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terça-feira, 6 de março de 2012

As profecias de Samuel espírito se cumpriram todas.

Alegam os detratores do Espiritismo que as profecias de Samuel espírito em I Samuel 28 não se cumpriram, e por isso não poderia ser Samuel de fato.
Provarei que estão enganados...



Como consequência, Iahweh entregará, juntamente contigo, o teu povo Israel nas mãos dos filisteusAmanhã, tu e os teus filhos estareis comigo, e o exército de Israel também: Iahweh o entregará nas mãos dos filisteus." (  (1Sm 28,19)

Grifei os pontos polêmicos quanto ao cumprimento da profecia.

Vejamos as profecias específicas proferidas por Samuel-espírito, que segundo a Bíblia dos Católicos, “mesmo depois de sua morte, ele profetizou, predizendo ao rei o seu fim” (Eclo 46,23)(Edição Pastoral – Paulus)

a) entregará, juntamente contigo, o teu povo Israel e o exército nas mãos dos filisteus: significa que na guerra contra os filisteus (1Sm 28,4), Saul, o povo de Israel e todo o exército seriam derrotados (entregues nas mãos) pelos filisteus.

b) Amanhã, tu e teus filhos, e o exército de Israel também, estareis comigo: querendo dizer que todos estariam mortos pelas mãos dos filisteus.
Vejamos se foi exatamente isto o que ocorreu:
“1. Os filisteus atacaram Israel, e os homens de Israel fugiram perseguidos por eles e caíram, feridos de morte, no monte Gelboé. 2. Os filisteus fizeram o cerco a Saul e seus filhos, e mataram a Jônatas, Abinadab e Melquisua, filhos de Saul. 3. Todo o peso do combate se concentrou sobre Saul. Os atiradores, homens armados de arco, o descobriram, e ele tremeu fortemente à vista dos atiradores. 4. Então disse Saul ao seu escudeiro; 'Desembainha a tua espada e transpassa-me, para que não venham esses incircuncisos e escarneçam de mim'. Mas o seu escudeiro não quis obedecer-lhe, pois tinha muito medo. Então Saul tomou sua espada e lançou-se sobre ela. 5. Vendo que Saul estava morto, também o escudeiro se lançou sobre a sua espada e morreu com ele. 6. Assim, morreram juntos naquele dia, Saul, os seus três filhos, o seu escudeiro e todos os seus homens. 


Quanto ao item b: muito claro no texto a afirmativa de que “morreram juntos naquele dia, Saul, os seus três filhos, o seu escudeiro e todo os seus homens (exército)”, cumprindo-se fielmente a profecia. Aliás, ela não especifica como seriam mortos todos eles, muito menos como seria a morte de Saul, para querer justificar que ele não foi morto, mas suicidou-se. O fato de Saul ter se lançado sobre a espada de seu escudeiro (1Sm 31,4) não desabona o fato dele, Saul ter caído nas mãos dos filisteus (1Sm 31,9), bem
como seus filhos que também caíram nas mãos dos filisteus (1Sm 31,2 e 8).  Aqui se trata de entendimento do texto, onde se diz apenas que seria entregue nas mãos, ou seja, que seria derrotado; não que os filisteus matariam-no. Não obstante, o suicídio de Saul se deu exatamente porque, vencido pelo inimigo, não queria cair vivo nas mãos dele, preferindo suicidar-se; é o que consta em 1Sm 31,4, sobre o seu trágico fim. Isso é um fato, apesar de haver outras versões para o episódio

1ª) Suicidou-se: “Então Saul disse ao escudeiro: "Desembainhe a espada e me atravesse, antes que esses incircuncisos cheguem e caçoem de mim". O escudeiro ficou apavorado e não quis obedecer. Então Saul pegou a espada e atirou-se sobre ela.” (1Sm 31,4).
2ª) Foi morto por um amalecita: “Eu estava casualmente no monte Gelboé e vi Saul apoiado em sua própria lança, enquanto os carros e cavalheiros se aproximavam. Saul virou-se, me viu, e me chamou. ...Então Saul me disse: ‘Aproxime-se e matame, pois estou agonizando e não acabo de morrer’. Então eu me aproximei dele e
o matei, porque eu sabia que ele não iria mesmo sobreviver depois de caído”. (2Sm1,1-10).
3ª) Os filisteus o enforcaram: “Então Davi foi pedir os ossos de Saul e de seu filho Jônatas aos cidadãos de Jabes de Galaad, que os tinham levado da praça de Betsã, onde os filisteus os haviam enforcado, quando venceram Saul em Gelboé”. (2Sm 21,12).
Quanto ao "amanhã",  dizem ser uma falha porque Saul não morreu no dia seguinte.
 Primeiro, é preciso saber que a palavra “amanhã” no grego da LXX é aurion que pode ser literalmente “no dia seguinte” (Num 16:16; At. 23:20). Mas, esta palavra pode também significar “logo” (Mat 6:30; 1 Cor 15:32) ou algum tempo ainda indefinido do futuro (Gen 30:33; Deut 6:20). O mesmo se vê no hebraico, que usa a palavra machar, que pode significar literalmente “amanhã” (Num, 16:16), ou um tempo ainda indefinido do futuro (Gen 30:33; Deut. 6:20). Sabendo isto, uma interpretação possível do que o ser disse é, como traduzido por várias versões, “amanhã tu e teus filhos estareis comigo...”. Porém, uma outra tradução ainda perfeitamente aceitável do mesmo versículo seria “logo tu e teus filhos estareis comigo”. Dentro do contexto, tanto no grego como no hebraico, uma tradução que dá a entender que Saul e seus filhos morreriam “em breve” é totalmente aceitável.
Segundo, é importante lembrar que o que acontece logo em seguida (caps. 29-30) não aconteceu necessariamente em ordem cronológica após os eventos de Cap. 28. 1 Crôn. 10 fala da morte de Saul (que ocorre em 1 Sam 31). Mais adiante o mesmo livro, 1 Crôn. 12:19-20, fala dos eventos que ocorreram antes da morte de Saul, em 1 Sam 29. Isto não significa que as duas histórias estão em contradição, mas simplesmente que os historiadores não se sentiram obrigados a relatar as coisas precisamente em uma seqüência cronológica.
A questão, agora, se resume na afirmativa de que não morreram todos os filhos de Saul. Em 1Sm 28,19 diz apenas que “tu e os teus filhos estareis comigo”; portanto, não se afirmou que TODOS os filhos de Saul iriam morrer. Mas, considerando o “teor geral das escrituras”, podemos argumentar que sim, usando-nos dessa afirmação: “Dessa forma, morreram Saul e seus três filhos: a família inteira” (1Cr 10,6), confirmando totalmente a profecia. 

Seria interessante que também observássemos certos detalhes que são essenciais para o entendimento correto daquilo que aconteceu. Por qual motivo o cronista disse que morreu a família inteira de Saul? Teríamos alguma coisa para esclarecer isto? É aí que separamos um pesquisador de um fanático; enquanto o primeiro não se dá por satisfeito realizando uma investigação mais profunda possível, o outro
se contenta com a primeira informação que coincida com seu interesse dogmático, ficando plenamente feliz com sua “descoberta”.
Veremos que os filhos de Saul com Aquinoam, sua esposa, foram segundo 1Sm 14,49: Jônatas, Jesui (Isbaal ou Isboset) e Melquisua, enquanto, que em 1Sm 31,2, são citados: Jônatas, Abinadab e Melquisua. Abstraindo-se da divergência dos nomes, a quantidade é a mesma. Por ser a “mulher oficial” de Saul estes é que eram considerados os de sua família. Foram exatamente estes que pereceram juntamente com o pai.
Mas não foram só estes os filhos de Saul. Ele teve outros; de dois deles – Armoni e Meribaal (ou Mefiboset) - conseguimos identificar a mãe. O detalhe é que a mãe deles era uma concubina de Saul (2Sm 3,7) chamada Resfa, filha de Aías; assim, por serem filhos da “filial”, certamente não seriam considerados da família.
Todos conhecemos a expressão popular “filho sem pai”; mas, para a nossa surpresa, encontramos, aqui – justo na Bíblia, um “filho sem mãe”, cujo pai foi Saul. Seu nome era Isbaal (Isboset) (2Sm 2,8), cujos relatos não identificam quem foi a sua mãe.
Uma opinião importante: “Esta verdadeira 'batalha de Waterloo' de Saul e seus filhos cumpriu a profecia de Samuel (28,19)”. (grifo nosso). Essa opinião, que retiramos da Bíblia Anotada – Mundo Cristão (p. 403), que é a usada pela maioria dos evangélicos.. Observar bem que nesta opinião consta que se cumpriu a profecia de Samuel, e não de um pseudo-Samuel, citando capítulo 28, versículo 19, ou seja, justamente aquele que trata da manifestação do Espírito de Samuel fazendo a profecia em análise.

3 comentários:

Luiz Gonzaga Santos Filho disse...

Olá , mais uma vez seu texto muito bem trabalhado e argumentado , entretanto vale lembrar que podemos ter a liberdade de também discordar nao é verdade ? você usa versões que apóiam sua posição , mas seria honesto também fazer referências a versões que sao contrárias , claro sem ser tão absurdas como as versoes que dão nome de médium a necromantes . Mas acima de tudo fazer menção a versões sólidas do cristianismo histórico antes de constatino e pós reforma protestante. Analise antes as variantes do grego e o termo "sheol" para sa incorrer em erro como tenho visto .

De qualquer forma, fica a humilde resposta do cristianismo histórico ainda que seja entendida como fanática , limitada e grosseira . Mas , claro fica a frase emblemática de jonh Stot grande teólogo do seculo XX e falecido ano passado : " fé que pensa razão que crê " Nós também somos racionais embora nao pareça . Nao ter respostas para tudo Nao signica que sejamos fanáticos . Fica a resposta :

Luiz Gonzaga Santos Filho disse...

1. Argumento gramatical (v.6): "... o Senhor... não lhe respondeu". O verbo hebraico é completo e categórico. Na condição que Saul estava, Deus não lhe responderia e não lhe respondeu. O fato é confirmado pela frase: "... Saul... interrogara e consultara uma necromante e não ao Senhor...", 1 Cr 10.13,14.

2. Argumento exegético: v.6. Nem por Urim - revelação sacerdotal (w.14,18), nem por sonhos - revelação pessoal, nem por profetas - revelação inspiracional da parte de Deus. Fosse Samuel o veículo transmissor, seria o próprio Deus respondendo, pois Samuel não podia falar senão por inspiração. E, se não foi o Senhor, não foi Samuel.

3. Argumento ontológico. Deus se identifica como Deus dos vivos: de Abraão, de Isaque, de Jacó: Êx 3.15; Mt 22.32. Ne¬nhum deles perdeu a sua personalidade e sua integridade. Seria Samuel o único a poluir-se, contra a natureza do seu ser, contra Deus e contra a doutrina que ele mesmo pregara (1 Sm 15.23), quando em vida nunca o fez? Impossível.
4. Argumento escatológico. O pecado de Samuel tomar-se-ia mais grave ainda, por ter ele estado no "seio de Abraão", tendo recebido uma revelação superior e conhecimento mais exato das coisas encober¬tas, e não tê-las considerado, nem obedecido às ordens de Deus: Lc 16.27-31. Mas Sa¬muel nunca desobedeceu a Deus: 1 Sm 12.3,4.

5. Argumento doutrinário. Consultar os "espíritos familiares" é condenado pela Bíblia inteira. Logo, aceitando a profecia do pseudo-Samuel, cria-se uma nova dou¬trina, que é a revelação divina mediante pessoas ímpias e polutas. E, além disso, para serem aceitas as afirmações proféticas como verdades divinas, é necessário que sejam de absoluta precisão; o que não acontece no caso presente.

6. Argumento profético: Dt 18.22. As profecias devem ser julgadas: 1 Co 14.29. E essas do pseudo-Samuel não resistem ao exame. São ambíguas, imprecisas e infundadas. Vejamos:

Luiz Gonzaga Santos Filho disse...

a) Saul não foi entregue nas mãos dos filisteus (1 Sm 28.19), mas se suicidou (1 Sm 31.4) e veio parar nas mãos dos homens de Jabes-Gileade: 1 Sm 31.11,13. Infelizmente, o pseudo-Samuel não podia prever este detalhe;

b) não morreram todos os filhos de Saul ("... tu e teus filhos", 1 Sm 28.19) como insipua essa outra profecia obscura. Ficaram vivos pelo menos três filhos de Saul: Isbosete (2 Sm 2.8-10), Armoni e Mefibosete: 2 Sm 21.8. Apenas três morreram, como anotam clara e objetivamente as passagens seguintes: 1 Sm 31.26 e 1 Cr 10.2-6;

c) Saul não morreu no dia seguinte ("... amanhã... estareis comigo", 1 Sm 28.19). Esta é uma profecia do tipo délfico, ambígua. Saul morreu cerca de dezoito dias depois: 1 Sm 30.1,10,13,17; 2 Sm 1.13. Afirmar que a palavra hebraica "mahar" (amanhã), aqui, é de sentido indefinido, é torcer o hebraico e a sua exegese, pois todos vão morrer mesmo, em "algum dia" no futuro, isto não é novidade;

d) Saul não foi para o mesmo lugar que Samuel ("...estareis comigo", 1 Sm 28.19). Outra profecia inversossímil: interpretar o "comigo" por simples "além" (Sheol), é tergiversar. Samuel estava no "seio de Abraão", sentia isso e sabia a diferença que existe entre um salvo e um perdido. Jesus também o sabia, e não disse ao ladrão que estava na cruz: "Hoje estarás comigo no além (Sheol)", mas sim no "Paraíso". Logo, Samuel não podia ter dito a Saul que este estaria no mesmo lugar que ele: no "seio de Abraão". Porque com o ato abominável e reprovado de Saul em consultar uma feiticeira e não ao Senhor, foi completamente anulada a sua possibilidade de ir para o mesmo lugar de Samuel - o "seio de Abraão".

Ainda notamos este absurdo, analisando a palavra "médium" (heb), que é traduzida em outras versões por "espírito adivinhador" ou "espírito familiar" e no texto grego (LXX) por "engastrimuthos", que significa ventríloquo, isto é, um de fala diferente, palavra que indica a espécie de pessoa usada por um desses espíritos.

Assim concluímos que:

• Não foi Samuel quem apareceu e falou com Saul, mas sim um espírito demoníaco.

• Nenhum morto por invocação humana pode aparecer ou falar com alguém, e quanto mais Samuel.

• Todas as predições do pseudo-Samuel estavam deturpadas. Nada se cumpriu. Isto é um verdadeiro contra-senso, visto que, Samuel quando em vida, "nenhuma só das suas palavras caiu por terra". 1 Sm 3.19.

• Quem pratica tais coisas, a saber, invoca os mortos, consulta necromantes, está sendo logrado pelas artimanhas de Satanás.

• Deus é Deus dos vivos e não dos mortos: Mt 22.32. Assim, aqueles que invocam os mortos estão indo de encontro a essa lei básica e bíblica.


lembrando que essa é uma posição de um comentário . Nao leve como ofensivo algumas afirmações.

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