"Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros." (João 13:35) "Onde estiverem reunidos, em Meu nome, dois ou três, lá estarei no meio deles." (Mateus 18:20)

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segunda-feira, 21 de março de 2011

Resposta: "Merece crédito o Evangelho Segundo o Espiritismo?"

http://www.aeradoespirito.net/ArtigosPN/MER_CRED_O_EVAN_SG_ESP_PN.html




Já vimos os mais variados temas Espíritas sendo combatidos, entretanto, todos os que se aventuram a esse desiderato sempre demonstraram absoluta falta de conhecimento daquilo que se propõem a combater.


Kardec já dizia em O Livro dos Médiuns:


“(...) Só com o tempo e o estudo se adquire o conhecimento de qualquer ciência. Ora, o Espiritismo, que entende com as mais graves questões de filosofia, com todos os ramos da ordem social, que abrange tanto o homem físico quanto o homem moral, é, em si mesmo, uma ciência, uma filosofia, que já não podem ser aprendidas em algumas horas, como nenhuma outra ciência.

“Tanta puerilidade haveria em se querer ver todo o Espiritismo numa mesa girante, como toda a física nalguns brinquedos de criança. A quem não se limite a ficar na superfície, são necessários, não algumas horas somente, mas meses e anos, para lhe sondar todos os arcanos. Por aí se pode apreciar o grau de saber e o valor da opinião dos que se atribuem o direito de julgar, porque viram uma ou duas experiências, as mais das vezes por distração ou divertimento. Dirão eles com certeza que não lhes sobram lazeres para consagrarem a tais estudos todo o tempo que reclamam. Está bem; nada a isso os constrange. Mas, quem não tem tempo de aprender uma coisa não se mete a discorrer sobre ela e, ainda menos, a julgá-la, se não quiser que o acoimem de leviano. Ora, quanto mais elevada seja a posição que ocupemos na ciência, tanto menos escusável é que digamos, levianamente, de um assunto que desconhecemos”. (págs 32-33).

(...)

“O Espiritismo não pode considerar crítico sério, senão aquele que tudo tenha visto, estudado e aprofundado com a paciência e a perseverança de um observador consciencioso; que do assunto saiba tanto quanto qualquer adepto instruído; que haja, por conseguinte, haurido seus conhecimentos algures, que não nos romances da ciência; aquele a quem não se possa opor fato algum que lhe seja desconhecido, nenhum argumento de que já não tenha cogitado e cuja refutação faça, não por mera negação, mas por meio de outros argumentos mais peremptórios; aquele, finalmente, que possa indicar, para os fatos averiguados, causa mais lógica do que a que lhes aponta o Espiritismo. Tal crítico ainda está por aparecer”. (págs. 33-34).

Não restando a nós dizer mais nada sobre isso, vamos, portanto, a um novo texto que nos chega, do qual faremos uma análise. 
As Escrituras de Deus condenam o espiritismo, espiritualismo, bruxaria, kardecismo, mesa branca, umbanda, candomblé, macumba, xangô, quimbanda, vodu, bruxaria, magia, reencarnação, mediunidade, toda comunicação ou tipo de contato e relacionamento com mortos e entidades espirituais.

Merece crédito o "Evangelho segundo o Espiritismo Kardecista"?
Eis aí a prova de que quem nos combate não tem o mínimo conhecimento do que é o Espiritismo. Ao misturar Espiritismo com bruxaria, magia, macumba, xangô, quimbanda, vodu, etc realça que é um completo ignorante sobre a essência da Doutrina Espírita. Falar que as Escrituras condenam o espiritismo e kardecismo é algo tão ridículo como dizer que tartaruga é um pássaro porque bota ovos. Espiritismo não é kardecismo, e Espiritismo não são as práticas mediúnicas, coisa que o detrator não sabe, pois se soubesse não diria asneira.

Quanto à questão de O Evangelho Segundo o Espiritismo merecer ou não crédito, nós iremos, no desenrolar desse estudo, ver a quem assiste a razão. 
Um Pequeno histórico



O Espiritismo remonta aos tempos mais antigos da Humanidade. Dele tomamos conhecimento através dos escritos da Bíblia, como advertência dos profetas de Deus para que não nos envolvamos com esta prática, pois ela esta em confronto com a Palavra de Deus. Os povos que adoravam a deuses estranhos e que não seguiam aos ensinos dados por Deus, eram usuários deste costume. Foi para que os adoradores do Verdadeiro Deus não se envolvessem com eles que Moisés falou:


"Quando entrares na terra que o SENHOR teu Deus te der, não aprenderás a fazer conforme as abominações daquelas nações. Entre ti não se achará quem faça passar pelo fogo a seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; nem encantador, nem quem consulte a um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao SENHOR; e por estas abominações o SENHOR teu Deus os lança fora de diante de ti." (Dt 18:9 a 12).


O espiritismo é uma das heresias que mais cresce no mundo de hoje e está enraizada em quase todas as religiões, principalmente naquelas relacionadas com a Nova Era. O espiritismo é o mais antigo engano religioso que já surgiu. Porém, em sua versão moderna, começou no século XIX, ou pouco antes. Houve um avivamento, um recrudescimento ou um ressurgimento, com um fato que aconteceu com certa família, na América do Norte, em Hydesville (Nova Iorque), em 1848.

Esta família se chamava Fox. O casal tinha duas filhas, Margarida (Margaret), de 14 anos, e Catarina (Kate), de onze, que foram protagonista de uma fatos que deram origem ao atual espiritismo.

Em meados de março de 1848, começaram a ouvir-se golpes nas portas e objetos que se moviam de um lugar para outro, sem auxílio de mãos, assustando as crianças. Às vezes, a vibração era tamanha que sacudia as camas. Finalmente, na noite de 21 de março de 1848, a jovem Kate desafiou o poder invisível e repetiu o barulho como um estalar de dedos. O desafio foi aceito e cada estalar de dedos era repetido, o que surpreendeu toda a família. Dessa forma se estabeleceu contato com o mundo invisível, e a notícia alastrou-se por outras partes, admitindo-se que tais espíritos eram dos mortos.

Partindo desse acontecimento, que recebeu ampla cobertura dos meios de comunicação da época, propagou-se o espiritismo por toda a América do Norte e na Inglaterra. Na época, outros países da Europa também foram visitados, com sucesso, pelos espíritas norte-americanos. As irmãs Fox passaram à História como as fundadoras do Espiritismo moderno.

Na França, o figura máxima que deu força ao espiritismo é conhecida pelo nome de Allan Kardec. Chamava-se Hippolyte Léon Denizard Rivail, nascido em Lyon, em 3 de outubro de 1804. Era formado em letras e ciências, doutorando-se em medicina. Estudou com Pestalozzi, de quem se tornou fiel discípulo e cujo sistema educacional ajudou a propagar.

Rivail tomou conhecimento de um algo extraordinário que acontecia no momento, e que causava um grande alvoroço na sociedade francesa: o fenômeno das mesas girantes e falantes, que afirmavam ser, um resultado da intervenção dos espíritos. A princípio ele não acreditou  e rejeitou esta idéia, por considerá-la absurda. Porém, assistiu a uma reunião na casa da Sra. Plainemaison, onde presenciou fenômenos que o impressionaram profundamente, como ele próprio relatou depois.

Daí, foi um passo para manter contato com os espíritos que o orientaram a escrever e codificar seus ensinos. Dizia Kardec que havia recebido a missão de pregar uma nova religião, o que começou a fazer a 30 de abril de 1856. Um ano depois, publicou "O LIVRO DOS ESPÍRITOS", que contribuiu para propagação desta "doutrina". Dotado de inteligência e inigualável sagacidade escreveu outros livros que deram mais força ao espiritismo: O Evangelho Segundo o EspiritismoA GêneseO Céu e o Inferno, e, O Livro dos Médiuns. Foi ele o introdutor no espiritismo da idéia da reencarnação. Fundou "A Revista Espírita", periódico mensal editado em vários idiomas.

Rivail (Allan Kardec) morreu em 1869.

Para aqueles que desejarem conhecer um pouco mais sobre a história do espiritismo, indicamos a leitura dos livros que citamos no final.
Primeiramente, diremos que o Espiritismo não remonta aos tempos mais antigos da Humanidade, já que somente podemos considerá-lo como existente a partir do dia 18 de abril de 1857, data em que Kardec lança O Livro dos Espíritos. Entretanto, quanto às manifestações espirituais e ao intercâmbio dos vivos com os mortos, esses sim, existem desde que Deus criou o ser humano, portanto, desde os primórdios da humanidade. Confundir parte como se fosse o todo é, a nosso ver, plena falta de conhecimento do que é realmente o Espiritismo, seria a mesma coisa que dizer que um braço ou uma perna é todo o corpo humano.

A completa ignorância desses fenômenos faziam-nos considerar todos os seres espirituais como deuses, e por os utilizarem para as coisas mais frívolas, fizeram com que Moisés proibisse tais coisas, parece que o articulista concorda com isso uma vez que diz “Moisés falou”, entretanto para impor mais autoridade ao que pretendia fazer, disse como provindas de Deus. Se fossem realmente de Deus, deveriam, no mínimo, estar entre os Dez Mandamentos, e muito mais lógico que proibir que os vivos evocassem os mortos, era não deixar que houvesse a possibilidade dos mortos se comunicarem com os vivos. Uma interdição seria muito mais simples e prática, sem o risco de que alguém viesse a desobedecê-Lo.

A passagem Deuteronômio 18, 9-12, sempre citada pelos bibliolátras, não prevalece, pois àquela época não existia Espiritismo, portanto não se aplica a nós, existiam sim, conforme já o dissemos, o intercâmbio entre os vivos e mortos. Moisés necessitando solidificar junto aos judeus, o princípio de um Deus único, urgia combater toda e qualquer prática que pudesse levá-los a ter outros deuses. Ora, o intercâmbio entre os dois planos da vida era uma delas, já que, por ignorância da realidade espiritual, consideravam como se fossem deuses os espíritos que se manifestavam. Nós iremos apresentar a prova disso mais à frente, por estar relacionada a um outro assunto que, por ora, não devemos antecipar.

Por outro lado, as práticas que Moisés estava condenando, era a que os cananeus faziam, conforme podemos ver pelo início da passagem que usa para condenar o Espiritismo: “Quando entrares na terra que o Senhor teu Deus te der, não aprenderás a fazer conforme as abominações daqueles povos”, a partir daí Moisés lista várias práticas, todas elas relacionadas à adivinhação, do que podemos concluir, sem medo de errar, que praticavam a necromancia, que consistia exatamente nisso, ou seja, na evocação dos mortos para fins de adivinhação. Como não somos cananeus e, principalmente, porque não evocamos os mortos para fins de adivinhação, isso não se aplica a nós, tão óbvio que poderia ser desnecessário falar.

Para um bom entendimento definiremos o que vem a ser heresia. Conforme o dicionário eletrônico Houaiss: s.f. 1 interpretação, doutrina ou sistema teológico rejeitado como falso pela Igreja 2 teoria, idéia, prática etc. que nega ou contraria a doutrina estabelecida (por um grupo) 3ação, dito ou atitude que desrespeita a religião 4 p.ext. fig. contra-senso, opinião absurda; disparate, despautério, tolice. Por essa definição, podemos considerar o próprio Jesus como herético, já que contrariou, não somente os princípios religiosos de seu tempo, mas principalmente a liderança religiosa, essa que, como as dos dias atuais, não quer aceitar nada de novo, já que se julga a dona da verdade. Assim, o fato de uma igreja ou qualquer corrente religiosa considerar o Espiritismo uma heresia, pouco nos importa, já que não nos sujeitamos a nenhuma delas e nem somos obrigados a dar a elas nenhuma satisfação do que fazemos, coisa que só o faremos a Deus. A única coisa que nos interessa é seguir o Mestre, e sobre isso, ficamos com Paulo: “Se alguém está convencido de pertencer a Cristo, tome consciência, de uma vez por todas, de que assim como ele pertence a Cristo, também nós pertencemos a Cristo” (2 Cor 10,7).
 
Quanto ao crescimento do Espiritismo, ele é singular, pois apesar de não fazermos proselitismo de qualquer espécie e de todo o combate que lhe dão as outras correntes religiosas, mesmo assim seu crescimento é evidente. Foi constatado pelo IBGE que é no Espiritismo que se encontra o maior número de pessoas em relação a tempo de estudo, vejamos os dados:

Religião
Tempo de Estudo
Espíritas
9,6 anos
Católicos
5.78 anos
Evangélicos Pentecostais
5,3 anos

Via de conseqüência, é no Espiritismo que encontramos o maior número de pessoas com nível superior de escolaridade, dado significativo, pois, normalmente, são essas pessoas que possuem alto senso crítico, não se deixando levar pela cabeça dos outros. Quanto maior é o nível intelectual de uma pessoa, mais difícil se torna encabrestá-lo com as idéias retrógradas dos outros.

Sobre o episódio ocorrido com a família Fox, temos que fazer um necessário reparo na frase: “admitindo-se que tais espíritos eram dos mortos”, não foi essa a questão, foram eles que disseram se tratar de espíritos dos mortos e, no caso da família Fox, foi o ser invisível quem disse ser um espírito, que, quando vivo, era um vendedor ambulante chamado Charles B. Rosma, que foi assassinado na casa onde morava a família Fox, fato confirmado 56 anos depois quando acharam na adega o esqueleto de um homem, inclusive se achou o baú que pertenceu ao mascate.

Observar que apesar de citarem a ocorrência em Hydesville, não narraram todo o caso, pois isso os deixariam embaraçados. Primeiro, ficaria provado que não é demônio que se manifesta, uma vez que se comprovou tudo o que o espírito disse a seu respeito. E segundo, e o mais importante, a comunicação não foi de iniciativa dos vivos, mas partiu do próprio espírito do morto que, para se fazer acreditar em sua presença, provocou as batidas. É aqui que pegamos os nossos detratores “de calças-curtas”, já que foi iniciativa dos próprios espíritos as comunicações não há que se falar em proibição de se comunicar com os mortos, pois se isso fosse realmente proibido por Deus os mortos não viriam por sua própria vontade se comunicar com os vivos, não prevaleceria, portanto, a vontade de Deus.

Outro fator interessante que não fazem a mínima questão de falar é que John D. Fox, era pastor da Igreja Metodista, ou seja, foi um pastor protestante que presenciou o início de tudo, e, por não abrir mão da missão que os espíritos disseram que tinha em divulgar esses acontecimentos, acabou sendo expulso de sua Igreja. Mais uma vez a ignorância humana prevalece sobre os fatos.

As irmãs Fox não foram fundadoras do Espiritismo, foram apenas precursoras, o que é bem diferente. Se há alguém que poderíamos dizer fundador, embora para nós ele é um codificador, seria Kardec e ninguém mais.

Diz o articulista que: “Foi ele [Kardec] o introdutor no espiritismo da idéia da reencarnação”, afirmativa que prova, mais uma vez, que nada sabe mesmo do Espiritismo, pois conforme o próprio Kardec disse a esse respeito (Revista Espírita 1862, pág. 51): Quando nos foi revelado, ficamos surpresos, e o acolhemos com hesitação, com desconfiança; nós o combatemos durante algum tempo, até que a evidência nos foi demonstrada. Assim, esse dogma, nós o ACEITAMOS e não o INVENTAMOS, o que é muito diferente” (Grifo do original, negrito por nossa conta).

Quando se faz um texto é de bom alvitre citar toda a bibliografia usada, e no caso de se combater uma idéia, é necessário ser imparcial pesquisando várias fontes, prós e contras, para se poder fazer um perfeito juízo do assunto. Se nossa pesquisa se restringir a livros de pessoas que sabidamente são contra, acabaremos externando o pensamento dos seus autores, não o nosso próprio o que é lamentável. 
O Conceito de Deus no Espiritismo



A doutrina espírita acerca de Deus é ambígua, ora assumindo aspectos deístas, ora aspectos panteístas, ora confundindo-se com a doutrina de Deus do Cristianismo histórico. Os autores espíritas parecem não conseguir estabelecer um consenso sobre esse assunto de vital importância. Até mesmos nas obras de um único autor encontram-se contradições flagrantes.


Sobre as qualidades de Deus, Allan Kardec define: "Deus é eterno, infinito, imutável, imaterial, único, todo-poderoso, soberanamente justo e bom". (O Livro dos Médiuns, cap. I, 13).


Mas, depois, definindo a alma, nega sua imaterialidade, alegando que o imaterial é o "nada", ao passo que a alma é alguma coisa. Diante disto, será que o espiritismo acredita que Deus é nada?

A fim de explicar a existência de Deus, Allan Kardec, se vale de argumentos clássicos do deísmo, de que "não há efeito sem causa". De acordo com o conceito deísta, Deus teria criado o universo e depois se retirado dele, deixando-o entregue à ação das leis físicas que, desde então, governam, como se o universo fosse um grande relógio.

No Capitulo II, item 19, de "A Gênese" (Allan Kardec), lemos que são atributos de Deus: "Deus é, pois a suprema e soberana inteligência; é único, eterno, imutável, imaterial, todo poderoso, soberanamente justo e bom, infinito em todas as suas perfeições, e não pode ser outra coisa". Esta conceituação concorda com o que o Cristianismo histórico reconhece como alguns atributos divinos. Porém, o fato de uma determinada religião ou seita ter pontos em comum com o Cristianismo bíblico não é suficiente para lhe qualificar como cristã.

Embora o conceito espírita de Deus tenha nuanças deístas e ao mesmo tempo uma certa semelhança com a doutrina bíblica, é inegável que ela às vezes também possui um forte sabor panteísta. Senão, vejamos o que Léon Denis escreveu: "Deus é a grande alma universal, de que toda alma humana é uma centelha, uma irradiação. Cada um de nós possui, em esta latente, forças emanadas do divino foco". (Léon Denis, Cristianismo e Espiritismo, 5a. ed., pág. 246). Conceito totalmente panteísta!

Em outro lugar, Denis faz as seguintes assertivas acerca de Deus e sua relação com o universo (conceitos também panteísta): "Deus é infinito e não pode ser individualizado, isto é, separado do mundo, nem subsistir à parte... [Deus é o] Deus imanente, sempre presente no seio das coisas [sendo que] o Universo não é mais essa criação, essa obra tirada do nada de que falam as religiões. É um organismo imenso animado de vida eterna... o eu do Universo é Deus." (Léon Denis, Depois da Morte, pág. 114, 123, 124 e 349).

Para quem não estudou o Espiritismo, ou para os que, de posse de uma meia dúzia de livros Espíritas, acham que sabem tudo de Doutrina Espírita, a posição do Espiritismo em relação a Deus pode parecer ambígua. Tão importe esse tema que a primeira questão que Kardec propõe aos Espíritos é exatamente “O que é Deus?”, cuja resposta foi: A inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas. A ambigüidade fica por conta de quem não estudou, com a imprescindível profundidade, o Espiritismo.

Existe em O Livro dos Espíritos (págs. 55-56) um questionamento de Kardec sobre a questão do Panteísmo, que irá nos esclarecer qual é a posição do Espiritismo. Vejamos:

Panteísmo

14. Deus é um ser distinto, ou será, como opinam alguns, a resultante de todas as forças e de todas as inteligências do Universo reunidas?

“Se fosse assim, Deus não existiria, porquanto seria efeito e não causa. Ele não pode ser ao mesmo tempo uma e outra coisa”.

“Deus existe; disso não podeis duvidar e é o essencial. Crede-me, não vades além. Não vos percais num labirinto donde não lograríeis sair. Isso não vos tornaria melhores, antes um pouco mais orgulhosos, pois que acreditaríeis saber, quando na realidade nada saberíeis. Deixai, consequentemente, de lado todos esses sistemas; tendes bastantes coisas que vos tocam mais de perto, a começar por vós mesmos. Estudai as vossas próprias imperfeições, a fim de vos libertardes delas, o que será mais útil do que pretenderdes penetrar no que é impenetrável”.

15. Que se deve pensar da opinião segundo a qual todos os corpos da Natureza, todos os seres, todos os globos do Universo seriam partes da Divindade e constituiriam, em conjunto, a própria Divindade, ou, por outra, que se deve pensar da doutrina panteísta?

“Não podendo fazer-se Deus, o homem quer ao menos ser uma parte de Deus”.

16. Pretendem os que professam esta doutrina achar nela a demonstração de alguns dos atributos de Deus: Sendo infinitos os mundos, Deus é, por isso mesmo, infinito; não havendo o vazio, ou o nada em parte alguma, Deus está por toda parte; estando Deus em toda parte, pois que tudo é parte integrante de Deus, Ele dá a todos os fenômenos da Natureza uma razão de ser inteligente. Que se pode opor a este raciocínio?

“A razão. Refleti maduramente e não vos será difícil reconhecer-lhe o absurdo”.

Esta doutrina faz de Deus um ser material que, embora dotado de suprema inteligência, seria em ponto grande o que somos em ponto pequeno. Ora, transformando-se a matéria incessantemente, Deus, se fosse assim, nenhuma estabilidade teria; achar-se-ia sujeito a todas as vicissitudes, mesmo a todas as necessidades da Humanidade; faltar-lhe-ia um dos atributos essenciais da Divindade: a imutabilidade. Não se podem aliar as propriedades da matéria à idéia de Deus, sem que Ele fique rebaixado ante a nossa compreensão e não haverá sutilezas de sofismas que cheguem a resolver o problema da Sua natureza íntima. Não sabemos tudo o que Ele é, mas sabemos o que Ele não pode deixar de ser e o sistema de que tratamos está em contradição com as suas mais essenciais propriedades. Ele confunde o Criador com a criatura, exatamente como o faria quem pretendesse que engenhosa máquina fosse parte integrante do mecânico que a imaginou.

A inteligência de Deus se revela em Suas obras como a de um pintor no seu quadro; mas, as obras de Deus não são o próprio Deus, como o quadro não é o pintor que o concebeu e executou.

No livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo IV – Nascer de Novo, item 23 (pág. 97), Kardec faz mais uma colocação, sobre o princípio que a Doutrina Espírita defende, vejamos:

“Em resumo, quatro alternativas se apresentam ao homem, para o seu futuro de além-túmulo: 1ª, o nada, de acordo com a doutrina materialista; 2ª, a absorção no todo universal, de acordo com a doutrina panteísta; 3ª, a individualidade, com fixação definitiva da sorte, segundo a doutrina da Igreja; 4ª, a individualidade, com progressão indefinida, conforme a Doutrina Espírita”.

Onde está a ambigüidade dita pelo detrator? Kardec ao explicar os atributos de Deus, diz: “É imaterial. Quer isto dizer que a sua natureza difere de tudo o que chamamos matéria. De outro modo, ele não seria imutável, porque estaria sujeito às transformações da matéria.(Livro dos Espíritos, pág. 55). A respeito do que venha a ser imaterial, veremos mais claramente quando definirmos o que é o Espírito, logo mais adiante.

Na resposta à pergunta 4, de O Livro dos Espíritos (pág. 52), iremos saber de onde Kardec tira seus argumentos para explicar a existência de Deus, vejamos:

“- Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus?”.

 - Num axioma que aplicais às vossas ciências. Não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem e vossa razão vos responderá”.

Explicando essa resposta, diz Kardec: “Para crer-se em Deus, basta se lance o olhar sobre as obras da Criação. O Universo existe, logo tem uma causa. Duvidar da existência de Deus é negar que todo efeito tem uma causa e avançar que o nada pôde fazer alguma coisa”.

Sobre a definição de alma, temos que recorrer ao que Kardec coloca, em O Livro dos Espíritos (pág. 59), a respeito da imaterialidade, única forma de entender seu pensamento.

23. Que é o Espírito?
“O princípio inteligente do Universo.”

a) - Qual a natureza íntima do Espírito?
Não é fácil analisar o Espírito com a vossa linguagem. Para vós, ele nada é, por não ser palpável. Para nós, entretanto, é alguma coisa. Ficai sabendo: coisa nenhuma é o nada e o nada não existe.”

82. Será certo dizer-se que os Espíritos são imateriais?(págs. 81-82).
"Como se pode definir uma coisa, quando faltam termos de comparação e com uma linguagem deficiente? Pode um cego de nascença definir a luz? Imaterial não é bem o termo; incorpóreo seria mais exato, pois deves compreender que, sendo uma criação, o Espírito há de ser alguma coisa. É a matéria quintessenciada, mas sem analogia para vós outros, e tão etérea que escapa inteiramente ao alcance dos vossos sentidos.”

Explica-nos Kardec: 
“Dizemos que os Espíritos são imateriais, porque, pela sua essência, diferem de tudo o que conhecemos sob o nome de matéria. Um povo de cegos careceria de termos para exprimir a luz e seus efeitos. O cego de nascença se julga capaz de todas as percepções pelo ouvido, pelo olfato, pelo paladar e pelo tato. Não compreende as idéias que só lhe poderiam ser dadas pelo sentido que lhe falta. Nós outros somos verdadeiros cegos com relação à essência dos seres sobre-humanos. Não os podemos definir senão por meio de comparações sempre imperfeitas, ou por um esforço da imaginação".

E explicando mais a respeito do que é imaterial, no Livro dos Médiuns (pág. 69), aborda novamente essa questão da seguinte forma:

“(...) Quando se diz que a alma é imaterial, deve-se entendê-lo em sentido relativo, não em sentido absoluto, por isso que a imaterialidade absoluta seria o nada. Ora, a alma, ou o Espírito, são alguma coisa.

Qualificando-a de imaterial, quer-se dizer que sua essência é de tal modo superior, que nenhuma analogia tem com o que chamamos matéria e que, assim, para nós, ela é imaterial.


De certa forma tudo que agora acabamos de colocar, responde à pergunta do articulista: “Será que o espiritismo acredita que Deus é nada?”, mas ainda podemos acrescentar de “O Livro dos Espíritos”, (pág. 445):

“Perg. 958 – Por que o homem tem, instintivamente, horror ao nada?
- Porque o nada não existe”.


Em “A Gênese” – cap. II, item 10 (pág. 57): Deus é eterno, isto é, não teve começo e não terá fim. Se tivesse tido princípio, houvera saído do nada. Ora, não sendo o nada coisa alguma, coisa nenhuma pode produzir. Ou, então, teria sido criado por outro ser anterior e, nesse caso, este ser é que seria Deus. Se lhe supuséssemos um começo ou fim, poderíamos conceber uma entidade existente antes dele e capaz de lhe sobreviver, e assim por diante, ao infinito.

O que afirma sobre a opinião de Léon Denis, não procede, pois como continuador da obra de Kardec, não iria contradizê-lo. Muitas vezes uma explicação fica difícil por falta de palavras adequadas que não fosse causar qualquer tipo de confusão. “É assim que Deus é antes a personalidade absoluta, e não um ser que tem uma forma e limites. Deus é infinito e não pode ser individualizado, isto é, separado do mundo, nem subsistir à parte”, ao que podemos concluir, desse pensamento de Léon Denis (Depois da Morte, pág. 110), que sendo Deus infinito está em tudo e todos, mais ou menos como encontramos no Salmo 139, 7-10:


“Para onde irei, longe do teu sopro?
Para onde fugirei, longe de tua presença?
Se subo ao céu, tu aí estas,
Se me deito no abismo, aí te encontro.
Se levanto vôo para as margens da aurora,
Se emigro para os confins do mar,
Aí me alcançará tua esquerda,
E tua direita me sustentará”.

Entretanto a Palavra de Deus (a Bíblia), refuta com veemência estes ensinos. Façamos um rápido confronto doutrinário, em conformidade com a inspiração bíblica:

Deus é um ser pessoal: "Ele é um ser individual, com autoconsciência e vontade, capaz de sentir, escolher e ter um relacionamento recíproco com outros seres pessoais e sociais."
(Millard J. Erickson, Christian Theology, Baker Book House, Grand Rapids, 1986, p. 269). Citaremos a seguir algumas provas bíblicas da personalidade de Deus:

a) Ele fala: "E disse Deus: Haja luz; e houve luz". (GN 1:3).

"HAVENDO Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo". (HB 1:1 e 2).

b) Ele tem emoções (sentimentos):

Misericórdia: "Misericordioso e piedoso é o SENHOR; longânimo e grande em benignidade. Assim como um pai se compadece de seus filhos, assim o SENHOR se compadece daqueles que o temem". (SL 103:8 e 13).

Amor: "Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor". (1JO 4:8).

"E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado". (RM 5:5).

c) Ele tem vontade própria: "Mas o nosso Deus está nos céus; fez tudo o que lhe agradou". (SL 115:3).

Deus é transcendente e imanente e também distinto de sua criação: A Bíblia mostra claramente que Deus não é um ser distante, que teria criado o universo e depois se ausentado dele, como pensa o deísmo.

"Faz crescer a erva para o gado, e a verdura para o serviço do homem, para fazer sair da terra o pão”, (SL 104:14).

"Porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos”. (MT 5:45).

Pode-se ver, assim, que ele está presente na criação, tem interesse nela e cuida dela, principalmente do homem, criado à sua imagem e semelhança.

Transcendência: "Mas, na verdade, habitaria Deus na terra? Eis que os céus, e até o céu dos céus, não te poderiam conter, quanto menos esta casa que eu tenho edificado”. (1RS 8:27)

Imanência: "Esconder-se-ia alguém em esconderijos, de modo que eu não o veja? diz o SENHOR. Porventura não encho eu os céus e a terra? diz o SENHOR." (JR 23:24)

"ASSIM diz o SENHOR: O céu é o meu trono, e a terra o escabelo dos meus pés; que casa me edificaríeis vós? E qual seria o lugar do meu descanso?" (IS 66:1).

Aqui nosso articulista gastou muita tinta e papel para continuar sustentando algo que o Espiritismo não advoga de forma alguma, conforme já o demonstramos.

A definição de Deus dada pelos Espíritos – É a inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas – que por si só já diz tudo sobre a personalidade de Deus.

Buscar na Bíblia sustentação para os seus argumentos, não nos diz nada, pois para nós ela não prova absolutamente nada, uma vez que apenas reflete o pensamento dos autores bíblicos, vejamos, por exemplo:

“Eu descobri que a mulher é a coisa mais amarga que a morte, porque ela é um laço, e seu coração é uma rede, e suas mãos, cadeias. Aquele que é agradável a Deus lhe escapa, mas o pecador será preso por ela” (Eclesiastes 7, 26).

“Agora, portanto, matem todas as crianças do sexo masculino e todas as mulheres que tiveram relações sexuais com homens. Deixem vivas apenas as meninas que não tiveram relações sexuais com homens, e elas pertencerão a vocês” (Números 31, 17-18).

Pela primeira passagem devemos pressupor que para ser agradável a Deus não podemos nos relacionar com as mulheres, então iremos nos relacionar com os homens? Ao ler a segunda, temos a impressão de que Deus é um ser tão sanguinário que até as crianças manda exterminar, o que Hitler fez seria fichinha diante disso. E mais um outro absurdo é que deveriam poupar somente mulheres que fossem virgens, machismo ou ordem divina?

E em relação a ser uma doutrina cristã ou não, quem define isso, certamente, não são os nossos detratores, e se Jesus não delegou a ninguém esse direito, é cristão aquele que diz ser e pronto. Não somos todos obrigados a pensar da mesma forma, coisa que Jesus não exigiu de ninguém, assim, por que sempre se arrotam no direito de fazer aquilo que não têm procuração para tal?
Cristo no Espiritismo
 
Para falarmos na Divindade de Jesus Cristo, temos de falar também no assunto da Trindade, pois estas teses são básicas do Cristianismo bíblico e histórico e fazem parte do fundamento doutrinário que o distingue de todas as demais religiões e também da maioria das seitas pseudo-cristãs. O espiritismo, em geral,  através de suas autoridades exponenciais, negam tanto a Trindade, quanto a Divindade de Jesus. Isto porque, em sua tentativa de oferecer ao homem um sistema religioso de auto-salvação, isto é, em que ele se salva por seus próprios méritos, excluem e negam a existência do Deus trino. Entretanto, a revelação bíblica aponta para a impossibilidade de o homem efetuar sua própria salvação, e mostra como o próprio Deus se encarnou para tornar possível ao homem o acesso ao seu Criador. No próximo item examinaremos a doutrina da salvação, do ponto de vista bíblico, em confronto com plano de salvação do espiritismo.

Grande parte dos escritores espíritas assumem uma posição frontalmente contrária à crença da Trindade. Para eles, Deus é um ser monopessoal, existindo em forma de uma só pessoa, o Pai, e negam que o Filho seja Deus e até rejeitam a existência do Espírito Santo como ser pessoal. O Jornal Espírita de março de 1953 respondendo à pergunta sobre se há mais de uma pessoa em Deus, declara o seguinte: "Não; a razão nos diz que Deus é um ser único, indivisível; que o Pai celeste é um só para todos os filhos do Universo". (Jornal Espírita, Rio de Janeiro, março 1953, p. 4).

A Bíblia, a Palavra de Deus, revela-nos um Deus trino, isto é um Deus eternamente subsistente em três pessoas, iguais entre si em natureza, essência e poder.

Muitos usam as passagens seguintes para dizer que Deus é um só, ou seja, uma unidade absoluta:

"Ouve, Israel, o SENHOR nosso Deus é o único SENHOR". (DT 6:4)

"Vós sois as minhas testemunhas, diz o SENHOR, e meu servo, a quem escolhi; para que o saibais, e me creiais, e entendais que eu sou o mesmo, e que antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá". (IS 43:10)

"Eu sou o SENHOR, e não há outro; fora de mim não há Deus; eu te cingirei, ainda que tu não me conheças"; (IS 45:5).

"Para que se saiba desde o nascente do sol, e desde o poente, que fora de mim não há outro; eu sou o SENHOR, e não há outro". (IS 45:6)

Essas passagens bíblicas afirmam claramente a unidade de Deus e demonstram que a natureza divina é indivisível. Poderíamos acrescentar outras passagens para reforçar esse aspecto da natureza de Deus. Entretanto, devemos levar em consideração que muitas vezes as Escrituras, principalmente no Antigo Testamento, apresentam determinadas realidades como sendo constituídas de uma unidade composta.
Por exemplo: o casamento. A Bíblia diz que "deixa o homem pai e mãe, e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne" (Gn 2:24). É evidente que a unidade constituída por marido e mulher é uma unidade composta e não uma unidade simples ou absoluta. Da mesma forma, pode-se dizer que há no Antigo Testamento muitas evidências de que a unidade de Deus é uma unidade composta, como é indicado por muitas passagens, que revelam uma pluralidade de pessoas na Divindade. No Novo Testamento, por sua vez, a doutrina da Trindade é apresentada com clareza. (Para melhor compreensão, ver "A TRINDADE").

O espiritismo não só nega a Divindade de Jesus, assim como defende a tese de que seu corpo não era real, de carne e ossos, mas fluídico, dando apenas a impressão de real.

Léon Denis, seguindo a mesma linha de pensamento de Kardec, segundo a qual Jesus teria sido mero homem e elevado à categoria de Deus por seus seguidores. Diz ele:

"Com o quarto Evangelho e Justino Mártir, a crença cristã efetua a evolução que consiste em substituir a idéia de um homem honrado, tornado divino, a de um ser divino que se tornou homem. Depois da proclamação da divindade de Cristo, no século IV, depois da introdução, no sistema eclesiástico, do dogma da Trindade, no século VII, muitas passagens do Novo Testamento foram modificadas, a fim de que exprimissem as novas doutrinas".

Assim se expressa Roustaing quanto à natureza do corpo de Jesus:

"A presença de Jesus entre vós, durante todo aquele lapso de tempo, foi, com relação a vós outros, uma aparição espírita, visto que, pelas suas condições fluídicas, completamente fora dos moldes da vossa organização, seu corpo era harmônico com a vossa esfera, a fim de lhe ser possível manter-se longo tempo sobre a Terra no desempenho da missão com que a ela baixara".

Não queremos aqui negar que Cristo veio em plena humanidade, pois Bíblia afirma reiterada vezes a plena humanidade do Filho de Deus. O apóstolo João condenou os ensinos gnósticos de sua época, que entre outros ensinos negavam que Jesus tivesse vindo em carne, dizendo que o seu corpo humano era mera aparência. Diz o apóstolo:

"AMADOS, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo". (1JO 4:1).

"Nisto conhecereis o Espírito de Deus: Todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus"; (1JO 4:2).

Quanto ao corpo de Jesus, vejamos o que o relato bíblico nos diz:

"Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho". (LC 24:39).

Embora o corpo ressuscitado de Jesus tivesse propriedades extraordinárias, como a capacidade de materializar-se e desmaterializar-se:

"Abriram-se-lhes então os olhos, e o conheceram, e ele desapareceu-lhes". (LC 24:31).

"E falando eles destas coisas, o mesmo Jesus se apresentou no meio deles, e disse-lhes: Paz seja convosco". (LC 24:36).

Tinha também a propriedade de entrar em ambientes fechados:

"Chegada, pois, a tarde daquele dia, o primeiro da semana, e cerradas as portas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus, e pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco". (JO 20:19).

Apesar das características acima, seu corpo era constituído de carne e ossos: "Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho". (LC 24:39).

Embora não seja nossa intenção nos aprofundarmos num estudo sobre a humanidade de Jesus, acrescento que Cristo experimentou sentimentos e necessidades humanos não pecaminosos, como:

Cansaço: "E estava ali a fonte de Jacó. Jesus, pois, cansado do caminho, assentou-se assim junto da fonte. Era isto quase à hora sexta". (JO 4:6).

Sede: "Depois, sabendo Jesus que já todas as coisas estavam terminadas, para que a Escritura se cumprisse, disse: Tenho sede". (JO 19:28).

Fome: "E, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome"; (MT 4:2).

Quanto a divindade de Cristo, o testemunho das Escrituras é plenamente reconhecido. Tanto os espíritas quanto os Testemunhas de Jeová, negam a divindade de Cristo. Para uma melhor compreensão do assunto, convido-o a ler: A TRINDADE.


Realmente esses assuntos estão relacionados, pois falar da divindade de Jesus, implica na necessidade de se falar também da Trindade. Mas vejamos se, na questão da Trindade, é “um fundamento doutrinário que o distingue de todas as demais religiões”, conforme quer nos levar a crer o autor do texto. Ao que nos parece, quem pensa desta forma não tem o mínimo conhecimento de história, onde podemos comprovar que vários outros povos da antiguidade possuíam seus deuses representados por uma tríade:
Osíris, Isis e Orus – dos egípcios.
Ea, Istar e Tamus – dos babilônios.
Zeus, Demétrio e Dionísio – dos gregos.
Baal, Astarté e Adonis – dos assírios.
Orzmud, Ariman e Mitra – dos persas.
Brahma, Siva e Visnhu – dos hindus.
Voltan, Friga e Dinar – dos celtas.
Kether, Chekmah e Binah – Cabalá-Judaísmo.
Buda, Darma e Sanga – Budismo do Sul.
Amitha, Avalokiteshvara e Mandjusri – Budismo do Norte.
Tulac, Fan e Mollac – Druidas.
Anu, Ea e Bel – dos caldeus.
Odim, Freva e Thor – mitologia escandinava.
Considerando que entre todos esses povos, os cinco primeiros dessa lista dominaram ou tiveram contato com os judeus, não é difícil de aceitar que esse povo acabou por incorporar em sua cultura muitas coisas daqueles outros. Embora muitas dessas coisas se conservaram apenas na tradição oral, não sendo, portanto, transferidas a nenhum documento escrito. Só a título de exemplo: sob o domínio dos egípcios os hebreus ficaram subjugados por 430 anos (Êxodo 12, 40-41), é perfeitamente compreensível que tivessem assimilado muito da cultura e dos costumes desse povo.

Na época do Cristianismo nascente, os primeiros cristãos acostumados a conviver com diversas trindades divinas acabaram por também colocá-la como base de sua própria religião.

E para compor essa Trindade eram necessários três deuses, assim não deixaram por menos, elevaram logo Jesus à categoria de um Deus, da mesma forma agiram em relação ao Espírito Santo. E tiveram, via de conseqüência, que acomodá-lo a um nascimento sobrenatural e de uma mulher virgem, coisas que eram comuns a quase todas essas religiões.

Percebemos que todos os que se apegam em demasia a essa tal de inerrância da Bíblia se esquecem que os fatos históricos são impossíveis de serem mudados. Ora, há registro de fatos que indicam claramente que no cristianismo primitivo não se acreditava na Trindade e na Divindade de Jesus, ambos foram impostos como dogmas bem mais tarde pela hierarquia eclesiástica. Foram os teólogos católicos que os implantaram, e sem qualquer objeção, foram aceitos pelos protestantes quando da reforma luterana. O início dessa mudança ocorreu no Concílio de Nicéia (325), quando divinizaram Jesus, já no Concílio de Éfeso (431), decretaram que em Jesus só há uma pessoa, a divina, mas no Concílio de Calcedônia (451), voltaram atrás, dizendo que em Jesus havia duas naturezas, uma divina e outra humana. Como essas questões não ficaram definidas no Concílio de Lião (1274), se concluiu que as Três Pessoas possuem natureza humana, pelo que são três homens, conforme nos informa o teólogo católico José Reis Chaves, em A Reencarnação segundo a Bíblia e a Ciência, ao que completa categórico: “Os próprios teólogos afirma que jamais poderemos compreender isso”. (pág. 175). Se não o compreendem, muito menos possuem capacidade para explicá-lo.

Da lista das trindades que apresentamos um pouco atrás, algumas delas nós as retiramos do livro A Face Oculta das Religiões, também de José Reis Chaves, que, sobre a Trindade, nos diz:

 “Os teólogos, com a confusão que fizeram com a Trindade Cristã, transformaram os atributos principais ou Aspectos de Deus em pessoas. Aintenção deles foi boa e até louvável. Com isso, quiseram engrandecer Deus e seus Aspectos, igualando-os a nós seres humanos, pessoas, e não, a um animal, ser ou coisa. Palmas para eles, porque assim pensaram. Mas Deus não é pessoa, é espírito, que transcende pessoa, como também não são pessoas seus Aspectos de Pai-Criador e de Filho-Criado. Jesus não nos ensinou isso. Por isso, nunca seus Evangelhos falam que em Deus há três Pessoas. O ensinamento de Jesus é simples. Os teólogos é que complicaram as coisas, em que pese a sua boa fé” (pág. 122).

Interessante que todos os nossos detratores só vêem o que lhes agradam, esse de agora não fugiu à regra, pois ao citar o livro Cristianismo e Espiritismo de Léon Denis, faltou colocar o que podemos encontrar, imediatamente, após a citação que traz para dizer que ele segue o pensamento de Kardec, a importante informação (pág. 272):

“Vimos, diz Leblois [no seu livro As Bíblias e os iniciadores religiosos da humanidade], na Biblioteca Nacional, na de Santa Genoveva, na do mosteiro de Saint-Gall, manuscritos em que o dogma da Trindade está apenas acrescentado à margem. Mais tarde intercalado no texto, onde se encontra ainda”.

Leblois foi pastor em Strasburgo, ou seja, um pastor protestante ao verificar os manuscritos originais dos textos bíblicos diz que o dogma da Trindade está apenas acrescentado à margem, que posteriormente foi incorporado aos textos. Precisamos dizer mais alguma coisa sobre esse assunto?

Existe uma coisa que ainda nos deixa sem saber como poderia ter acontecido: se Jesus é o próprio Deus que se encarnou quem estaria tomando conta do Universo no período que Ele esteve encarnado? Podemos ainda acrescentar: “Será possível que Deus habite na terra? Se não cabes no céu e no mais alto dos céus, muito menos neste Templo que construí” (1 Reis 8, 27), ao que continuamos, por nossa conta: muito menos num corpo físico.

Também não conseguimos entender o fato, aceito pelas igrejas dogmáticas, que no Antigo Testamento existem várias profecias sobre a vinda de um Messias, entretanto em nenhuma delas está previsto que o próprio Deus viria, mas que Deus enviaria um mensageiro, no caso, dizem tratar-se de Jesus. Ora, o povo judeu, segundo a própria Bíblia, foi escolhido por Deus para trazer as suas revelações, não aceita Jesus como o Messias, aceitam-O, isto sim como um profeta. E aí, como é que ficamos?

Sobre a divindade de Jesus, recomendamos nosso texto, disponível na Internet:
A questão da salvação que será colocada mais à frente, por agora nós apenas diremos: e onde fica o “a cada um segundo suas obras” dito por Jesus, se a salvação vier de outra forma?

Ao citar o Jornal Espírita de março de 1953, nos leva a concluir que o texto que ora estamos contra-argumentando deve ser tão velho quanto a serra, pois não? Grandes transformações aconteceram no mundo, já assistimos um homem pisando na Lua, a TV a cores, o computador, o telefone celular, a Internet interligando todos os computadores do mundo, enfim um cem número de novidades, para ter que ouvir argumentos escritos há tantos anos? Falta criatividade aos que o divulgam?

Apesar de dizer que a Bíblia, revela um Deus trino, não foi capaz de trazer sequer uma passagem que viesse a sustentar essa afirmativa, ao contrário, trouxe as que afirmam que Deus é um, as quais não conseguiu contestar de maneira lógica. Apelou para um exemplo tão ingênuo que causa-nos dó pela sua fragilidade. Diz que no Antigo Testamento apresenta determinadas realidades como sendo constituídas de uma unidade composta, citando o casamento como exemplo. Só que o articulista não disse coisa com coisa, pois é verdade que temos, no casamento, a união de duas pessoas, mas essa união não está formando uma outra pessoa, o que diz ser a unidade composta é apenas nome que se deu a essa união. Gostaria que nos demonstrasse onde a união de três pessoas (ou seres) forma apenas uma, uma vez que, ao falarmos em pessoa, estamos individualizando um ser, assim, onde três individualidades distintas formam, pela sua união, apenas uma só individualidade, explique-nos, por favor?

E para finalizar a questão da Trindade e da divindade de Jesus, trazemos para testemunho (já que normalmente gostam desse expediente) o Alcorão, livro sagrado do povo islâmico. Estaríamos então colocando livro sagrado contra livro sagrado, o que acha disso? Então vejamos o que esse livro coloca:

An Nissá – 4ª Surata, versículo 171: “Ó adeptos do Livro, não exagereis em vossa religião e não digais de Deus senão a verdade. O Messias, Jesus, filho de Maria, foi tão-somente um mensageiro de Deus e Seu Verbo, com o qual Ele agraciou Maria por intermédio do Seu Espírito. Crede, pois, em Deus e em Seus mensageiros e digais: Trindade! Abstende-vos disso, que será melhor para vós; sabei que Deus é Uno. Glorificado seja! Longe está a hipótese de ter tido um filho. A Ele pertence tudo quanto há nos céus e na terra, e Deus é mais do que suficiente Guardião”. (grifo nosso).

Al Máida – 5ª Surata, versículos 72-74: “São blasfemos aqueles que dizem: Deus é o Messias, filho de Maria, ainda quando o mesmo Messias disse: Ó israelitas, adorai a Deus, Que é meu Senhor e vosso. A quem atribuir parceiros a Deus, ser-lhe-á vedada a entrada no Paraíso e sua morada será o fogo infernal! Os iníquos jamais terão socorredores. São blasfemos aqueles que dizem: Deus é um da Trindade!, portanto não existe divindade alguma além do Deus Único. Se não desistirem de tudo quanto afirmam, um doloroso castigo açoitará os incrédulos entre eles. Por que não se voltam para Deus e imploram o Seu perdão, uma vez que Ele é Indulgente, Misericordiosíssimo”? (grifo nosso).

Quanto à questão de que o Espiritismo defende a tese do corpo fluídico de Jesus, citando como prova a obra Roustaing, informamos que em janeiro de 1868 – data posterior ao lançamento dessa obra -, Kardec lança o livro A Gênese, nele podemos ver que ele defende, sem nenhuma sombra de dúvida, que Jesus teve um corpo físico comum a todos nós. Transcrevemos, então, do Capítulo XV – Os milagres do Evangelho, o seguinte parágrafo (item 2, pág. 310-311):

“Como homem, tinha a organização dos seres carnais; porém, como Espírito puro, desprendido da matéria, havia de viver mais da vida espiritual, do que da vida corporal, de cujas fraquezas não era passível. A sua superioridade com relação aos homens não derivava das qualidades particulares do seu corpo, mas das do seu Espírito, que dominava de modo absoluto a matéria e da do seu perispírito, tirado da parte mais quintessenciada dos fluidos terrestres (cap. XIV, nº 9). Sua alma, provavelmente, não se achava presa ao corpo, senão pelos laços estritamente indispensáveis. Constantemente desprendida, ela decerto lhe dava dupla vista, não só permanente, como de excepcional penetração e superior de muito à que de ordinário possuem os homens comuns. (...)”.(Grifo nosso).

Veja bem que, já de início, Kardec não usa de meias palavras para expor seu pensamento de que Jesus, “como homem, tinha a organização dos seres carnais”. Ora, a tese levantada por Roustaing é que Jesus possuía não um corpo carnal, mas um corpo fluídico, o que fica inevitavelmente contra o que diz o codificador do Espiritismo. Mais à frente é que veremos Kardec detalhar melhor o seu pensamento, conforme podemos constatar quando ele diz sobre o desaparecimento do corpo de Jesus. Coloca Kardec (item 64 em diante, págs. 351-354), e tudo nos leva a crer que, pelo teor, essa colocação tem um destinatário certo, qual seja, a obra de Roustaing:

“Segundo outra opinião, Jesus não teria tido um corpo carnal, mas apenas um corpo fluídico; não teria sido, em toda a sua vida, mais do que uma aparição tangível; numa palavra: uma espécie de agênere. Seu nascimento, sua morte e todos os atos materiais de sua vida teriam sido apenas aparentes. Assim foi que, dizem, seu corpo, voltado ao estado fluídico, pode desaparecer do sepulcro e com esse mesmo corpo é que ele se teria mostrado depois de sua morte”.

“É fora de dúvida que semelhante fato não se pode considerar radicalmente impossível, dentro do que hoje se sabe acerca das propriedades dos fluidos; mas, seria, pelo menos, inteiramente excepcional e em formal oposição ao caráter dos agêneres. (Cap. XIV, nº 36.) Trata-se, pois, de saber se tal hipótese é admissível, se os fatos a confirmam ou contradizem”.

“A estada de Jesus na Terra apresenta dois períodos: o que precedeu e o que se seguiu à sua morte. No primeiro, desde o momento da concepção até o nascimento, tudo se passa, pelo que respeita à sua mãe, como nas condições ordinárias da vida. Desde o seu nascimento até a sua morte, tudo, em seus atos, na sua linguagem e nas diversas circunstâncias da sua vida, revela os caracteres inequívocos da corporeidade. São acidentais os fenômenos de ordem psíquica que nele se produzem e nada têm de anômalos, pois que se explicam pelas propriedades do perispírito e se dão, em graus diferentes, noutros indivíduos. Depois de sua morte, ao contrário, tudo nele revela o ser fluídico. É tão marcada a diferença entre os dois estados, que não podem ser assimilados”.

“O corpo carnal tem as propriedades inerentes à matéria propriamente dita, propriedades que diferem essencialmente das dos fluidos etéreos; naquela, a desorganização se opera pela ruptura da coesão molecular. Ao penetrar no corpo material, um instrumento cortante lhe divide os tecidos; se os órgãos essenciais à vida são atacados, cessa-lhes o funcionamento e sobrevém a morte, isto é, a do corpo. Não existindo nos corpos fluídicos essa coesão, a vida aí já não repousa no jogo de órgãos especiais e não se podem produzir desordens análogas àquelas. Um instrumento cortante ou outro qualquer penetra num corpo fluídico como se penetrasse numa massa de vapor, sem lhe ocasionar qualquer lesão. Tal a razão por que não podem morrer os corpos dessa espécie e por que os seres fluídicos, designados pelo nome de agêneres, não podem ser mortos”.

“Após o suplício de Jesus, seu corpo se conservou inerte e sem vida; foi sepultado como o são de ordinário os corpos e todos o puderam ver e tocar. Apôs a sua ressurreição, quando quis deixar a Terra, não morreu de novo; seu corpo se elevou, desvaneceu e desapareceu, sem deixar qualquer vestígio, prova evidente de que aquele corpo era de natureza diversa da do que pereceu na cruz; donde forçoso é concluir que, se foi possível que Jesus morresse, é que carnal era o seu corpo”.

“Por virtude das suas propriedades materiais, o corpo carnal é a sede das sensações e das dores físicas, que repercutem no centro sensitivo ou Espírito. Quem sofre não é o corpo, é o Espírito recebendo o contragolpe das lesões ou alterações dos tecidos orgânicos. Num corpo sem Espírito, absolutamente nula é a sensação. Pela mesma razão, o Espírito, sem corpo material, não pode experimentar os sofrimentos, visto que estes resultam da alteração da matéria, donde também forçoso é se conclua que, se Jesus sofreu materialmente, do que não se pode duvidar, é que ele tinha um corpo material de natureza semelhante ao de toda gente”.
Continua, Kardec:

“Aos fatos materiais juntam-se fortíssimas considerações morais”.

“Se as condições de Jesus, durante a sua vida, fossem as dos seres fluídicos, ele não teria experimentado nem a dor, nem as necessidades do corpo. Supor que assim haja sido é tirar-lhe o mérito da vida de privações e de sofrimentos que escolhera, como exemplo de resignação. Se tudo nele fosse aparente, todos os atos de sua vida, a reiterada predição de sua morte, a cena dolorosa do Jardim das Oliveiras, sua prece a Deus para que lhe afastasse dos lábios o cálice de amarguras, sua paixão, sua agonia, tudo, até ao último brado, no momento de entregar o Espírito, não teria passado de vão simulacro, para enganar com relação à sua natureza e fazer crer num sacrifício ilusório de sua vida, numa comédia indigna de um homem simplesmente honesto, indigna, portanto, e com mais forte razão de um ser tão superior. Numa palavra: ele teria abusado da boa-fé dos seus contemporâneos e da posteridade. Tais as conseqüências lógicas desse sistema, conseqüências inadmissíveis, porque o rebaixariam moralmente, em vez de o elevarem".


E arremata categórico:

“Jesus, pois, teve, como todo homem, um corpo carnal e um corpo fluídico, Q que é atestado pelos fenômenos materiais e pelos fenômenos psíquicos que lhe assinalaram a existência”.

Não dá para conciliar a obra Os Quatro Evangelhos de Roustaing, com o que Kardec desenvolve na codificação da Doutrina Espírita. Kardec fez posteriormente uma análise dessa obra. Vamos encontrá-la na Revista Espírita, Jornal de Estudos Psicológicos, relativa ao mês de junho de 1866 (págs. 190-192), que vale a pena colocarmos neste estudo, para que tenhamos um maior esclarecimento desse assunto. Passemos, então, a palavra a Kardec, no texto intitulado "Os Evangelhos Explicados – Pelo Sr. Roustaing" , onde ele comenta, ao que tudo indica, os recém lançados livros:

“Esta obra compreende a explicação e a interpretação dos Evangelhos, artigo por artigo, com ajuda de comunicações ditadas pelos Espíritos. É um trabalho considerado, e que tem, para os Espíritas, o mérito de não estar, sobre nenhum ponto, em contradição com a doutrina ensinada por O Livro dos Espíritos e o dos Médiuns. As partes correspondentes àquelas que tratamos em O Evangelho Segundoo Espiritismo o são num sentido análogo. De resto, como nos limitamos às máximas morais que, quase sem exceção, são geralmente claras, elas não poderiam ser interpretadas de diversas maneiras; também foram o assunto de controvérsias religiosas. Foi por esta razão que começamos por ali a fim de ser aceito sem contestação, esperando para o resto que a opinião geral estivesse mais familiarizada com a idéia espírita”.

“O autor desta nova obra acreditou dever seguir um outro caminho; em lugar de proceder por graduação, quis alcançar o objetivo de um golpe. Tratou, por certas questões que não julgamos oportuno abordar ainda, e das quais, conseqüentemente, lhe deixamos a responsabilidade, assim como aos Espíritos que os comentaram. Conseqüente com o nosso princípio, que consiste em regular a nossa caminhada sobre o desenvolvimento da opinião, não daremos, até nova ordem, às suas teorias, nem aprovação, nem desaprovação, deixando ao tempo o cuidado de sancioná-las ou de contradizê-las. Convém, pois, considerar essas explicações como opiniões pessoais aos Espíritos que as formularam, opiniões que podem ser justas ou falsas, e que, em todos os casos, têm necessidade da sanção do controle universal, e até mais ampla confirmação não poderiam ser consideradas como partes integrantes da Doutrina Espírita”.

“Quando tratarmos essas questões, o faremos sem cerimônia; mas é que, então, teremos recolhido os documentos bastante numerosos, nos ensinos dados de todos os lados pelos Espíritos, para poder falar afirmativamente e ter a certeza de estar de acordo com a maioria; é assim que fazemos todas as vezes que se trata de formular um princípio capital. Nós os dissemos cem vezes, para nós a opinião de um Espírito, qualquer que seja o nome que traga, não tem senão o valor de uma opinião individual; nosso critério está na concordância universal, corroborada por uma rigorosa lógica, para as coisas que não podemos controlar por nossos próprios olhos. De que nos serviria dar prematuramente uma doutrina como uma verdade absoluta, se, mais tarde, ela devesse ser combatida pela generalidade dos Espíritos?”.

“Dissemos que o livro do Sr. Roustaing não se afasta dos princípios de O Livro dos Espíritos e o dos Médiuns; nossas observações levam, pois, sobre aplicação desses mesmos princípios à interpretação de certos fatos. É assim, por exemplo, que dá ao Cristo, em lugar de um corpo carnal, um corpo fluídico concretizado, tendo todas as aparências da materialidade, e dele faz uma agênere. Aos olhos dos homens que não teriam podido compreender, então, sua natureza espiritual, teve que passar EM APARÊNCIA, essa palavra é incessantemente repetida em todo o curso da obra, para todas as vicissitudes da Humanidade. Assim se explicaria o mistério de seu nascimento: Maria não teria tido senão as aparências da gravidez. Este ponto, colocado por premissa e pedra angular, é a base sobre a qual se apóia para explicação de todos os fatos extraordinários ou miraculosos da vida de Jesus”.

“Sem dúvida, não há aí nada de materialmente impossível para quem conhece as propriedades do envoltório perispiritual; sem nos pronunciar pró ou contra essa teoria diremos que ela é ao menos hipotética, e que, se um dia ela fosse reconhecida errada, a base sendo falsa, o edifício desmoronaria. Esperamos, pois os numerosos comentários que ela não deixará de provocar da parte dos Espíritos, e que contribuirão para elucidar a questão. Sem prejulgá-la, diremos que já foram feitas objeções sérias a essa teoria, e que, na nossa opinião, os fatos podem perfeitamente se explicar sem sair das condições da Humanidade corpórea”.

“Estas observações, subordinadas à sanção do futuro, não diminui nada a importância dessa obra que, ao lado das coisas duvidosas do nosso ponto de vista, delas encerra, incontestavelmente, boas e verdadeiras, e será consultada proveitosamente pelos Espíritas sérios”.

“Se o fundo de um livro é o principal, a forma não é de se desdenhar, e entra também por alguma coisa no sucesso. Achamos que certas partes são desenvolvidas muito longamente, sem proveito para a clareza. Na nossa opinião, se, limitando-se ao estrito necessário, ter-se-ia podido reduzir a obra em dois, ou mesmo em um único volume, teria ganhado em popularidade”.
 (os grifos em negrito são nossos).

Podemos muito bem perceber que Kardec, embora não condene de todo a obra, prudentemente deixa aberto para o futuro o julgamento dela, mas quanto à questão do corpo fluídico, não deixa de dar sua opinião de que não sanciona essa hipótese. Não deixa também de falar que falta clareza e objetividade a essa obra. Diz ainda, de forma bastante clara, que a obra de Roustaing, por falta de uma confirmação mais ampla, não poderia ser considerada como parte integrante da Doutrina Espírita.

Aos que ainda advogam que o corpo de Jesus depois de sua morte é de carne e osso, perguntamos: considerando que Jesus disse que “Deus é Espírito” (João 4, 24) e que “O Espírito é que dá a vida, a carne não serve para nada” (João 6,63), por que Ele iria para junto ao Pai, que é Espírito, com seu corpo físico já que a carne não serve para nada?

Bom, poderá nos dizer, fica a questão da fala de Lucas 24,39: “... um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho”, entretanto, quem nos garante que Jesus realmente teria dito isso, já que é sabido de várias interpolações e adulterações na Bíblia. E, mais, por que será que só Lucas, que não foi discípulo de Jesus, portanto, seu Evangelho foi composto de informações dadas por outros, mas“quem conta um conto aumenta um ponto”, não nos diz o ditado popular? Existe divergência em alguns fatos narrados na Bíblia, dos quais, podemos dar como exemplo:

Quem carregou a cruz?

Mateus 27:32 – Ao saírem, encontraram um cireneu, chamado Simão, a quem obrigaram a carregar-lhe a cruz.

Marcos 15:21 – E obrigaram a Simão Cireneu, que passava, vindo do campo, pai de Alexandre e de Rufo, a carregar-lhe a cruz.

Lucas 23:26 – E como o conduzissem, constrangendo um cireneu, chamado Simão, que vinha do campo, puseram-lhe a cruz sobre os ombros, para que a levasse após Jesus.

João 19:17 – Tomaram eles, pois, a Jesus; e ele próprio, carregando a sua cruz, sai para o lugar chamado Calvário, Gólgota em hebraico.

Mateus, Marcos e Lucas dizem que o cireneu chamado Simão foi obrigado a carregar a cruz de Jesus, enquanto que João diz que foi o próprio Jesus quem levou a cruz.
Houve mesmo o episódio com o bom ladrão?

Mateus 27: 38 e 44 – E foram crucificados com ele dois ladrões, um à sua direita e outro à sua esquerda. E os mesmos impropérios lhe diziam também os ladrões que haviam sido crucificado com ele. 

Marcos 15:27 e 32 – Com ele crucificaram dois ladrões, um à sua direita, e outro à sua esquerda. Também os que com ele foram crucificados o insultavam.

Lucas 23:39-43 – Um dos malfeitores crucificados blasfemava contra ele, dizendo: Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós também. Respondendo-lhe, porém, o outro repreendeu-o dizendo: Nem ao menos temes a Deus, estando sob igual sentença? Nós na verdade com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos merecem; mas este nenhum mal fez. E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino. Jesus lhes respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso. 

João 19:18 - Onde o crucificaram, e com ele outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio.

Mateus, Marcos e João nada relatam de qualquer diálogo entre os três crucificados.Os dois primeiros dizem que os ladrões estavam, isto sim, entre os que escarneciam de Jesus. Só Lucas diz que Jesus teria dito para um deles que hoje estarás comigo no Paraíso. Se isso aconteceu temos uma contradição de Jesus, pois ele mesmo disse: a cada um segundo suas obras. (Mateus 16, 27) Quando do episódio com Madalena após sua ressurreição disse Jesus a Madalena: Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus (João 20, 17). Ora, se Jesus, três dias após sua morte, ainda não tinha subido ao Pai como ele poderia ter afirmado ao “bom ladrão” que hoje estarás comigo, ou seja, justamente no dia de sua morte na cruz.

Por outro lado ao reconhecer que “nós na verdade com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos merecem; mas este nenhum mal fez” ele está aceitando a justiça dos homens, por mais forte razão aceitaria a justiça de Deus que lhe daria uma pena merecida. Também ele não aceitaria uma recompensa por algo que não tenha feito, não é mesmo? Já falamos várias vezes, mas não custa repetir, coloquemos a frase do seguinte modo: Em verdade te digo hoje, estarás comigo no paraíso? É muito mais condizente com a justiça divina, pois somente irá para o Paraíso quando tiver realizado as obras que venham a fazê-lo merecer este paraíso, não importando quanto tempo levará para isso.

Quanto à adulteração, podemos provar com o texto de Levítico 19,31, que também serve para Levítico 20, 6 e 27:
Bíblias Católicas:
Ave Maria: Não vos dirijais aos espíritas nem adivinhos: não os consulteis,...
Barsa: Não vos dirijais aos mágicos, nem consulteis os adivinhos,...
Bíblia de Jerusalém: Não vos voltareis para os necromantes nem consultareis os adivinhos...
Pastoral: Não se dirijam aos necromantes, nem consultem adivinhos,...
Paulinas: Não vos dirijais aos magos nem interrogueis os adivinhos,...
Vozes: Não recorrais aos médiuns, nem consulteis os espíritos...

Bíblias Protestantes:
Mundo Cristão
Não vos voltareis para os necromantes, nem para os adivinhos;...
Tradução do Novo Mundo: 
Não vos vireis para médiuns espíritas e não consulteis prognosticadores profissionais de eventos,...
O autor da Vulgata, São Jerônimo, disse: “A VERDADE NÃO PODE EXISTIR EM COISAS QUE DIVERGEM, fica aí a advertência desse respeitável teólogo católico. Entretanto, o que aqui queremos ressaltar não é só isso, mas que os termos “espírita” e “médium”, que encontramos nessa passagem, só estão ali por vergonhosa adulteração, pois são neologismos criados por Kardec em 18 de abril de 1857, não podendo, portanto, constar de qualquer Bíblia, a não ser por adulteração, como é esse o caso que estamos provando.

Só a título de esclarecimento, afinal a quem não devemos recorrer? A passagem, seguramente, está recomendando aos judeus não consultarem os necromantes. A necromancia era uma prática comum naquele tempo e consistia em consultar os mortos para fins de adivinhação, coisa que mesmo que se resolvesse aplicar nos dias de hoje, não se aplicaria ao Espiritismo, já que não fazemos, do intercâmbio com os espíritos, um meio de adivinhação, conforme já o dissemos anteriormente.

A questão de se tocar no corpo de Jesus, por si só não prova que esse corpo seja de carne e osso, pois sabemos da existência do fenômeno mediúnico de materialização, em que o Espírito que se manifesta adquire, por assim dizer, uma consistência em seu corpo espiritual, de tal sorte que poderá ser tocado, pesado, etc., possuindo, esse corpo espiritual, toda a aparência de um corpo físico. Essa ocorrência é perfeitamente explicável pelas propriedades do ectoplasma, fluído usado pelo espírito para sua materialização.
Plano de Salvação do Espiritismo

O espiritismo ensina que o homem, através de sucessivas reencarnações, pelos seus próprios esforços e pela prática das boas obras vai aprimorando-se a si mesmo, sem necessidade do sacrifício vicário de Jesus Cristo. A Bíblia nos diz que a nossa salvação é obra divina; o espiritismo diz que é esforço humano. A Bíblia diz que o sofrimento de Cristo visa a nossa expiação; o espiritismo diz que Jesus foi mero espírito adiantado, que nos serve apenas de exemplo. A Bíblia diz que o sangue de Cristo nos purifica de todo pecado e que o Espírito Santo nos ensina toda a verdade; o espiritismo, ignora a Trindade Divina, reduz toda a expiação à obra dos "espíritos" - os espíritos dos mortos, que nos orientam e aconselham, e o espírito de Cristo, que, tendo alcançado um nível superior, não obstante se encarnou para servir como exemplo.

Diz-nos Kardec, sobre a graça: "... se fosse um dom de Deus, não daria merecimento a quem a possuísse. O espiritismo é mais explícito, porque ensina que quem a possui a adquiriu pelos próprios esforços em suas sucessivas existências, emancipando-se pouco a pouco das suas imperfeições". (Allan Kardec, O Evangelho Segundo o Espiritismo, Introdução, IV, XVII).

Que contradição com as Escrituras! Deus não nos salva com base em quaisquer méritos pessoais nossos, mas unicamente por sua graça: "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus"; "Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus". (RM 3:23 e 24).

O ensino espírita segundo o qual "Fora da caridade não há salvação" identifica a salvação com a prática de boas obras. Entretanto, as boas obras não salvam, nem ajudam ninguém a salvar-se. Paulo afirma em Efésios:
"Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie"; (EF 2:8 e 9).

Ele declara que fomos criados em Cristo para as boas obras: "Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas". (EF 2:10). Portanto, não somos salvos pelas obras, mas para as boas obras.

As boas obras são o resultado da nossa fé em Cristo, pois quando nos tornamos novas criaturas, mediante a fé nele, abandonamos as práticas más e nos voltamos para a prática do bem. "Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo". (2CO 5:17)

Logo, as boas obras são a manifestação do amor que a pessoa tem a Deus.

A Bíblia nos mostra claramente que todo o problema do homem é motivado pelo pecado, pois "todos pecaram e carecem da glória de Deus" (Rm 3:23). Deus ama os pecadores, porém o pecado separa o homem de Deus:

"EIS que a mão do SENHOR não está encolhida, para que não possa salvar; nem agravado o seu ouvido, para não poder ouvir. Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça". (IS 59:1 e 2).

O homem nada pode fazer para alcançar justificação diante de Deus. O sofrimento e as boas obras, como apregoa o espiritismo, jamais serão suficientes para vencer a distância que o separa de Deus, pois, como expressou o profeta Isaías, "... todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades como um vento nos arrebatam". (IS 64:6).

O estado do homem é profundamente desesperador, porém não irremediável, "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna". (JO 3:16).

Jesus Cristo veio ao mundo com objetivo específico de "dar a sua vida em resgate de muitos". (Mc 10:45).

Cristo se ofereceu a si mesmo a Deus pelos nossos pecados, para que possamos obter a salvação:

"Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito"; (1 Pe 3:18)

"Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados". (1 Pe 2:24).

Que contraste com o que ensina o espiritismo! Vejamos o que escreveu Léon Denis ao negar o valor do sacrifício de Cristo em nosso lugar:

"Não; a missão do Cristo não era resgatar com o seu sangue os crimes da humanidade. O sangue, mesmo de um Deus, não seria capaz de resgatar ninguém. Cada qual deve resgatar-se a si mesmo, resgatar-se da ignorância e do mal. Nada de exterior a nós poderia fazê-lo. É o que os espíritos, aos milhares afirmam em todos os pontos do mundo".

Percebe-se aqui uma contundente tentativa de negar o valor da obra expiatória de Cristo na cruz. Ao dizer que o sangue, "mesmo de um Deus", não poderia resgatar ninguém, Denis está implicitamente, mais uma vez, negando a divindade de Jesus, a qual, como vimos, é afirmada pelas Escrituras.

O conceito espírita de salvação é aquele que a Bíblia chama de "outro evangelho". Ele é tão contrário ao caminho da salvação de Deus que a Escritura o colocou sob a maldição divina:

"Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema". (GL 1:6 a 8).

A salvação vem unicamente pela graça (favor imerecido) de Deus e não por qualquer coisa que a pessoa possa fazer para ganhar o favor de Deus, ou pela sua retidão pessoal. "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie". (Ef 2:8 e 9).
O que muitos não esforçam para compreender é que Jesus não morreu para salvar ninguém, sua morte, conforme os próprios registros bíblicos, foi tramada pelos sacerdotes de sua época, e se voltasse a encarnar novamente, os atuais líderes religiosos também o matariam, pois com certeza Ele tentaria restabelecer os seus ensinamentos em sua pureza original, isso seria o bastante para provocar a ira dessa liderança, que, por medo de ficar sem o seu ganha-pão, tramaria a sua morte, repetindo-se os fatos históricos conhecidos de todos nós.

A questão do sacrifício, da expiação, do sangue derramado e da morte de Jesus, ter sido para nos salvar, de duas uma: ou nos salvou ou não salvou. Se nos salvou “comamos e bebamos”, pois estamos todos salvos, considerando que a Bíblia diz: “... Jesus Cristo, o justo. Ele é a vítima de expiação pelos nossos pecados; e não só os nossos, mas também os pecados do mundo inteiro” (1 João 2, 1-2). Se não, teremos que convir que ele falhou em sua missão, já que Ele mesmo disse que veio para salvar o que estava perdido. Será que não irão acordar para entender que tais coisas são fruto das práticas religiosas da época em que Jesus viveu? O povo pecava e, de quando em quando, oferecia a Deus, em sacrifício de expiação de seus pecados, animais em holocausto, objetivando, com isso, agradar a Deus, obviamente esperando, com esse ritual, receber Dele o conseqüente perdão dos pecados. Se aceitarmos que Jesus tenha morrido com esse objetivo, teremos que providenciar outro Cristo para morrer pelos nossos pecados, pois o máximo que poderia ter acontecido é que seu sacrifício apenas cobria os pecados de sua morte para traz, já que isso era do costume de tais rituais.

Se o sangue de Jesus redimiu os nossos pecados, então por que Ele disse: “a cada um segundo suas obras” (Mateus 16,27)? Por que nos recomenda fazer a caridade conforme fez o bom samaritano (Lucas 10, 25-37)? Por que diz que, no juízo, nós seremos separados, como se separa os cabritos das ovelhas; os que deram de comer para quem teve fome, os que deram de beber para quem teve sede, os que vestiram os nus, os que visitaram os doentes iriam para a direita, mas os egoístas que só se preocuparam consigo mesmo, para a esquerda, lugar do suplício eterno (Mateus 25, 31-46).

Uma coisa deve ficar bem clara: nós seguimos a Jesus, pouco nos importa se Pedro, Paulo, ou quem quer que seja, disser algo em contrário do que nos recomenda Jesus. Entretanto, se quiser alguém confirmando as palavras de Jesus é só ler Tiago: “A Fé sem obras é morta”(2,17.26).

Sobre Paulo, Pedro já dizia: “Em todas as suas cartas ele fala disso [salvação]. É verdade que nelas há alguns pontos difíceis de entender, que os ignorantes e vacilantes distorcem, como fazem com as demais Escrituras, para a sua própria perdição” (2 Pedro 3,16). É essa dificuldade, de que nos adverte Pedro, que muitos ainda possuem, para entender o fundo do pensamento de Paulo, pois quem o lê vai perceber que só na aparência ele é contraditório, já que ora fica com as obras ora com a graça. Entendemos que, quando ele diz ser contrário às obras, está se referindo às obras da Lei, ou seja, está querendo citar apenas à Legislação Mosaica, mas isso ainda causa uma enorme confusão entre muitos que lêem a Bíblia, pois não a estudaram como seria de se esperar. Em determinadas passagens ele é claro, vejamos:

“... quando o justo julgamento de Deus vai se revelar, retribuindo a cada um conforme as suas próprias ações: a vida eterna para aqueles que perseveram na prática do bem...” (Rm 2, 5-7);

“De fato, todos deveremos comparecer diante do tribunal do Cristo, a fim de que cada um receba a recompensa daquilo que tiver feito durante a sua vida no corpo, tanto para o bem, como para o mal” (2 Cor 5, 10);

“Não se iludam, pois com Deus não se brinca: cada um colherá aquilo que tiver semeado” (Gl 6, 7).

Os que pregam a salvação pela graça, estão mesmo querendo para si as coisas totalmente “de graça”, mas aos fiéis, que lhes seguem, isso não sai tão de graça assim, pois o que esses pobres coitados pagam de dízimo para garantir sua salvação não está escrito.

Uma outra coisa interessante é que se Deus não deixou Abraão sacrificar seu filho, por que iria fazer isso com Jesus?

A frase atribuída a Kardec nós iremos, por força das circunstâncias, colocá-la integralmente. Kardec ao analisar o resumo da doutrina de Sócrates e Platão, coloca o item XVII – A virtude não pode ser ensinada; vem por dom de Deus aos que a possuem, para então fazer esses comentários:

“É quase a doutrina cristã sobre a graça; mas, se a virtude é um dom de Deus, é um favor, e, então, pode perguntar-se por que não é concedida a todos. Por outro lado, se é um dom, carece de mérito para aquele que a possui. O Espiritismo é mais explícito, dizendo que aquele que possui a virtude a adquiriu por seus esforços, em existências sucessivas, despojando-se pouco a pouco de suas imperfeições. A graça é a força que Deus faculta ao homem de boa-vontade para se expungir do mal e praticar o bem”. (ESE, pág. 51).

Ora, percebemos que o detrator quer colocar que Kardec está falando da “graça”, para depois dizer que o ESE está em contradição com as Escrituras. Com isso está forçando a barra para que os menos avisados acreditem nisso. Kardec, na verdade, está comentando o pensamento de Sócrates e Platão, estabelecendo uma relação entre a idéia que faziam a respeito da virtude com a doutrina cristã sobre a graça.

Para certas afirmações nem percebem o absurdo delas, vejamos: Cristo (= Deus) se ofereceu a si mesmo a Deus (=Cristo) pelos nossos pecados, qual a lógica disso? Deus realizando um sacrifício humano, cuja vítima é Jesus, ou seja, o próprio Deus, oferecendo esse sacrifício a Ele mesmo, como sendo para expiação por nossos pecados, dá para entender uma coisa dessas?

As palavras do articulista mostram claramente qual é o objetivo de seu texto, vejamo-las novamente para identificarmos qual é a sua verdadeira intenção:
O conceito espírita de salvação é aquele que a Bíblia chama de "outro evangelho". Ele é tão contrário ao caminho da salvação de Deus que a Escritura o colocou sob a maldição divina:

"Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema". (GL 1:6 a 8).
Entretanto, até aqui, não colocou absolutamente nada do que consta no Evangelho Segundo o Espiritismo para que o leitor pudesse tirar suas conclusões. Trata-o como “outro evangelho”, mostrando que age de má-fé, pois o ESE não é um outro evangelho, uma vez que é composto de várias passagens bíblicas com a interpretação dada segundo a maneira dos Espíritas as entenderem, é, portanto, o mesmo Evangelho que todos nós conhecemos, apenas com a diferença que também colocamos a nossa maneira de as interpretar.

Sobre a questão específica da nossa salvação recomendamos leitura de nosso texto muito mais completo sobre esse assunto, que se encontra disponível na Internet:

Nesse texto demonstramos categoricamente que a salvação não é da forma como se apregoa por aí. Colocamos o pensamento de Paulo, de Tiago, de Pedro, de João e, por fim, o mais importante o de Jesus, ou seja, de todos que falaram sobre esse assunto.
A Bíblia no Espiritismo

O espiritismo nega textualmente a inspiração divina da Bíblia, ensina que o registro bíblico não deve ser tomado literalmente.

Eis o que Kardec diz a respeito das Escrituras:

A Bíblia contém evidentemente narrativas que a razão desenvolvida pela ciência, não poderia aceitar hoje em dia; igualmente, contém fatos que parecem estranhos e repugnantes, porque se ligam a costumes que não são adotados... A ciência, levando suas  investigações até a entranhas da terra, e à profundeza dos céus, tem pois demonstrado de modo irrecusável os erros da Gênese mosaica tomada à letra, e a impossibilidade material de que as coisas se hajam passado tal com estão relatadas textualmente... Incontestavelmente, Deus, que é todo verdade, não pode induzir os homens ao erro, nem consciente, nem inconscientemente, pois então não seria Deus. E, pois, se os fatos contradizem as palavras que a ele são atribuídas, necessário se torna concluir, logicamente, que ele não as pronunciou, ou que elas foram tomadas em sentido diverso... Acerca desse ponto capital, ela [a ciência] pôde, pois, completar a Gênese e Moisés, e retificar suas partes defeituosas". (Allan Kardec, A Gênese, IV, 6, 7, 8 e 11).

Léon Denis, outra autoridade do espiritismo, assim se expressa sobre o valor da Bíblia;

"... não poderia a Bíblia ser considerada "a palavra de Deus" nem uma revelação sobrenatural. O que se deve nela ver é uma compilação de narrativas históricas ou legendárias, de ensinamentos sublimes, de par com pormenores às vezes triviais". (Léon Denis, Cristianismo e Espiritismo, FEB, São Paulo, s.d., 7a. ed., pág. 267).

Assim, o espiritismo, através de suas maiores autoridades, nega a revelação divina encontrada nas Escrituras, relegando-as ao nível de uma mera compilação de fatos históricos e lendários. É curioso, entretanto, que querendo dizer-se cristão, o espiritismo freqüentemente lance mão das Escrituras, citando-as com profusão quando lhe convém.

Isto significa que para os espíritas não faz diferença se a Bíblia é ou não a Palavra de Deus - desde que possam usá-la quando desejam dar à sua crença uma aparência cristã, ou seja, citando passagens isoladas que parecem dar apoio à teorias espíritas. Quando, porém, o ensino claro das Escrituras refuta essas mesmas teorias, dizem então que elas não são a inerrante Palavra de Deus pela qual devemos testar o que cremos.

Portanto, o espiritismo não é uma religião cristã, pois nega a inspiração do Livro que é a base do cristianismo, assim como os seus ensinos. Com o que concorda o escritor espírita Carlos Imbassy, quando escreveu:

"O espiritismo não é um ramo do Cristianismo como as demais seitas cristãs. Não assenta seus princípios nas Escrituras... a nossa base é o ensino dos espíritos, daí o nome - Espiritismo". (Carlos Imbassy, À Margem do Espiritismo, p. 126).
Considerando que a Bíblia dos católicos possui 73 livros, enquanto que a usada pelos protestantes são em número de 66 livros, perguntamos qual delas iremos considerar a verdadeira, para podermos afirmar que é a palavra de Deus? Apelamos, novamente, para o santo: “A VERDADE NÃO PODE EXISTIR EM COISAS QUE DIVERGEM (São Jerônimo).

O teólogo Huberto Rohden, nos faz uma interessantíssima colocação. Diz ele, em Lampejos Evangélicos (págs. 188-189):

“De resto, que espécie de Deus seria esse que se revelasse apenas a um povinho minúsculo, que, nesse tempo, não representava sequer 1% da humanidade, deixando na ignorância cerca de 99% do gênero humano? Como podiam essas centenas de milhões de homens, fora e longe de Israel – de cuja existência nem sabem até hoje -, como podiam eles chegar a conhecer Deus através da Bíblia?... E que fez Deus antes do início da Bíblia? – e depois do encerramento da mesma? A Bíblia, como livro escrito, começa uns 15 séculos antes de Cristo, e termina pelo ano 100 depois dele. Ora, poderíamos admitir que, no longuíssimo período anterior ao tempo de Abraão, Isaac e Jacó, Deus nada tenha tido a dizer à humanidade? E que, pelo ano 100 da era cristã, tenha ‘fechado o expediente’, à guisa de um funcionário público ou outro burocrata do século XX?... Quem admite semelhante Deus é ateu, porque um Deus tão imperfeito e limitado não é Deus nenhum”.

Seria então a questão de perguntarmos: Deus não se revelou antes do ano 1.500 a.C? E depois do ano 100 d.C, não se revelou mais? Se, nesse último caso, tiver revelado, por que então suas revelações não foram compor a Bíblia? Observar que a Bíblia está completamente fechada às novas revelações: “Se alguém acrescentar qualquer coisa a este livro, Deus vai acrescentar a essa pessoa as pragas que aqui estão descritas” (Ap 22, 18). É mesmo como nos diz Rohden: expediente fechado.

A respeito da fala de Kardec sobre as Escrituras, devemos, para desmascarar o autor desse artigo, que estamos contra-argumentando, colocar o que ele propositadamente escamoteou o fundo do pensamento do Codificador do Espiritismo, uma vez que pinçou frases soltas de diversos textos.

Vejamos o que Kardec realmente disse, onde colocaremos em negrito, para facilitar a identificação, a parte que o articulista aborda em seu texto:

“A Bíblia, evidentemente, encerra fatos que a razão, desenvolvida pela Ciência, não poderia hoje aceitar e outros que parecem estranhos e derivam de costumes que já não são os nossos. Mas, a par disso, haveria parcialidade em se não reconhecer que ela guarda grandes e belas coisas. A alegoria ocupa ali considerável espaço, ocultando sob o seu véu sublimes verdades, que se patenteiam, desde que se desça ao âmago do pensamento, pois que logo desaparece o absurdo ”. (...) (A Gênese, Cap. IV, item 6, pág. 87). (grifo nosso).

“Levando suas investigações às entranhas da Terra e às profundezas dos céus, demonstrou a Ciência, de maneira irrefragável, os erros da Gênese moisaica tomada ao pé da letra e a impossibilidade material de se terem as coisas passado como são ali textualmente referidas. Ora, assim procedendo, a Ciência, do mesmo passo, fundo golpe desferiu em crenças seculares. A fé ortodoxa se sobressaltou, porque julgou que lhe tiravam a pedra fundamental. Mas, com quem havia de estar a razão: com a Ciência, que caminhava prudente e progressivamente pelos terrenos sólidos dos algarismos e da observação, sem nada afirmar antes de ter em mãos as provas, ou com uma narrativa escrita quando faltavam absolutamente os meios de observação? No fim de contas, quem há de levar a melhor: aquele que diz 2 e 2 fazem 5 e se nega a verificar, ou aquele que diz que 2 e 2 fazem 4 e o prova?”. (A Gênese, Cap. IV, item, 7, pág. 88). (grifo nosso)

“Mas, objetam, se a Bíblia é uma revelação divina, então Deus se enganou. Se não é uma revelação divina, carece de autoridade e a religião desmorona, a falta de base”.

“Uma de duas: ou a Ciência está em erro, ou tem razão. Se tem razão, não pode fazer seja verdadeira uma opinião que lhe é contrária. Não há revelação que se possa sobrepor à autoridade dos fatos”.

“Incontestavelmente, não é possível que Deus, sendo todo verdade, induza os homens em erro, nem ciente, nem inscientemente, pois, do contrário, não seria Deus. Logo, se os fatos contradizem as palavras que lhe são atribuídas, o que se deve logicamente concluir é que ele não as pronunciou, ou que tais palavras foram entendidas em sentido oposto ao que lhes é próprio”.

“Se, com semelhantes contradições, a religião sofre dano, a culpa não é da Ciência, que não pode fazer que o que é deixe de ser; mas, dos homens, por haverem, prematuramente, estabelecido dogmas absolutos, de cujo prevalecimento hão feito questão de vida ou de morte, sobre hipóteses suscetíveis de serem desmentidas pela experiência”.

“Há coisas com cujo sacrifício temos de resignar-nos, bom. ou mau grado, quando não consigamos evitá-lo. Desde que o mundo marcha, sem que a vontade de alguns possa detê-lo, o mais sensato é que o acompanhemos e nos acomodemos com o novo estado de coisas, em vez de nos agarrarmos ao passado que se esboroa, com o risco de sermos arrastados na queda”
. (A Gênese, Cap. IV, item 8, pág. 88-89). (grifo nosso).

“A Gênese se divide em duas partes: a história da formação do mundo material e da Humanidade considerada em seu duplo princípio, corporal e espiritual. A Ciência se tem limitado à pesquisa das leis que regem a matéria. No próprio homem, ela apenas há estudado o envoltório carnal. Por esse lado, chegou a inteirar-se, com exatidão, das partes principais do mecanismo do Universo e do organismo humano. Assim, sobre esse ponto capital, pode completar a Gênese de Moisés e retificar-lhe as partes defeituosas”. (...) (A Gênese, Cap. IV, item 11, pág. 90). (grifo nosso).

A fala de Kardec já diz tudo, não necessitando esclarecermos mais nada, mas somente queremos chamar a atenção para o primeiro parágrafo, que fazemos questão de repetir realçando, em negrito, o que de mais importante dele foi retirado inescrupulosamente pelo articulista:

“A Bíblia, evidentemente, encerra fatos que a razão, desenvolvida pela Ciência, não poderia hoje aceitar e outros que parecem estranhos e derivam de costumes que já não são os nossos. Mas, a par disso, haveria parcialidade em se não reconhecer que ela guarda grandes e belas coisas. A alegoria ocupa ali considerável espaço, ocultando sob o seu véu sublimes verdades, que se patenteiam, desde que se desça ao âmago do pensamento, pois que logo desaparece o absurdo”
.

O fato dos Espíritas não considerarem a Bíblia, de capa a capa, como a palavra de Deus, não quer necessariamente dizer que estamos dizendo que nela não tenha absolutamente nada em que possamos tranqüilamente atribuir a uma revelação divina. É isso que nossos detratores não conseguem entender, mas fazemos exatamente como a própria Bíblia recomenda: “Examinem tudo e fiquem com o que é bom”.(1 Ts 5,21) estamos errados? Vejamos, alguns exemplos:

 - Antigamente se acreditava que a data de criação do mundo estaria por volta do ano 4.000 a. C, entretanto a ciência vem demonstrando que são bilhões e bilhões de anos, ficamos com a ciência ou vamos continuar acreditando como os de antigamente?

- Do relato da criação conclui-se que a Terra era o centro do Universo, a ciência veio provar que não, qual das duas posições deveríamos seguir? Hoje sabemos não ser, estamos errados?

- Após dizer da criação da luz, segue a narrativa: “Houve uma tarde e uma manhã: foi o primeiro dia”, ora só poderíamos falar em dia se tivéssemos o Sol, entretanto este astro somente foi criado no quarto dia, isso significa que os “três primeiros dias” foram dias em que ainda não havia sido criado o elemento que iria produzir esse fenômeno da natureza: o Sol. Assim, apesar de contrariar leis astromônicas, isso está certo só por que foi narrado na Bíblia?

- A descrição do Jardim do Éden que ainda não se conseguiu estabelecer sua localização. Se de fato existiu, já deveríamos ter descoberto onde, mas se não foi descoberto, concluímos que é porque não existiu, aí como fica a palavra de Deus?

- Após expulsar Adão e Eva do paraíso, Deus coloca os querubins para guardar o caminho da árvore da vida, só que existe uma coisa estranha nessa história, pois os querubins eram seres da mitologia babilônica com rosto humano e corpo de leão ou touro ou de outros quadrúpedes, com asas, fato confirmado por uma passagem em que Deus usa um querubim como montaria [ ].

- Caim mata a seu irmão Abel, foge para uma outra região onde encontra uma mulher e até mesmo chega a fundar uma cidade. Perguntamos: se somente existia ele e seus pais, Adão e Eva, que mulher era essa e que povo seria esse, para o qual fundou uma cidade? Ora, isso não contraria a teoria de que Adão e Eva formaram o primeiro casal humano? Até mesmo porque cientificamente não poderia de um só casal surgir as quatro principais raças humanas. Por exemplo, a raça negra surgiu de onde?

- Considerando que o dilúvio tenha ocorrido em toda a Terra, temos um problema insolúvel, não existe água em nosso planeta suficiente para cobrir o mais alto monte em aproximadamente sete metros e meio, conforme narrativa bíblica, uma vez que cerca de 97,5% da água do planeta já está ao nível do mar. Teremos que acreditar no dilúvio só porque está na Bíblia? Ou iremos considerá-lo uma lenda tirada da cultura de povos mais antigos que os judeus?

- A tomada de Jericó com a ocorrência do milagre da muralha caindo, para que o povo judeu a conquistasse, revela falta de conhecimento de história, pois, quando desse suposto acontecimento, Jericó não tinha as muralhas e nem mesmo era habitada, pois já havia sido abandonada por seus habitantes, conforme pesquisas arqueológicas. Ainda devemos ficar com a Bíblia, ou iremos aceitar a ciência?

- No livro de Jó é descrito um animal que lança fogo pela goela, fumaça pelas ventas, tal e qual um dragão que conhecemos pelas histórias infantis, e por falar nisso, normalmente esse livro se inicia assim: “Era uma vez um homem...”, igualzinho a “Era uma vez três porquinhos...”. Será mesmo todo ele verdadeiro? Ou, quem sabe, se não é uma lenda?

É em cima de coisas como essas, e inúmeras outras que deixamos de relacionar aqui, para não tornar a lista demasiadamente longa, que Kardec disse:

“Toda revelação desmentida por fatos deixa de o ser, se for atribuída a Deus. Não podendo Deus mentir, nem se enganar, ela não pode emanar dele: deve ser considerada produto de uma concepção humana ” (A Gênese, Cap. I, item 3, pág. 14)

“O caráter essencial da revelação divina é o da eterna verdade. Toda revelação eivada de erros ou sujeita a modificação não pode emanar de Deus”. (A Gênese, Cap. I, item 10, pág. 18).

Há uma outra ocorrência bíblica que quase ninguém faz uma análise dela, sempre foi aceita como se tivesse existido um milagre, enquanto que, geograficamente, não há como possa ter acontecido. Siga a rota do êxodo, traçada na própria Bíblia, e veja se existe alguma possibilidade geográfica do povo judeu usando o caminho indicado na narrativa ter passado pelo Mar Vermelho para chegar ao Monte Sinai. Ora, pela rota utilizada não passariam pelo Mar Vermelho, se o tivessem feito sairiam não no Monte Sinai, mas na Arábia Saudita, é só ver isso num mapa da região daquela época. Assim o “milagre” bíblico acaba sendo derrubado pelos fatos, aí resta saber com quem ficar. Os bibliólatras seguem incondicionalmente a Bíblia, apesar de todos os fatos lhes serem contrários, é como diz Kardec “aceitam que 2 mais 2 são 5, embora as provas dizem que são 4”.

É por isso que os Espíritas não aceitam a Bíblia da mesma forma como a aceitam as outras correntes cristãs. Aqui colocamos parte de um argumento de Carlos Imbassahy, do livro À Margem do Espiritismo, para também saber qual é realmente o seu pensamento, vejamos:

“O autor abre o seu compêndio com uma declaração errada, a de que o Espiritismo, em seus argumentos, apela para a Bíblia”.

“Ora, o Espiritismo assenta a sua doutrina nos fatos. É, portanto, para os fatos que ele apela, quando quer estear as suas asserções. Quem se apóia na Bíblia só pode ter a fé como sustentáculo; entretanto diz Jules Gayard, chegou a hora de saber e não de crer, tão-somente”.

“No domínio científico, a melhor prova em apoio de uma hipótese é aquela pela qual se demonstra que vários grupos de fatos convergem, de toda parte, para dá-la como verdadeira. É a prova crucial. Nessa prova crucial, invocada por Ernesto Bozzano, é que reside a força do Espiritismo”.

 
“Se fôssemos a apanhá-la na Bíblia, nada de sólido apresentaríamos ao mundo, porque a Bíblia, por sua vez, precisa de demonstração. Iríamos cair, não obstante o muito respeito que a Bíblia nos merece, no cipoal teológico a que nos querem arrastar os nossos antagonistas, com a mira posta em enveredar-nos nas interpretações duvidosas, onde os modos de ver se multiplicam ao infinito, onde ninguém tem a última palavra, e donde surgem as mais categóricas afirmações, sem que se lhes possa perceber a resistência do pedestal. Entretanto, é nesse Dédalo que os antagonistas construíram o seu fortim”.

“Em matéria de Escritura, os espíritas, no a que se referem, é tão unicamente aos Evangelhos. Não os apresentam, porém, como prova, senão como fonte de luz subsidiária, elemento de reforço, enfim, cúpula cintilante do majestoso edifício”.

“Se não houvesse o Evangelho, ele nos teria sido agora revelado. Mas esse Evangelho, como o conhecemos, não pode passar sem as luzes do Espiritismo, que o interpreta, que o esclarece, que o amplia, que o propaga”. (...)
 (págs. 124/125) (grifo nosso).

Bom, aqui já deu para perceber claramente que, da Bíblia, tomamos o Evangelho como fonte de ensinamentos a seguir. Desta forma, provamos que o nosso detrator apenas quer mostrar aos outros, segundo a sua real intenção, que o Espiritismo é totalmente antibíblico.

Vejamos, também, o que Kardec coloca a respeito do Evangelho:

“O Espiritismo, longe de negar ou destruir o Evangelho, vem, ao contrário, confirmar, explicar e desenvolver, pelas novas leis da Natureza, que revela, tudo quanto o Cristo disse e fez; elucida os pontos obscuros do ensino cristão, de tal sorte que aqueles para quem eram ininteligíveis certas partes do Evangelho, ou pareciam inadmissíveis, as compreendem e admitem, sem dificuldade, com o auxílio desta doutrina; vêem melhor o seu alcance e podem distinguir entre a realidade e a alegoria; o Cristo lhes parece maior: já não é simplesmente um filósofo, é um Messias divino”. (A Gênese, Cap. I, item 41, pág. 33) (grifo nosso)

A moral que os Espíritos ensinam é a do Cristo, pela razão de que não há outra melhor. Mas, então, de que serve o ensino deles, se apenas repisam o que já sabemos? Outro tanto se poderia dizer da moral do Cristo, que já Sócrates e Platão ensinaram quinhentos anos antes e em termos quase idênticos. O mesmo se poderia dizer também das de todos os moralistas, que nada mais fazem do que repetir a mesma coisa em todos os tons e sob todas as formas. Pois bem! os Espíritos vêm, muito simplesmente, aumentar o número dos moralistas, com a diferença de que, manifestando-se por toda parte, tanto se fazem ouvir na choupana, como no palácio, assim pelos ignorantes, como pelos instruídos”.

“O que o ensino dos Espíritos acrescenta à moral do Cristo é o conhecimento dos princípios que regem as relações entre os mortos e os vivos, princípios que completam as noções vagas que se tinham da alma, de seu passado e de seu futuro, dando por sanção à doutrina cristã as próprias leis da Natureza. Com o auxílio das novas luzes que o Espiritismo e os Espíritos espargem, o homem se reconhece solidário com todos os seres e compreende essa solidariedade; a caridade e a fraternidade se tornam uma necessidade social; ele faz por convicção o que fazia unicamente por dever, e o faz melhor”
.

“Somente quando praticarem a moral do Cristo, poderão os homens dizer que não mais precisam de moralistas encarnados ou desencarnados. Mas, também, Deus, então, já não lhos enviará”(A Gênese, Cap. I, item 56, págs. 45-46). (grifo nosso).

“O Espiritismo está inteiramente fundado sobre o princípio da existência da alma, sua sobrevivência ao corpo, sua individualidade depois da morte, sua imortalidade, as penas e as recompensas futuras. Ele não sanciona estas verdades somente pela teoria, sua essência é de dar-lhes provas patentes; eis porque tantas pessoas, que não criam em nada, foram conduzidas para as idéias religiosas. Toda a sua moral não é senão o desenvolvimento destas máximas do Cristo: Praticar a caridade, restituir o bem para o mal, ser indulgente com seu próximo, perdoar aos inimigos, em uma palavra, agir para com os outros como gostaríamos que eles agissem para conosco”. (Revista Espírita 1860, pág. 293/294). (grifo nosso).

O Espiritismo, ao contrário, nada tem a destruir, porque se assenta sobre as próprias bases do cristianismo; sobre o Evangelho, do qual não é senão a aplicação. Concebeis a vantagem, não de sua superioridade, mas de sua posição. Não é, pois, assim como alguns o pretendem, sempre porque não o conhecem, uma religião nova, uma seita que se formas às expensas de suas irmãs mais velhas: é uma doutrina puramente moral que não se ocupa, de nenhum modo, dos dogmas e deixa a cada um inteira liberdade de suas crenças, uma vez que não se impõe a ninguém; e a prova disso é que tem adeptos em todas, entre os mais fervorosos católicos, como entre os protestantes, entre os judeus e os muçulmanos. O Espiritismo repousa sobre a possibilidade de se comunicar com o mundo invisível, quer dizer, com as almas; ora, como os judeus, os protestantes, os muçulmanos têm alma como nós, disso resulta que podem se comunicar com elas tão bem quanto conosco, e que, por conseguinte, podem ser Espíritas como nós”. (Revista Espírita 1861, pág. 301) (grifo nosso).

“O mais belo lado do Espiritismo é o lado moral; será por suas conseqüências morais que triunfará, 
porque ali está sua força, porque ali é invulnerável. Ele escreveu sobre a sua bandeira: Amor e caridade, e diante desse paládio mais poderoso do que o de Minerva, porque vem do Cristo, a própria incredulidade se inclina”. (Revista Espírita 1861, pág. 343) (grifo nosso).

“... do Evangelho Segundo o Espiritismo: contendo: a explicação das máximas morais do Cristo, sua concordância com o Espiritismo,  sua aplicação à diversas posições da vida. AK, epígrafe: Não há fé inabalável senão aquela que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da Humanidade. § Esta obra é para o uso de todo o mundo; cada um pode nela haurir os meios de conformar a sua conduta à moral do Cristo. Os Espíritas nela encontrarão outras aplicações que lhes concernem mais especialmente. Graças às comunicações estabelecidas doravante de maneira permanente entre os homens e o mundo invisível, a lei evangélica ensinada em todas as nações pelos próprios Espíritos, não será mais uma letra morta, porque cada um a compreenderá, e será incessantemente solicitado a pô-la em prática, pelos conselhos de seus guias espirituais. As instruções dos Espíritos são verdadeiramente as vozes do céu que vêm esclarecer os homens, e convidá-los à imitação do Evangelho”. (Revista Espírita 1864, págs. 97/99) (grifo nosso).

Apesar do nosso detrator ter lido alguns livros de Kardec, parece que não viu nada do que acabamos de colocar. Será mesmo que foi isso? Assim, está também explicado porque motivo nós usamos a Bíblia. Pode alegar que muitas vezes utilizamos passagens do Antigo Testamento, sim, não vamos negar, mas normalmente fazemos isso para usar da mesma arma que usam para combater o Espiritismo, já que nossos princípios são apoiados pelos fatos. Podemos, por aqui, indicar mais outro texto de nossa autoria, disponível na Internet, que explica muito bem porque da Bíblia só tomamos o Evangelho como base para seguirmos:

Mas sabemos o porquê atacam tanto o Espiritismo, é puro medo, pois suas crenças se apóiam em bases fracas, colocando inteiramente em risco todo o edifício erguido em cima delas. Vejamos a previsão que se fez para o futuro do Espiritismo, numa comunicação datada de 15 de abril de 1860, assinada simplesmente “Um Espírito”, cujo teor, transmitido a Kardec, é o seguinte:
Futuro do Espiritismo

“O Espiritismo está chamado a desempenhar um papel imenso sobre a Terra; será ele que reformará a legislação tão freqüentemente contrária às leis divinas; reconduzirá a religião do cristo que, nas mãos dos sacerdotes, se tornou um comércio e um vil tráfico; instituirá a verdadeira religião, a religião natural, a que parte do coração e vai direto a Deus, sem se deter nas franjas de uma batina, ou no escadote de um altar. Extinguirá para sempre o ateísmo e o materialismos, aos quais certos homens foram levados pelos abusos daqueles que se dizem os ministros de Deus, pregam a caridade com uma espada na mão, sacrificam à sua ambição, e ao espírito de dominação, os diretos mais sagrados da Humanidade” (Obras Póstumas, segunda parte, pág. 289).

E, por fim, podemos colocar mais uma comunicação recebida em 09 de agosto de 1863, quando Kardec estava preparando para lança o livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”:

“Eis que a hora se aproxima em que será preciso declarar abertamente o Espiritismo por aquilo que ele é, e mostrar a todos onde se encontra a verdadeira doutrina ensinada pelo Cristo; a hora se aproxima em que, diante do céu e da Terra, deverás proclamar o Espiritismo como a única tradição realmente cristã, a única instituição verdadeiramente divina e humana. Escolhendo-te, os Espíritos sabiam da solidez de tuas convicções, e que a tua fé, como uma muralha de bronze, resistiria a todos os ataques”. (Obras Póstumas, pág. 298).

A nossa opinião bem pessoal sobre a Bíblia, quem se interessar, pode encontrar nos endereços:
Conclusão

Pelo exposto, diante das evidências da Palavra de Deus, sigamos os seus ensinos, pois ela, positiva e enfaticamente, condena o espiritismo e proscreve-o em todas as suas formas, tanto antigas como modernas.

Não poderíamos concluir nosso trabalho, sem informar a verdadeira identidade dos espíritos do espiritismo.

Não resta dúvida que seres espirituais fazem suas aparições e manifestam seus poderes nas sessões espíritas. O que desejamos saber é quem são esses seres desencarnados, que vêm ao nosso mundo por convite especial ou invocação dos médiuns.
Apesar de estar sempre falando que Deus condena o Espiritismo, não nos trouxe nenhuma prova incontestável dessa alegação, mas, oportunamente, iremos provar o contrário.

Até aqui já demonstramos, por várias vezes, que o nosso detrator não conhece nada de Espiritismo, que não o estudou, como era de se esperar para quem se mete a falar sobre algo. Dos livros que apresenta para reforçar seus argumentos, evidenciamos que tirou apenas parte de trechos pensando fossem suficientes para despejar seus impropérios contra o Espiritismo.

Agora, nos vem dizer que consegue identificar os seres que se manifestam nas sessões espíritas, faça-nos o favor meu caro! Será que o nosso amigo está querendo, como se diz popularmente, “ensinar o Pai-nosso ao vigário”, mesmo sem saber rezá-lo.
Podem os mortos comunicarem-se com os vivos?

Para responder a esta e as perguntas que se seguem, apenas as Sagradas Escrituras, a revelação máxima da vontade de Deus, esclarecem com autoridade essa questão, dando-nos a verdadeira e plena satisfação de ter encontrado a resposta.

Gostaria que você lesse no evangelho, no livro de Lucas, a parábola do rico e Lázaro, que se encontra no capitulo 16, versículos de 19 a 31. Nesta passagem vemos claramente que os mortos não podem e não tem permissão para se comunicarem com os vivos. Demos ênfase ao versículo 26: "E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá passar para cá." (LC 16:26).

Não encontramos em nenhum lugar das Escrituras um só indicio de que o homem, em seu estado atual, possa ter qualquer tipo de relação com os espíritos dos mortos. Pelo contrário, como vimos, o Senhor tem "as chaves da morte e do inferno" (Apocalipse 1:18) e somente Ele tem poder para fazer sair dali os espíritos, o que fará nas duas únicas ocasiões, ou seja, na primeira ressurreição para os santos (1 Ts 4:16) e na ressurreição do juízo para os perversos (João 5:29). Enquanto aguardamos esse evento, os espíritos dos crentes que já morreram está com o Senhor, "ausente deste corpo e presente com o Senhor" (2 Coríntios 5:8); eles partiram para estar com Cristo (Filipenses 1:23), mas os espíritos dos perversos estão "em prisão" (I Pedro 3:19), motivo pelo qual não têm a liberdade de sair quando são "chamados".

Se não resta dúvida que no espiritismo entra-se em contato com poderes sobrenaturais, com espíritos e forças extra-humanas e extraterrenas, capazes de manifestações surpreendentes, e se esses espíritos, segundo os ensinos das Escrituras, não pertencem aos mortos, então quem são eles? Qual é a sua história? Qual a sua missão? Onde habitam?
Se as Sagradas Escrituras são a revelação máxima da vontade de Deus, perguntamos: os que pensam assim, a cumprem integralmente, inclusive, isso: “Dê bebida ao moribundo e vinho para os amargurados, pois bebendo eles esquecerão a miséria e não se lembrarão de seus sofrimentos” (Pr 31,6-7), flagrante apologia ao alcoolismo.

Há uma passagem muito interessante que também gostaríamos de saber se a cumprem. Para se adentrar em sua igreja é exigido, dos homens, um atestado de virilidade, se não, pelo menos é feito algum exame em suas genitálias antes de adentrarem a sua igreja? Se não fazem, estão descumprindo a “máxima vontade de Deus”, que determina: “O homem com testículos esmagados ou com o membro viril cortado não poderá entrar na assembléia de Javé” (Dt 23,2), já que, ao que nos parece, Deus só admite entrar na igreja os homens com capacidade reprodutiva, ou seja, macho mesmo.

Os que freqüentam sua igreja são obrigados a provar que são filhos legítimos, gerados dentro do casamento, se isso não acontece deveriam fazê-lo, pois a “máxima vontade de Deus”, determina enfaticamente que: “Nenhum bastardo poderá entrar na assembléia de Javé, e seus descendentes até a décima geração não poderão entrar na assembléia de Javé”. (Dt 23,3).

Como essa turma “da Bíblia é a palavra de Deus” rebaixa Deus a tantos absurdos, até quando isso ocorrerá, meu Deus! O Deus no Espiritismo é bem diferente disso, é a inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas.

Devemos, para restabelecer a verdade, colocar a passagem de Lucas que o articulista cita, para, mais uma vez, desmascarar o autor do texto, como pessoa que apresenta meias-verdades, pois seu interesse é denegrir, atacar e combater o Espiritismo. Se tivesse estudado mesmo as obras Espíritas, teria visto essa fala de Kardec: “Se o Espiritismo é uma falsidade, ele cairá por si mesmo; se, porém, é uma verdade, não há diatribe que possa fazer dele uma mentira”.

Vejamos, então, a passagem de Lucas 16,19-31, realçaremos o versículo 26:

“Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho fino, e dava banquete todos os dias. E um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, que estava caído à porta do rico. Ele queria matar a fome com as sobras que caíam da mesa do rico. E ainda vinham os cachorros lamber-lhe as feridas. Aconteceu que o pobre morreu, e os anjos o levaram para junto de Abraão. Morreu também o rico, e foi enterrado. No inferno, em meio aos tormentos, o rico levantou os olhos, e viu de longe Abraão, com Lázaro a seu lado. Então o rico gritou: ‘Pai Abraão, tem piedade de mim! Manda Lázaro molhar a ponta do dedo para me refrescar a língua, porque este fogo me atormenta’. Mas Abraão respondeu: ‘Lembre-se, filho: você recebeu seus bens durante a vida, enquanto Lázaro recebeu males. Agora, porém, ele encontra consolo aqui, e você é atormentado. Além disso, há um grande abismo entre nós; por mais que alguém desejasse, nunca passaria daqui para junto de vocês, nem os daí poderiam atravessar até nós’. O rico insistiu: “Pai, eu te suplico, manda Lázaro à casa de meu pai, porque eu tenho cinco irmãos. Manda preveni-los, para que não acabem também eles vindo para este lugar de tormento’. Mas Abraão respondeu: ‘Eles têm Moisés e os profetas: que os escutem! O rico insistiu: ‘Não, pai Abraão! Se um dos mortos for até eles, eles vão se converter’. Mas Abraão lhe disse: ‘Se eles não escutam a Moisés e aos profetas, mesmo que um dos mortos ressuscite, eles não ficarão convencidos”.

Até da Bíblia pega frase solta para justificar uma idéia, cujo sentido não é exatamente o que quer colocar, é esse o caso. O versículo 26 não está dizendo “que os mortos não podem e não tem permissão para se comunicarem com os vivos”, pelo contexto podemos concluir, sem distorcer a narrativa, que o que se está falando nele é que, no outro lado da vida, ou seja, no mundo espiritual, existe realmente sim um abismo entre os bons e os maus, até mesmo porque seria completamente injusto que ambos tivessem o mesmo destino. Esse abismo, a que muito bem se refere essa parábola, é o abismo existente entre a evolução espiritual de cada um, que não permite, em hipótese alguma, que os maus possam ir para o mesmo lugar destinado aos bons, sem que tenham passado pelo mesmo processo evolutivo que os bons já passaram.

Em verdade, por essa passagem, podemos concluir exatamente o contrário do que o autor diz. Observemos que o rico só pediu a Abraão para mandar Lázaro avisar seus irmãos porque sabia da possibilidade dos mortos se comunicarem com os vivos. Fato não negado por Abraão, antes reafirma isso, entretanto adverte ao rico que se seus irmãos não ouviram a Moisés e aos profetas, ou seja, nem aos vivos deram ouvidos, por que motivo especial eles dariam aos mortos?

Outras coisas interessantes nós podemos perceber por essa parábola. Tendo em vista que o rico foi para o seio de Abraão, e que por toda a narrativa quem aparece é ele, poderíamos dizer que Abraão é Deus? Considerando que Lázaro foi imediatamente depois da morte para o “seio de Abraão”, acontecendo o mesmo com o rico, que, por sua vez, foi para o “tormento do inferno”, perguntamos será que foram para esses lugares sem julgamento? Qual seria então a necessidade do juízo final? Que se Abraão e o rico, mesmo em planos diferentes, conversaram entre si, é porque não estão dormindo, ou seja, a nossa realidade após a morte é completamente consciente.

Ao que nos parece, o nosso articulista, não entende nem mesmo de Bíblia, pode até sabê-la de cor, só que age como os papagaios que apenas repetem o que aprenderam, sem saber e nem entender o que estão dizendo. Por outro lado, carregar Bíblia debaixo do braço não faz ninguém doutor em teologia. Ao dizer que “Não encontramos em nenhum lugar das Escrituras um só indício de que o homem, em seu estado atual, possa ter qualquer tipo de relação com os espíritos dos mortos”, evidencia exatamente isso, pois em, pelo menos, duas passagens a relação entre os vivos e os mortos está perfeitamente identificada.

A primeira delas vamos encontrar no capítulo 28 do primeiro livro de Samuel. Resumindo a narrativa: O rei Saul, estava cercado pelos filisteus. Diante desse grave momento quis saber, por todos os meios, o que lhe estava reservado nessa batalha. Inicialmente recorreu a Deus pediu uma revelação por sonho, por urim e por profetas, não obtendo nenhuma resposta. Então Saul resolveu ir a Endor procurar uma pitonisa para que, através dela, pudesse consultar o profeta Samuel já morto. Chegando lá, Saul diz à pitonisa evocar o espírito Samuel, para que ele lhe revelasse o futuro. A pitonisa diz estar vendo um deus que sobe da terra, imediatamente Saul inclinando-se com o rosto no chão prostrou-se, ou seja, estava na verdade fazendo uma referência que só a um Deus se fazia. O espírito de Samuel, fala a Saul, usando a pitonisa como intermediária, sobre o assunto que o preocupava, dizendo que seria vencido na guerra e que ele e seus filhos morreriam.

E antes que alguém fale que foi o demônio que se manifestou, usamos para provar que foi mesmo o espírito de Samuel, tomando da Bíblia Católica, que é a “palavra de Deus”, tanto quanto à dos protestantes, onde lemos a seguinte passagem: “Mesmo depois de sua morte, ele profetizou, predizendo ao rei o seu fim. Mesmo do sepulcro, ele levantou a voz, numa profecia, para apagar a injustiça do povo”. (Eclesiástico 46,20).

No início dissemos que iríamos provar que na manifestação dos espíritos o povo tinham-nos na condição de deuses, é o que vemos Saul fazer quando lhe aparece o Espírito Samuel. Além da necessidade de proibir qualquer prática que levasse o povo judeu a ter alguma relação com outros deuses, Moisés, também, tinha outro forte motivo para isso. Esse motivo estava relacionado com o objetivo de se consultar os mortos, que só o faziam para fins de adivinhação, exatamente como Saul fez.

Seguindo, agora iremos mostrar a segunda passagem. Essa tem uma importância muito maior porque ela acontece com o próprio Jesus, quando, no monte Tabor, e na presença de Pedro, Tiago e João, transfigura-se aparecendo os espíritos Moisés e Elias a conversar com Ele, conforme narra Mateus 17, 1-9. Já sabemos, irá dizer que Elias não morreu, embora acreditamos que ninguém escapa do “tu és pó e ao pó hás de tornar” (Gn 3, 19), e que “ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu” (Jo 3, 13), não iremos entrar nesse mérito, já que sobre o assunto temos o texto disponível na Internet:

Sobra então Moisés que morreu mesmo. Agora, realçamos que, se a comunicação com os mortos é proibida por que razão Jesus nos dá esse mau exemplo? Ora, Jesus disse categoricamente “quem acredita em mim, fará as obras que eu faço, e fará maiores do que estas”. (Jo 14, 12), que em outras palavras significa: tudo o que eu fiz, vós podeis fazer, e muito mais. Entendemos que, como seguidores de Jesus, não como os nossos adversários querem, mas como achamos melhor, estamos liberados para comunicarmos com os mortos, já que em nenhum momento Ele proibiu tal coisa, ao contrário, já que pessoalmente entrou em contato com eles. Nós seguimos a Jesus e não a Moisés, entendeu?

Considerando que você acredita que a Bíblia é a palavra de Deus, trazemos do livro de Jó, não esquecemos que já afirmamos que esse livro é uma lenda, entretanto como você não o acha, anotamos dele (7, 8-10): “Consulte as gerações passadas e observe a experiência de nossos antepassados. Nós nascemos ontem e não sabemos nada. Nossos dias são como sombra no chão. Os nossos antepassados, no entanto, vão instruí-lo e falar a você com palavras tiradas da experiência deles”. Analisemos. Ora, antigamente os conhecimentos dos outros não eram escritos para que as pessoas pudessem consultá-los para saber das experiências das gerações passadas, assim a consulta só poderia ocorrer pessoalmente, mas como estavam mortos, o meio usado teria que ser necessariamente através de uma evocação dos mortos, esses é que deveriam instruir aos outros com suas experiências.

E por derradeiro, adicionamos mais uma prova da comunicação dos mortos com os vivos, é a terceira, que propositadamente não enumeramos, mas talvez seja a mais importante de todas, apesar de que não vemos ninguém falar sobre ela. Todos nós sabemos que Jesus morreu na cruz. Os Evangelhos registram que após sua morte Jesus apareceu para várias mulheres, depois aos onze discípulos e, segundo Paulo, certa vez apareceu a mais de quinhentos. Particularmente, aos seus discípulos, deixou várias instruções, ora, isso só pode ter ocorrido porque os mortos se comunicam com os vivos, ficou bem claro agora?

Uma coisa curiosa é que Mateus não fala absolutamente nada sobre o dia em que Jesus subiu ao céu, Marcos, por sua vez, dá a entender que foi no próprio dia que ressuscitou, o relato de Lucas é semelhante ao de Marcos, João fala que até oito dias depois da ressurreição ainda estava aparecendo aos discípulos, e, finalmente, em Atos, Lucas, diz que apareceu durante quarenta dias. Afinal quanto tempo Jesus ficou entre os discípulos após a sua morte? Qual das versões é a verdadeira palavra de Deus?

Por nossa vez diremos: não nos resta dúvida que os mortos podem se comunicar com os vivos, por se tratar de um fenômeno que se encontra dentro das leis naturais criadas por Deus. E segundo as Escrituras isso pode ocorrer, sem ser uma violação a qualquer lei de Deus.
Quem são eles?

A Bíblia nos fala de seres espirituais, invisíveis aos homens, que algumas vezes se materializam e exercem poderes sobrenaturais. Tais forças espirituais compõem de duas classes: a de seres bons, chamados de anjos, a quem Deus usa para proteção e auxílio ao homem, e a de seres maus, que assim se tornaram porque voluntariamente se afastaram do plano original de Deus e tomaram parte num movimento de rebelião contra o governo de Deus.

Os anjos são seres espirituais criados por Deus, conforme está escrito: "Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele". (CL 1:16).

Mais ainda, as Escrituras afirmam que os anjos são uma ordem de seres mais elevada do que os homens:
"Pois pouco menor o fizeste do que os anjos, e de glória e de honra o coroaste". (SL 8:5).
Qual a sua missão?

Sabemos existir duas categoria de anjos: os bons e aqueles que se tornaram maus.

Os bons tem como missão sempre beneficiar o homem. São chamados na Bíblia "espíritos ministradores" ou mensageiros". Deus os envia para socorrer a humanidade em diferentes circunstâncias da vida.

Anjos tem agido de modo maravilhoso em diferentes ocasiões, algumas vezes assumindo a forma humana, a fim de proteger a crianças e adultos. As Escrituras contem muitas histórias de tais ocasiões.

É bastante conhecida esta  passagem que afirma esta realidade: "O anjo do SENHOR acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra". (SL 34:7).

Falando dos "pequeninos" Jesus nos diz sobre os anjos de guarda destes: "Vede, não desprezeis algum destes pequeninos, porque eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre vêem a face de meu Pai que está nos céus". (MT 18:10).

Também é bastante conhecido o relato do acontecido com Daniel: "O meu Deus enviou o seu anjo, e fechou a boca dos leões, para que não me fizessem dano". (DN 6:22)

Então, se os espíritos não são os mortos que voltam, podem ser os anjos bons? A resposta é definitivamente Não, pela simples razão de que os espíritos que aparecem nas sessões são impostores. Afirmam ser os espíritos de seres humanos mortos, e em dizendo isto proferem uma falsidade. Consequentemente, não podem ser anjos de Deus. Os anjos, como Deus, não mentem. O próprio espiritismo admite que alguns dos espíritos são mentirosos. Allan Kardec assevera que  "os espíritos enganadores não tem escrúpulos em se abrigarem sob nomes que tomam emprestado, para fazerem aceitar suas utopias". (O Evangelho Segundo o Espiritismo, IDE, Introdução II, p. 12) Mais adiante ele nos diz: "O espiritismo vem revelar uma outra categoria bem mais perigosa de falsos Cristos e de falsos profetas, que se encontram, não entre os homens, mas entre os desencarnados: a dos espíritos enganadores, hipócritas, orgulhosos e pseudo-sábios que da Terra, passaram para a erradicidade, e se adornam com nomes veneráveis para procurar, graças à máscara com a qual se cobrem, recomendar idéias, freqüentemente, as mais bizarras e as mais absurdas". (Idem, cap. XXI, pág. 261).

Segundo as Escrituras, não somente alguns dos espíritos são mentirosos, como afirma Kardec, mas todos o são, porque mantém a falsidade e procuram passar por quem não são.

A única coisa que nos resta é identificar tais espíritos com as potências do mal, as quais Paulo chama "hostes espirituais da maldade". Mas de onde vêm? Quem as criou? Pode um Deus perfeito e perfeitamente bom criar seres vis e enganadores?
Como o povo judeu imaginava a sua divindade, é o que agora iremos ver. “Os israelitas imaginavam Deus sentado num trono e rodeado de seres celestes (anjos, na terminologia do tempo), que constituíam uma espécie de conselho da corte divina. Pensavam que Deus consultasse esses conselheiros em assuntos de maior importância e por vezes enviava algum deles para executar decisões e sentenças divinas no mundo dos homens”, conforme elucidam determinados tradutores da Bíblia, ao explicarem o termo exército celeste, da passagem:“Vi o Senhor sentado no trono e todo o exército celeste de pé à direita e à esquerda” (2 Cr 18,18), embora não saibamos como isso ocorreu, já que “ninguém jamais viu a Deus” (1 João 4,12), mas, tudo bem, nós vamos fingir que não sabemos disso, senão teremos que apelar novamente para o santo que disse: “A VERDADE NÃO PODE EXISTIR EM COISAS QUE DIVERGEM”.

Sobre a rebelião dos anjos falaremos no próximo tópico.

Não há o que contestar, pois realmente existem duas categorias de espíritos, nós bem o sabemos, e podemos dizer, e muito mais do que supõem os nossos detratores, pois estudamos a relação entre os dois planos justamente para tomar conhecimento disso e saber agir com segurança caso apareçam, os que poderíamos chamar de espíritos imperfeitos, já que para nós o mal é passageiro, eterno é o bem, pois provem de Deus.

Deus agiria com parcialidade se só permitisse que os maus se manifestassem, sem que deixasse os bons virem em nosso socorro. Nós não pensamos como esse pessoal que não conseguiu perceber a realidade de Deus, para nós, Ele é totalmente amor, e como amor, não nos deixaria somente a mercê dos espíritos imperfeitos.

Se Deus envia “espíritos ministradores” ou “mensageiros” só poderá ocorrer isso se pudermos entrar em contato com eles, caso contrário seria inútil, não é mesmo? O que prova que também, podemos nos comunicar com os espíritos bons.

Os anjos nunca assumiram a forma humana, sabem por que? Porque os anjos são exatamente espíritos humanos desencarnados, por isso mesmo, se apresentam na forma humana. É por isso que em várias passagens ora se descreve um anjo, ora um homem de roupas claras, conforme podemos comprovar nas passagens:

Mateus 28, 2-3E eis que houve um grande terremoto; porque um anjo do Senhor desceu do céu, chegou-se, removeu a pedra e assentou-se sobre ela. O seu aspecto era como um relâmpago e a sua veste alva como a neve.
Marcos 16, 4-5E, olhando, viram que a pedra já estava revolvida; pois era muito grande. Entrando no túmulo, viram um jovem assentado ao lado direito, vestido de brando, e ficaram surpreendidas e atemorizadas.
Lucas 24, 2-4E encontram a pedra removida do sepulcro; mas, ao entrar, não acharam o corpo do Senhor Jesus. Aconteceu que, perplexas a esse respeito, apareceram-lhes dois varões com vestes resplandecentes.
João 20, 11-12Maria, entretanto, permanecia junto à entrada do túmulo, chorando. Enquanto chorava, abaixou-se e olhou para dentro do túmulo, e viu dois anjos vestidos de branco sentados onde o corpo de Jesus fora posto, um à cabeceira e outro aos pés.

Embora exista divergência na quantidade e na forma da aparição, o fato é registrado por todos os evangelistas. Mateus diz ser um anjo, Marcos um jovem, Lucas dois varões e João dois anjos.

Certa feita os saduceus interrogando a Jesus a respeito da ressurreição, queriam saber qual seria a situação de uma mulher que havia se casado com sete irmãos, para cumprir a Lei do levirato, a resposta do Mestre foi: “de fato, na ressurreição, os homens e as mulheres não se casarão, pois serão como os anjos do céu”. (Mt 22,30). Por essa passagem chegamos à conclusão que os anjos do céu são espírito de pessoas desencarnadas, uma vez que, seremos como eles. Estaríamos ultrapassando o sentido do texto? Mostraremos agora que são sim, a mesma coisa. No capítulo 12 de Atos dos Apóstolos, é relatada a Prisão de Pedro por Herodes, que já havia mandado matar a Tiago, irmão de João. Todos esperavam que Pedro tivesse a mesma sorte que Tiago, mas, segundo o relato, um anjo do Senhor foi e libertou Pedro, ainda meio atrapalhado diante dessa situação, resolve ir para aa casa da mãe de João. Lá chegando, bate à porta, e Rosa, a empregada, vem atender, mas reconhecendo a voz de Pedro, em vez de abrir voltou para contar aos outros que Pedro estava ali, ai segue a narrativa: “Os presentes disseram: ‘Você está ficando louca!’ Mas ela insistia. Eles disseram: ‘Então deve ser o seu anjo!’” Do que fica claro que usaram a palavra anjo para designar espírito, pois pensavam que Pedro já deveria ter morrido.

Sabemos que os anjos da guarda não existem da maneira como pensam, para nós eles são os espíritos mais evoluídos, que recebem de Deus a missão de proteger a cada um de nós. A passagem citada para justificar a existência deles não se aplica bem ao caso. Na verdade a palavra anjo, conforme demonstramos, tem o significado de espírito, substituindo um termo pelo outro na frase: “Vedes, não desprezeis algum destes pequeninos, porque eu vos digo que os seus espíritos nos céus sempre vêem a face de meu Pai...”, percebemos que o sentido fica mais claro, ou seja, Jesus está dizendo que dos próprios espíritos das crianças e não de anjos no sentido que é normalmente aceito. Principalmente se levarmos em consideração que a explicação anterior e essa se completam mutuamente.

A conclusão equivocada do articulista, de que os espíritos dos mortos não voltam, está totalmente derrubada pelo que já dissemos até aqui. Como já o dissemos, são tão cegos, que não percebem que afirmando isso estaria negando que Jesus voltou depois de morto e esteve algum tempo com seus discípulos.

Usando da passagem: “Se alguém diz: ‘Eu amo a Deus’, e no entanto odeia o seu irmão, esse tal é mentiroso” (1 Jo 4,20), podemos identificar como mentiroso todo aquele que persegue, usa de maledicência, de subterfúgio para com o seu próximo, pois age diferente do que nos recomenda Jesus.

Apesar de Kardec dizer que alguns espíritos enganadores, isso não leva a ninguém mudar o sentido do seu pensamento para querer sustentar que todos os espíritos são enganadores. Se Kardec consegue estabelecer uma distinção entre as diversas classes de espíritos é porque soube muito bem separar o joio do trigo, coisa que só os Espíritas sabem fazer. Eles se manifestam por toda a parte, inclusive em todas igrejas, nessas principalmente é que dizem ser satanás, mas não é o nosso caso, já possuímos conhecimento suficiente para saber distingui-los. Tal é a coisa que sobre esse assunto Kardec coloca em “O Livro dos Médiuns”, segunda parte, Cap. XXIV, um item bem específico sobre isso, intitulado “Distinção dos bons e dos maus espíritos”, fato que se o nosso detrator tivesse realmente estudado as obras de Kardec teria visto, ficaria livre de ter falado levianamente. Colocaremos o item 266 (págs. 332/333), para que possa ver que temos orientação precisa disso:

“Em se submetendo todas as comunicações a um exame escrupuloso, em se lhes perscrutando e analisando o pensamento e as expressões, como é de uso fazer-se quando se trata de julgar uma obra literária, rejeitando-se, sem hesitação, tudo o que peque contra a lógica e o bom-senso, tudo o que desminta o caráter do Espírito que se supõe ser o que se está manifestando, leva-se o desânimo aos Espíritos mentirosos, que acabam por se retirar, uma vez fiquem bem convencidos de que não lograrão iludir. Repetimos: este meio é único, mas é infalível, porque não há comunicação má que resista a uma crítica rigorosa. Os bons espíritos nunca se ofendem com esta, pois que eles próprios a aconselham e porque nada têm que temer do exame. Apenas os maus se formalizam e procuram evitá-lo, porque tudo têm a perder. Só com isso provam o que são”.

“Eis aqui o conselho que a tal respeito nos deu São Luís”:

"Qualquer que seja a confiança legítima que vos inspirem os Espíritos que presidem aos vossos trabalhos, uma recomendação há que nunca será demais repetir e que deveríeis ter presente sempre na vossa lembrança, quando vos entregais aos vossos estudos: é a de pesar e meditar, é a de submeter ao cadinho da razão mais severa todas as comunicações que receberdes; é a de não deixardes de pedir as explicações necessárias a formardes opinião segura, desde que um ponto vos pareça suspeito, duvidoso ou obscuro".

Veja que interessante, até mesmo um espírito a quem chama de mentiroso, vem dizer para que busquemos a verdade, isso, para nós, é bem contraditório. Inclusive existe uma recomendação de um outro Espírito que nos diz “vale mais repelir dez verdades do que admitir uma só mentira, uma só falsa teoria”.[ ] Mas, ainda, podemos mostrar a grande preocupação de Kardec com esse assunto, (item, 267, cap. XXIV, doLivro dos Médiuns, págs. 333-335) que lista uma série de coisas para que se faça essa identificação com precisão. Vejamos:

“Podem resumir-se nos princípios seguintes os meios de se reconhecer a qualidade dos Espíritos”:

1º Não há outro critério, senão o bom-senso, para se aquilatar do valor dos Espíritos. Absurda será qualquer fórmula que eles próprios dêem para esse efeito e não poderá provir de Espíritos superiores.

2º Apreciam-se os Espíritos pela linguagem de que usam e pelas suas ações. Estas se traduzem pelos sentimentos que eles inspiram e pelos conselhos que dão.

3º Admitido que os bons Espíritos só podem dizer e fazer o bem, de um bom Espírito não pode provir o que tenda para o mal.

4º Os Espíritos superiores usam sempre de uma linguagem digna, nobre, elevada, sem eiva de trivialidade; tudo dizem com simplicidade e modéstia, jamais se vangloriam, nem se jactam de seu saber, ou da posição que ocupam entre os outros. A dos Espíritos inferiores ou vulgares sempre algo refletem das paixões humanas. Toda expressão que denote baixeza, pretensão, arrogância, fanfarronice, acrimônia, é indício característico de inferioridade e de embuste, se o Espírito se apresenta com um nome respeitável e venerado.

5º Não se deve julgar da qualidade do Espírito pela forma material, nem pela correção do estilo. É preciso sondar-lhe o íntimo, analisar-lhe as palavras, pesá-las friamente, maduramente e sem prevenção. Qualquer ofensa à lógica, à razão e à ponderação não pode deixar dúvida sobre a sua procedência, seja qual for o nome com que se ostente o Espírito.
 (N. 224.).

6º A linguagem dos Espíritos elevados é sempre idêntica, senão quanto à forma, pelo menos quanto ao fundo. Os pensamentos são os mesmos, em qualquer tempo e em todo lugar. Podem ser mais ou menos desenvolvidos, conforme as circunstâncias, as necessidades e as faculdades que encontrem para se comunicar; porém, jamais serão contraditórios. Se duas comunicações, firmadas pelo mesmo nome, se mostram em contradição, uma das duas é evidentemente apócrifa e a verdadeira será aquela em que nada desminta o conhecido caráter da personagem. Sobre duas comunicações assinadas, por exemplo, com o nome de São Vicente de Paulo, uma das quais propendendo para a união e a caridade e a outra tendendo para a discórdia, nenhuma pessoa sensata poderá equivocar-se.

7º Os bons Espíritos só dizem o que sabem; calam-se ou confessam a sua ignorância sobre o que não sabem. Os maus falam de tudo com desassombro, sem se preocuparem com a verdade. Toda heresia científica notória, todo princípio que choque o bom-senso, aponta a fraude, desde que o Espírito se dê por ser um Espírito esclarecido.

8º Reconhecem-se ainda os Espíritos levianos, pela facilidade com que predizem o futuro e precisam fatos materiais de que não nos é dado ter conhecimento. Os bons Espíritos fazem que as coisas futuras sejam pressentidas, quando esse pressentimento convenha; nunca, porém, determinam datas. A previsão de qualquer acontecimento para uma época determinada é indício de mistificação.

9º Os Espíritos superiores se exprimem com simplicidade, sem prolixidade. Têm o estilo conciso, sem exclusão da poesia das idéias e das expressões, claro, inteligível a todos, sem demandar esforço para ser compreendido. Têm a arte de dizer muitas coisas em poucas palavras, porque cada palavra é empregada com exatidão. Os Espíritos inferiores, ou falsos sábios, ocultam sob o empolamento, ou a ênfase, o vazio de suas idéias. Usam de uma linguagem pretensiosa, ridícula, ou obscura, à força de quererem pareça profunda.

10º Os bons Espíritos nunca ordenam; não se impõem, aconselham e, se não são escutados, retiram-se. Os maus são imperiosos; dão ordens, querem ser obedecidos e não se afastam, haja o que houver. Todo Espírito que impõe trai a sua inferioridade. São exclusivistas e absolutos em suas opiniões; pretendem ter o privilégio da verdade. Exigem crença cega e jamais apelam para a razão, por saberem que a razão os desmascararia.

11º Os bons Espíritos não lisonjeiam; aprovam o bem feito, mas sempre com reserva. Os maus prodigalizam exagerados elogios, estimulam o orgulho e a vaidade, embora pregando a humildade, e procuram exaltar a importância pessoal daqueles a quem desejam captar.

12º Os Espíritos superiores desprezam, em tudo, as puerilidades da forma. Só os Espíritos vulgares ligam importância a particularidades mesquinhas, incompatíveis com idéias verdadeiramente elevadas. Toda prescrição meticulosa é sinal certo de inferioridade e de fraude, da parte de um Espírito que tome um nome imponente.

13º Deve-se desconfiar dos nomes singulares e ridículos, que alguns Espíritos adotam, quando querem impor-se à credulidade; fora soberanamente absurdo tomar a sério semelhantes nomes.

14º Deve-se igualmente desconfiar dos Espíritos que com muita facilidade se apresentam, dando nomes extremamente venerados, e não lhes aceitar o que digam, senão com muita reserva. Aí, sobretudo, é que uma verificação severa se faz indispensável, porquanto isso não passa muitas vezes de uma máscara que eles tomam, para dar a crer que se acham em relações íntimas com os Espíritos excelsos. Por esse meio, lisonjeiam a vaidade do médium e dela se aproveitam freqüentemente para induzi-lo a atitudes lamentáveis e ridículas.

15º Os bons Espíritos são muito escrupulosos no tocante às atitudes que hajam aconselhar. Elas, qualquer que seja o caso, nunca deixam de objetivar um fim sério e eminentemente útil. Devem, pois, ter-se por suspeitas todas as que não apresentam este caráter, ou sejam condenáveis perante a razão, e cumpre refletir maduramente antes de tomá-las, a fim de evitarem-se mistificações desagradáveis.

16º Também se reconhecem os bons Espíritos pela prudente reserva que guardam sobre todos os assuntos que possam trazer comprometimento. Repugna-lhes desvendar o mal, enquanto que aos Espíritos levianos, ou malfazejos apraz pô-lo em evidência. Ao passo que os bons procuram atenuar os erros e pregam a indulgência, os maus os exageram e sopram a cizânia, por meio de insinuações pérfidas.

17º Os bons Espíritos só prescrevem o bem. Máxima nenhuma, nenhum conselho, que se não conformem estritamente com a pura caridade evangélica, podem ser obra de bons Espíritos.

18º Jamais os bons Espíritos aconselham senão o que seja perfeitamente racional. Qualquer recomendação que se afaste da linha reta do bom-senso, ou das leis imutáveis da Natureza, denuncia um Espírito atrasado e, portanto, pouco merecedor de confiança.

19º Os Espíritos maus, ou simplesmente imperfeitos, ainda se traem por indícios materiais, a cujo respeito ninguém se pode enganar. A ação deles sobre o médium é às vezes violenta e provoca movimentos bruscos e intermitentes, uma agitação febril e convulsiva, que destoa da calma e da doçura dos bons Espíritos.

20º Muitas vezes, os Espíritos imperfeitos se aproveitam dos meios de que dispõem, de comunicar-se, para dar conselhos pérfidos. Excitam a desconfiança e a animosidade contra os que lhes são antipáticos. Especialmente os que lhes podem desmascarar as imposturas são objeto da maior animadversão da parte deles. Alvejam os homens fracos, para os induzir ao mal. Empregando alternativamente, para melhor convencê-los, os sofismas, os sarcasmos, as injúrias e até demonstrações materiais do poder oculto de que dispõem, se empenham em desviá-los da senda da verdade.

21º Os Espíritos dos que na Terra tiveram uma única preocupação, material ou moral, se se não desprenderam da influência da matéria, continuam sob o império das idéias terrenas e trazem consigo uma parte dos preconceitos, das predileções e mesmo das manias que tinham neste mundo. Fácil é isso de reconhecer-se pela linguagem de que se servem.

22º Os conhecimentos de que alguns Espíritos se enfeitam, às vezes, com uma espécie de ostentação, não constituem sinal da superioridade deles. A inalterável pureza dos sentimentos morais é, a esse respeito, a verdadeira pedra de toque.

23º Não basta se interrogue um Espírito para conhecer-se a verdade. Precisamos, antes de tudo, saber a quem nos dirigimos; porquanto, os Espíritos inferiores, ignorantes que são, tratam frivolamente das questões mais sérias. Também não basta que um Espírito tenha sido na Terra um grande homem, para que, no mundo espírita, se ache de posse da soberana ciência. Só a virtude pode, purificando-o, aproximá-lo de Deus e dilatar-lhe os conhecimentos.

24º Da parte dos Espíritos superiores, o gracejo é muitas vezes fino e vivo, nunca, porém, trivial. Nos Espíritos zombadores, quando não são grosseiros, a sátira mordaz é, não raro, muito apropositada.

25º Estudando-se cuidadosamente o caráter dos Espíritos que se apresentam, sobretudo do ponto de vista moral, reconhecem-se-lhes a natureza e o grau de confiança que devem merecer. O bom-senso não poderia enganar.

26º Para julgar os Espíritos, como para julgar os homens, é preciso, primeiro, que cada um saiba julgar-se a si mesmo. Muita gente há, infelizmente, que toma suas próprias opiniões pessoais como paradigma exclusivo do bom e do mau, do verdadeiro e do falso; tudo o que lhes contradiga a maneira de ver, a suas idéias e ao sistema que conceberam, ou adotaram, lhes parece mau. A semelhante gente evidentemente falta a qualidade primacial para uma apreciação sã: a retidão do juízo. Disso, porém, nem suspeitam. E o defeito sobre que mais se iludem os homens. Todas estas instruções decorrem da experiência e dos ensinos dos Espíritos. Vamos completá-las com as próprias respostas que eles deram, sobre os pontos mais importantes.
Qualquer pessoa de bom senso verá que as alegações do nosso detrator são completamente infundadas, fruto de um fanatismo cego.

Só mais uma coisinha. Estamos plenamente de acordo com: “os anjos, como Deus, não mentem”, mas, se nos permite, acrescentaremos ao final dessa frase: não são orgulhosos, não promovem qualquer tipo de rebelião ou revolta, não querem ser iguais a Deus e não decaem.
Qual é a sua história? (A origem do mal)

Segundo o espiritismo, "O mal, sendo o resultado das imperfeições do homem, e o homem, sendo criado por Deus, Deus, dir-se-á, se não criou o mal, pelo menos a causa do mal; se houvesse feito o homem perfeito, o mal não existiria". (Allan Kardec, A Gênese, cap. III, item 9). Em outras palavras, diz o espiritismo que Deus, que Deus, "se não criou o mal, pelo menos (criou) a causa do mal". No parágrafo seguinte desta citação encontramos: "Se o homem tivesse sido criado perfeito, seria levado fatalmente, ao bem". Se Deus tivesse criado o homem perfeito, consequentemente, ele seria igual a Deus, seriam Deuses em potencial e não homens.

Diz-nos o relato bíblico que o homem foi criado "à sua imagem, conforme a sua semelhança" (Ver Gn 1:26 e 27). Deu também ao homem livre arbítrio. ou seja, a capacidade de resolução que depende só da vontade. Colocou a teste sua obediência quando disse: "De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás". (GN 2:16 e 17). Bem sabemos o final desta história. O homem desobedeceu a Deus e começou toda a sua desgraça. (Ver Gn 3)

Esta foi a história do pecado, a origem do pecado entre os homens. E a origem do mal? Onde teve seu princípio? Foi com a queda do homem? Certamente que não. Sua origem se deu muito antes da criação do homem.

Deus jamais criou um diabo ou demônios. Mas criou seres perfeitos e bons, com pode de livre escolha:

"Tu eras o querubim, ungido para cobrir, e te estabeleci; no monte santo de Deus estavas, no meio das pedras afogueadas andavas". (EZ 28:14).

"Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniqüidade em ti". (EZ 28:15).
"Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; por terra te lancei, diante dos reis te pus, para que olhem para ti". (EZ 28:17).

Deus criou um ser de exaltada beleza, de absoluta perfeição, de maravilhoso poder. Mas a inveja, o orgulho e a ambição egoística corromperam a sua santidade.

No Antigo Testamento, encontra-se registrada a triste história daquele que uma vez fora o ser mais exaltado do universo:

"Como caíste desde o céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações! E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, aos lados do norte. Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo". (IS 14:12 a 14).

A soberba e a ambição o corromperam. Quis ser semelhante a Deus. Ao iniciar a rebelião contra Deus, foi aviltado e expulso de sua magnífica morada, arrastando, em sua queda, importante contingente da hoste celestial que conseguira enganar.

O capítulo 12 de Apocalipse menciona uma grande batalho no Céu. Aí João, o revelador, fala da visão que Deus lhe deu:

"E houve batalha no céu; Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão, e batalhavam o dragão e os seus anjos; mas não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou nos céus. E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele." (AP 12:7 a 9).

 Na sua queda, o diabo, satanás, a antiga serpente, aquele que fora Lúcifer (filho da alva), arrastou a terça parte dos anjos com ele:

"E a sua cauda levou após si a terça parte das estrelas do céu, e lançou-as sobre a terra; e o dragão parou diante da mulher que havia de dar à luz, para que, dando ela à luz, lhe tragasse o filho". (AP 12:4)

São eles que estão por trás do espiritismo, o diabo e seus anjos caídos!

Onde habitam?

Deixemos que a Palavra de Deus responda:

"E houve batalha no céu; Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão, e batalhavam o dragão e os seus anjos; mas não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou nos céus. E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele." (AP 12:7 a 9).
Os homens acreditavam que todos espíritos faziam parte da corte de Deus, visão, de certa forma, justificada porque supunham terem sido criados quando da criação da Terra. Segundo, ainda, pensavam, dividiam-se em duas categorias: a dos bons e a dos maus. Os maus seriam os que se revoltaram contra Deus, cujo argumento para essa idéia buscam uma passagem bíblica. Dessa passagem é que tiraram que houve essa tal de revolta dos anjos, os tais anjos decaídos, mas será que é isso mesmo? Vejamos, passagem que tomam como base, é Isaías 14, 12-14:

“Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filho da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do Norte; subirei acima das mais altas nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo”.

Em nosso livro “A Bíblia à Moda da Casa”, fizemos comentários sobre essa passagem, da qual transcrevemos: Vemos que, quase sempre pegam simplesmente parte de um texto para tirar suas “verdades”, esquecendo-se de verificar o seu contexto que, muitas vezes, não tem nada a ver com o que afirmam. Vamos ao início do texto, para ver do que se trata. No esboço que se faz do Livro de Isaías, encontramos: “II – Denúncia contra Outras Nações 13:1 –23:18, A. Contra Babilônia 13:1 – 14:23”. Ora, os textos em exame se encontram dentro deste contexto, ou seja, Isaías faz denúncia contra a Babilônia, que se inicia em 13,1 narrando: “Sentença, que, numa visão, recebeu Isaías, filho de Amoz, contra a Babilônia e mais à frente em 14,3-4: No dia em que Deus vier a dar-te descanso do teu trabalho, das tuas angústias e da dura servidão com que te fizeram servir, então proferirás este motejo contra o rei da Babilônia, e dirás: Como cessou o opressor! Como acabou a tirania!”. Segue então o texto até o versículo 23, onde termina este motejo (Aurélio: zombaria). A narrativa deverá ser entendida, assim: Isaías, numa visão, prevê que o povo judeu será libertado do jugo dos babilônicos, e naquela ocasião, Deus o manda zombar do rei da Babilônia, dizendo-lhe uma sátira, que se refere especificamente a este rei, nada mais. Nesta sátira é que estão os trechos que estamos analisando. Assim, não tem nada com Satanás, é somente uma interpretação pessoal bem longe do sentido do texto. Mas para os que gostam de ver Satanás em tudo, também o encontraram ai. E ainda dizem ser suas interpretações fiéis ao texto original.

Se o nosso detrator tivesse mesmo estudado os livros que cita ao longo de seu texto, veria que Kardec já alertava que a usual interpretação dada a essa passagem não corresponde à realidade contextual do relato bíblico, conforme poderemos ler em “O Céu e o Inferno”, capítulo XI, item 9, na explicação em nota de rodapé. Assim, o articulista perdeu uma ótima chance de aprender mais alguma coisa de Bíblia, mas preferiu fazer ouvidos de mercador.

Para sabermos exatamente o pensamento de Kardec, é necessário, colocá-lo, pelo menos a sua parte mais importante, pois a estratégia do articulista assim o exige, caso contrário, ficaremos com uma falsa idéia do que o codificador pensa.

Em “A Gênese”, Cap. III (págs. 69-74), ao falar sobre esse assunto, Kardec nos trás:

Origem do bem e do mal

1. - Sendo Deus o princípio de todas as coisas e sendo todo sabedoria, todo bondade, todo justiça, tudo o que dele procede há de participar dos seus atributos, porquanto o que é infinitamente sábio, justo e bom nada pode produzir que seja ininteligente, mau e injusto. O mal que observamos não pode ter nele a sua origem.

2. - Se o mal estivesse nas atribuições de um ser especial, quer se lhe chame Arimane, quer Satanás, ou ele seria igual a Deus, e, por conseguinte, tão poderoso quanto este, e de toda a eternidade como ele, ou lhe seria inferior.

No primeiro caso, haveria duas potências rivais, incessantemente em luta, procurando cada uma desfazer o que fizesse a outra, contrariando-se mutuamente, hipótese esta inconciliável com a unidade de vistas que se revela na estrutura do Universo.

No segundo caso, sendo inferior a Deus, aquele ser lhe estaria subordinado. Não podendo existir de toda a eternidade como Deus, sem ser igual a este, teria tido um começo. Se fora criado, só o poderia ter sido por Deus, que, então, houvera criado o Espírito do mal, o que implicaria negação da bondade infinita. (Veja-se: O Céu e o Inferno, cap. X: «Os demônios».)

3. - Entretanto, o mal existe e tem uma causa.

Os males de toda espécie, físicos ou morais, que afligem a Humanidade, formam duas categorias que importa distinguir: a dos males que o homem pode evitar e a dos que lhe independem da vontade. Entre os primeiros, cumpre se incluam os flagelos naturais.

O homem, cujas faculdades são restritas, não pode penetrar, nem abarcar o conjunto dos desígnios do Criador; aprecia as coisas do ponto de vista da sua personalidade, dos interesses factícios e convencionais que criou para si mesmo e que não se compreendem na ordem da Natureza. Por isso é que, muitas vezes, se lhe afigura mau e injusto aquilo que consideraria justo e admirável, se lhe conhecesse a causa, o objetivo, o resultado definitivo. Pesquisando a razão de ser e a utilidade de cada coisa, verificará que tudo traz o sinete da sabedoria infinita e se dobrará a essa sabedoria, mesmo com relação ao que lhe não seja compreensível.

4. - O homem recebeu em partilha uma inteligência com cujo auxílio lhe é possível conjurar, ou, pelo menos, atenuar os efeitos de todos os flagelos naturais. Quanto mais saber ele adquire e mais se adianta em civilização, tanto menos desastrosos se tornam os flagelos. Com uma organização sábia e previdente, chegará mesmo a lhes neutralizar as conseqüências, quando não possam ser inteiramente evitados. Assim, com referência, até, aos flagelos que têm certa utilidade para a ordem geral da Natureza e para o futuro, mas que, no presente, causam danos, facultou Deus ao homem os meios de lhes paralisar os efeitos.

Assim é que ele saneia as regiões insalubres, imuniza contra os miasmas pestíferos, fertiliza terras áridas e se industria em preservá-las das inundações; constrói habitações mais salubres, mais sólidas para resistirem aos ventos tão necessários à purificação da atmosfera e se coloca ao abrigo das intempéries. É assim, finalmente, que, pouco a pouco, a necessidade lhe fez criar as ciências, por meio das quais melhora as condições de habitabilidade do globo e aumenta o seu próprio bem-estar.

5. - Tendo o homem que progredir, os males a que se acha exposto são um estimulante para o exercício da sua inteligência, de todas as suas faculdades físicas e morais, incitando-o a procurar os meios de evitá-los. Se ele nada houvesse de temer, nenhuma necessidade o induziria a procurar o melhor; o espírito se lhe entorpeceria na inatividade; nada inventaria, nem descobriria. A dor é o aguilhão que o impele para a frente, na senda do progresso.

6. - Porém, os males mais numerosos são os que o homem cria pelos seus vícios, os que provêm do seu orgulho, do seu egoísmo, da sua ambição, da sua cupidez, de seus excessos em tudo. Aí a causa das guerras e das calamidades que estas acarretam, das dissensões, das injustiças, da opressão do fraco pelo forte, da maior parte, afinal, das enfermidades.

Deus promulgou leis plenas de sabedoria, tendo por único objetivo o bem. Em si mesmo encontra o homem tudo o que lhe é necessário para cumpri-las. A consciência lhe traça a rota, a lei divina lhe está gravada no coração e, ao demais, Deus lha lembra constantemente por intermédio de seus messias e profetas, de todos os Espíritos encarnados que trazem a missão de o esclarecer, moralizar e melhorar e, nestes últimos tempos, pela multidão dos Espíritos desencarnados que se manifestam em toda parte. Se o homem se conformasse rigorosamente com as leis divinas, não há duvidar de que se pouparia aos mais agudos males e viveria ditoso na Terra. Se assim procede, é por virtude do seu livre-arbítrio: sofre então as conseqüências do seu proceder. (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. V, nos 4, 5, 6 e seguintes.)

7. - Entretanto, Deus, todo bondade, Pôs o remédio ao lado do mal, isto é, faz que do próprio mal saia o remédio. Um momento chega em que o excesso do mal moral se torna intolerável e impõe ao homem a necessidade de mudar de vida. Instruído pela experiência, ele se sente compelido a procurar no bem o remédio, sempre por efeito do seu livre-arbítrio. Quando toma melhor caminho, é por sua vontade e porque reconheceu os inconvenientes do outro. A necessidade, pois, o constrange a melhorar-se moralmente, para ser mais feliz, do mesmo modo que o constrangeu a melhorar as condições materiais da sua existência (nº 5).

8. - Pode dizer-se que o mal é a ausência do bem, como o frio é a ausência do calor. Assim como o frio não é um fluido especial, também o mal não é atributo distinto; um é o negativo do outro. Onde não existe o bem, forçosamente existe o mal. Não praticar o mal, já é um princípio do bem. Deus somente quer o bem; só do homem procede o mal. Se na criação houvesse um ser preposto ao mal, ninguém o poderia evitar; mas, tendo o homem a causa do mal em SI MESMO, tendo simultaneamente o livre-arbítrio e por guia as leis divinas, evita-lo-á sempre que o queira.

Tomemos para termo de comparação um fato vulgar. Sabe um proprietário que nos confins de suas terras há um lugar perigoso, onde poderia perecer ou ferir-se quem por lá se aventurasse. Que faz, a fim de prevenir os acidentes? Manda colocar perto um aviso, tornando defeso ao transeunte ir mais longe, por motivo do perigo. Aí está a lei, que é sábia e previdente. Se, apesar de tudo, um imprudente desatende o aviso, vai além do ponto onde este se encontra e sai-se mal, de quem se pode ele queixar, senão de si próprio?

Outro tanto se dá com o mal: evita-lo-ia o homem, se cumprisse as leis divinas. Por exemplo: Deus pôs limite à satisfação das necessidades: desse limite a saciedade adverte o homem; se este o ultrapassa, fá-lo voluntariamente. As doenças, as enfermidades, a morte, que daí podem resultar, provêm da sua imprevidência, não de Deus.

9. - Decorrendo, o mal, das imperfeições do homem e tendo sido este criado por Deus, dir-se-á, Deus não deixa de ter criado, se não o mal, pelo menos, a causa do mal; se houvesse criado perfeito o homem, o mal não existiria. (grifo nosso, para ressaltar o que apenas pegou o nosso articulista)

Se fora criado perfeito, o homem fatalmente penderia para o bem. Ora, em virtude do seu livre-arbítrio, ele não pende fatalmente nem para o bem, nem para o mal. Quis Deus que ele ficasse sujeito à lei do progresso e que o progresso resulte do seu trabalho, a fim de que lhe pertença o fruto deste, da mesma maneira que lhe cabe a responsabilidade do mal que por sua vontade pratique. A questão, pois, consiste em saber-se qual é, no homem, a origem da sua propensão para o mal. (1).

10. - Estudando-se todas as paixões e, mesmo, todos os vícios, vê-se que as raízes de umas e outros se acham no instinto de conservação, instinto que se encontra em toda a pujança nos animais e nos seres primitivos mais próximos da animalidade, nos quais ele exclusivamente domina, sem o contrapeso do senso moral, por não ter ainda o ser nascido para a vida intelectual. O instinto se enfraquece, à medida que a inteligência se desenvolve, porque esta domina a matéria.

O Espírito tem por destino a vida espiritual, porém, nas primeiras fases da sua existência corpórea, somente a exigências materiais lhe cumpre satisfazer e, para tal, o exercício das paixões constitui uma necessidade para o efeito da conservação da espécie e dos indivíduos, materialmente falando. Mas, uma vez saído desse período, outras necessidades se lhe apresentam, a princípio semimorais e semimateriais, depois exclusivamente morais. É então que o Espírito exerce domínio sobre a matéria, sacode-lhe o jugo, avança pela senda providencial que se lhe acha traçada e se aproxima do seu destino final. Se, ao contrário, ele se deixa dominar pela matéria, atrasa-se e se identifica com o bruto. Nessa situação, o que era outrora um bem, porque era uma necessidade da sua natureza, transforma-se num mal, não só porque já não constitui uma necessidade, como porque se torna prejudicial à espiritualização do ser. Muita coisa, que é qualidade na criança, torna-se defeito no adulto. O mal e, pois, relativo e a responsabilidade é proporcionada ao grau de adiantamento.

Todas as paixões têm, portanto, uma utilidade providencial, visto que, a não ser assim, Deus teria feito coisas inúteis e, até, nocivas. No abuso é que reside o mal e o homem abusa em virtude do seu livre-arbítrio. Mais tarde, esclarecido pelo seu próprio interesse, livremente escolhe entre o bem e o mal.

__________
(1) O erro está em pretender-se que a alma haja saído perfeita das mãos do Criador, quando este, ao contrário, quis que a perfeição resulte da depuração gradual do Espírito e seja obra sua. Houve Deus por bem que a alma, dotada de livre-arbítrio, pudesse optar entre o bem e o mal e chegasse a suas finalidades últimas de forma militante e resistindo ao mal. Se houvera criado a alma tão perfeita quanto ele e, ao sair-lhe ela das mãos, a houvesse associado à sua beatitude eterna, Deus tê-la-ia feito, não à sua imagem, mas semelhante a si próprio
. (Bonnamy, A Razão do Espiritismo, cap. VI.).
Qualquer pessoa, usando um pouco de honestidade, poderá ver que o pensamento de Kardec é bem claro e não está contido só na frase escolhida a dedo que o articulista retirou de tudo o que Kardec disse a respeito do assunto.

E, como sempre buscam dos textos dos outros, aquilo que serve aos seus propósitos de ataque sem tréguas ao adversário, no caso o Espiritismo, passam sempre a passos largos de inúmeros outros textos que poderiam resolver as questões propostas de forma lógica e racional. Assim, é que Kardec em “A Gênese” (Cap. XI, itens 43 a 49), aborda a questão da Doutrina dos Anjos decaídos e do Paraíso Perdido, onde explica que há nos mundos períodos de transformação, época em que Deus faz, por assim dizer, um juízo da ação de todos os espíritos, de modo que os recalcitrantes no mal são banidos a planetas inferiores. Ao reencarnarem em um mundo primitivo, têm a intuição que perderam “um paraíso”, já que o mundo que habitavam é signitivamente superior ao que irão habitar, daí a idéia de “anjos decaídos”, já que em relação aos habitantes desse mundo eles são superiores em conhecimento e moralidade.
 A raça adâmica seria, pois composta de inúmeros espíritos que vieram habitar a Terra nos tempos primórdios. Conseqüentemente já nasceram com algum tipo de “pecado”, que passou a ser representado no cristianismo como sendo o “pecado original”. Como não há a mínima possibilidade de herdamos o pecado de ninguém, o que trazemos são os nossos próprios, os que cometemos em vidas anteriores, e no caso da raça adâmica, do mundo em que habitavam, planeta Capela.

Concordamos plenamente que Deus não criou um diabo ou demônios, foram os persas que criaram, é só ver a cultura religiosa desse povo que se encontrará a explicação da origem desses seres, incorporados depois no cristianismo.

Conforme já demonstramos anteriormente querubim é um ser mitológico, e apesar disso querem associá-lo a um anjo que se tornou mau. Dois problemas encontramos aqui. O primeiro é que quando descrevem as qualidades de um anjo, dizem: “Puros espíritos criados por Deus provavelmente no mesmo tempo em que o resto da criação”[ ]. Ora, se é um puro espírito, como poderia ter decaído ou se tornado mau? É de se pressupor que se caiu, houve algum defeito de fabricação por parte de quem o fez. Veja a que absurdo nos levam os argumentos teológicos dogmáticos.

Por outro lado, a nova passagem que nos traz para justificar sua idéia, o sentido do contexto não dá para justificar o que pretende, da mesma forma que a de Isaías que falamos um pouco atrás, e que o autor novamente a repete nesse ponto do seu texto. Em Ezequiel 28, 14-17, não se está referindo a nenhum ser espiritual, mas sim a um homem de carne e osso, no caso o rei de Tiro, conforme consta do versículo 12, onde relata que Deus dá uma ordem para que se faça uma lamentação contra o rei de Tiro.

A citação do Apocalipse para justificar seu pensamento, pode não ter sido uma boa, pois se dermos esse livro para umas quinhentas pessoas interpretar, cada uma dará uma interpretação diferente. É o livro mais complexo da Bíblia, que nem nos atrevemos a falar, por ignorar completamente todo o seu simbolismo. Inclusive, achamos que poucos possuem capacidade para tal empreendimento, mas apesar disso sempre vemos inúmeros fanáticos citarem esse livro como se o dominassem plenamente.

O que muitos não prestam a mínima atenção, é que logo de início, no versículo 3, já encontramos para que época ele foi escrito: “Feliz aquele que lê e aqueles que escutam as palavras desta profecia, se praticarem o que nela está escrito. Pois o tempo está próximo, embora como já dissemos cada um pode interpretar diferente, nós concluímos que essa revelação foi feita para um “tempo próximo”, nada, portanto para um futuro longínquo.

Do capítulo 12 desse livro nós retiramos, para exemplo, os versículos 3-4: “Apareceu, então, outro sinal no céu: um grande dragão, cor de fogo. Tinha sete cabeças e dez chifres. Sobre as cabeças sete diademas. Com a cauda ele varria a terça parte das estrelas do céu, jogando-as sobre a terra”. Observar que o simbolismo é muito forte. Fala-se de um dragão, que sabemos ser da mitologia, e para tornar o seu aspecto ainda mais horripilante, o colocam com sete cabeças e dez chifres, coisas que não poderiam se referir a um ser, quem sabe se trata de algo coletivo. Mais à frente se fala dos diademas, artefatos que os reis usavam, que se não estivermos errados, seriam o objetivo dessa passagem.
Se aceitarmos que se trata de alguma coisa acontecida no passado, podemos, com o direito que todos nós temos, falar que se relaciona àquela época de transição, quando os espíritos foram expurgados de outro astro, Capela, para virem habitar a terra, uma vez que, tais espíritos pertinazes no mal, fatalmente não se disporiam vir de boa vontade, necessitando usar a “força” para degradá-los na Terra, seu planeta de destino, mundo inferior, seria para eles um verdadeiro “inferno”. Podemos até não estarmos certos, entretanto ninguém poderá nos provar o contrário.

Se o diabo e seus anjos decaídos são os que estão por trás do Espiritismo, alguma coisa está completamente errada, uma vez que eles nos recomendam enfaticamente seguir a Jesus, amar ao próximo, perdoar as calúnias dos nossos adversários, etc, ou seja, tudo quanto Jesus pregou e ensinou. De duas uma: ou o diabo e seus anjos decaídos passaram a agir no bem, ou os que se encontram por trás do Espiritismo são espíritos evoluídos, que em nome de Jesus, vêm trazer novamente aos homens seus ensinamentos deturpados pelas correntes religiosas dogmáticas, cujo interesse próprio e egoísmo são exacerbados. Aplicando o ensinamento de Jesus “pelos frutos que se conhece se uma árvore é boa ou má”, podemos facilmente saber de que lado está o diabo e seus anjos decaídos (para os que acreditam neles é claro).

Mas se insistem em acreditar que o diabo e seus anjos foram precipitados na terra, podemos identificá-los, primeiro nos espíritos que vieram de Capela, para reencarnar na Terra, com a missão de fazer os que aqui se encontravam a evoluir. Podemos dizer que alguns ainda estão encarnados na Terra. São aqueles que ficam perseguindo os outros, querendo que todo mundo pense igualzinho a eles, que os outros paguem seu dízimo, mesmo que com isso falte leite para as suas crianças, desde é claro, que o deles esteja garantido.
Conclusão

As forças misteriosas que produzem as estranhas manifestações sobrenaturais nas sessões se distinguem por três características, e a Bíblia as atribui a Satanás e seus anjos - os demônios:

São seres espirituais invisíveis, e só ocasionalmente se materializam, numa forma enganadora.

São mentirosos, impostores, pois se declaram espíritos de mortos, ao passo que a Bíblia afirma que os mortos não podem comunicar-se com os vivos e vice-versa.

Jesus Declara a respeito de Satanás: "Não há verdade nele; quando fala mentira, fala do que lhe é próprio; pois é mentiroso, e pai da mentira". (Jo 8:44).

Desde que lançado fora do Céu com os seus anjos, o principal objetivo de sua existência tem sido enganar, seduzir, impelir os homens para a ruína, e opor-se a toda verdade com respeito a sua própria natureza e a natureza de Deus. Os espíritos nas sessões mostram-se impostores porque declaram falsa identidade.

São inteligências poderosas e capazes de realizar coisas impossíveis ao homem. Investigações científicas têm provado que as manifestações espíritas são inexplicáveis na moldura de leis naturais conhecidas, e devem ser incluídas entre os fenômenos chamados em linguagem religiosa "milagres".

Dizem as Escrituras que Satanás e seus espíritos malignos agem "com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira". O apóstolo João disse: "E faz grandes sinais, de maneira que até fogo faz descer do céu à terra, à vista dos homens. E engana os que habitam na terra com sinais que lhe foi permitido que fizesse". (AP 13:13 e 14).

Jesus advertiu a todos os cristãos: "Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos". (MT 24:24).

Muito embora tenhamos a mais sincera consideração pelos que ativamente promovem o espiritismo, sentimo-nos obrigados a afirmar, com a autoridade da Bíblia, que o espiritismo tem origem satânica, e sua prática não somente engana os homens, afastado-os do único caminho da salvação mediante o evangelho (que aponta para Jesus Cristo e seu sacrifício vicário), mas freqüentemente perturba a alma, confunde as faculdades mentais e precipita o ser humano numa escravizante dependência dos espíritos, levando à desorientação e ao desespero.

É por isto que a Bíblia condena o espiritismo.

Bibliografia:1. Forças Misteriosas Que Atuam Sobre a Mente Humana, Fernando Chaij, Casa Pub.Brasileira.
2. Grandes Verdades Sobre o Espiritismo, Reginaldo Pires Moreira, JUERP.
3. O Império das Seitas, Walter Martin, Editora Betânia.
4. Desmascarando as Seitas, Natanael Rinaldi e Paulo Romeiro, Casa Publ. das Assemb. de Deus.
5. Seitas e Heresias, Raimundo F. de Oliveira, Casa Publ. das Assemb. de Deus.
Copiado do CPR - Centro de Pesquisas Religiosas,
autor anônimo

A Bíblia não atribui a nada, são os dogmáticos, isso sim, que com suas interpretações equivocadas, ou, em alguns casos, interesseiras, que dão as passagens bíblicas o significado que lhes convêm.

De satanás é esperado que engane, mas pior do que ele, são os que usam da Bíblia para justificar dogmas, interesses escusos ou para dominar o pobre povo. São esses mesmos que afirmam que a Bíblia diz que os mortos não podem se comunicar com os vivos, quando encontramos narrativas claras que provam tais comunicações. Esses são os verdadeiros impostores. Se satanás existe mesmo, podemos afirmar que só engana quem acredita nele, e não é o nosso caso.

Se quer atrair para nós as provas científicas, que tal se a exigíssemos dele, para provar, entre inúmeros outras que poderíamos citar, o seguinte:
- a existência de satanás;
- a existência do inferno;
- o dilúvio bíblico;
- a criação do mundo em seis dias;
- que os mortos ressuscitarão em carne e osso;
Pessoas como o articulista atirariam pedras no próprio Jesus, se Ele voltasse aqui novamente em carne e osso, advogariam para isso estar escrito na Bíblia, tamanha é sua capacidade de entender as coisas para o lado que querem.
Se o Espiritismo tem origem satânica, que freqüentemente perturba a alma, confunde as faculdades mentais, não há de ser nada, pois esse tipo de acusação até o nosso Mestre Jesus sofreu, quando perseguido, por sua vez, pelos “donos da verdade” de seu tempo, conforme registrado por Marcos: “...estavam dizendo que Jesus tinha ficado louco. ... ele está possuído por Belzebu” (3, 21-22).

Tivessem lido mesmo Kardec, teriam visto, na abordagem de “O Livro dos Espíritos”, na introdução, item XV (págs. 40-42):

“Há também pessoas que vêem perigo por toda parte e em tudo o que não conhecem. Daí a pressa com que, do fato de haverem perdido a razão alguns dos que se entregaram a estes estudos, tiram conclusões desfavoráveis ao Espiritismo. Como é que homens sensatos enxergam nisto uma objeção valiosa? Não se dá o mesmo com todas as preocupações de ordem intelectual que empolguem um cérebro fraco? Quem será capaz de precisar quantos loucos e maníacos os estudos da matemática, da medicina, da música, da filosofia e outros têm produzido? Dever-se-ia, em conseqüência, banir esses estudos? Que prova isso? Nos trabalhos corporais, estropiam-se os braços e as pernas, que são os instrumentos da ação material; nos trabalhos da inteligência, estropia-se o cérebro, que é o do pensamento. Mas, por se haver quebrado o instrumento, não se segue que o mesmo tenha acontecido ao Espírito. Este permanece intacto e, desde que se liberte da matéria, gozará, tanto quanto qualquer outro, da plenitude das suas faculdades. No seu gênero, ele é, como homem, um mártir do trabalho”.

“Todas as grandes preocupações do espírito podem ocasionar a loucura: as ciências, as artes e até a religião lhe fornecem contingentes. A loucura tem como causa primária uma predisposição orgânica do cérebro, que o torna mais ou menos acessível a certas impressões. Dada a predisposição para a loucura, esta tomará o caráter de preocupação principal, que então se muda em idéia fixa, podendo tanto ser a dos Espíritos, em quem com eles se ocupou, como a de Deus, dos anjos, do diabo, da fortuna, do poder, de uma arte, de uma ciência, da maternidade, de um sistema político ou social. Provavelmente, o louco religioso se houvera tornado um louco espírita, se o Espiritismo fora a sua preocupação dominante, do mesmo modo que o louco espírita o seria sob outra forma, de acordo com as circunstâncias”.

“Digo, pois, que o Espiritismo não tem privilégio algum a esse respeito. Vou mais longe: digo que, bem compreendido, ele é um preservativo contra a loucura”.

“Entre as causas mais comuns de sobreexcitação cerebral, devem contar-se as decepções, os infortúnios, as afeições contrariadas, que, ao mesmo tempo, são as causas mais freqüentes de suicídio. Ora, o verdadeiro espírita vê as coisas deste mundo de um ponto de vista tão elevado; elas lhe parecem tão pequenas, tão mesquinhas, a par do futuro que o aguarda; a vida se lhe mostra tão curta, tão fugaz, que, aos seus olhos, as tribulações não passam de incidentes desagradáveis, no curso de uma viagem. O que, em outro, produziria violenta emoção, mediocremente o afeta. Demais, ele sabe que as amarguras da vida são provas úteis ao seu adiantamento, se as sofrer sem murmurar, porque será recompensado na medida da coragem com que as houver suportado. Suas convicções lhe dão,assim, uma resignação que o preserva do desespero e, por conseguinte, de uma causa permanente de loucura e suicídio. Conhece também, pelo espetáculo que as comunicações com os Espíritos lhe proporcionam, qual a sorte dos que voluntariamente abreviam seus dias e esse quadro é bem de molde a fazê-lo refletir, tanto que a cifra muito considerável já ascende o número dos que foram detidos em meio desse declive funesto. Este é um dos resultados do Espiritismo. Riam quanto queiram os incrédulos. Desejo-lhes as consolações que ele prodigaliza a todos os que se hão dado ao trabalho de lhe sondar as misteriosas profundezas”.

“Cumpre também colocar entre as causas da loucura o pavor, sendo que o do diabo já desequilibrou mais de um cérebro. Quantas vítimas não têm feito os que abalam imaginações fracas com esse quadro, que cada vez mais pavoroso se esforçam por tornar, mediante horríveis pormenores? O diabo, dizem, só mete medo a crianças, é um freio para fazê-las ajuizadas. Sim, é, do mesmo modo que o papão e o lobisomem. Quando, porém, elas deixam de ter medo, estão piores do que dantes. E, para alcançar-se tão belo resultado, não se levam em conta as inúmeras epilepsias causadas pelo abalo de cérebros delicados. Bem frágil seria a religião se, por não infundir terror, sua força pudesse ficar comprometida. Felizmente, assim não é. De outros meios dispõe ela para atuar sobre as almas. Mais eficazes e mais sérios são os que o Espiritismo lhe faculta, desde que ela os saiba utilizar. Ele mostra a realidade da coisas e só com isso neutraliza os funestos efeitos de um temor exagerado”.


Podemos ainda acrescentar, no que se refere à loucura, uma prova, que poderá, nos mesmos moldes, nos apresentar uma contra-prova, de que a realidade é bem outra. Lançaremos mãos de dados estatísticos, contidos no livro “Novos Rumos à Medicina”, de Dr. Inácio Ferreira, que foi diretor do Sanatório Espírita de Uberaba, cuja tabulação é a seguinte (pág. 204):

Religião – Total Geral
(De 1934-1944)
Religião
Quantidade
Pacientes
Relação
Percentual
Católicos
1.240
91,85%
Indiferentes
43
3,19
Espíritas
37
2,74
Protestantes
30
2,22
Total
1.350
100,00

A partir desses dados estatísticos, poderemos concluir que o Espiritismo causa tantos loucos quanto as Igrejas Protestantes. Poder-se-ia supor que os católicos seriam os responsáveis pelo contingente dos manicômios, entretanto não é verdade, pois isso apenas reflete que, sendo em maior número, os católicos fatalmente iriam ser o maior contingente dos internados no sanatório. Mas disso seria errôneo concluir que a religião católica causa a loucura, e, indo mais além, acreditamos que nenhuma religião causa loucura, e que se, por ventura, causasse todas elas estariam no mesmo nível.

Após quase 150 anos de existência, o Espiritismo vem crescendo cada dia mais, sem que para isso faça qualquer esforço de conquistar adeptos. Parece que quanto mais o atacam, mais desperta o interesse das pessoas sobre ele. Ora, como não é todo mundo que vive encabrestado pelos líderes religiosos, muitos acabam por abraçar o Espiritismo por ver nele a fé raciocinada, muito diferente da fé cega das atuais correntes religiosas cristãs. E, conforme, já constatado por órgão oficial de pesquisa, as pessoas que estão adentrando no Espiritismo, possuem nível cultural mais elevado do que os dessas religiões que nos atacam, cuja única justificativa que encontramos é, conforme já o dissemos, por puro medo.

“O ESPIRITISMO É A VERTENTE MAIS CAUDALOSA DO CRISTIANISMO”, são as palavras do Pastor Nehemias Marien, considerado o maior entendedor de Bíblia do nosso país.

Kardec já dizia: “A legitima crítica deve demonstrar, não só erudição, mas também profundo conhecimento do objeto que versa, juízo reto e imparcialidade a toda prova, sem o que, qualquer menestrel poderá arrogar-se o direito de julgar Rossini e um pinta-monos o de censurar Rafael”. (Livro dos Médiuns, pág. 32).

Chegamos ao final e observamos que o detrator não falou absolutamente nada do Evangelho Segundo o Espiritismo, proposta inicial de seu texto. Nós iremos dizer aos que não o conhecem que o seu conteúdo foi escolhido por Kardec da parte moral dos ensinos de Jesus. É composto de vinte e oito capítulos, que analisam sobre a ótica Espírita, cerca de cento e vinte passagens da Bíblia, sendo que a esmagadora maioria é do Evangelho. Diante disso, podemos responder a seu questionamento: Sim. Merece crédito o Evangelho Segundo o Espiritismo, pois ele estuda e desenvolve os ensinamentos de Jesus, deturpados pelas religiões dogmáticas, que diante do eminente perigo, passam a atacá-lo desesperadamente, como se fosse possível segurar a verdade. É por causa deles que Jesus disse: “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”.

E, para finalizar, deixemos alguns pensamentos de Huberto Rohden, em Lampejos Evangélicos, para que os nossos adversários reflitam sobre suas posições:

“A verdade do Evangelho não é para ser estudada – é para ser vivida, sofrida e gozada”. (pág. 15).

“É tempo para tirarmos o Cristo e seu Evangelho da penumbra das igrejas e seitas, do meio das controvérsias teológicas, e lançá-las à luz meridiana do mundo e do universo. O Cristo não é telúrico, muito menos eclesiástico – ele é cósmico, universal”. (pág. 15).

“Há todavia, um bom número de homens, dentro e fora do cristianismo eclesiástico, que ultrapassaram esse primeiro estágio evolutivo do homem, e começaram a verticalizar a sua vida, isto é, a cavar rumo à profundidade, rumo a Deus – seja qual for a idéia que eles formem dessa grande Realidade. Todos os verticalistas são crentes e não descrentes como os horizontalistas; a maior parte deles, porém, não são ainda cientes ou sapientes. Por que não? Porque não atingiram o fim da jornada, não conseguiram ainda unir o vertical com o horizontal, o espiritual com o material, o eterno com o temporal; não vieram ainda a estabelecer a grande síntese, a reconciliação de todas as coisas; não enxergam ainda a grandiosa harmonia cósmica que vai através de todas as latitudes e longitudes, através de todas as altitudes e profundidades do Universo. São ainda unilaterais, e não onilaterais na sua filosofia. Crêem ainda numa definitiva oposição entre o mundo espiritual e o mundo material, entre o sobrenatural e o natural. Embora digam no seu credo que Deus é o criador único de todas as coisas, praticamente negam esse monoteísmo absoluto, professando estranho dualismo na sua vida diária, crendo tácita e inconscientemente que o mundo material seja do diabo, e que por isso deve ser evitado como antidivino e antiespiritual. O credo desses ascetas unilaterais é uma espécie de gaiola em que se acha encarcerada a avezinha de sua alma e da qual não pode sair, sob pena de eterna condenação; o seu credo é uma caixinha de certo feitio e tamanho, dentro da qual deve ser comprimida e socada a sua vida espiritual; se algo exceder dos limites da caixinha do credo ortodoxo deve ser cortado como heterodoxo ou herético”. (pág. 18).

“A epopéia do cristianismo começa com o maior paradoxo da história: a condenação do maior gênio religioso do mundo pela mais poderosa sociedade religiosa do tempo. A Sinagoga, detentora oficial da religião revelada, considerava Jesus como o maior pecador, herege, blasfemo e aliado de Satanás”. (pág. 85).

“Para Jesus, porém, o ‘bom samaritano’, apesar de herege, era um modelo de religiosidade indicado como exemplo a seguir para o clero de Israel, e o centurião romano de Cafarnaum, conquanto gentio, era o tipo clássico do homem de fé, e o Nazareno tem a audácia de afirmar que não encontrou tão grande fé como a dele nem mesmo em Israel. Ser religioso era para Jesus conhecer e amar a Deus e em Deus amar as criaturas de Deus; e não consistia em assinar determinada fórmula de credo ou colocar-se dentro da moldura jurídico-teológica desta ou daquela seita eclesiástica”. 
(pág. 88).

“O homem religioso, identificado com esse espírito de Jesus, não defende uma Igreja ou religião – mas vive Deus em toda a sua realidade. Quem defende uma Igreja ou determinada religião pode ser um bom teólogo, rabino ou sacerdote, mas não é religioso, pois ser religioso quer dizer descobrir Deus dentro de si, como Jesus, e vive em permanente conformidade com essa gloriosa descoberta, que é o amor incondicional e universal”. (pág. 89).

“O mesmo acontece na maior parte das Igrejas e seitas: cada uma dessas parcelas religiosas considera o seu ponto de vista como o único verdadeiro, excomungando e perseguindo todos os outros seres humanos como hereges, pecadores, inimigos de Deus. E tanto mais perigosa é essa espécie de egoísmo eclesiástico pelo fato de vir aureolada por um halo de sacralidade, de maneira que, para o indivíduo educado nessa atmosfera, é sumamente difícil atingir o cume sereno da verdade divina. Igrejas há que chegam ao ponto monstruoso de odiar e perseguir outros homens ‘em nome de Deus’, a organizar cruzadas, inquisições, expedições bélicas e carnificinas humanas ‘em nome de Cristo’ – desse mesmo Cristo que é a negação absoluta do ódio e do egoísmo exclusivista, ele que é o homem cósmico, o Amor por excelência”. (pág. 151).

E como ponto final, colocamos: “SÓ SE JOGAM PEDRAS EM ÁRVORE QUE DÁ FRUTOS”.
Referências bibliográficas:

1. A Bíblia à Moda da Casa, Paulo da Silva Neto Sobrinho, Rede Visão, São Paulo, SP, 1ª edição, 2002.
2. A Bíblia Anotada = The Ryrie Study Bible, Versão Almeida, Revista e Atualizada, com introdução, esboço, ref. laterais e notas: Charles Caldwell Ryrie; Trad. Carlos Oswaldo Cardoso Pinto, São Paulo: Mundo Cristão, 1994.
3. A Face Oculta das Religiões, José Reis Chaves, Ed. Martin Claret, São Paulo, SP, 1ª edição, 2001.
4. A Gênese , Allan Kardec, FEB, Rio de Janeiro, RJ, 36ª edição, 1995.
5. À Margem do Espiritismo, Carlos Imbassahy, FEB, Rio de Janeiro, RJ, 4ª edição, 2002.
8. A Reencarnação Segundo a Bíblia e a Ciência, José Reis Chaves, Martin Claret, 5ª edição, 2002.
7. Bíblia de Jerusalém, Paulus Editora, 2002, nova edição, revista e ampliada;
8. Bíblia Sagrada, Centro Bíblico Católico, Editora Ave Maria, São Paulo, 1989, 68a. Edição;
9. Bíblia Sagrada, Edição Barsa, Catholic Press, 1965.
10. Bíblia Sagrada, Edição Pastoral, Paulus Editora, São Paulo, SP, 43ª. impressão, 2001;
11. Bíblia Sagrada, Edições Paulinas, São Paulo, 37a. Edição, 1980;
12. Cristianismo e Espiritismo, Léon Denis, FEB, Rio de Janeiro, Rj, 8ª edição, 1987.
13. Depois da Morte, Léon Denis, FEB, Rio de Janeiro, RJ, 14 ª edição, 1987.
14. Lampejos Evangélicos, Huberto Rohden, Martin Claret, São Paulo, SP, 1995.
15. Novo Testamento, LEB – Edições Loyola, São Paulo, SP, 1984;
16. Novos Rumos à Medicina, Vol. I e II, FEESP, São Paulo, SP, 1ªedição,1991.
17. Obras Póstumas, Allan Kardec, IDE, Araras, SP, 1ª edição, 1993.
18.O Céu e o Inferno, Allan Kardec, FEB, Rio de Janeiro, RJ, 40ª edição, 1995.
19. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec, FEB, Rio de Janeiro, RJ, 85ª edição, 1982.
20. O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, FEB, Rio de Janeiro, RJ, 76ª edição, 1995.
21. O Livro dos Médiuns, Allan Kardec, FEB, Rio de Janeiro, RJ, 62ª edição, 1996.
22. Revista Espírita 1860, Allan Kardec, IDE, Araras, SP, 2ª edição, 2000.
23. Revista Espírita 1861, Allan Kardec, IDE, Araras, SP, 1ª edição, 1993.
24. Revista Espírita 1862, Allan Kardec, IDE, Araras, SP, 1ª edição, 1993.

25. Revista Espírita 1864, Allan Kardec, IDE, Araras, SP, 1ª edição, 1993.
26. Revista Espírita 1866, Allan Kardec, IDE, Araras, SP, 1ª edição, 1993.

Um comentário:

Luiz Gonzaga Santos Filho disse...

Gostei muito de seu texto . Bem esclarecedor . Sou protestante , vejo aqui vários assuntos dentro de um assunto geral . Aprendo muito sobre espiritismo aqui , vou continuar lendo . longe de mim qualquer ofensa , mas ja fui espírita . Sei que existem vários tipos de religosos e tipo de cristãos . Vejo aqui uma preocupação fundamental em afirmar o espiritismo como cristão , mas vejo você incorrer no mesmo erro que os demais quando soberbamente incita o orgulho pela erudição e pela lógica. Eu poderia citar 6 ou 10 afirmações erroneas sobre o cristianismo citadas por seus comentários , mas esse nao é o meu propósito, embora seus textos estejam sempre nuam ferrenha defensiva , passando sutilmente pelo campo do ataque. por hora fica o agradecimento pelo conteudo espírita. A minha crítica é quanto ao reconhecimento de que algumas dessas afirmãções podem estar equivocadas ou exageradas quanto ao cristianismo histórico. quanto a citação de um pastor protestante nehemias mariem , existem controvérsias quanto ao seu conteúdo interpretativo. Quanto a versões bíblicas alteradas usando termo "médium" , é apenas uma versão dentre todas as outras e o pilar da doutrina da inerrância Biblica é que a biblia nao contem erros no tocante a sua tradução original. oq ue passar disso é inaceitpavel mesmo. Mas isso nao invalida outros pontos que sao passiveis de discussão entre o âmago da doutrina espirita e a mensagem central do evangelho cristão tradicional. A "consulta" ou comunicação com os desencarnados ou mortos nao se constitui nas nossas maiores diferenças. As maiores diferenças são salvação , redenção , expiação , santificação , entendimento caridade , trindade ( muito bem citada a refutação) interpretação Biblica etc. No geral aprovo seu blog independentemente das diferenças doutrinárias receba meu abraço amigo .

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