantos do altar, que se encontra diante de Javé na tenda da reunião, e
depois derramará todo o sangue na base do altar dos holocaustos, que está na entrada
da tenda da reunião.
Lv 4,22-26: “Se foi um chefe quem, sem querer, violou alguma coisa proibida pelos
mandamentos de Javé, seu Deus, tornando-se por isso culpado, 23. ao se dar conta da
violação cometida, levará como oferta um bode sem defeito. 24. Colocará a mão sobre
a cabeça do bode e o imolará diante de Javé, no lugar onde se imolam os holocaustos.
É um sacrifício pelo pecado: o sacerdote molhará o dedo no sangue da vítima e ungirá
os cantos do altar dos holocaustos. Depois derramará o sangue na base do altar dos
holocaustos e queimará toda a gordura sobre o altar, como se faz com a gordura do
sacrifício de comunhão. O sacerdote assim fará pela violação do chefe, e este ficará
perdoado”.
Lv 4,27-30: “Se foi um homem do povo da terra quem pecou sem querer, praticando
alguma coisa proibida pelos mandamentos de Javé, tornando-se por isso culpado, ao se
dar conta da violação cometida, levará uma cabra sem defeito, como oferta pelo
pecado. Colocará a mão sobre a cabeça da vítima e a imolará no lugar onde se imolam
os holocaustos. O sacerdote molhará o dedo no sangue da vítima e ungirá os cantos do
altar dos holocaustos. Depois derramará todo o sangue na base do altar”.
Até mesmo um simples ritual de consagração de uma pessoa ao sacerdócio, fazia-se
sacrifício de animais, esparramando o seu sangue para todos os lados:
Ex 29,1-22: “Para consagrá-los no meu sacerdócio, observe o seguinte rito: Tome um
bezerro e dois carneiros sem defeito,... Leve o bezerro até a frente da tenda da
reunião. Aí Aarão e os filhos dele colocarão a mão sobre a cabeça do bezerro. Imole o
bezerro diante de Javé, na entrada da tenda da reunião. Pegue uma parte do sangue do
bezerro e, com o dedo, coloque-o sobre as pontas do altar, derramando o resto do
sangue ao pé do altar... Queime fora do acampamento a carne do bezerro junto com o
pêlo e os intestinos. É um sacrifício pelo pecado. Pegue depois um dos carneiros, e
Aarão com os filhos dele colocarão a mão sobre a cabeça do carneiro. Imole o carneiro,
pegue o sangue dele e o derrame sobre o altar por todos os lados. ...Queime assim
todo o carneiro, fazendo subir a fumaça dele sobre o altar. É um holocausto para Javé,
é um perfume de suave odor, uma oferta queimada para Javé. Pegue depois o segundo
carneiro... Imole o carneiro, pegue um pouco do seu sangue e coloque-o sobre a ponta
da orelha direita de Aarão e dos filhos dele, como também sobre o polegar da mão
direita e do pé direito deles. Quanto ao resto do sangue, derrame-o sobre todos os
lados do altar. Em seguida pegue do sangue que está sobre o altar e do óleo da unção,
e espalhe-os sobre Aarão e suas vestes e sobre os filhos de Aarão e suas vestes. Desse
modo, ficarão consagrados Aarão com suas vestes e os filhos dele com suas vestes...”
Está aí provado que o sangue corria solto nas páginas do “Velho Testamento”, que nos
causa repugnância com tantas mortes e sacrifícios inúteis, como se fossem algo agradável a
Deus.
Vamos agora analisar as passagens citadas pelo crítico para justificar que no Novo
Testamento há até mais sangue derramado, numa visão totalmente obtusa que nos choca ter
vindo de um líder religioso:


a) “relato das fulminantes mortes de Ananias e Safira (Atos 5)” - Surpreendido por ter
ficado com parte do dinheiro da venda de sua propriedade ao invés de doá-lo à comunidade,
cai morto após Pedro lhe desmascarar. Somente poderemos atribuir isso à fraqueza do
coração, que não suportou passar por tamanho vexame diante de todos. Pois o próprio Pedro
lhe disse que não era obrigado a vender o terreno, e que podia ficar até com o dinheiro todo,
ou seja, se tinha plena liberdade para tudo isso, também tinha para ficar com a parte que
quisesse dessa venda. Sua mulher, ao saber de sua morte, também morre. Isso não é
diferente de outros fatos acontecidos em situações semelhantes.
b) “o apedrejamento de Estêvão (Atos 7:54-50)” - mas não se pode atribui-lo à ordem
divina, que é o que estamos evidenciando.
c) “a morte de Herodes, comido por vermes (Atos 12:20-23)” - parece-nos que
estamos diante de uma grande mentira, pois “Josefo afirma que Herodes adoeceu subitamente
durante seu discurso e, depois de cinco dias de sofrimento, morreu (44 A.D.)” (Bíblia de
Jerusalém, p. 1379). Mais sobre esse assunto veja no nosso texto: “A morte de Agripa: quem  conta um conto aumenta um ponto”.


d) “e especialmente nas descrições detalhadas do castigo final aos ímpios em
Apocalipse, especialmente 14:19,20 (o lagar do castigo com sangue que se espalha por quase
300 km)” - segundo os tradutores da Bíblia Barsa os “1600 estádios, i.e. cerca de 300 km, é
um número simbólico para o julgamento completo e definitivo atingindo os quatro cantos da
terra” (p. 234), portanto, nada tem a ver com algum fato ligado a sangue, por se tratar de
simbolismo os dois versículos. Lagar era um local usado para esmagar uvas na fabricação do
vinho. Considerando-se que todos seriam jogados neste local, então pode-se conceber que
seriam julgados pela sua essência, já que o líquido vermelho que provêm da uva tem a mesma
conotação do sangue para o ser humano.
e) “a festança das aves sobre as carnes dos inimigos do povo de Deus (19:20,21) –
informa-nos os mesmos tradutores que esses versículos significam a “derrota completa do
Anticristo e de todos seus sequazes” (p. 237), ou seja, estamos mais uma vez diante de um
simbolismo, tomado ao pé da letra pelo crítico.
Com isso, acabamos de ver para onde sopram os ventos da ingenuidade...
Nova refutação do crítico:

4o Erro da Doutrina Espírita Claramente Definido: A negação da Divindade de Cristo,
colocando-O na categoria de um ser criado, em vez de ser Ele próprio o Criador de todas
as coisas, como lemos em João 1:1-3 (“todas as coisas foram feitas por Ele [o Verbo que Se fez
carne], e sem Ele nada do que foi feito se fez"), confirmado por Hebreus 1:2. Cristo tinha o título de “filho do homem” e “Filho de Deus” pois falava segundo duas perspectivas -- como o próprio Deus feito carne, de modo muito além de nossa limitada compreensão, e como o submisso “Servo
sofredor” que aceitou assumir a taça do sofrimento e dor humanos para pagar o preço do pecado.
Assim, ninguém terá desculpas no Juízo de que Deus não pode Ser um justo juiz por desconhecer
por experiência própria as lutas e sofrimento do homem nesta vida. Ele conhece, sim, as nossas
dores, pois foi “ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas
iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados”
(Isaías 53:5).



Curioso é que sempre que alguma coisa lhe é contrária, ele a tem como vinda do
paganismo. Entretanto, essa de um Deus descer à terra e relacionar-se sexualmente com uma
mulher, que invariavelmente é sempre uma virgem (parece que os deuses não gostam de
mulheres usadas), criando um semideus é comum em inúmeras culturas pagãs. O que nos
surpreende é o fato de não ter percebido que os teólogos foram mais longe que os povos
pagãos, pois, não satisfeitos em ter um semideus, elevaram Jesus à categoria de um Deus.


Por outro lado, aos que acreditam nas profecias bíblicas, nenhuma há que tenha dito
que o próprio Deus viria “baixar” aqui na terra, mas que Ele enviaria um messias. Fica aí
registrada essa contradição. Mais: a cultura religiosa do judaísmo jamais “permitiria” alguém
se declarar Deus; seria sumariamente apedrejado até à morte. Que nos aponte uma só
passagem em que Jesus tenha dito isso. Mais ainda: o “teor global”, tanto evocado pelo crítico,
que aqui não o usou, não diz isso; senão vejamos:
Jo 6,37-38: “Tudo o que o Pai me dá, virá a mim e não jogarei fora o que vem a mim,
porque desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que
me enviou”.
Jo 7,42: “Eu não vim de mim mesmo, foi Deus quem me enviou
Jo 14,28: “Se me amásseis, alegrar-vos-ia de que eu vá para o Pai, pois o Pai é maior
do que eu”.
Jo 14,31. “mas vem para que o mundo reconheça que eu amo o Pai, e é por isso que
faço tudo o que o Pai me mandou”.
Mc 10,18: “Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão um só, que é Deus”.




Essas são apenas algumas passagens, pelas quais exemplificamos, que, o tempo todo,
Jesus se colocou como alguém em situação inferior ao Pai; um subordinado que veio cumprir a
vontade de Deus.
Além disso, a mantê-lo como sendo o próprio Deus, que nos explique qual o sentido de
Deus descer à terra num corpo humano, se oferecer em sacrifício, a ele mesmo, com sua
morte na cruz, para pagar pelos nossos pecados. Aliás, essa própria idéia de subornar Deus
com sacrifícios é coisa do paganismo, que o crítico finge não ver. Além disso, se Jesus morreu
para pagar pelos nossos pecados, podemos dizer que morreu em vão, pois continuamos
pecando do mesmo jeito, como se nada tivesse acontecido. A manter-se essa hipótese absurda
o máximo que se poderia dizer, baseando-se na própria Bíblia, no caso Hb 9:15, é que Ele
morreu para remissão das transgressões cometidas durante a primeira aliança.
Assim, esse “Deus feito de carne, de modo muito além de nossa limitada compreensão”
é coisa tomada do paganismo, que os próprios teólogos que a engendraram não conseguem
explicar; daí apelarem para essa frase usada pelo crítico. Diremos, por nossa vez, que disso
“só tem limitada compreensão” quem vive com a cara enfiada na Bíblia se recusando a ver
outros conhecimentos que nos proporcionam uma maior compreensão do conteúdo dela, pois
muitos dos seus absurdos não serão senão fruto da imaginação dos seus autores.
Quanto à citação de Isaías, buscamos de nosso texto “Será que o profetas previram a
vinda de Jesus?” o seguinte trecho:


Os versículos compreendidos entre Isaías 52,13–53,12, ou seja, do versículo 13
do capítulo 52 ao versículo 12 do capítulo 53, são explicados da seguinte forma:
Apresentam o Servo sofrendo vicariamente pelos pecados dos homens. A
interpretação judaica tradicional entende a passagem como uma referência ao Messias,
como, é claro, fizeram os primeiros cristãos, que criam ser Jesus o referido Messias (At.
8,35). Não foi senão no século XII que surgiu a opinião de que o Servo aqui se refere à
nação de Israel, opinião que se tornou dominante no Judaísmo. O Servo, todavia, é
distinto do “meu povo” (53,8), e é uma vítima inocente, algo que não se podia dizer da
nação (53,9)”. (Bíblia Anotada, p. 905 )
Interessante que querem, de todas as maneiras, desvirtuar o texto para aplicá-lo
a Jesus, quando, em verdade, se refere especificamente à nação de Israel.
Também encontramos:
Os capítulos 40-55 foram escritos por profeta anônimo, na época do exílio na
Babilônia, apresentando uma mensagem de esperança e consolação. Esse profeta é
comumente chamado Segundo Isaías. O fim do exílio é visto como um novo êxodo e,
como no primeiro, Javé será o condutor e a garantia dessa nova libertação. O povo de
Deus, convertido, mas oprimido, é denominado “Servo de Javé”. (Bíblia Pastoral, p. 947)
(grifo nosso).
 Veja que até divergem quanto à questão da palavra “Servo”. Essa divergência se
torna ainda mais inexplicável, pois ambas as Bíblias que foram consultadas, segundo
dizem, são a “palavra de Deus”.
Já que falamos em Servo, e como este termo será utilizado outras vezes, vamos
ver nas explicações dadas sobre o Livro de Isaías o seguinte:
Merecem destaque os “Cânticos do Servo de Deus” (42,1-4; 49,1-6; 50,4-9a; 52,13-
53,12). Neles se descreve a vocação do Servo, sua missão de pregador, sua função
mediadora da salvação para os homens e, especialmente, o caráter expiatório de seus
sofrimentos e de sua morte. O Servo às vezes parece ser Israel como povo, ou enquanto
elite; outras vezes um indivíduo, talvez o profeta dos poemas, o rei Ciro, o rei Joaquim ou
outro personagem qualquer. (Bíblia Vozes, p. 890).
Bom, aqui assumem não saberem exatamente a que se refere a palavra Servo; mas,
apesar disso, continuam: “Seja como for, o Novo Testamento viu no Servo sofredor o
tipo por excelência dos sofrimentos e da morte redentora de Cristo”. Ora, ver “ser um
tipo” não quer dizer que a profecia seja exatamente a respeito de Jesus. E mais: o Novo
Testamento não vê nada; quem viu foram alguns dos autores do Novo Testamento ou,
quem sabe, se não colocaram na boca destes autores aquilo que lhes interessava...
Quanto a Ciro, que sabemos ter sido o rei da Pérsia, podemos ver que, em Is 44,28,
ele é colocado como pastor do rebanho de Deus, e mais especificamente em Is 45,1,
está como ungido de Deus que, para melhor destaque, grifamos: Eis aqui o que diz o
Senhor a Ciro meu cristo, a quem tomei pela destra para lhe sujeitar ante a sua face
as gentes, e fazer voltar as costas aos reis, e abrir diante dele as portas, e estas
mesmas portas não se fecharão. (texto da Bíblia Barsa).



Uma passagem que ainda não conseguimos entender é essa: “Então os judeus
disseram: 'Ainda não tens cinqüenta anos, e viste Abraão?' Jesus respondeu: 'Eu garanto a
vocês: antes que Abraão existisse, eu sou'”. (Jo 8,57-58). Aqui temos Jesus afirmando da sua
existência antes do patriarca Abraão, o que, em outras palavras, quer dizer preexistência do
espírito. Se Jesus se considerasse Deus, certamente que não diria que existia antes de Abraão,
porquanto, seria muito mais lógico ele ter dito que existia antes do início dos tempos; aí, sim,
poderíamos entender da forma como acredita. Ademais, não vemos razão em dizer “ainda não
tem cinqüenta anos” em relação a uma pessoa de cerca de trinta e poucos anos, já que é mais
racional relacionar isso a alguém cuja idade seja próxima desse número do que do outro.
Embora muitas religiões não concordem com a teologia católica a usam em seus
preceitos. Um bom exemplo disso é a questão do dogma da Trindade e o da Divinização de
Jesus. Aí entra a questão dele ser o Verbo de Deus, que os autores abaixo explicam:





Uma afirmação bem clara dos Evangelhos é a de que Jesus Cristo é o Verbo de Deus. Isso
é muito simples e não deixa dúvida nenhuma do que, realmente, Jesus Cristo é, ou seja, um
homem todo especial escolhido por Deus ou pelo Mundo Espiritual para servir de veículo da fala
ou da comunicação de Deus para com a humanidade. Jesus, portanto, é esse canal usado por
Deus para a sua mensagem salvadora ou libertadora para nós do planeta Terra. Hoje nós
podemos usar vários meios para fazermos chegar uma mensagem a uma comunidade, nação ou
mesmo ao mundo inteiro, podendo ser um desses meios uma rede de televisão via satélite.
Certamente, se houvesse no tempo de Jesus uma rede de TV, e Jesus a usasse para
transmitir-nos sua mensagem, os Evangelhos diriam que a Fala (Verbo) de Deus chegou até nós
através de Jesus e de tal rede de TV. Mas como não havia esse meio moderno de comunicação
naquela época, essa Fala concentrou-se toda ela no homem Jesus, o Verbo de Deus, a Fala, o
Discurso, a Mensagem, de Deus para conosco. Jesus era o Verbo, o Verbo que era Deus, porque
é a Fala, mesmo figurada aqui, Fala essa que é um atributo de Deus, uma extensão ou Centelha
de Deus encarnada em Jesus Cristo em nós, também, mas em Jesus de modo especial.
Contudo, alguém poderia argumentar dizendo que Jesus não é só Jesus, mas que Ele é
também Cristo, o que é verdade. Mas o que significa Jesus Cristo? Jesus quer dizer Salvador. E
Cristo significa Ungido, em grego, e Messias em hebraico.
Sabemos que a palavra Cristo tornou-se um substantivo, desde o início do Cristianismo.
Mas, em sua origem, ela era realmente um adjetivo ou particípio do verbo ungir (ungido). Ora,
sabemos que o substantivo é mais importante do que o adjetivo, que só dá uma qualidade ao
substantivo, que é a palavra que representa o ser propriamente dito. No caso, pois, de Jesus
Cristo, tornando-se por base a categoria da palavra Cristo (Ungido), que é um adjetivo, e a
categoria da palavra Jesus, que é um substantivo, Jesus é a palavra principal ou o núcleo da
expressão “Jesus Cristo”. Jesus é, pois, um homem que se tornou ungido. E por que isso? Porque
Ele se tornou o hospedeiro do Verbo de Deus ou, como já vimos, a Fala de Deus para conosco, a
qual veio encarnada no coração do homem Jesus ou por meio do homem Jesus. E a origem da
palavra Verbo é Verbum em latim, a qual tem suas duas correspondentes em grego, Cristo e
Logos, e em hebraico, como já vimos, a palavra Messias. (CHAVES, 2006, p. 96-97).
No Evangelho de João 1,1, lemos “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e
o Verbo era Deus.”
Sabemos pela Bíblia que Deus é Espírito (um Espírito Santo em toda a acepção desta
expressão) e é Verbo - “E o Verbo era Deus.”
E, no mesmo Evangelho de João 1,14, lê-se: “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós”.
Esta expressão entre nós não é fiel ao original, que é em nós (do grego em hemim; e do latim in
nobis, como está na Vulgata). E por que se encarnou o Verbo em nós? Porque se encarnou em
nossa espécie humana e, de um modo especial, em Jesus. “Nele habitou plenamente toda a
Divindade”, como afirma São Paulo. Divindade essa que habita em nós, também, pois somos
templos do Espírito Santo (dum Espírito Santo no original grego), segundo ainda São Paulo.
De fato, o nosso espírito é uma centelha divina encarnada. Em outros termos, é o Cristo ou
Verbo encarnado, como parte do Aspecto Filho de Deus-Pai-Espírito, Espírito Santo. Mas em nós
o Verbo não habita plenamente como em Jesus, porque essa nossa centelha divina está ainda
muita atrasada em relação à Dele. Por isso São Paulo usa a expressão: “Até que todos
cheguemos à estatura mediana de Cristo”, o que ainda vai demorar um longo tempo ou várias
reencarnações. E Jesus é o nosso instrutor e modelo, justamente porque Ele está bem à nossa
frente como ser humano. (CHAVES, 2006, p. 135-136).
"Jesus, com certeza, não pregou a institucionalização de uma igreja organizada, reduto de
arrogantes neofariseus, sediados na infalibilidade; nem a conversão, sob ameaça de morte ou de
eterna danação. Ele nunca aconselhou nem autorizou ninguém a ocupar, na terra, importantes
cargos divinos; nunca se considerou a encarnação de Deus; nunca perdoou pecados ou conferiu a
outros esse dom, nem nunca prometeu a vinda e a permanência de um Espírito Santo fora dele.
(KERSTEN, 1988, p. 38).


Voltando ao nosso texto primitivo.


5o Erro da Doutrina Espírita Claramente Definido: A noção de que Cristo veio trazer uma
nova e revolucionária legislação, eliminando os 10 Mandamentos como normativos aos
cristãos e trocando-os pela "lei áurea" de "amor a Deus" e "amor ao próximo", quando em tal "lei áurea" Ele apenas repete o que Moisés já havia dito em Lev. 19:18 e Deu. 6:5, sintetizando a lei divina. Sempre, em todos os tempos, a lei de Deus teve como princípio subjacente o amor--a Deus e aos semelhantes, pelo que Cristo não apresentou nenhuma "novidade cristã" como pensam os espíritas e outros mais.





E ainda tem o descaramento de acusar a nós Espíritas de distorcer os textos bíblicos;
haja paciência! Mas não adianta esconder a verdade, pois Jesus, por várias vezes, disse em
alto e bom som: “aprendestes o que foi dito” (Mt 5,21.27.31.38.43), o que não tem outro
significado senão o de “aprendestes com Moisés”. Em algumas de suas recomendações
percebe-se que muda radicalmente o que constava na legislação mosaica, como a questão do
adultério, do sábado, a do olho por olho e sobre o divórcio (Dt 19,21; 20,14; 24,1), sem
contar aquela em que recomenda amar até os inimigos quando a Lei, ou seja, Moisés, permitia
odiá-los (Lv 19,18). Essa é a dedução a que se chega em virtude do que consta em Lv 19,18:
“Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo...”. Como se vê, a
recomendação aí contida é só em relação aos do povo de Israel, o que leva o intérprete a
deduzir que eram permitidas a vingança e a ira em relação aos demais povos. Ou não?!
Vejamos essa passagem:
Mt 22,34-40: Os fariseus ouviram dizer que Jesus tinha feito os saduceus se calarem.
Então eles se reuniram em grupo, e um deles perguntou a Jesus para o tentar: "Mestre,
qual é o maior mandamento da Lei?" Jesus respondeu: "Ame ao Senhor seu Deus com
todo o seu coração, com toda a sua alma, e com todo o seu entendimento. Esse é o
maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a esse: Ame ao seu próximo
como a si mesmo. Toda a Lei e os Profetas dependem desses dois mandamentos."



Assim, quem disse que a Lei e os Profetas se resumem no “amar a Deus” e no “amor ao
próximo” não foi outra pessoa que não o próprio Mestre Jesus. Não bastasse isso, até Paulo, o
“mestre” a quem segue, também afirmou que: “De fato, os mandamentos: não cometa
adultério, não mate, não roube, não cobice, e todos os outros se resumem nesta sentença:
'Ame o seu próximo como a si mesmo'”. (Rm 13,9; Gl 5,14). Entretanto, como um bom
fundamentalista, o autor dessa matéria, para justificar seus próprios dogmas, contradiz essa
verdade; porém, como não passa de “cego guiando cegos”, é perfeitamente aceitável isso.
Aliás, há um pensamento formidável de Paulo que muito bem se lhe aplica: “Fiquem longe
deles, porque não servem a Cristo nosso Senhor, mas ao próprio estômago; com palavras
doces e bajuladoras, eles enganam o coração das pessoas simples” (Rm 16,18).



 “Ninguém põe remendo de pano novo em roupa velha, porque o remendo repuxa o pano, e o rasgo fica maior ainda. Também não se põe vinho novo em barris velhos, senão os barris se arrebentam, o vinho se derrama e os barris se perdem. Mas vinho novo se põe em barris novos e assim os dois se conservam.” (Mt 9,16-17). Nessa passagem o Antigo Testamento, é simbolicamente retratado na roupa velha e no odre velho,
enquanto que o Novo Testamento o é no pano novo e odre novo; só cego não enxerga isso.
Ah! sim... cego guiando cegos...



Cristo não apresentou nenhuma novidade cristã? Ele é a própria novidade cristã, apesar
dos que ainda insistem em seguir a Moisés, mesmo dizendo-se cristãos. Embora tenhamos
citado isso por várias vezes, vale a pena repetir, para provar a incoerência dos bibliólatras de
plantão. Que nos provem que os homens de suas igrejas obrigatoriamente apresentam
atestado médico de que estão com todas “as coisas” no lugar; caso não o exijam, então nos
digam se fazem um exame “in loco” para ver se eles estão “tinindo”... Não é nenhuma
apelação; veja: “Aquele a quem forem trilhados os testículos, ou cortado o membro viril, não
entrará na assembléia do Senhor”. (Dt 23,2). Deveriam seguir esse absurdo, se ele não foi
revogado por Jesus, conforme acreditamos, pois não há revogação expressa. Se não há prova
de que foi revogado, então estão desobedecendo a palavra de Deus, mais uma vez.



6o Erro da Doutrina Espírita Claramente Definido: A negligência em dedicar o sétimo dia
da lei divina — que tem os primeiros quatro mandamentos tratando do aspecto do “amor a
Deus sobre todas as coisas” da “lei áurea” — ao Senhor, enquanto destaca só a segunda parte
dessa “lei áurea”, do “amor ao próximo como a nós mesmos”, embora Jesus tenha atribuído peso
idêntico a ambos os preceitos básicos de Sua lei, com prioridade inclusive ao “amor a Deus sobre
todas as coisas” (Mat. 22:36-40 e 10:37). Sendo que o sábado é indicado como “sinal” entre Deus
e o Seu povo (Êxo. 31:17 e Eze. 20:12, 20), sendo que "sinal" é sinônimo de "selo" (Rom. 4:11), ao
não contarem com tal selo os espíritas não podem identificar-se como pertencendo ao povo de
Deus, especialmente quando negligenciam cumprir outras ordenanças típicas da fé cristã.

O primeiro problema que nos surge é saber exatamente por qual motivo não se deve trabalhar aos sábados. Seria por que foi nesse dia que Deus descansou (Ex 20,8-11)? Ou será por que o povo hebreu foi libertado da escravidão egípcia (Dt 5,15)? E, com relação a esse último fato, o que aconteceu realmente?
Ex 12,39: “... é que, expulsos do Egito, não puderam parar, nem preparar provisões para o caminho”.
Ex 13,17: “Quando o Faraó deixou o povo partir, ...”
Ex 14,5: “Quando comunicaram ao rei do Egito que o povo tinha fugido,...”
Qual das alternativas é a verdadeira? “A verdade não pode existir em coisas que divergem” (S. Jerônimo).


Mas, voltando ao assunto: afinal, qual é o sentido do mandamento de que não se deve trabalhar aos sábados? Vamos encontrar a explicação na necessidade física que o homem tem do descanso para recompor suas energias. Se não fosse colocada como uma lei divina, o homem exploraria o semelhante até a completa exaustão de suas forças, o que, certamente, causaria a sua morte; isso pode ser confirmado com: “Trabalhe seis dias, mas descanse no sétimo, tanto na época do plantio como durante a colheita” (Ex 34,21). Por outro lado, esse dia de descanso permitia que as pessoas pudessem dedicar-se às suas práticas religiosas,
conforme podemos perceber em “...amanhã é sábado, um descanso completo reservado a Javé” (Ex 16,23).
Essa preocupação, sabiamente, não se restringia apenas ao homem, veja:
Ex 23,10-12: “Você, durante seis anos, semeará a terra e fará a colheita. No sétimo
ano, porém, deixe a terra em descanso e não a cultive, para que os necessitados do
povo encontrem o que comer. E os animais do campo comerão o que sobrar. Faça o
mesmo com sua vinha e com seu olival. Durante seis dias, faça seus trabalhos e
descanse no sétimo dia, para que seu boi e seu jumento descansem, e o filho de sua
escrava e o imigrante se refaçam”.
Aqui vemos o cuidado de se dar descanso à terra, aos animais e escravos e imigrantes,
justamente para que se refaçam. Esse problema devia ser muito sério àquele tempo, razão
pela qual Moisés instituiu a penalidade máxima aos infratores: a morte. Do que podemos
concluir que uma lei civil vinha dar respaldo a uma lei natural, embora ferisse o “não matar”;
mas, acreditamos, deveria ser uma necessidade de época uma pena tão forte assim.
Seria interessante também que fossemos buscar o significado da palavra sábado. Com
a palavra Josefo: “o nome sábado, que em nossa língua quer dizer descanso” (JOSEFO, F.
História dos Hebreus, São Paulo: CPAD, 2003, p. 48). Somando-se a isso a fala de Jesus, de
que o sábado foi feito para o homem (Mc 2,27) e que, após seis dias de trabalho um de
descanso (Ex 23,10-12) tanto faz se o dia que descansamos atualmente se chame de sábado
ou de domingo. Mais ainda: se temos que seguir o “Submetam-se todos às autoridades
constituídas, pois não há autoridade que não venha de Deus, e as que existem foram
instituídas por Deus” (Rm 13,1), encontramos aí mais uma forte razão para descansar no
domingo, visto ser algo já instituído pelas autoridades. Na área trabalhista, por exemplo, a CLT
– Consolidação das Leis do Trabalho, estabelece:
Art. 67: Será assegurado a todo empregado um descanso semanal de 24 (vinte e quatro) horas
consecutivas, o qual, salvo motivo de conveniência pública ou necessidade imperiosa do serviço,
deverá coincidir com o domingo, ou no todo ou em parte.
...
Art. 68: O trabalho em domingo, seja total ou parcial, na forma do art. 67, será sempre
subordinado à permissão prévia da autoridade competente em matéria de trabalho.
...
(Vade Mecum – São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007, p. 716).
Então, como diria um togado: “cumpra-se a lei”. Aos que se apegam ao sábado,
repetiremos de Jesus: “Guias cegos! Vocês coam um mosquito, mas engolem um camelo” (Mt
23,24).
Tem horas que crítico diz cada coisa... Veja: “negligenciam cumprir outras ordenanças
típicas da fé cristã”; só que essa tal de “fé cristã”, na qual acredita, certamente, se trata de
algo de cunho pessoal, pois a sua criação se encontra no judaísmo; não no cristianismo. Aliás,
Jesus disse: “O sábado foi feito para servir ao homem, e não o homem para servir ao sábado”
(Mc 2,27), demonstrando que não se apegava à letra que mata.


7o Erro da Doutrina Espírita Claramente Definido: A negação do conceito de “pecado”,
ante a alegação de que os homens é que formulam as suas leis, com o que a idéia de “lei
de Deus” não faz sentido, por serem as leis “restritivas” e detrimentes à liberdade humana. A
Bíblia, porém, ensina que “a lei do Senhor é perfeita e restaura a alma” (Sal. 19:7) e que “pecado é
a transgressão da lei” (1 João 3:4). Tal como as leis de um país nos informam sobre o tipo de
governo que o dirige, a lei de Deus é um transcrito do Seu caráter. Assim como “Deus é amor”,
Sua lei será de amor. E como Deus é justo, Sua lei será a máxima expressão de justiça. Ademais,
a genuína liberdade só existe no respeito à lei divina, pois os que vivem sob a escravidão do erro e
da maldade assim se acham exatamente por desconsiderarem tal lei, daí sofrendo severas
conseqüências. As leis de Deus visam ao nosso melhor bem, e não a nosso prejuízo.

Não sabemos de onde o crítico retirou esse “conceito” de pecado no Espiritismo. De nós
não, pois particularmente não gostamos de usar esse termo, justamente porque cada um tem
um conceito próprio de pecado. Vejamos bem: uma mulher que vende o seu corpo, pode ser
considerada pecadora por muitos; mas ela mesma não se vê assim; e é isso o que importa.
Preferimos falar que, com as nossas ações, nós infringimos as leis divinas, consubstanciadas
no amor a Deus, ao próximo e nós mesmos. E dentro dessa perspectiva sabemos que Deus
não pune eternamente: “O Senhor é misericordioso e compassivo; longânimo e assaz benigno.
Não repreende perpetuamente, nem conserva para sempre a sua ira. Não nos trata segundo
os nossos pecados, nem nos retribui consoante as nossas iniqüidades”. (Sl 103,8-10).
Se formos tomar essa questão ao pé da letra, como ficaríamos diante desse passo?:
“Então descobri que a mulher é mais amarga do que a morte, porque ela é uma armadilha, o
seu coração é uma rede e os seus braços são cadeias. Quem agrada a Deus consegue dela
escapar, mas o pecador se deixa prender por ela” (Ecl 7,26). Diante dele, então, todos os
casados, amasiados, namorados, amigados, etc. são pecadores, sobrando, talvez, somente os
homossexuais masculinos.



Concordamos plenamente que Deus é amor; por isso é que não admitimos qualquer
tipo de pena que não tenha o intuito de recuperar o infrator, porquanto é inadmissível
considerar que Deus seja pior que o ser humano, que na sua evolução está buscando trazer de
volta, ao seio da sociedade, os seus criminosos.
O homem infelizmente ainda não percebeu o tamanho de sua insignificância; por isso
acredita que pode, com seus atos, atingir a Deus. Será que um ser limitado conseguirá ofender
a um ser infinito? Veja a resposta que encontramos: “Sua maldade só pode afetar outro
homem igual a você. Sua justiça só atinge outro ser humano como você” (Jó 35,8). Em outras
palavras: “Deus não pode ser ofendido por um ser humano”; somente um ser que Lhe fosse
semelhante poderia atingi-Lo; mas, como sabemos que só “há um Deus” (Rm 3,30), então
nenhum ser que existe O atingirá.

Analisemos algumas passagens:
2Mc 6,13: “É sinal de grande bondade não deixar por muito tempo sem castigo aqueles
que cometem injustiça, mas aplicar-lhes logo a merecida punição”.
Se é sinal de grande bondade castigar aos que cometem injustiça, mais ainda quando o
castigo visa recuperá-lo.
Jó 5,7: “É o homem que gera seu próprio sofrimento, como as faíscas voam para cima”.
É fato, pois nada atinge a Deus. As nossas ações somente afetam as leis divinas, que,
por sua vez, têm dispositivos para fazer com o próprio infrator se reconcilie com elas.
Jó 5,17: “Feliz o homem a quem Deus corrige”.
Jó 33,19: “Às vezes, Deus corrige o homem também com o sofrimento na cama,...”
Pv 3,12: “Porque Javé corrige aqueles que ama, como o pai corrige o filho preferido”.
Eclo 18,13: “Ele repreende, corrige, ensina e dirige, como o pastor conduz o seu
rebanho”.
Eclo 30,2: “Quem corrige o próprio filho, depois terá satisfação, e ficará orgulhoso dele
na frente dos conhecidos”.
Hb 12,6: “Pois o Senhor corrige a quem ele ama e castiga a quem aceita como filho".
A idéia de corrigir presume que a intenção seja fazer com que a pessoa passe a agir de
forma correta, deixando o comportamento equivocado de lado. Com o castigo eterno isso,
certamente, não ocorre. Muito menos com a pena de morte, prevista na lei de Moisés.
Sb 11,22-24: “O mundo inteiro diante de ti é como grão de areia na balança, como
gota de orvalho matutino caindo sobre a terra. Todavia, tu tens compaixão de todos,
porque podes tudo, e não levas em conta os pecados dos homens, para que eles se
arrependam. Tu amas tudo o que existe, e não desprezas nada do que criaste. Se
odiasses alguma coisa, não a terias criado”.
Sb 12,1-2: “O teu espírito incorruptível está em todas as coisas. Por isso, castigas com
brandura os que erram. Tu os admoestas, fazendo-os lembrar os pecados que
cometeram, para que, afastando-se da maldade, acreditem em ti, Senhor”.
Mandar para um inferno eterno é compaixão? É castigar com brandura? Estaria não
levando em conta os pecados do homem? Seria sinal de amor ou de ódio? Percebe-se, então,
que essa idéia de pena eterna é produto de mentes atrasadas que, sem qualquer
constrangimento, transferiram a Deus tal atitude absurda, incompatível com o amor e
misericórdia infinitos, mas que acalentam em seu íntimo.
Provavelmente o crítico venha com o argumento de que alguns livros não constam da
Bíblia usada por ele. Então, por favor, que nos prove que a dele é a verdadeira e não a
utilizada pelos católicos, pois, até onde sabemos, “a verdade não pode existir em coisas que
divergem” (S. Jerônimo).


8o Erro da Doutrina Espírita Claramente Definido: A não-adoção de sacramentos cristãos
típicos e claramente instituídos ou endossados por Jesus Cristo, como o batismo e a Santa
Ceia, confirmados por Paulo como essenciais para a expressão da fé no que Cristo realizou por
nós, dedicação e reconsagração de vida segundo o Novo Caminho indicado na Palavra de Deus
que é assumido por aquele que crê.



Engraçado é que sempre está apelando para o “teor global”; mas somente naquilo que
lhe interessa, embora nunca o tenha especificado; por que aqui não o evocou? Pois, a termos
que seguir tudo quanto consta na Bíblia, então deveria, por coerência, não pedir a todos os
fiéis que vendam seus bens e doem à comunidade, como também em relação aos seus, com a
mesma finalidade, conforme se fazia no cristianismo primitivo (At 2,45). Aliás, seria um bom
argumento para os que advogam o comunismo como o melhor sistema político.
O que se pode bem perceber do conjunto do Novo Testamento é que a moral de Jesus
se resume no Sermão da Montanha (Mt 5, 6 e 7). Jesus nunca pregou ritual nenhum (Jo 4,21-
23; Mt 15,6); nem mesmo fazia questão de seguir os existentes no judaísmo.
A exceção fica por conta da Ceia da Páscoa, na qual Jesus fez questão de comemorar
com os seus discípulos, como uma festa de despedida, segundo o que se pode deduzir das
narrativas. Não podemos, portanto, afirmar que Jesus tenha instituído a “santa ceia”, já que
apenas cumpria um ritual judaico.
A passagem que usam para sustentar tal hipótese é a de Lucas:
Lc 22,14-20: “14. Quando chegou a hora, Jesus se pôs à mesa com os apóstolos. 15. E
disse: "Desejei muito comer com vocês esta ceia pascal, antes de sofrer. 16. Pois eu
lhes digo: nunca mais a comerei, até que ela se realize no Reino de Deus." 17. Então
Jesus pegou o cálice, agradeceu a Deus, e disse: "Tomem isto, e repartam entre vocês;
18. pois eu lhes digo que nunca mais beberei do fruto da videira, até que venha o Reino
de Deus." 19. A seguir, Jesus tomou um pão, agradeceu a Deus, o partiu e distribuiu a
eles, dizendo: "Isto é o meu corpo, que é dado por vocês. Façam isto em memória de
mim." 20. Depois da ceia, Jesus fez o mesmo com o cálice, dizendo: "Este cálice é a
nova aliança do meu sangue, que é derramado por vocês”.
As narrativas de Mateus e Marcos seguem a de Lucas até o versículo 18. Sobre os
versículos 19 e 20, temos que “Lc 22:19b-20 não fazia parte do texto original de Lucas”.
(FLUSSER, vol. I, 2000, p. 227). Vejamos o que colocamos no nosso texto “Eucaristia: Jesus a
instituiu?”, no qual trabalhamos mais o tema:



Pesquisando sobre o assunto, encontramos o autor Bart D. Ehrman, considerado
a maior autoridade em Bíblia do mundo, dizendo:
[...] Em um de nossos mais antigos manuscritos gregos, assim como em vários
testemunhos latinos, temos:
E tomando o cálice, dando graças, ele disse: “Tomai-o, reparti-o entre vós, pois eu vos
digo que não beberei do fruto da vinha a partir de agora, até que venha o reino de Deus”.
E tomando o pão, dando graças, ele o partiu e o deu a eles, dizendo: “Isto é o meu
corpo... Mas vede que a mão daquele que me trai está comigo nesta mesa” (Lucas 22,17-
19).
Contudo, na maioria de nossos manuscritos, há um acréscimo ao texto, que soará
familiar a muitos leitores da Bíblia, visto que se assentou nas traduções modernas. Ali,
depois que Jesus diz: “Isto é meu corpo”, ele continua dizendo as palavras: “'Que foi dado
por vós; fazei isto em memória de mim', e fez o mesmo com o cálice após a refeição,
dizendo: 'Este cálice é a nova aliança em meu sangue derramado por vós'”.
Estas são as palavras, muito familiares, da “instituição” da Ceia do Senhor, registradas
também sob uma forma muito similar na primeira carta de Paulo aos Coríntios (1 Coríntios
11,23-25). A despeito do fato de serem tão familiares, há boas razões para pensar que
esses versículos não estavam no original do Evangelho de Lucas, mas que foram
acrescentados para ressaltar que foram o corpo partido e o sangue derramado de Jesus
que trouxeram a salvação “para vós”. [...]
Além do mais, não se pode deixar de notar que os versículos, por mais familiares que
sejam, não representam a própria compreensão que Lucas demonstra ter da morte de
Jesus. É uma característica surpreendentemente do retrato que Lucas faz da morte de
Jesus – por mais estranho que isso seja à primeira vista – que ele nunca, em nenhuma
outra passagem, indica que a morte em si seja o que traz a salvação do pecado. Em
nenhum outro lugar de toda a obra em dois volumes de Lucas (Lucas e Atos dos
Apóstolos), se diz que a morte de Jesus foi “por vós”. De fato, nas duas ocasiões em que
a fonte de Lucas (Marcos) indica que foi por meio da morte de Jesus que veio a salvação
(Marcos 10,45; 15,39), Lucas mudou a disposição do texto (ou o eliminou). Em outros
termos, Lucas tem uma compreensão diferente da forma com que a morte de Jesus
conduz à salvação, diferente da de Marcos (da de Paulo e da de outros escritores cristãos
antigos). (EHRMAN, 2006, p. 175-176).
Assim, dentro da visão desse autor, o texto ao qual se apegam para justificar a
eucaristia não é outra coisa senão uma adulteração dos originais bíblicos.


Quanto ao batismo, seria totalmente estranho que Jesus o tivesse instituído, porquanto
nem mesmo era um ritual de iniciação do judeu, que, conforme sabemos, era a circuncisão.
Outro detalhe é que Jesus, quando vivo, nada recomendou sobre isso, só vindo a “aparecer”
depois de sua morte. Mas, estudiosos bíblicos nos dão conta que tal passagem (Mt 28,16-20) é
uma interpolação; por nossa conta diremos: vergonhosa interpolação. Vejamos o que
colocamos em nosso texto “O Ritual do Batismo”:


O historiador e professor da Universidade Hebraica de Jerusalém, David Flusser
(1917-2000), que lecionou no Departamento de Religião Comparada por mais de 50
anos, nascido na Áustria, foi estudioso da literatura clássica e talmúdica, conhecia 26
idiomas, informa que:
De acordo com os manuscritos de Mateus que foram preservados, o Jesus
ressuscitado ordenou aos seus discípulos batizar todas as nações “em nome do Pai e do
Filho e do Espírito Santo”. A fórmula trinitária franca, aqui, é de fato notável, mas já foi
mostrado que a ordem para batizar e a fórmula trinitária faltam em todas as citações das
passagens de Mateus nos escritos de Eusébio anteriores ao Concílio de Nicéia. O texto
de Eusébio de Mt 28:19-20 antes de Nicéia era o seguinte: “Ide e tornai todas as nações
discípulas em meu nome, ensinando-as a observar tudo o que vos ordenei”. Parece que
Eusébio encontrou essa forma do texto nos códices da famosa biblioteca cristã em
Cesaréia.75 Esse texto mais curto está completo e coerente. Seu sentido é claro e tem
seus méritos óbvios: diz que o Jesus ressuscitado ordenou que seus discípulos
instruíssem todas as nações em seu nome, o que significa que os discípulos deveriam
ensinar a doutrina de seu mestre, depois de sua morte, tal como a receberam dele.
(FLUSSER, vol. II, 2001, p, 156).
É importante transcrevermos também a nota 75, em que Flusser coloca sua base
de informação:
75 Ver D. Flusser, "The Conclusion of Matthew in a New Jewish Christian Source",
Annual of the Swedish Theological lnstitute, vol. V, 1967, Leiden, 1967, p. 110-20;
Benjamin J. Hubbard, “The Matthean Redaction of a Primitive Apostolic Commissioning",
SBL, Dissertation Series 19, Montana, 1974. Mais testemunho da conclusão não-trinitária
de Mateus está preservado num texto copta (ver E. Budge, Miscelleaneous Coptic Texts,
Londres, 1915, p. 58 e seguintes, 628 e 636), onde é descrita uma controvérsia entre
Cirilo de Jerusalém e um monge herético. "E o patriarca Cirilo disse ao monge: 'Quem te
mandou pregar essas coisas?' E o monge lhe disse: 'O Cristo disse: Ide a todo o mundo e
pregai a todas as nações em Meu nome em cada lugar". O texto é citado por Morcon
Smith, Clement of Alexandria and a Secret Cospel of Mark, Harvard University Press,
Cambridge, Mass, 1973, p. 342-6. (FLUSSER, vol. II, 2001, p. 170).
Na seqüência, Flusser diz que...
“um testemunho adicional das versões mais curtas de Mt 28:19-20a foi descoberto há pouco
tempo numa fonte judeu-cristã...” (FLUSSER, 2001, p. 156), citando como fonte: Sh. Pinès, “The
Jewish Christians of the Early Centuries of Christianity According to a New Source”, The Israel
Academy of Sciences and Humanities Proceedings, vol. II, nº 13, Jerusalém, 1966, p. 25.
(FLUSSER, vol. II, 2001, p. 170).



Então, fica aí demonstrado de forma clara que a passagem, pela qual justificam o batismo, é uma interpolação.
Tivemos que agrupar os três itens abaixo, porquanto, estavam juntos numa só fala, quando ainda apresentava os “dez erros da DE”.

9o Erro da Doutrina Espírita Claramente Definido: A negação da existência de Satanás e
demônios a seu serviço, o que torna a Jesus um mentiroso, pois Ele deu testemunho claro
da existência de tal ser ao dizer: “Eu via Satanás, como raio, cair do céu” (Luc. 10:18), além dos
muitos relatos bíblicos de Seus confrontos com demônios que expulsava de vitimados por seu
domínio, bem como o relato de Sua tentação no deserto, relatada por diferentes evangelistas,
quando confrontou o diabo e o derrotou à base do Sola Scriptura. O “está escrito” foi a grande
arma de Cristo, não realizações sobrenaturais, de que Ele poderia tranqüilamente valer-Se (ver
Mateus 4 e Lucas 4).
10o  Erro da Doutrina Espírita Claramente Definido: A negação do castigo eterno aos
pecadores impenitentes, já que se prega uma idéia de evolução constante pela qual os
indivíduos aprenderão com os erros de uma vida para corrigi-los numa próxima existência, assim
evoluindo na sua jornada pelas várias vidas mediante a reencarnação, com o que os malfeitos se
eliminam gradualmente. Jesus, porém, advertiu: “Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta,
e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela” (Mat. 7:13). E
a linguagem de condenação eterna dos que forem até o fim sem se arrepender é claríssima em
muitas passagens tanto do Velho quanto do Novo Testamento. O próprio Cristo anunciou que no
final haverá a ressurreição da vida e a ressurreição da condenação, e que os que não aceitarem a
oferta de Salvação propiciada por Deus Nele irão perecer, pois “quem crê e for batizado, será
salvo; quem não crê, será condenado” (João 5:28, 29 e Mar. 16:16).
11o Erro da Doutrina Espírita claramente definido: A tese de salvação universal, noção
que não inspira ninguém a crescer espiritualmente, já que sempre se pode deixar para
depois o devido preparo e progresso ético, moral, espiritual, sendo que no final todos terão o 11º
mesmo destino, mais cedo ou mais tarde chegando lá. Jesus não disse para ninguém conformarse
em ser um cristão “mais ou menos” e sim desafiou a todos: “Sede vós perfeitos, como é perfeito
o vosso Pai que está nos céus” (Mat. 5:48)





O que questionamos é: tudo quanto se tem no Evangelho deve ser tomado ao pé da letra? Seria interessante que buscássemos algum texto no contexto bíblico para ver isso.
Vejamos, então, Zacarias em sua quarta visão:
Depois Javé me fez ver Josué, o chefe dos sacerdotes, parado na frente do anjo de Javé. E Satanás estava em pé, à direita de Josué, para acusá-lo. E o anjo falou a Satanás: "Que Javé segure você, Satanás, que Javé o segure, pois ele escolheu Jerusalém. Esse aí não é, por acaso, um tição tirado do fogo?" Josué
estava vestido com roupas sujas e parado na frente do anjo. (Zc 3,1-3)
Ora, percebe-se claramente que satanás não é um ser dedicado ao mal, mas um que exerce a função de acusar as pessoas perante o tribunal divino; seria uma espécie de promotor. Na passagem em que Jesus chama Pedro de satanás, não o estava dizendo um ser diabólico, mas alguém que estava, no momento, querendo desviá-lo de sua missão; por isso o acusa de pedra de tropeço.
Mas, se quer tomar tudo ao pé da letra, então vamos seguir a narrativa: “Vejam: eu dei a vocês o poder de pisar em cima de cobras e escorpiões e sobre toda a força do inimigo, e nada poderá fazer mal a vocês." (Lc 10,19). Então, poderia se submeter a um teste pisando em cobras e escorpiões para ver se nada lhe atinge como está dito aqui? Segundo Marcos (16,17), esses são os sinais que acompanharão aqueles que acreditarem.
Quanto ao “castigo”, bem entre aspas, nós não o negamos, pois a regra é: “a cada um
segundo suas obras” (Mt 16,27); só que isso acontecerá todas as vezes que voltarmos ao
mundo espiritual; o do final dos tempos, entendemos, é aquele julgamento em que todos os
espíritos serão julgados para separar o joio do trigo, na época em que Jesus determinar que os
maus devam ser afastados deste planeta para mundos inferiores, onde “haverá prantos e
ranger de dentes” (Mt 8,12), pois os “mansos irão possuir a Terra” (Mt 5,5). A grande
diferença entre o “castigo” em que acreditamos e o em que os adventistas acreditam é que,
pelo nosso entendimento, se paga até o último ceitil (Mt 5,26); e uma vez pago estaremos
livres da dívida, de forma tal que nenhuma das ovelhas se perderá (Mt 18,14), ao contrário do
pensamento adventista em que não há possibilidade alguma de remissão do erro. Entendemos
por “castigo” apenas o resultado decorrente do funcionamento da lei de causa e efeito, pela
qual respondemos, na própria “pele”, pelo mal praticado contra o próximo; quer dizer, ele é
fruto de nossas próprias ações.
Mentiroso se tornará Jesus se não acreditarmos que poderemos ser perfeitos. O que
acontece à nossa volta, em nosso dia-a-dia, deixa isso como praticamente impossível em uma
só existência na Terra; daí outras vidas serem necessárias para que possamos atingir essa
meta. Evolução constante e infinita, até podermos estar juntos ao Pai; esta é a regra.
Certamente, isso, ainda, não desperta os valores morais nas criaturas, devido a seu atraso
espiritual; entretanto, o fogo do inferno também continua não fazendo grandes coisas, apesar
de estar sendo pregado nas igrejas por dois mil anos. Aliás, pena inócua para muitos, já que,
pelo simples fato de acreditarem em Jesus, ou pelo fato dele ter morrido na cruz, acham que
isso lhes garante um lugar no reino dos céus, o que contraria e torna inúteis os ensinamentos
do Mestre.

O crítico sempre apela para “coisas pagãs”, tentando ridicularizar algum princípio de crença alheia, mas finge de bobo em relação a muitas coisas que se encontram na Bíblia, que, sabidamente, têm origem no paganismo, como, por exemplo, o tal de satanás, demônio e lúcifer. Vejamos:

SATANÁS
Satanás é uma figura muito controvertida na Bíblia. A palavra "Satã" significa em hebraico
"acusador", "opositor". Aparece, pela primeira vez no livro de Jó, sendo como um promotor
celestial. A sua intimidade com Deus e o direito de entrar no "Céu", de ir e vir livremente e dialogar
com Ele, torna-o uma figura de muito destaque. Veja o livro de Jó 1:6 "Um dia em que os filhos de
Deus se apresentaram diante do Senhor, veio também Satanás entre eles".
O livro de Jó foi escrito depois do Exílio Babilônico. Sabemos que o povo judeu, tendo
retornado a Israel com a permissão de Ciro, rei persa, no ano 538 a.C., assimilou muitos costumes
dos persas. Isto ocorreu devido à simpatia e apoio que receberam do rei, que inclusive permitiu a
construção do Segundo Templo judaico e ainda devolveu muitos de seus tesouros, que haviam
sido roubados. A religião dos persas, o Zoroastrismo, influenciou sobremaneira o judaísmo. No
Zoroastrismo, existe o Deus supremo Ahura-Mazda, que sofre a oposição de uma outra força
poderosa, conhecida como Angra Mainyu, ou Ahriman, "o espírito mau". Desde o começo da
existência, esses dois espíritos antagônicos têm-se combatido mutuamente.
O Zoroastrismo foi uma das mais antigas religiões a ensinar o triunfo final do bem sobre o
mal. No fim, haverá punição para os maus, e recompensa para os bons. E foi do Zoroastrismo que
os judeus aprenderam a crença em um Ahriman, um diabo pessoal, que, em hebraico, eles
chamaram de SATAN - Por isso, o seu aparecimento na Bíblia só ocorre no livro de Jó e nos
outros livros escritos após o exílio Babilônico, do ano 538 a.C. para cá. Nestes livros já aparece a
influência do Zoroastrismo persa. Observe ainda que a tentação de Adão e Eva é feita pela
serpente e não por Satanás, demonstrando assim que o escritor do Gênesis não conhecia
Satanás. Os sábios judaicos, interpretando o Eclesiastes 10:11, afirmam (Pirkei de Rabi Eliezer
13) que, na verdade, a cobra que seduziu Adão e Eva era o Anjo Samael, que apareceu na terra
sob a forma de serpente. Ele, que é conhecido como o "dono da língua", usou sua língua para
seduzir Adão e Eva ao pecado. O poder do mal está em sua língua, e este poder pode ser usado
somente para dominar o sábio. Ele não pode prevalecer sobre um ignorante.
Uma outra observação interessante é que o livro de Samuel foi escrito antes da influência
persa no ano de 622 a.C. e, no II livro de Samuel em seu capítulo 24:1, você lê com relação ao
recenseamento de Israel o seguinte: "A cólera de IAHVÉH se inflamou novamente contra Israel e
excitou David contra eles, dizendo-lhe: Vai recensear Israel e Judá".
Agora veja esta mesma passagem no I livro das Crônicas, que foi escrito no começo do ano
300 a.C., portanto, já sob a influência do Zoroastrismo persa, com o já conhecimento de
Ahriman/Satanás. No capítulo 21:1 desse livro está escrito: "e levantou-se Satã contra Israel, e
excitou David a fazer o recenseamento de Israel". Portanto, o que era IAHVÉH no livro de Samuel
aparece agora no livro das Crônicas como SATANÁS (Confira em sua Bíblia).
Assim, está evidenciado que Satanás não é um conceito original da Bíblia, e sim,
introduzido nela, a partir do Zoroastrismo Persa.
Passa a existir a partir daí, "uma lenda" entre o povo judeu de que Satanás é considerado
como o rei dos demônios, que se rebelara contra Deus sendo expulso do céu. Ao exilar-se do céu,
levou consigo uma hoste de anjos caídos, e tornou-se seu líder. A rebelião começou quando ele,
Satanás, o maior dos anjos, com o dobro de asas, recusou prestar homenagem a Adão. Afirmam
ainda que esteve por trás do pecado de Adão e Eva, no Jardim do Éden, mantendo relação sexual
com Eva, sendo portanto, pai de Caim. Ajudou Noé a embriagar-se com vinho e tentou persuadir
Abraão a não obedecer a Deus no episódio do sacrifício do seu filho Isaac.
Muitas pessoas acreditam muito no poder de Satanás e até o enaltecem em suas igrejas,
razão pela qual achamos que seriam fechadas muitas igrejas se os seus dirigentes deixassem de
acreditar em Satanás.
Para seu maior esclarecimento, Kardec faz uma observação sobre Satanás que
descrevemos a seguir: "com relação a Satanás, é evidentemente a personificação do mal sob uma
forma alegórica, pois não se poderia admitir um ser mau a lutar, de potência a potência, com a
Divindade e cuja única preocupação seria a de contrariar os seus desígnios. Precisando o homem
de figuras e de imagens para impressionar a sua imaginação, ele pintou os seres incorpóreos sob
uma forma material, com atributos lembrando suas qualidades e seus defeitos". E conclui:
"Modernamente, os anjos ou Espíritos puros são representados por uma figura radiosa, com asas
brancas, símbolo da pureza; Satanás com dois chifres, garras e os atributos da animalidade,
emblema das paixões inferiores. O vulgo, que toma as coisas pela letra, viu nesses emblemas um
indivíduo real, como outrora vira Saturno na alegoria do Tempo".
Precisamos compreender e acreditar na misericórdia divina e no amor de Deus por nós. Um
Deus onisciente, onipresente, infinitamente justo e bom e sobretudo AMOR, que jamais colocaria
entre nós, suas criaturas, alguém com os atributos que o homem colocou em Satanás.
DEMÔNIOS
Para nós, Espíritas, a lógica e os espíritos superiores esclarecem que o demônio não
existe. Como exemplo esclarecedor temos a questão 131 do livro dos Espíritos: "Se houvesse
demônios, eles seriam criação de Deus, e Deus seria justo e bom se tivesse criado seres
devotados eternamente ao mal e infelizes? Se há demônios, eles habitam em teu mundo inferior e
em outros semelhantes. São esses homens hipócritas que fazem de um Deus justo, um Deus mau
e vingativo e crêem lhe serem agradáveis pelas abominações que cometem em seu nome".
A palavra demônio não implica na idéia de Espírito mau senão na sua significação
moderna, porque a palavra grega Daimon, da qual se origina, significa, "Deus", "poder divino",
"gênio", "inteligência", e se emprega para designar os seres incorpóreos, bons ou maus, sem
distinção.
Segundo a significação vulgar, a palavra "demônios" significa seres essencialmente
malfazejos e seriam, como todas as coisas, criação de Deus. Ora, Deus que é soberanamente
justo e bom não pode ter criado seres predispostos ao mal por sua natureza e condenados por
toda a eternidade. Se não são obras de Deus, seriam, pois, como Ele, de toda a eternidade, ou
então haveria várias potências soberanas.
Ainda segundo Kardec, a primeira condição de toda doutrina é de ser lógica. Ora, a dos
demônios, em seu sentido absoluto, peca por essa base essencial.
Compreende-se que, na crença dos povos atrasados, que não conheciam os atributos de
Deus, fossem admitidas as divindades malfazejas, como também os demônios, mas, é ilógico e
contraditório, para aqueles que fazem da bondade de Deus um atributo por excelência, suporem
que Ele possa ter criado seres devotados ao mal e destinados a praticá-lo perpetuamente. Isso
seria negação da bondade divina. Os partidários da doutrina dos demônios se apóiam nas
palavras do Cristo. Mas estarão bem certos do sentido que Ele dava à palavra demônio? Não
sabemos que a forma alegórica era um dos caracteres distintivos da Sua linguagem? Tudo que o
Evangelho contém deve ser tomado ao pé da letra? Não seremos nós quem contesta a autoridade
dos Seus ensinamentos, pois desejamos vê-los mais no coração do que na boca dos homens. Não
precisamos de outra prova além desta passagem:
Logo após esses dias de aflição, o Sol obscurecerá e a lua não derramará mais sua
luz, as estrelas cairão do céu e as potências celestes serão abaladas (...) Digo-vos, em
verdade, que esta geração não passará sem que todas estas coisas se tenham cumprido.
(Mateus 24:29 e 35)
Não temos visto a forma do texto bíblico ser contraditada pela Ciência no que se refere à
Criação e ao movimento da Terra? Não pode ocorrer o mesmo com certas figuras empregadas
pelo Cristo, que devia falar de acordo com os tempos e os lugares? O Cristo não poderia dizer,
conscientemente, uma coisa falsa. Assim, pois, se em suas palavras há coisas que parecem
chocar a razão, é porque não as compreendemos ou as interpretamos mal.
Os homens acreditaram ser os anjos entes perfeitos por toda eternidade e tomaram os
Espíritos inferiores por seres perpetuamente maus. No entanto, pela palavra demônio, devemos
entender como sendo os Espíritos impuros que, freqüentemente, não valem mais do que as
entidades designadas por esse nome, e com a diferença de que seu estado é transitório. São,
portanto, os Espíritos imperfeitos que murmuram contra as provas que devem suportar e que, por
isso, suportam-nas por mais tempo: chegando, porém, por seu turno, a saírem desse estado,
quando o quiserem. Poder-se-ia aceitar então a palavra "demônio" com esta restrição. Nesse
sentido exclusivo, poderia induzir ao erro, fazendo crer na existência de seres criados para o mal.
LÚCIFER
Do latim lux + fero = que traz luz, que dá claridade, luminoso.
O Versículo 12 do capítulo 14 de Isaías deu origem à palavra Lúcifer quando da tradução
da Vulgata. Alguns teólogos citam ainda Ezequiel 37:2-11 como referentes a ele. No entanto, nos
textos da Bíblia hebraica e grega, esta palavra (Lúcifer) não aparece. Vejamos uma tradução
apurada do original hebraico:
"Como caíste dos céus, estrela filha da manhã. Foste atirada na terra como
vencedora das nações"
O texto grego, em Isaías 14:12, que originou as palavraa no latim foi "ró eosfóros" (a luz
matutina, astro brilhante) e "ró proi anatelon" (nascida da manhã). Veja agora o versículo no
latim, onde São Jerônimo coloca a palavra Lúcifer: "quomodo cecidisti de caelo LUCIFER (astro
brilhante, ou luz matutina) qui mane oriebaris corruisti in terram qui vulnerabas gentes". Que
significa "Como caíste do céu, ó estrela d'alva, filha da aurora! Como foste atirada à terra,
vencedora das nações".
Assim, fica constatado que o termo é latino, e lançado por São Jerônimo, quando da
tradução da Vulgata, no século III da era Cristã. Alguns tentam ligar esta passagem ao Apocalipse
8,10 como sendo aí a queda de Lúcifer, mas a história de que seria o chefe dos anjos caídos,
citados na II epístola de Pedro 2:4 e Judas 6, não tem fundamento comprovado no Antigo
Testamento, como podemos observar.
O capítulo 14 de Isaías do versículo 3 ao 22 refere-se a queda e destruição do rei
Nabucodonosor da Babilônia. Foram os padres e teólogos da igreja católica que lançaram o
versículo 14:12 como sendo referente a queda do príncipe dos demônios Lúcifer. Uma vez mais
nos deparamos com a questão das traduções, dos folclores e das crenças pessoais! (SILVA, 2001,
p. 277-283).

Acrescentamos, para corroborar, essa fala de Owen:

Demônio
Temos razão para concluir que o próprio Cristo não acreditava num demônio pessoal.
Quando ele empregava a palavra demônio ou satanás, queria comumente falar dos erros e
maldades do homem ou, ainda, de uma, baixa condição espiritual (14). Assim, diz a Pedro: "Retirate de diante de mim, Satanás" (15); e falando de Judas Iscariote: "Um de vós é o demônio." (16)
Ainda no caso do homem possesso, diz: "Espírito impuro, sai desse homem!" (17). Não há aí
nenhuma palavra de exprobração ao atormentado, nenhuma insinuação de haver ele feito algum
pacto com o príncipe das trevas; afirma, simplesmente, que um Espírito ou Espíritos tinham
conseguido apossar-se da criatura infeliz e, em virtude do poder de que se havia assenhoreado,
ele afastava do corpo o Espírito que atormentava a vítima. Quando ele previne aos discípulos
contra as ciladas e males futuros, o aviso não se refere a um demônio que os possa tentar para
que lhe vendam alma em troca de riquezas mundanas ou de diabólicos poderes para o mal, mas
aos falsos profetas que produziriam prodígios e maravilhas, capazes de seduzir mesmo aos mais
orientados (18).
Era uma prevenção contra os homens maus e não contra anjos decaídos; um aviso
encerrando a necessária lição de que os prodígios e maravilhas não são atestados infalíveis da
verdade moral. Assim, há mil e oitocentos anos, por suas palavras e atos, o Cristo se manifestava
a respeito de tudo o que há de verdade nos encantamentos, feitiçarias, magias, nigromâncias, ou
qualquer outro nome que se queira dar aos imaginários pactos do homem com, Satanás. Ele
conhecia que os Espíritos de condição inferior, ocasionalmente apossando-se de homens e
mulheres, causavam o que chamamos uma enfermidade espiritual; e ensinava aos apóstolos e
aos setenta discípulos os meios de curá-la, porque o poder que eles tinham de exorcismar era
inferior ao seu. (19). Quando encontrava outros que não eram discípulos, mas seguiam a mesma
prática, aprovava o que faziam. (20).
Que milhares de vidas se teriam salvado, que inúmeras torturas, de alma e corpo se teriam
evitado se o mundo cristão tivesse conhecido o pensamento e seguido o exemplo do Cristo?
________________
(14) Lucas - X, 18.
(15) Marcos - VIII, 33.

(16) João - VI, 70.
(17) Marcos V, 8.
(18) Marcos - XII, 22.
(19) Mateus – XII, 19 e 20.
(20) Marcos – IX, 38 e 39.
(OWEN, 1982, p. 159-161).


Analisemos a passagem de Lucas que foi citada:
Lc 10,17-20: “Os setenta e dois voltaram muito alegres, dizendo: "Senhor, até os
demônios obedecem a nós por causa do teu nome." Jesus respondeu: "Eu vi Satanás
cair do céu como um relâmpago. Vejam: eu dei a vocês o poder de pisar em cima de
cobras e escorpiões e sobre toda a força do inimigo, e nada poderá fazer mal a vocês.
Contudo, não se alegrem porque os maus espíritos obedecem a vocês; antes, fiquem
alegres porque os nomes de vocês estão escritos no céu."
Foi necessária a transcrição do versículo anterior e dos dois posteriores ao que ele cita,
para que o entendimento não fosse deturpado. E somos nós quem pegamos textos isolados...
No início, o texto fala em demônios, ao final os trata como maus espíritos, dando-nos o
entendimento que os dois termos se referem à mesma coisa. Nós, os espíritas, concordamos
com isso, embora, no nosso dia-a-dia, tratemos tudo como espíritos maus, porque a palavra
demônio leva as pessoas a pensar na existência de um ser mal, em eterna luta contra Deus, o
que é absurdo. Quanto ao “eu vi satanás cair”, certamente que Jesus não deve ter falado isso,
porquanto, ele não é um ser; mas uma função ou alguém que está se tornando um adversário,
conforme, podemos ver que até a Pedro, Jesus chama de satanás (Mc 8,33). Outra coisa: é a
única passagem em toda a Bíblia que fala disso.

A incoerência anda solta se Jesus foi mesmo tentado pelo demônio. Se isso, de fato, ocorreu, então estamos em sérios apuros, porquanto, ao aceitarem Jesus como sendo Deus, essa ocorrência não condiz com: “...Deus não é tentado a fazer o mal...” (Tg 1,13).
Segundo ponto: castigo eterno. Nós o vemos totalmente incompatível com:
Sl 103,8-10: “O Senhor é misericordioso e compassivo; longânimo e assaz benigno.
Não repreende perpetuamente, nem conserva para sempre a sua ira. Não nos
trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui consoante as nossas iniqüidades”.
Ez 33,11: “Não sinto nenhum prazer com a morte do injusto. O que eu quero é que ele
mude de comportamento e viva”.
Em Deuteronômio encontramos essa interessante passagem:
“Quando houver demanda entre dois homens e forem à justiça, eles serão julgados,
absolvendo-se o inocente e condenando-se o culpado. Se o culpado merecer açoites, o
juiz o fará deitar-se no chão e mandará açoitá-lo em sua presença, com número de
açoites proporcional à culpa. Podem açoitá-lo até quarenta vezes, não mais; isso para
não acontecer que a ferida se torne grave, caso seja açoitado mais vezes, e seu irmão
fique marcado diante de vocês”. (Dt 25,1-3).


Merecem comentários:
1.“absolvendo-se o inocente”: isto significa que não se deve condenar um inocente.
2.“condenando-se o culpado”: por questão de justiça o culpado deverá ser condenado.
3.“se o culpado merecer açoites”: sinal que pode haver situação especial em que o culpado não mereça receber um castigo; uma repreensão poderia, talvez, ser mais útil.
4.“o juiz... mandará açoitá-lo em sua presença”: a presença pessoal do Juiz indica a necessidade de se ter certeza do cumprimento da pena, se o culpado a merecer.
5.“com número de açoites proporcional à culpa”: sendo o castigo proporcional à culpa, significa que não poderá haver pena igual para todos os tipos de infração à lei.
6.“podem açoitá-lo até quarenta vezes, não mais”: significa, incontestavelmente, que tudo tem um limite, que a pena não poderá ser eterna, muito menos de morte, já que a pena deve ser efetiva, mas não definitiva.

No livro de Isaías, lemos: “Se absolvermos o malvado, ele nunca aprende a justiça; sobre a terra ele distorce as coisas direitas e não vê a grandeza de Javé”. Com se vê, a idéia central da passagem é contrária ao entendimento do “perdão pela fé”, na forma como pensam alguns, já que nela é dito ser necessário “castigar” o culpado, para que ele, efetivamente, possa aprender a justiça.
Jesus, ao dizer “daí não sairá, enquanto não pagar até o último centavo” (Mt 5,26) e “O patrão indignou-se, e mandou entregar esse empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida” (Mt 18,34), deixa claro que até pagar a dívida ou o último centavo seria o tempo em que o devedor ficaria preso ou entregue aos torturadores; não mais que isso, abolindo, portanto, a idéia do inferno eterno.
Vejamos a passagem citada de João; mas vamos transcrevê-la de um ponto anterior, para um melhor entendimento.

Jo 5,25-29 “Eu garanto a vocês: está chegando, ou melhor, já chegou a hora em que
os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus: aqueles que ouvirem sua voz, terão a
vida. Porque assim como o Pai possui a vida em si mesmo, do mesmo modo ele
concedeu ao Filho possuir a vida em si mesmo. Além disso, ele deu ao Filho o poder de
julgar, porque é Filho do Homem. Não fiquem admirados com isso, porque vai chegar
a hora em que todos os mortos que estão nos túmulos ouvirão a voz do Filho, e
sairão dos túmulos: aqueles que fizeram o bem, vão ressuscitar para a vida; os que
praticaram o mal, vão ressuscitar para a condenação”.


Curioso que nesse passo foi dito “já chegou a hora”; depois, parece que mudou de idéia
para dizer “porque vai chegar a hora”; assim, podemos tranqüilamente concluir que Jesus não
disse isso, já que nunca foi dúbio naquilo que falou. E mais ainda: os mortos que estão nos
túmulos, no sentido literal, são apenas os corpos físicos, pois os espíritos vivem na dimensão
espiritual, uma vez que ressuscitaram.
A idéia de penas e recompensas é válida, porque não podemos admitir que, infringindo
as leis de Deus, ainda ficaremos impunes. Entretanto, daí a uma condenação eterna são outros
quinhentos. Com isso, nem mesmo podemos aceitar a absurda idéia de que a morte de Jesus
tenha remido os nossos pecados, pois isso significa impunidade.

Analisemos agora a outra passagem:
Mc 16,16: “Quem acreditar e for batizado, será salvo. Quem não acreditar, será condenado”.
Não há como deixar de destacar que a expressão “for batizado” é um acréscimo ao verso 16, fácil de se perceber, pois a narração a ele precedente refere-se ao fato de os discípulos não acreditarem que Jesus havia ressuscitado. Logo, não há qualquer relação com “o batismo”; assim, para haver coerência entre as duas frases, na primeira deveria ser excluída a expressão “e for batizado” ou, na segunda, ser acrescida da expressão destacada, conforme reproduzida a seguir: “Quem não acreditar e não for batizado, será condenado”.
Assim, não é desprovida de sentido a dedução de que a inclusão de “e for batizado” foi para justificar a imposição do dogma do batismo.
Só que a coisa é ainda mais grave, porquanto os versículos 9-20 do capítulo 16 de Marcos são acréscimos posteriores; senão vejamos:
No século IV d.C., quando o Novo Testamento foi compilado pela primeira vez, os
manuscritos do Evangelho de Marcos terminavam no que é hoje o Capítulo 16, versículo 8, antes
da narrativa dos eventos da Ressurreição. Esses manuscritos mais curtos fazem parte do Codex
Vaticanus e do Codex Sinaiticus. Ver Baigent, Leigh e Lincoln, The Holy Blood and the Holy Grail,
cap. 12, p. 282-3; notas, p. 432. (GARDNER, 2004, p. 79).


Quanto à tese de salvação universal, nós a concebemos, ao gosto do crítico, com base no “teor global”, do qual tanto fala, mas que aqui ficou completamente mudo. Leiamos: Mt 18,14: “Do mesmo modo, o Pai que está no céu não quer que nenhum desses pequeninos se perca”.
2Pe 3,9: “O Senhor não demora para cumprir o que prometeu, como alguns pensam, achando que há demora; é que Deus tem paciência com vocês, porque não quer que ninguém se perca, mas que todos cheguem a se converter”.
1Tm 2,3-4: “Isso é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador. Ele quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade”.

Rm 8,38-39: “Estou convencido de que nem a morte nem a vida, nem os anjos nem os principados, nem o presente nem o futuro, nem os poderes nem as forças das alturas ou das profundidades, nem qualquer outra criatura, nada nos poderá separar do amor de Deus, manifestado em Jesus Cristo, nosso Senhor”.
Passagens suficientes para demonstrar que a vontade de Deus é salvar a todos; assim,
perguntamos: quem ou o que poderá se opor a isso?
Mt 21,31: “ ...Os chefes dos sacerdotes e os anciãos do povo... Jesus lhes disse: 'Pois
eu garanto a vocês: os cobradores de impostos e as prostitutas vão entrar antes de
vocês no Reino do Céu'”.
Jesus não disse que os chefes dos sacerdotes e aos anciãos do povo não iriam para o
Reino do Céu; apenas lhes disse que os cobradores de impostos e as prostitutas, considerados
gente de má vida, chegariam antes deles. Então, todos iremos para o reino dos céus; não só
um bando de pessoas sectárias, egoístas e intolerantes, como vemos por aí aos montes.


Mt 5,43-48: “Vocês ouviram o que foi dito: 'Ame o seu próximo, e odeie o seu inimigo!'
Eu, porém, lhes digo: amem os seus inimigos, e rezem por aqueles que perseguem
vocês! Assim vocês se tornarão filhos do Pai que está no céu, porque ele faz o sol
nascer sobre maus e bons, e a chuva cair sobre justos e injustos. Pois, se vocês amam somente aqueles que os amam, que recompensa vocês terão? Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa? E se vocês cumprimentam somente seus irmãos, o que é que vocês fazem de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? Portanto, sejam perfeitos como é perfeito o Pai de vocês que está no céu."

Se a orientação divina é para amarmos até mesmo ao nosso inimigo, Deus não poderá dizer “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”; por isso, com muito mais razão, Ele não iria odiar a ninguém. Sim; pois é só por ódio que se manteria alguém numa condenação eterna sem chance de reabilitação, coisa que nem o ser humano faz. Aqui vale relembrar Jó: “Sua maldade só pode afetar outro homem igual a você. Sua justiça só atinge outro ser humano como você” (Jó 35,8), o que, em outras palavras, poderemos dizer que um ser
humano não consegue, por suas ações, atingir a Deus; se houvesse possibilidade de Deus ser atingido, somente o seria por um ser à sua altura; como sabemos que não existe, repetiremos: “Deus não pode ser ofendido por um ser humano”.

Mt 7,11: “Se vocês, que são maus, sabem dar coisas boas a seus filhos, quanto mais o
Pai de vocês que está no céu dará coisas boas aos que lhe pedirem".
Aqui não precisa ir muito longe, a não ser querer saber se mandar alguém para o inferno eterno é uma boa coisa para um pai dar a seu filho...
Mt 5,48: “Sede vós perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus”.
Se o ser humano não pudesse chegar a essa perfeição, relativa, é claro, então Jesus nos recomenda algo impossível, o que destoa de seu caráter. Assim, acreditamos que realmente poderemos chegar à perfeição; para isso é que a reencarnação foi criada por Deus, e não o inferno eterno.

Falar de castigo é, sim, puro terrorismo religioso; a moderna pedagogia prega o amor como base da educação, não torturas infernais. Tem igreja aí na qual só se houve “satanás”, “diabo”, “demônio”, “inferno” como forma de “incentivar” os fiéis a doarem seus dízimos. É fato que Jesus falou em castigo; mas certamente não da maneira incisiva, clamorosa e ameaçadora, como os líderes atuais fazem, eis a diferença.


CONTINUA

Um comentário:

um qualquer disse...

Há dois tipos de pessoas que ocupa o seu tempo com o estudo do espiritismo (kardecista): Os enganados por Satanás, e os conhecedores de fato das Escrituras Sagradas, àqueles para continuarem enganados. Estes para demonstrar o cinismo do Diabo que consegue negar a existência dele mesmo e seus anjos caídos, embora agindo tão diretamente no âmbito do mesmo espiritismo. Afinal, no chamado baixo espiritismo, Satanás e seus demônios não se importam de tirarem as máscaras. Sim ou não galera kardecista?

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