"Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros." (João 13:35) "Onde estiverem reunidos, em Meu nome, dois ou três, lá estarei no meio deles." (Mateus 18:20)

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sexta-feira, 18 de março de 2011

Os judeus e a reencarnação

Textos de site judaíco sobre a reencarnação.
Antes, alguns  esclarecimentos sobre termos encontrados no texto:

-      Torá (do hebraico תּוֹרָה, significando instrução, apontamento, lei) é o nome dado aos cinco primeiros livros do Tanakh (também chamados deHamisha Humshei Torahחמשה חומשי תורה - as cinco partes da Torá) e que constituem o texto central do judaísmo. Contém os relatos sobre a criação do mundo, da origem da humanidade, do pacto de Deus com Abraão e seus filhos, e a libertação dos filhos de Israel do Egito e sua peregrinação de quarenta anos até a terra prometida. Inclui também os mandamentos e leis que teriam sido dadas a Moisés para que entregasse e ensinasse ao povo de Israel.

Chamado também de Lei de Moisés (Torat Moshê, תּוֹרַת־מֹשֶׁה), hoje a maior parte dos estudiosos do Criticismo Superior concordam que Moisés não é o autor do texto que possuímos, mas sim que se trate de uma compilação posterior, enquanto os estudiosos do Criticismo Inferior acreditam que o texto foi escrito pelo próprio Moshê, incluindo as partes que falam sobre sua morte. Por vezes o termo "Torá" é usado dentro do judaísmo rabínico para designar todo o conjunto da tradição judaica, incluindo a Torá escrita, a Torá oral (ver Talmud) e os ensinamentos rabínicos. O cristianismo baseado na tradução grega Septuaginta também conhece a Torá como Pentateuco, que constitui os cinco primeiros livros da Bíblia cristã.



Mitsvá é uma palavra hebraica que significa mandamento e conexão. Uma mitsvá é um mandamento. Se eu ordeno a você que me sirva o almoço, é uma mitsvá de mim para você. As mitsvot são mandamentos de D’us ao povo judeu na Torá – ainda válidas atualmente.

Há dois tipos de mitsvot mencionadas na Torá: as Positivas e as Negativas. A Mitsvá Positiva diz: "Faça isso!": faça caridade, coma matsá, devolva um objeto perdido. A Mitsvá Negativa diz: "Não faça isso!": não mate, não roube, não coma em Yom Kipur. 




Reencarnação e ressurreição



Em comparação a um conceito como o "Mundo Vindouro", reencarnação não é, tecnicamente falando, uma verdadeira escatologia. A reencarnação é meramente um veículo para se atingir um fim escatológico. É a reentrada da alma num corpo inteiramente novo no mundo atual. A ressurreição, em contraste, é a reunificação da alma com o corpo anterior (recém reconstituído) no Mundo Vindouro, um mundo que a história ainda não testemunhou.

A ressurreição é assim um conceito puramente escatológico. Seu objetivo é recompensar o corpo com a eternidade e a alma com perfeição mais elevada. O propósito da reencarnação geralmente é duplo: compensar uma falha na existência prévia ou criar um estado de perfeição pessoal novo, mais elevado, ainda não atingido. Assim, a ressurreição é um tempo de recompensa; a reencarnação um tempo de reparar. A ressurreição é um tempo de colher; a reencarnação um tempo de semear.

O fato de que a reencarnação seja parte da tradição judaica é surpresa para muita gente. Apesar disso, é mencionada em numerosos locais em todos os textos clássicos do misticismo judaico, começando com a preeminente obra da Cabalá, o Zohar.

Se alguém é mal sucedido no seu propósito neste mundo, o Eterno, Bendito seja, o desenraiza e planta mais e mais vezes. (Zohar I 186b)

Todas as almas estão sujeitas à reencarnação, e as pessoas não conhecem os caminhos do Eterno, Bendito seja! Eles não sabem que são trazidos perante o Tribunal, antes de entrar neste mundo e depois de tê-lo deixado; são ignorantes das muitas reencarnações e obras secretas que têm de passar, e do número de almas nuas, e quantos espíritos nus vagam no outro mundo, incapazes de entrar no véu do Palácio do Rei. Os homens não sabem como as almas se revolvem como uma pedra atirada de um estilingue. Mas está aproximando-se a época a em que estes mistérios serão revelados. (Zohar II 99b)

O Zohar e a literatura paralela estão repletos de referências à reencarnação, tocando em questões como: qual corpo ressuscitará e o que acontece com aqueles corpos que não atingem a perfeição definitiva; quantas chances uma alma recebe de atingir a perfeição por meio da reencarnação; se um marido e mulher podem reencarnar juntos; se a demora no sepultamento pode afetar a reencarnação; e se uma alma pode reencarnar em um animal.

A reencarnação é mencionada pelos comentaristas bíblicos clássicos, incluindo o Ramban (Nachmânides), Menachem Recanti e Rabeinu Bachya. Entre os diversos volumes de Rabi Yitschac Luria, conhecido como o "Ari", dos quais a maioria nos chega através da pena de seu principal discípulo, Rabi Chayim Vital, são profundos discernimentos relacionados à reencarnação. De fato, seu Shaar HaGilgulim, "Os Portões da Reencarnação", é um livro dedicado exclusivamente ao tema, incluindo detalhes a respeito das raízes da alma de muitas personalidades bíblicas e em quem eles reencarnaram, desde os tempos da Bíblia até o Ari.

Os ensinamentos do Ari e os sistemas de ver o mundo espalharam-se como fogo após sua morte, em todo o mundo judaico na Europa e no Oriente Médio. Se a reencarnação tinha sido geralmente aceita pelo povo judeu e pela Inteligentsia anteriormente, tornou-se parte do tecido do idioma e estudos judaicos depois do Ari, fazendo parte do pensamento e dos escritos de grandes eruditos e líderes, desde os comentaristas clássicos sobre o Talmud (por exemplo, o Maharsha, Rabi Moshe Eidels), até o fundador do Movimento Chassídico, o Báal Shem Tov.


A ressurreição é um tempo de recompensa;
a reencarnação um tempo de reparar. A ressurreição é um tempo de colher; a reencarnação um tempo de semear.


Muitos ficam igualmente surpresos ao descobrir que a reencarnação era uma crença aceita por numerosos das mentes notáveis nas quais se baseia a civilização Ocidental. Embora o Judaísmo, obviamente, não concorde necessariamente com todas suas idéias e filosofias, mesmo assim Platão, por exemplo, (em Meno, Fedo, Timeus, Fedro e a República), partilha a crença na doutrina da reencarnação. Ele parece ter sido influenciado pelas primeiras mentes clássicas gregas, como Pitágoras e Empédocles. No século Dezoito, na Era do Iluminismo e Racionalismo, pensadores como Voltaire ("Afinal, não é mais surpreendente nascer duas vezes que nascer uma vez") e Benjamim Franklyn expressaram uma afinidade pela noção da reencarnação. No século Dezenove, Schopenhauer escreveu (Parerga e Paralipomena), "Se um asiático me pedisse uma definição de Europa, eu seria forçado a responder-lhe: É aquela parte do mundo que é assombrada pela incrível ilusão de que o presente nascimento da pessoa é sua primeira entrada na vida…" Dostoievski (em Os Irmãos Karamazov) refere-se à idéia, ao passo que Tolstoi parece ter sido categórico em afirmar que tinha vivido antes. Thoreau, Emerson, Walt Whitman, Mark Twain e muitos outros reconheceram e/ou partilharam alguma forma de crença na reencarnação. Deve-se registrar, no entanto, que algumas clássicas autoridades da Torá, mais especificamente, a autoridade do Século Dez, Saadia Gaon, negaram a reencarnação como dogma judaico. Emunot V'Deyot 6:3.


O Talmud relata que o sábio do segundo século, Rabi Shimon bar Yochai e seu filho Elazar se refugiaram numa caverna para escapar à perseguição romana. Durante os treze anos que se seguiram, eles estudaram noite e dia, sem distração. Segundo a tradição cabalista (Ticunei Zohar 1a) foi durante estes treze anos que ele e seu filho primeiro compuseram os principais ensinamentos do Zohar. Oculto por muitos séculos, o Zohar foi publicado e disseminado por Rabi Moshe de Leon, no Século Treze.


Embora o Zohar seja geralmente considerado uma obra de um único volume, compreendendo o Zohar, Tikunei Zohar e Zohar Chadash, na verdade é uma compilação de diversos pequenos tratados ou sub-seções. Segue abaixo apenas alguns deles.


O Zohar (I 131a): "Rabi Yossi respondeu: 'Aqueles corpos que não são merecedores e não atingiram seu propósito, serão considerados como não tendo sido… ‘ Rabi Yitschac [discordou e] disse: ‘Para estes corpos o Eterno providenciará outros espíritos, e se forem considerados merecedores, eles obterão uma morada no mundo; caso contrário, eles serão cinzas sob os pés dos justos.’ Cf Zohar II 105b.


O Zohar III 216a; Ticunei Zohar 6 (22b), 32 (76b) sugerem três ou quatro chances. Ticunei Zohar 69 (103a) sugere que mesmo que seja feito um pequeno progresso a cada vez, a alma recebe mil oportunidades de reencarnação para atingir sua plenitude. Zohar III 216a sugere que uma pessoa essencialmente justa que passa pela provação de perambular de cidade em cidade, de casa em casa – até para tentar vender pela insistência (Zohar Chadash Ticunim 107a) – é como se ele passasse por muitas reencarnações.


Depois que a alma deixou o corpo e o corpo permanece sem vida, é proibido deixá-lo insepulto (Moed Katon, 28a; Baba Kama, 82b). Pois um corpo morto que é deixado insepulto por 24 horas causa uma fraqueza nos membros do Chariot e impede que o desígnio de D’us seja cumprido; pois talvez D’us tenha decretado que ele deveria passar pela reencarnação imediatamente, no dia em que morreu, o que seria melhor para ele, mas como o corpo não foi enterrado, a alma não pode ir até a presença do Eterno, nem ser transferida para outro corpo. Pois uma alma não pode entrar num segundo corpo até que o primeiro seja sepultado…" Zohar III 88b.


Reencarnação de Almas



O tema de guilgul neshamot, reencarnação de almas, não é mencionado explicitamente na Torá. No Zôhar, por outro lado, em Parashat Mishpatim, os segredos da reencarnação são discutidos exaustivamente. São então mais detalhados pelo Rabi Yitschac Luria (Ari), em um livro dedicado a este assunto, Shaar Haguilgulim, o Portal da Reencarnação.

Há uma razão para não encontrarmos qualquer menção explícita de reencarnação no Tanach (somente por meio de insinuações e pistas). D'us deseja que o homem seja completamente livre para fazer aquilo que deseja, para que possa ser totalmente responsável por suas ações. Se alguém soubesse explicitamente que com certeza reencarnaria se deixasse de retificar suas ações, poderia permanecer indiferente e apático. Poderia deixar de fazer todo o possível para acelerar sua evolução pessoal. Acreditando que não poderia ter qualquer influência no curso de sua vida, talvez renunciasse à toda responsabilidade, e deixasse tudo nas mãos do "destino."
Em Shaar Haguilgulim, o Ari explica que Adam (Adão) tinha uma alma universal que incluía aspectos de toda a criação [i.e., todo anjo individual e todo animal individual - todos tiveram de dar uma parte da própria essência a Adam; apenas como um reflexo em miniatura de todo o universo ele poderia ser conectado a toda criação, e elevá-la ou rebaixá-la...]. Sua alma também incluía todas as almas da humanidade em uma unidade mais elevada. Eis por que até mesmo uma ação de sua parte poderia ter efeito tão poderoso. Depois que ele comeu da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, sua alma foi fragmentada em milhares de milhares de centelhas (fragmentos e fragmentos de fragmentos), que subseqüentemente tornaram-se revestidas/encarnadas em todo ser humano que viria a nascer e está vivo agora. A função principal dessas almas-centelhas é efetuarem todas juntas a retificação que Adam deveria fazer sozinho.
Facilitando o trabalho
É importante entender a diferença entre uma grande alma universal toda abrangente em uma parte, por um lado, e parti-la em muitos pedaços, (espalhadas por diversos corpos) por outro lado. Há dois motivos para isso:
1 - Em uma grande alma toda abrangente, é difícil discernir as partes (as almas individuais) porque ainda estão conectadas a uma grande unidade. Este não é o caso quando toda e cada alma-centelha toma um corpo separado. Podemos então reconhecer a singularidade de cada uma e as características específicas de cada uma delas.
Ao final, todas as almas retornarão àquele nível mais elevado de Unidade do qual todas se originaram, mas em um nível mais elevado (i.e., retornando à Unidade mas conservando a individualidade especial pela qual trabalharam e adquiriram).
2 - A segunda razão ou diferença é que muitas almas diferentes desempenhando um papel pequeno mas importante para retificar a criação é "mais fácil" que quando todas estão juntas.
Por analogia, isso é como uma carga pesada que precisa ser movida de um lugar para outro. É mais fácil muitas pessoas fazerem sua parte e carregarem aquilo que conseguem de toda a carga, que para uma única pessoa tentar carregar tudo sozinha.
O mesmo aplica-se a Adam. Quando ele comeu da Árvore do Conhecimento, danificou todas as almas que eram parte dele. Sua alma unificada foi subseqüentemente separada em várias partes, cada uma destinada a nascer em um corpo diferente, de tal forma que toda e cada uma conseguiria consertar seu pequeno pedaço da grande alma de Adam da qual faz parte, de forma que ao final todos se reunissem novamente como uma só.
Baseado nisso, o Or Hachaim Hacadosh explica por que as gerações iniciais viveram centenas de anos. Somente quando as gerações diminuíram em estatura espiritual a duração da vida das pessoas baixou para 70 ou 80 anos. A razão para isso é porque as gerações anteriores tiveram almas muito amplas e abrangentes. Eles, portanto, precisavam de mais tempo em cada vida para consertar aquilo que era preciso. Quando não utilizaram suas vidas longas para este propósito, por exemplo, a geração do Dilúvio, suas almas foram diminuídas e fragmentadas em pessoas "menores" com menos iluminação de alma, a fim de fazer a obra de retificação "mais fácil" para esta pessoa. Eis por que a vida das pessoas tornou-se menor.
Do ponto de vista do sistema em geral, todas estas almas ainda fazem parte de uma grande alma que é dividida e encarnada em incontáveis corpos distintos, geração após geração.
Disso vemos que a alma é uma luz Divina que dá vida ao corpo, que por sua vez torna-se um veículo para a alma, capaz de revelar suas (i.e., do corpo) qualidades distintas. Isso é similar ao poder da eletricidade que flui em um aparelho e o liga. A corrente elétrica, em si, não pode ser vista. Podemos apenas percebê-la por intermédio do aparelho que estamos usando. Por exemplo, podemos conectar um aquecedor ou um ventilador, uma máquina de lavar ou uma secadora em uma tomada elétrica, e ver que as diferenças entre cada aparelho devem-se a ligeiras modificações em seus mecanismos - aquecer versus esfriar, lavar versus secar, - em vez de na corrente elétrica que os faz trabalhar.
Da mesma forma, podemos entender que todos os corpos diferentes que jamais existiram eram todos manifestações de uma grande alma. As diferenças entre elas está nos diferentes corpos nos quais encarnaram, pois nenhum corpo assemelha-se ao próximo(cada encarnação é completamente única). Eis por que nosso corpo deve ser enterrado para retornar ao elementos básicos dos quais é composto. A alma, por outro lado, que dá vida ao corpo, é eterna. Assim, os corpos de cada geração de almas que nascem são comparados aos muitos pares de vestes que são tiradas quando a pessoa sobe aos céus.
A Lei da Conservação da Energia
A física moderna chegou a conclusões similares. A energia é sempre conservada. Quando um objeto físico queima ou apodrece, a energia, ou configuração da energia, ou informação contida naquele objeto físico não é destruída. Simplesmente passa para uma outra forma. Isso é na verdade o mesmo que dissemos sobre as almas. Uma alma é vida e energia, como declara a Torá: "[D'us] soprou uma alma viva em suas narinas." De acordo com isso, vemos novamente que a soma total de encarnações de todas as gerações é realmente aquela de uma grande alma - Adam - que passa por muitos corpos. Em cada geração, e em cada corpo, assume uma forma diferente. No fim, qualquer mudança que ocorrer, ocorrerá nos corpos.
Mais de uma alma habitando um único corpo
Há um outro tipo de reencarnação que pode ocorrer quando a pessoa ainda está viva. O Ari chama esta forma de reencarnação de Ibur.
Acredita-se geralmente que a reencarnação ocorre depois que a pessoa deixa este mundo, após a morte do corpo, quando então, ou pouco depois, a alma transmigra para outro corpo. Ibur não funciona assim. Envolve receber uma alma nova (mais elevada) em algum ponto da vida da pessoa. Ou seja, uma nova alma vem até o coração da pessoa enquanto ainda está viva. A razão pela qual isso é chamado Ibur, gestação ou gravidez, é porque esta pessoa torna-se "grávida" com esta nova alma enquanto ainda está viva. Este fenômeno é a profunda explicação por trás de certas pessoas que passam por mudanças drásticas em sua vida. Passam por uma mudança mental sobre determinadas coisas ou mudam seu estilo de vida, e por meio disso ascendem ao próximo nível espiritual. Isso também é incluído sob o título geral de encarnação, porque estão agora abrigando uma nova alma [ou um aspecto de sua própria alma ou uma alma mais elevada da qual faz parte] a fim de ser um veículo para a retificação daquela alma. Isso é o que ocorre quando uma pessoa está pronta para avançar na evolução de sua alma.
Eis por que a alma tem cinco nomes, um mais elevado que o outro, nefesh, ruach, neshamá, chaya e yechidá. Segundo o Zôhar, os quatro níveis inferiores da alma geralmente entram numa pessoa durante sua vida em Ibur: Primeiro, a pessoa recebe nefesh ao nascer; então quando merece, recebe ruach; quando merece, recebe neshamá; quando merece, recebe chaya. Quanto mais alto o nível, mais rara é esta ocorrência. Muito poucos jamais mereceram chegar a neshamá, muito menos chaya. Ninguém jamais recebeu o nível mais elevado, yechidá. Adam o teria recebido, se não tivesse pecado.
Os nomes de personalidades bíblicas que voltaram em reencarnação
No Shaar Haguilgulim do Ari, encontramos muitos exemplos de almas transmigradas. Moshê, por exemplo, foi uma reencarnação de Hevel (Abel) e Shet (Seth), conforme seu nome indica (o Mem de Moshê representa Moshê, o Shin representa Shet, e o Hê representa Hevel). O sogro de Yaacov, Lavan, mais tarde é reencarnado como Bilam (durante a época de Moshê) e Naval (durante o tempo de David). Rabi Akiva foi uma reencarnação de Yaacov. Os dez irmãos de Yossef que o venderam foram castigados tendo de reencarnar em dez grandes tanaim, os dez mártires que foram mortos pelos Romanos. A realidade da reencarnação também pode nos ajudar a entender porque, D'us não o permita, criancinhas morrem. São almas que devem descer ao mundo por um breve tempo, para fazerem uma quantidade mínima de retificação. Em seguida estão livres para partir.
Reencarnação no Reino Mineral, Vegetal, Animal e Humano
Já mencionamos o princípio de que tudo contém um poder que lhe dá vida. Num ser humano, este poder é realmente Divino, sendo chamado de neshamá. Os animais também possuem uma alma, chamada de alma animalesca. As plantas e outros seres que crescem têm uma alma vegetativa. A matéria inerte também contém uma porção daquele poder, chamado nefesh.
Uma alma humana pode também encarnar nestas formas inferiores como punição por seus pecados. Em Shaar Hguilgulim, o Ari traz inúmeros exemplos dessas encarnações, nas quais a alma de uma pessoa que praticou o mal deliberadamente, dependendo da gravidade do pecado, entra em várias formas de matéria inerte ou orgânica, ou em animais. Somente após uma jornada longa e árdua, tal alma pode voltar e ser reencarnada como ser humano novamente, e por fim tornar-se purificada o suficiente para retornar à sua Fonte.

Guilgul Neshamot

Existe?



Sempre ouvi dizer que a Guilgul Neshamot (reencarnação das almas) é plenamente aceita no judaismo. É verdade?


RESPOSTA:Embora este assunto possa não ser mencionados de modo ostensivo, a Tradição Oral, a parte da Torá que vai de mão em mão com a Torá Escrita, fala claramente desse tópico e lança uma luz sobre aquelas passagens da Torá que aludem a estes conceitos. Precisamos entender que estas duas partes estão interligadas. Se houvesse apenas a Torá Escrita, não seria possível compreender a maior parte das mitsvot e outros conceitos fundamentais.

Uma das perguntas continuamente feitas no pensamento judaico medieval era: "Por que não há menção explícita na Torá falando de vida após a morte?" De fato, não há um único versículo ou frase na Torá que indique de modo inequívoco que o Mundo Vindouro existe. O conceito de céu e inferno não está claramente referido na Torá. Esta anomalia tem intrigado as mentes mais notáveis durante séculos.

Um dos maiores pensadores judeus da Espanha no século quinze, Rabi Yitschac Abarbanel, diz que a resposta é bem simples: a Torá não menciona o Mundo Vindouro porque não é disso que trata a Torá. As recompensas que a pessoa receberá no futuro, após a vida que teve neste mundo, não deveria ser um fator pertinente no comportamento da pessoa na vida atual. O que é relevante ao discurso da vida é a vida como é agora, a vida neste exato momento.

Da mesma forma, às vezes conhecer a própria reencarnação pode ser prejudicial à sua retificação pessoal. Isso confina a mente da pessoa e não permite que esteja aberta a atingir o bem de modo puro e simples, como poderia ao ser sem conhecimento de vidas prévias. Este conhecimento pode diminuir a própria conscientização, em vez de ampliá-la.

Com a morte, a alma e o corpo, que formavam uma entidade, se separam. O corpo é enterrado e volta a matéria, perdendo toda sua conexão com a vitalidade. Já a alma é eterna, e se transfere deste mundo para o próximo, um mundo totalmente espiritual. Essa transferência se dá por etapas. Há vários estágios nos quais a alma se desliga gradativamente deste mundo. A Chassidut explica que a alma matriz é composta por várias partes. Cada vez que a alma passa por um "período de vida" num corpo, certas frações dela são aperfeiçoadas e elevadas. No momento da ressurreição dos mortos, cada corpo virá com a parte da alma que foi trabalhada durante a "estadia" nesse corpo.


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