"Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros." (João 13:35) "Onde estiverem reunidos, em Meu nome, dois ou três, lá estarei no meio deles." (Mateus 18:20)

Translate


Pesquisar

domingo, 27 de março de 2011

Reencarnação no Pentateuco

http://www.paulosnetos.net/artigos/assuntos_biblicos/Reencarnacao_no_Pentateuco.pdf


Um dos graves problemas que trazem as teologias dogmáticas é fazer com que as
pessoas percam completamente o senso crítico, passando a aceitar tudo que lhe dizem sem o
mínimo questionamento. O Espiritismo, ao contrário, incentiva a análise crítica de tudo,
exatamente como recomendou Paulo: “Examinai tudo e retende o que é bom”. (1Ts 5,21).
Vejamos essa passagem:
Iahweh! Iahweh... Deus de ternura e de piedade, lento para a cólera, rico em graça e
em fidelidade; que guarda sua graça a milhares, tolera a falta, a transgressão e o
pecado, mas a ninguém deixa impune e castiga a falta dos pais nos filhos e nos filhos
dos seus filhos até a terceira e a quarta geração. (Ex 34, 6-7). (ver tb Ex 20, 5-6 e Dt
24,9-10).
Quem é “ternura e piedade” imputaria um castigo ao inocente no lugar do verdadeiro
culpado? Como alguém “rico em graça e fidelidade” penalizaria os filhos pelos erros de seus
pais? Se se “tolera a falta, a transgressão e o pecado”, como, diante disso, ainda se fala em
castigo eterno? Se “a ninguém deixa impune”, como alguém pode dizer que os erros estão
simplesmente perdoados ou foram redimidos? Quando se “castiga a falta dos pais nos filhos”,
como fica a questão da justiça? Apesar de ser “lento para a cólera”, como não falar em
vingança se o castigo se estende “até a terceira e quarta geração”?
Será que a teologia tradicional conseguiria, usando argumentos coerentes, explicar
todos esses questionamentos? Acreditamos que não. Tentariam, é claro, mas usando de
sofismas, que poderiam convencer só os néscios. Entretanto, longe dela, podemos encontrar
explicações razoáveis para tudo isso, sem perdermos o senso de lógica.
Para nossa análise do castigo partiremos da seguinte questão: Como, por ele, se
poderia atender simultaneamente a tudo quanto foi questionado, sem a mínima contradição?
Antes, diremos que a mudança de uma preposição é que coloca todo o texto em
conflito; mas, se a mantivermos como deveria ser, então as coisas irão facilmente se encaixar.
Estamos falando da preposição “até” que, segundo os mais entendidos, foi colocada no lugar
de “na”, alterando o significado do texto original, para fugir, qual diabo da cruz, de um
princípio que condiz plenamente com a justiça divina, mas que entra em conflito com os
dogmas impostos pelos teólogos do passado.

Então o trecho ficaria assim: “castigo a falta dos pais nos filhos e nos filhos dos seus
filhos na terceira e quarta geração”; isso nada mais é que o princípio da reencarnação,
escamoteado por interesses escusos. Qualquer um de nós pode muito bem, pela reencarnação,
nascer como seu neto ou bisneto, ficando justo o castigo, pois, na verdade, está se atingindo o
verdadeiro criminoso, agora encarnado como um de seus descendentes.
Observar que, de acordo com o que estamos pensando, o texto não ficaria em
contradição com: “Sim, a pessoa que peca é a que morre! O filho não sofre o castigo da
iniqüidade do pai, como pai não sofre o castigo da iniqüidade do filho: a justiça do justo será
imputada a ele, exatamente como a impiedade do ímpio será imputada a ele”. (Ez 18, 20).
Por outro lado, haveria plena concordância com tudo quanto está se falando de Deus,
porquanto, Ele é realmente um Deus “de ternura e de piedade, lento para a cólera, rico em
graça e em fidelidade”. O que faz também a questão da “tolerância da falta, da transgressão e
do pecado” ficar clara; mas, devemos convir que tolerância não implica em perdão puro e
simples, pois seria contrário à afirmativa de que Deus “a ninguém deixa impune”. Haverá, sim,
por questão de justiça, o castigo. Entretanto, este terá que se harmonizar com o que já foi
dito. O castigo divino deverá ser entendido como algo que tenha objetivo corretivo-educativo,
buscando, dessa forma, o nosso aprendizado espiritual, conduzindo-nos à evolução e não
como algo apenas de conotação punitiva.
Assim, caro leitor, a única coisa que pode atender à passagem analisada é o princípio
da reencarnação, que, apesar de ser um ensinamento claro de Jesus, ainda é negado pela
liderança religiosa, que parece não estar muito preocupada em “juntar tesouros nos céus”,
mas prefere isso sim juntar os daqui da Terra mesmo. “Pai, perdoai-lhes, pois não sabem o
que falam” (Lc 23,34), diria Jesus a eles.

Paulo da Silva Neto Sobrinho
Jan/2006
Referência bibliográfica:
Bíblia de Jerusalém, São Paulo: Paulus, 2002.

Nenhum comentário:

Postar um comentário