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quarta-feira, 23 de março de 2011

Testemunhos de quem participou dos cursos de Parapsicologia do Padre Quevedo

O Curso de Parapsicologia
Guaracy Lourenço da Costa
(Jornal "O Imparcial",.  Araraquara,  18 de julho de 1999)
  Durante  dois longos dias, das 14 às 21 horas, juntamente com cerca de 300 pessoas, fiz um curso de Parapsicologia, pelo qual paguei trinta reais. Minha decepção começou  quando, entremeando nos termos técnicos,  o conhecido professor já foi dizendo que as universidades estão todas erradas, chamando-as de "ignoréticas" para significar que todos os que militam nelas são ignorantes... De forma imprevista, ele malhou todas as religiões existentes, que ele afirmou serem 11 mil, e disse que os que militam no Catolicismo são todos ignorantes e que todos os padres, menos ele, é claro, deveriam estudar, ao invés de ficar dizendo bobagens aos fiéis. Disse que o Espiritismo não é Religião  e que Allan Kardec, com culpa ou sem culpa, enganou o povo.
  Dos milagres, ele nos disse que somente ocorrem entre os que militam no Catolicismo, isto não sei com que base, pois milagres podem acontecer para todos indistintamente. Sobre a Bíblia, ele afirmou que todos os que a interpretam ou estudam os fatos o fazem de maneira errada, na base do que ele chamou jocosamente de "achologia"  (ciência do acho que...), menos ele, é claro! Ele se mostrou  estudioso, mas a maioria dos alunos o considerou mais ousado, irreverente e "espetaqueiro" do que estudioso. E para que, ao invés de nos ensinar apenas a Ciência da Parapsicologia, tinha ele que dar seu pequeno show enfiando a haste dos óculos no próprio nariz ? E o outro show, ao vendar os olhos e adivinhar os objetos, que estavam no chão, fazendo depois uma demonstração de memória, na chamada Mnemotécnica, que não tem nada a ver com Parapsicologia ?
    Também não teve cabimento  forçar os alunos a comprar pelo menos um dos  livros dele para  ajudar, sob pena de maldição dele contra todos, justamente ele, que passou horas dizendo que os feiticeiros e curandeiros são todos falsos, mentirosos, criminosos. Ele foi taxativo ao dizer que curandeiros não conseguem curar,  mas apregoou o poder da mente sobre o corpo e teve a ousadia de atravessar o braço de uma jovem com uma agulha que esfregou na sola do sapato, desafiando a natureza viva dos micróbios! Se ele, diante de nós, cometeu tal nojeira, como poderia ter afirmado que outros homens ou mulheres  não podem induzir alguém à cura de certas enfermidades através da sugestão sobre sua mente ?  Contradição pura!
   Os brasileiros foram todos rotulados de "achologistas"   e o povo mais ignorante do mundo. Os alunos não tiveram a oportunidade de apresentar seus depoimentos pessoais. Exigüidade de tempo ? Acho que não, porque houve tempo para que o professor  apresentasse os mencionados shows. E com que direito pode um palestrante atirar a tampa da caneta dele na cabeça dos alunos que cochilavam ? Ainda bem que não cochilei, pois se fosse atingido, na certa revidaria..
  O show final do professor foi horrível ! Lá no palco, ele provocou catalepsia num dos jovens alunos, dizendo que iria matá-lo e depois ressuscitá-lo. Esticando-o sobre duas cadeiras, apoiado apenas sobre duas cadeiras, apoiado apenas na cabeça e nos pés, mandou que outro jovem, pesando 115 quilos, sentasse sobre o corpo desse rapaz. Para ficar mais "interessante", martelou e quebrou várias pedras e tijolos sobre a barriga do paciente, cujo rosto cobriu, para evitar que algum de nós pudesse detectar o evidente transe hipnótico... A catalepsia é um estado de contratura  e rigidez dos músculos, semelhante ao estado do morto. Ela ocorre espontaneamente em pessoas com graves afecções no cérebro ou em raros casos de histeria. Para provocá-la, é através do hipnotismo em seu grau mais profundo, conforme explanou classicamente o grande  neurologista  Jean Martin Charcot, da famosa clínica Salpêtre, da França.
   Se o jovem aluno entrou em catalepsia é porque foi hipnotizado, embora o professor  tenha dito  que não se deve dar espetáculos hipnóticos. Hypnos, do grego,  quer dizer  sono, mas há manifestações  hipnóticas que podem ocorrer sem sono aparente, embora o professor tenha  mandado o moço fechar os olhos... Ela é obtida no estágio mais profundo do transe hipnótico, podendo, em dois casos especiais, ser obtida rapidamente. Primeiro, se o paciente já foi hipnotizado antes e a catalepsia tiver sido provocada por sugestão pós-hipnótica.  Segundo, se o paciente tiver sido "preparado"  pela sugestão coletiva, naquilo que os cientistas americanos chamam "horses" (cavalos da sugestão), incutindo na mente dos jovens que ele teria poderes especiais. Acontece que qualquer pessoa pode hipnotizar outrem, mediante o conhecimento das técnicas e o devido  treino, não carecendo possuir estranhos poderes, sendo apenas recomendável e legal  que o hipnotizador seja médico.
  O fato foi que, médicos presentes,  tivemos que nos silenciar diante de um espetáculo ridículo de hipnotismo de forma velada, que ele próprio  confessou publicamente ser proibido por lei!... Ao final, ganhei um certificado onde veio escrito: "Curso de Parapsicologia e Religião" !...
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A Parapsicologia de Quevedo
Nelson Santana - Revista Visão Espírita
 A quem interessar possa, venho,  como aluno que fui  (matrícula número  9.016)  do Centro  Latino-Americano de Parapsicologia, registrar tópicos  do curso que freqüentei, assiduamente,  ministrado  pelo padre Oscar  González Quevedo SJ (jesuíta) em tradicional educandário de Porto Alegre, de 18 a 22 de agosto de 1980. Afirmações  do padre Quevedo: "já fui espírita.  Vocês não precisam ler as obras de Allan Kardec, pois já li todas: queimem os livros espíritas!" "Há dez anos  venho desafiando oradores espíritas para debates e todos me evitam e fogem..."  "Já tive um debate com Chico Xavier  e Dr. Waldo Vieira. Chico titubeou e não soube responder. Waldo Vieira  fugiu e voltou um dia após minha partida de Uberaba, todo assustado." "O Brasil é o país, no mundo todo, com o maior número de loucos.  Principal culpado disso ? O Espiritismo de Allan Kardec! "O Espiritismo de Allan Kardec é uma verdadeira fábrica de loucos"   "Todo curandeiro é perigoso; quando cura é criminoso"  "Chico Xavier  jamais escreveu, psicograficamente,  uma linha sequer em inglês ou outro qualquer idioma, a não ser o português"  "A reencarnação é impossível, pois o espírito  jamais se separa do corpo após a morte deste. O corpo vai para o túmulo e o espírito entra na Eternidade, onde não conta tempo, pois a realidade é a ressurreição da carne" (?) "A comunicação dos espíritos dos mortos é impossível"  "O fenômeno psi-theta (psi = mente; theta= morte), tido como  comunicação do espírito  do morto,  há vários anos  está desacreditado, pois J.B Rhine pulverizou a tal comunicação dos mortos"  "O Espiritismo de Allan Kardec , a Umbanda e outros do gênero são crenças  de ignorantes, de burros, burrinhos mesmo..."
  Há ainda  muitos outros disparates . Diante disso, permito-me  fazer algumas considerações: A) Aparteei,   de público, o padre Quevedo, indagando-lhe sobre a data, hora, o local do aludido debate com Chico Xavier. Foi então que o padre titubeou e não soube responder,  alegando não lembrar-se desses detalhes (estranho esquecimento) B)   Autorizado, subi ao paco e provei-lhe, com o Dicionário de Parapsicologia, Metapsiquica e Espiritismo, que Chico Xavier não só já havia psicografado em inglês, mas às avessas, isto é, para se ler, tem-se  que usar um espelho (mediunidade especular).  Conforme lhe disse, trata-se de um fenômeno que nem ele, Quevedo, nem outro mágico qualquer  consegue imitar C) Com referência ao fenômeno psi-theta (comunicação com os mortos), esclareço, que o Dr. J.B Rhine , fundador da Parapsicologia, à página  270 de O Novo Mundo do Espírito, assim discorre: "O caso que mais prende a atenção é aquele em que o propósito manifesto por trás do efeito produzido é tão especialmente  o da personalidade falecida, que não é razoável atribuí-lo à atuação  de qualquer outra fonte". Ante isso e  muito mais que não caberia  neste espaço, redigi uma carta  endereçada ao padre Quevedo, visando com ele colaborar para encontrar-se com os oradores fujões. Entreguei-a pessoalmente ao destinatário, no palco, perante algumas centenas de alunos  do curso, no dia 22  de agosto de 1980, às 22h50. Sintetizei, de público, seu conteúdo: 1) Propus que ele elaborasse uma agenda, dentro de dois meses, indicando datas e horários para, num período de 12 meses consecutivos, uma vez por mês, enfrentar oradores espíritas;  2) eu escolheria os oradores, os locais e providenciaria os eventuais patrocinadores; 3) os debates seriam aqui  em Porto Alegre, pela TV e pelo rádio, com permissão do público para formular perguntas
  O padre Quevedo  não aceitou. Ponderei que viesse menos vezes, mas que não recuasse, porque o desafio  havia partido dele. De microfone em punho, reiterou: : "Não aceito debate!"  Afinal, quem é fujão ?  Finalizando, recomendo ao Padre Quevedo mais cautela e moderação em suas afirmações, pois o povo anda em busca da verdade e, embora seja tolerante, não é bobo e poderá acabar concluindo que os cursos ministrados pelo padre Oscar González-Quevedo é o recente "conto do vigário".

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