"Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros." (João 13:35) "Onde estiverem reunidos, em Meu nome, dois ou três, lá estarei no meio deles." (Mateus 18:20)

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sexta-feira, 11 de março de 2011

A profecia sobre a volta de Elias se realizou?

http://www.apologiaespirita.org/apologia/artigos/025_A_profecia_sobre_a_volta_de_Elias_se_realizou.pdf


Introdução
Descobrindo-se se Elias voltou ou não, podemos medir se o profeta Malaquias falou em
nome de Deus, ou se estava “viajando na maionese”. No primeiro caso, não fere a “inerrância
Bíblia”, ao gosto dos protestantes; no segundo, joga-se isso por terra.
Há ainda a grande possibilidade de que as interpretações dadas pela liderança religiosa
visem apenas manter-se os dogmas estabelecidos, os quais, em sua maioria, não tem nenhum
respaldo bíblico, portanto, não podem se classificadas como “a palavra de Deus”.
Então, vamos consultar a Bíblia para ver o que nela encontramos para responder a essa
pergunta, proposta no título.
A profecia da sua volta
Iremos encontrá-la no profeta Malaquias, cujo livro, último do Antigo Testamento, que
leva o seu nome, que, provavelmente, se refere aos acontecimentos do período de 515 a 445
a.C.
Ml 3,1: “Vejam!  Estou mandando o meu mensageiro para preparar o caminho à  
minha frente. De repente, vai chegar ao seu Templo o Senhor que vocês procuram, o
mensageiro da Aliança que vocês desejam. Olhem! Ele vem! - diz Javé dos exércitos”.
Aqui temos a profecia sobre o envio de um  mensageiro para preparar o caminho do
Messias, que, segundo acreditavam, seria o grande dia terrível do Senhor, ou seja, pensavam
que seria nesta época que Deus iria proceder o restabelecimento de Israel como seu “povo
eleito” com o julgamento das nações que o escravizou.
É no final desse livro que esse mensageiro é identificado.
Ml 3,23-24:  “Vejam!  Eu mandarei   a vocês o profeta Elias, antes que venha o
grandioso e terrível Dia de Javé. Ele há de  fazer que o coração dos pais voltem  
para os filhos e o coração dos filhos para os pais; e assim, quando eu vier, não
condenarei o país à destruição total”.
Essa identificação de que seria o profeta Elias quem seria enviado é importante, pois
seria fácil atribuir a qualquer um o cumprimento dessa profecia, especialmente, aqueles que
gostam de “provar” que todas as profecias bíblicas foram   cumpridas, para justificar a
“inerrância” da Bíblia.
O anuncio de sua realização
Encontramos somente em  Lucas o relato do anjo Gabriel dizendo a Zacarias, sobre o
nascimento de um filho que deveria ser chamado de João, apesar de sua mulher ser estéril e
ambos já velhos.
Lc 1,11-19: “Então apareceu a Zacarias um anjo do Senhor. Estava de pé, à direita do
altar do incenso. Ao vê-lo, Zacarias ficou perturbado e cheio de medo. Mas o anjo
disse: 'Não tenha medo, Zacarias! Deus ouviu o seu pedido, e a sua esposa Isabel vai
ter um filho, e você lhe dará o nome de João. Você ficará alegre e feliz, e muita gente
se alegrará com o nascimento do menino, porque ele vai ser grande diante do Senhor.
Ele não beberá vinho, nem bebida fermentada e, desde o ventre materno, ficará cheio
do Espírito Santo. Ele reconduzirá muitos do povo de Israel ao Senhor seu Deus.
Caminhará à frente deles, com o espírito e o poder de Elias, a fim de converter os  
corações dos pais aos filhos e os rebeldes à sabedoria dos justos, preparando
para o Senhor um povo bem disposto'. Então Zacarias perguntou ao anjo: 'Como vou
saber se isso é verdade? Sou velho, e minha mulher é de idade avançada'. O anjo
respondeu: 'Eu sou Gabriel. Estou sempre na presença de Deus, e ele me mandou dar
esta boa notícia para você'”


Na profecia de Malaquias (Ml 3,24) é dito que Elias iria  “fazer que o coração dos pais
voltem para os filhos e o coração dos filhos para os pais”, exatamente aquilo que o anjo
Gabriel prevê que o filho de Zacarias estava vindo  “ a fim de converter os corações dos pais
aos filhos e os rebeldes à sabedoria dos justos” (Lc 1,17b); há, portanto, uma relação direta
entre a profecia e João, o filho de Zacarias que iria nascer.
Além disso, é dito que o menino João, que irá nascer, virá “com o espírito e o poder de
Elias” (Lc 1,17a), o que em outras palavras, podemos dizer que era o próprio Elias, ou seja, o
mesmo espírito que estava voltando em cumprimento da profecia; é, portanto, a confirmação
desse cumprimento, pois caso não fosse ele ter-se-ia dito: “com o espírito e o poder de Deus”.
Isso ficará ainda mais claro no passo do item que falará da identificação do profeta (Mt 11,7-
15).

A crença na profecia sobre a volta de Elias
É importante que se confirme que, entre o povo daquela época, existia a crença de que
Elias iria voltar, conforme se profetizou.
Mt 16,13-14:  “Jesus chegou à região de Cesareia de Filipe, e perguntou aos seus
discípulos: 'Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?' Eles responderam:
'Alguns dizem que é João Batista; outros,  que é Elias; outros ainda, que é Jeremias,
ou algum dos profetas'”.
Mt 17,10-11: “Os discípulos de Jesus lhe perguntaram:  'O que querem  dizer os 
doutores da Lei, quando falam que Elias deve vir antes?' Jesus respondeu: 'Elias 
vem para colocar tudo em ordem'”.



No primeiro passo, vemos que o povo, em geral, achava que Jesus poderia ser, entre
outros, o profeta Elias; o motivo é pelo fato deles acreditarem firmemente que o tesbita iria
voltar, porquanto havia uma profecia que dizia isso, que é confirmada, no segundo passo, por
Jesus. Não podemos deixar de destacar que, dessa forma, Jesus está mais uma vez
confirmando que Elias voltaria, se ele não veio, como os antirreencarnacionistas querem,
forçosamente, temos que conformar que ele não disse a verdade. Então, pelo menos, para não
deixar Jesus nessa triste situação, deveriam acreditar no que ele está dizendo aqui, e, via de
consequência, admitir que João Batista é Elias em nova encarnação.

A identificação do profeta que voltou

Vejamos o passo:
Mt 11,7-15:  “Os discípulos de João partiram, e Jesus começou a falar às multidões a
respeito de João: 'O que é que vocês foram ver no deserto? Um caniço agitado pelo
vento? O que vocês foram ver? Um homem vestido com roupas finas? Mas aqueles que
vestem roupas finas moram em palácios de reis. Então, o que é que vocês foram ver?
Um profeta? Eu lhes afirmo que sim: alguém que é mais do que um profeta. É de João  
que a Escritura diz: 'Eis que eu envio o meu mensageiro à tua frente; ele vai  
preparar o teu caminho diante de ti'. Eu garanto a vocês: de todos os homens que
já nasceram, nenhum é maior do que João Batista. No entanto, o menor no Reino do
Céu é maior do que ele.  Desde os dias de João Batista até agora, o Reino do Céu
sofre violência, e são os violentos que procuram tomá-lo. De fato, todos os Profetas e a
Lei profetizaram até João.  E se vocês o quiserem aceitar, João é Elias que devia  
vir. Quem tem ouvidos, ouça'”.

A clareza com que Jesus afirma “É de João que a Escritura diz: 'Eis que eu envio o meu
mensageiro à tua frente;...” (Mt 11,10) não deveria deixar margem a nenhuma dúvida ou às
interpretações de conveniência, pois, aqui, ele estabelecia uma relação direta de João com o
cumprimento da profecia de Malaquias sobre o envio do mensageiro (Ml 3,1), que está sendo
identificado, por Jesus, como sendo João Batista.
Por outro lado, para ser mais enfático Jesus afirma, em relação a João: “Ele mesmo e o
Elias que estava para vir”, completando “Quem tem ouvidos, ouça” (Mt 11,15), frase singular,
pois tivesse ele dito de coisa comum não haveria sentido em  falar assim, mas como estava
afirmando que João era a reencarnação de Elias, foi, usando outras palavras, preciso alertar:
“quem quiser acreditar, que acredite”, tão certo que os negadores da reencarnação iriam
aparecer para contestá-lo.
Então, a coisa é bem  simples: se João Batista não for Elias, tem-se que admitir que Jesus faltou com a verdade, e, mais ainda, que Deus prometeu enviar Elias e não enviou. E aí
perguntamos: para onde vai a tese da “inerrância” da Bíblia, diante dessas duas situações?
Alguém  poderá nos objetar dizendo que em  Mt 11,15  o texto com  a que fizemos no
segundo parágrafo anterior está diferente; uma diz  “João é Elias” a outra já afirma  “Ele
mesmo é Elias”, afinal qual dessas é a verdadeira?
Podemos dizer que a culpa dessa diferença não é nossa, pois encontramos três versões
para esse trecho: “é o Elias”; “é este o Elias” e “ele mesmo é o Elias”. Segundo o professor
Carlos Torres Pastorino (1910-1980), ex-sacerdote formado em Teologia e Filosofia, por um
Seminário Católico em   Roma, catedrático em   grego, hebraico e latim, o correto seria a
seguinte versão:

Mt 11,14: “E se quereis aceitar (isto), ele mesmo é Elias que estava destinado a vir”.
Explica-nos, Pastorinho:
A tradução do vers. 14 não coincide com as comuns. Mas o grego é
bem claro:  kai (e) ei (se) thélete (quereis) decsásthai  (aceitar, inf. pres. ) autós
(ele mesmo)  estin  (é)  Hêlías  (Elias)  ho méllôn  (part. presente de mellô,
destinado, "o que estava destinado") érchesthai (inf. pres.: a vir).
A Vulgata traduziu:  "et si vultis recipere, ipse est Elias qui venturus est", em
que o particípio futuro na conjunção perifrástica dá o sentido de  obrigação  ou
destino do presente do particípio  méllôn; acontece que o latim ligou num só
tempo de verbo  (venturus est) o sentido dos dois verbos gregos  (ho méllôn
érchesthai).  Com essa tradução, porém, o sentido preciso do original 
ficou algo "arranhado". Se a tradução fora literal, deveríamos ler, na Vulgata
(embora com um latim menos ortodoxo): "ipse est Elias debens venire",  o que 
corresponde exatamente à nossa tradução: "ele mesmo é Elias que 
devia (estava destinado) a vir". Levados pela tradução da Vulgata, os
tradutores colocam o futuro do presente (que  deverá  vir), quando a ação é
nitidamente construída no futuro do pretérito.  (PASTORINO, C. T.  A
Sabedoria do Evangelho, vol. 3. Rio de Janeiro: Sabedoria, 1964, p. 16).
(grifo nosso).

Portanto, tudo nos leva a crer que as versões divergentes dessa têm  como objetivo
esconder a ideia da reencarnação, que ficaria nítida na forma correta. Duvidamos que os
líderes religiosos, que, em   sua maioria, possuem  muito mais conhecimento que nós, não
saibam dessa alteração na tradução.

Merece destaque o trecho no qual Jesus diz  “Desde os dias de João Batista até  
agora, o Reino do Céu sofre violência, e são os violentos que procuram tomá-lo” (Mt 11,12).
Considerando que Jesus e João Batista foram contemporâneos o  “desde os dias” não tem
sentido algum, porém, se levarmos em conta que João é Elias reencarnado, a coisa ai, sim, é
compreensível, pois Jesus estaria se referindo a essa existência anterior de João.

Existe ainda uma outra passagem, na qual também ocorre essa identificação, inclusive
já a citamos, mas agora iremos transcrevê-la por completo, uma vez que naquele momento
isso não era apropriado ao tópico.

Mt 17,10-13: “Os discípulos de Jesus lhe perguntaram: 'O que querem dizer os
doutores da Lei, quando falam que Elias deve vir antes?' Jesus respondeu: 'Elias vem
para colocar tudo em  ordem.  Mas eu digo a vocês: Elias já veio, e eles não o  
reconheceram. Fizeram com ele tudo o que quiseram. E o Filho do Homem   será
maltratado por eles do mesmo modo'. Então os discípulos compreenderam que Jesus
falava de João Batista”.

Como se diz: “Meu Deus!!! Devem ser  “cegos guiando cegos” (Mt 15,14), pois mais
claro que isso é impossível. Jesus aqui afirma que Elias já veio e que não foi reconhecido,
confirma portanto a profecia de Malaquias sobre a volta de Elias. E por que motivo Elias não foi
reconhecido? É, novamente, bem simples: “o espírito e o poder de Elias” estava agora
animando o corpo de João Batista, o que não foi difícil para os discípulos entenderem, uma vez
que sabiam que Jesus estava falando de João, conforme se lê no próprio texto.


Objeções à João ser Elias

Tudo bem, se querem contrariar o que Jesus disse, não podemos fazer absolutamente
nada. O que nos cabe é apenas contestar essas objeções, sem  querer impor a ninguém  a
nossa forma de pensar. Vejamos os seguintes passos:


Mt 11, 10: “É de João que a Escritura diz: 'Eis que eu envio o meu mensageiro à tua
frente; ele vai preparar o teu caminho diante de ti'”.
Mt 11,14: “E se vocês o quiserem aceitar, João é Elias que devia vir”.
Mt 17,12: “Mas eu digo a vocês; Elias já veio, e eles não o reconheceram”

Diante de afirmativas tão contundentes, não há como negar quer Elias tenha voltado e
vivido como João Batista. Não vemos sentido em objetar com a crença na lenda de que Elias
teria sido arrebatado ao reino do céu de corpo e alma, por, pelo menos, estes três motivos: “O
espírito é que dá vida, a carne não serve para nada” (Jo 6,63), “é semeado corpo animal, mas
ressuscita corpo espiritual” (1Cor 15,44) e “a carne e o sangue não podem   receber em
herança o reino do céu” (1Cor 15,50).
É comum, entre os protestantes, tomarem os trechos “com o espírito e o poder de  
Elias” (Lc 1,17) e “João é o Elias” (Mt 11,14), conforme consta de algumas traduções, para
alegar que João Batista não era Elias, mas que tinha um “ministério” semelhante ao de Elias,
mas além de não haver nada escrito sobre isso, pois a citação é literal, ELIAS, com todas as
letras, basta ver nos três passos acima, por que Jesus não usou o termo ministério para não
causar confusão? Não é muito estranho? Os fundamentalistas querem  dizer com  esse tal de
“ministério” o que a própria Bíblia não disse. E por que fazem isso? Para esconder a
reencarnação. Nada mais que isto. Se alguém diz que vai receber, na sua residência, o amigo
João; podemos, diante disso, esperar pela vinda de Maria, por exemplo?

Uma outra objeção, tomam-na da seguinte passagem bíblica:

Jo 1,19-23: “O testemunho de João foi assim. As autoridades dos judeus enviaram de
Jerusalém   sacerdotes e levitas para perguntarem a João: 'Quem é você?' João
confessou e não negou. Ele confessou: 'Eu não sou o Messias'. Eles perguntaram:
'Então, quem é você? Elias?' João disse: 'Não sou'. Eles perguntaram: 'Você é o
Profeta?' Ele respondeu: 'Não'. Então perguntaram: 'Quem é você? Temos que levar
uma resposta para aqueles que nos enviaram. Quem você diz que é?' João declarou:
'Eu sou uma voz gritando no deserto: 'Aplainem o caminho do Senhor', como disse o
profeta Isaías'”.
Essa negativa de João Batista de que ele não era Elias, é um   prato cheio aos
oposicionistas da reencarnação, que, absolutamente, não querem que João seja Elias, em
manifesto conflito com o que Jesus disse, ou seja, dão mais valor a João do que a Jesus.
Para quem   tem   um pouco de conhecimento do mecanismo da reencarnação, a
explicação é fácil: quando estamos encarnado não lembramos do que fomos na reencarnação
anterior, pois isso prejudicaria sobremaneira a nossa relação com  os familiares e até com  a
sociedade. Razão tinha Jó ao dizer “somos de ontem e nada sabemos” (Jó 8,9).
É bom   explicar que isso, algumas vezes, é conseguido por pessoas, normalmente,
crianças, se lembraram   de alguns acontecimentos de suas vidas passadas. Além   disso,
também, podemos mencionar a terapia regressiva de vidas passadas, aplicada por muitos
profissionais da área do comportamento humano, inclusive, eles estão conseguindo resultados
positivos, onde a terapia convencional nada conseguiu. Então, podemos dizer, que é a ciência
que vem, aos poucos é claro, confirmando a reencarnação como uma lei da natureza,
portanto, divina.

Conclusão

Sabemos ser um estudo modesto, que, inclusive, tudo o que aqui dissemos já o fizemos
alhures, apenas mudamos a forma de falar, para que se faça sentir a clareza dos textos.
Porém, ainda haverá os sistemáticos, geralmente, dogmáticos, que não conseguiram ver nada
de novo aqui que os leve a mudar de posição, a eles, só podemos dizer, ou melhor, repetir o
que Jesus disse: “Quem tem ouvidos, que ouça”. (M7 11,15).

Paulo da Silva Neto Sobrinho
mar/201

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