"Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros." (João 13:35) "Onde estiverem reunidos, em Meu nome, dois ou três, lá estarei no meio deles." (Mateus 18:20)

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sábado, 3 de março de 2012

Resposta: "Cristianismo e Espiritismo"

Resposta ao texto do Pr Airton Evangelista da Costa.
Entre outros sites, o texto encontra-se em http://solascriptura-tt.org/Seitas/CristianismoEEspiritismo-AECosta.htm


E a resposta que copiei para cá, encontra-se em http://www.espirito.org.br/portal/artigos/paulosns/estudos-biblicos-refutacao.html



INTRODUÇÃO
Ao estudar a doutrina espírita, mais especificamente, ao ler o livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, fiquei perplexo e ao mesmo tempo preocupado com algumas afirmações ali encontradas, como por exemplo: "o cristianismo e o espiritismo ensinam a mesma coisa"; "o espiritismo é de tradição verdadeiramente cristã"; "no cristianismo se encontram todas as verdades". No referido livro, diversas citações bíblicas são analisadas sob o enfoque e a ótica do espiritismo.
Seguindo o caminho de Allan Kardec, várias mensagens da Bíblia Sagrada são citadas pelos espíritas como prova de que a doutrina espírita tem o apoio da Palavra de Deus.
Sabe-se que muitos crentes, principalmente os novos convertidos, não se encontram preparados para rebater essas inverdades e investidas contra a pureza do Evangelho do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Por isso, este trabalho tem por objetivo esclarecer que espiritismo e cristianismo são irreconciliáveis e não ensinam a mesma coisa. Por exemplo, para os espíritas Jesus foi um homem como outro qualquer, no máximo um grande médium, ou um espírito puro. Para nós, evangélicos, Jesus é Senhor; Jesus é o Verbo que desceu de Sua glória e habitou entre nós.
Tive a preocupação, também, de analisar várias das questões levantadas pelos espíritas, nas quais eles tentam explicar que a Bíblia Sagrada dar legitimidade à doutrina da reencarnação; da preexistência da alma; da comunicação dos vivos com os mortos; da salvação somente pela caridade, e outras. Que esta leitura lhe seja proveitosa.
A Paz do Senhor

O AUTOR

Nós é que ficamos perplexos diante de tanta intolerância religiosa, pois ninguém é obrigado a entender os ensinamentos de Jesus com a mesma cabeça que o autor pensa.
Quanto à questão do Espiritismo ensinar a mesma coisa que o Cristianismo, para não repetirmos nossos argumentos, pedimos ao Pastor que faça uma visita ao site:www.redevisão.net. Lá temos publicado o artigo “Espiritismo x Cristianismo” que fala exatamente sobre este assunto, inclusive, nele nós estamos rebatendo um outro “dono da verdade” que também colocou, na Internet, artigos contra o Espiritismo.
Para compreender o que é o Espiritismo é necessário muito estudo, ressaltamos estudo, e não apenas leituras e, da mesma forma, diremos em relação à Bíblia. Não terá uma perfeita compreensão dele os que, por razões de dogmas ou preconceitos religiosos, que atualmente estão caindo no esvaziamento, mantêm a sua mente fechada para qualquer coisa que não se enquadra naquilo que têm como verdade.
Cita, o autor, as seguintes passagens Bíblicas:
"Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios”.(1 Timóteo 4.1).
"Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos anunciamos, seja anátema" [amaldiçoado](Gálatas 1.8).
Se o próprio Jesus foi chamado pelos fariseus de príncipe dos demônios, imaginem o que esses fariseus de ontem, hoje reencarnados como pastores, dirão de nós. A não ser por ignorância do autor, ninguém está anunciando outro Evangelho. Ah! Desculpem-nos, tem sim, os que hoje querem transformar a “casa de Meu Pai em covil de ladrões”, já que fazem do Evangelho um meio de comércio, vivendo uma vida mansa, explorando os fiéis com o dízimo. Os líderes espíritas não vivem da sua religião, mas vivem para ela.
A bíblia do espiritismo é o Livro dos Espíritos, escrito em 1857 pelo escritor francês Hyppolyte Léon Denizart Rivail, conhecido pelo nome de Allan Kardec. Este livro, segundo seu autor, contém mensagens recebidas de espíritos desencarnados. Entre 1859 e 1868, escreveu outros livros: O Que é Espiritismo, O Evangelho Segundo o Espiritismo, A Gênese, Livro dos Médiuns, Céu e Inferno. Esses compêndios formam o que se chama codificação da doutrina espírita, nascendo daí o Espiritismo, denominação criada pelo referido escritor.
Inúmeras religiões há no mundo e algumas até defendem princípios e doutrinas ensinados por outras. É exemplo o ensino budista e hinduísta da transmigração das almas adotado no espiritismo, com algumas alterações, com o nome de reencarnação. Outro exemplo é a absorção, pelo espiritismo, da teoria evolucionista do inglês Darwin, desenvolvida no livro A Origem das Espécies, em 1859, na mesma época em que Kardec escrevia seus livros. Até aqui nada de anormal nessa colcha de retalhos, não fosse a moldura que o kardecismo colocou em sua doutrina: o cristianismo, mais precisamente o Evangelho do Senhor Jesus.
Se realmente tivesse estudado a Doutrina Espírita, como seria de se esperar, veria que nossos princípios não são tirados de outras religiões, mas por informações dos Espíritos Superiores que orientaram a Kardec. Vejamos o que ele diz na Revista Espírita de fevereiro 1862, sobre o dogma da reencarnação: “Quando nos foi revelado, ficamos surpresos, e o acolhemos com hesitação, com desconfiança: nós o combatemos durante algum tempo, até que a evidência nos foi demonstrada. Assim, esse dogma, nós o ACEITAMOS e não INVENTAMOS, o que é muito diferente”.
Entretanto, certos princípios que adotamos, já são de muito conhecidos por outras religiões. Mas, somente as religiões dogmáticas é que não aceitam, já que não querem admitir que possam existir muitas verdades por aí afora. A questão da reencarnação, por exemplo, é clara para os que “têm olhos de ver”, pois é um princípio que consta do Evangelho. Mas, ela traz um grande problema, pois tira das mãos de certos líderes religiosos a salvação do indivíduo, já que, com a reencarnação, ele se salva por seu próprio esforço, ao tornar-se cada dia melhor do que foi ontem, até atingir a plenitude.
Assim, difunde-se o "Espiritismo Cristão", com fachada cristã, com nomenclatura cristã, com apelos cristãos, mas na verdade nega as doutrinas do cristianismo. Qual trepadeira enrosca-se o kardecismo na frondosa árvore do cristianismo, não para lhe dar vida ou beleza, mas, suponho, para ter mais credibilidade e sustentação. Os cristãos-evangélicos denunciamos e rejeitamos, porque falsos, os afagos, aplausos e palavras doces originários de uma seita que se compraz, por exemplo, em desonrar a imagem do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo e negar a autoridade e inspiração divina das Sagradas Escrituras, como veremos mais adiante. Assim, o quadro do espiritismo apresenta uma moldura falsa.
Alguns querem, a qualquer custo, colocar as Sagradas Escrituras como de autoridade absoluta, dizendo serem elas de total inspiração divina, para manter sob jugo os pobres coitados dos seus fiéis. Utilizam-se deste pretexto para cobrar o dízimo, cujo destino é o enriquecimento de muitos líderes religiosos. Realmente, não queremos que nos confundam com tudo isso que se encontra por aí. Queremos ser independentes para seguir a Jesus de nossa maneira, não como queiram nos impor. E nos esforçamos para honrá-Lo é na prática do bem e no amor ao próximo. Não com palavras vãs, farisaicas.


Quanto às Sagradas Escrituras serem de inspiração divina, é só analisar nosso outro texto “A Palavra de Deus na Bíblia”, para ver se ainda continuarão a pensar desta maneira. Não que nela não haja alguma inspiração. Há sim, mas toda ela, ou seja, de capa a capa, não. Recomendamos, também, aos que querem conhecer a verdade, que leiam o livro “A Face Oculta das Religiões” do escritor José Reis Chaves, editado pela Martin Claret.
E para nós, que não nos apegamos a nenhum dos dogmas impostos pelas religiões, pois eles, em verdade, não são do Cristianismo, temos que Jesus revogou o Antigo Testamento, fato confirmado por Paulo, conforme demonstramos, apoiados na Bíblia, em nosso outro artigo “O Antigo Testamento foi revogado por Jesus?”.
Percebe-se pela leitura do texto que o autor quer dar ao leitor a impressão de que conhece bem a Doutrina Espírita, daí citar várias frases de Allan Kardec, vejamos:
A MOLDURA
"Mas, o papel de Jesus não foi o de um simples legislador moralista, tendo por exclusiva autoridade a sua palavra. Cabia-lhe dar cumprimento às profecias que lhe anunciaram o advento; a autoridade lhe vinha da natureza excepcional do seu Espírito e da SUA MISSÃO DIVINA" (Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec, cap. I, item 4).



"O Cristo foi o iniciador da mais pura, da mais sublime moral, da moral evangélico-cristã, que há de renovar o mundo, aproximar os homens e torná-los irmãos: que há de fazer brotar de todos os corações a caridade e o amor do próximo e estabelecer entre os humanos uma solidariedade comum; de uma perfeita moral, enfim, QUE HÁ DE TRANSFORMAR A TERRA, TORNANDO-A MORADA DE ESPÍRITOS SUPERIORES aos que hoje a habitam" (E.S.E., cap. I, item 9).
"O espiritismo não encerra uma moral diferente daquela de Jesus" (Livro dos Espíritos, seção VIII, conclusão).
"Todos os sofrimentos: misérias, decepções, dores físicas, perda de seres amados, encontram consolação em a fé no futuro, em a confiança na JUSTIÇA DE DEUS, QUE CRISTO VEIO ENSINAR AOS HOMENS" (E.S.E., cap. VI, item 2).
"Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo. NO CRISTIANISMO ENCONTRAM-SE TODAS AS VERDADES. São de origem humana os erros que nele se enraizaram" (E.S.E., cap. VI, item 5).
"Deus transmitiu a sua lei aos hebreus, primeiramente por via de Moisés, depois por intermédio de Jesus" (E.S.E., cap., XVIII, item 2).
"O Espiritismo diz: Não venho destruir a lei cristã, mas dar-lhe execução. NADA ENSINA EM CONTRÁRIO AO QUE ENSINOU O CRISTO, mas desenvolve, completa e explica, em termos claros e para toda gente, o que foi dito apenas sob forma alegórica" (E.S.E., cap. I, item 7).
"Bem compreendido, mas sobretudo bem sentido, o Espiritismo leva aos resultados acima expostos, que caracterizam o verdadeiro espírita, como o cristão verdadeiro, POIS QUE UM O MESMO É QUE OUTRO. O Espiritismo não institui nenhuma nova moral; apenas facilita aos homens a inteligência e a prática da do Cristo, facultando fé inabalável e esclarecida aos que duvidam ou vacilam" (E.S.E., cap. XVII, item 4).
"O Cristianismo e o Espiritismo ensinam a mesma coisa" (E.S.E., Introdução, VII). 
"O espiritismo é a única tradição VERDADEIRAMENTE CRISTÃ e a única instituição verdadeiramente divina e humana" (Obras Póstumas, Allan Kardec, p. 308). 
"O reino de Cristo, ah! passados que são dezoito séculos e apesar do sangue de tantos mártires, ainda não veio. Cristãos, voltai para o Mestre, que vos quer salvar" (E.S.E., cap. I, item 10).
Sobre o apóstolo Paulo: "Meu Deus! Meu Deus! perdoai-me, creio, sou cristão!"
"E desde então tornou-se um dos mais fortes sustentáculos do Evangelho" (E.S.E., cap. I, item 11).
"Deus é, pois, a inteligência suprema e soberana, é único, eterno, imutável, onipotente, soberanamente justo e bom, infinito em todas as perfeições, e não pode ser diverso disso" (A Gênese, p. 60, FEB, 28 ª Ed., Rio de Janeiro, 1985).
"O Espiritismo é a terceira revelação de Deus... e os Espíritos são as vozes do Céu" A primeira revelação de Deus teria sido em Moisés, e a segunda, em Jesus. (E.S.E. cap. I, item 6).
"Assim, será com os adeptos do Espiritismo. Pois que a doutrina que professam mais não é do que o desenvolvimento e a aplicação da do Evangelho, também a eles se dirigem as palavras do Cristo" (E.S.E., cap. XXIV, item 16).
"Esforçai-vos, pois, para que os vossos irmãos, observando-vos, sejam induzidos a reconhecer que verdadeiro espírita e verdadeiro cristão são uma só e a mesma coisa, dado que todos quantos praticam a caridade são discípulos de Jesus, sem embargo da seita a que pertençam" (E.S.E., cap. XV, item 10. Esta mensagem teria sido do desencarnado apóstolo Paulo - Paris 1860).
"Jesus promete outro Consolador: o Espírito de Verdade, que o mundo ainda não conhece... O Espiritismo vem, na época predita, cumprir a promessa de Cristo... Assim o Espiritismo realiza o que Jesus disse do Consolador prometido: conhecimento das coisas, fazendo que o homem saiba donde vem, para onde vai e por que está na Terra" (E.S.E., cap. VI, item 4).
Vimos, portanto, as palavras afáveis e elogiosas ao cristianismo dirigidas. A pintura, todavia, não guarda sintonia com a moldura. Somente a fachada é cristã, como veremos a seguir. (O realce nas citações acima é nosso). O espiritismo tem-se esforçado por encontrar na Bíblia Sagrada passagens que dêem sustentação ou legitimidade aos seus ensinos sobre comunicação com os mortos, preexistência das almas, reencarnação, salvação somente pela caridade, mediunidade, pluralidade de mundos habitados, inexistência de céu, de inferno e de juízo final, e outros. O principal objetivo deste trabalho é refutar essas doutrinas e mostrar que o ensino das Palavras de Deus é totalmente diferente.



Engano seu, meu caro, o Espiritismo não tem se esforçado para provar que alguns dos nossos princípios se encontram na Bíblia, são pessoas, como você, que usam dela para tentar, de qualquer maneira, provar o contrário, até mesmo deturpando o sentido das narrativas bíblicas para justificar suas pretensões. Sabe por que não nos esforçamos? É porque a verdade, por mais que queiram escondê-la, ela se imporá por si mesma, e continuará sobrevivendo a todos os ataques. Veja que, mesmo a pretexto de dizerem “está na Bíblia”, a Terra não é o centro do Universo. E isso não mudaria, mesmo que tivessem queimado o astrônomo Galileu Galilei. Pessoas retrógradas, como existem muitas ainda nos dias de hoje, tentaram fazer calar a verdade. Assim, acontecerá com os princípios da Doutrina Espírita, pois serão, um dia, sancionados pela ciência oficial. Não sabemos se os “doutos” irão levar talvez uns 350 anos para reconhecê-los, mas, de qualquer forma, o tempo fará com que a verdade também chegue a eles, mesmo que não o queiram.
Segue o nosso detrator:


A ORIGEM DO HOMEM
A PALAVRA DO ESPIRITISMO:
“Da semelhança, que há, de formas exteriores entre o corpo do homem e do macaco, concluíram alguns fisiologistas que o primeiro é apenas uma transformação do segundo. Nada aí há de impossível, nem o que, se assim for, afete a dignidade do homem. Bem pode dar-se que corpos de macaco tenham servido de vestidura dos primeiros espíritos humanos, forçosamente pouco adiantados, que viessem encarnar na Terra, sendo essa vestidura mais apropriada às suas necessidades e mais adequadas ao exercício de suas faculdades, do que o corpo de qualquer outro animal. Em vez de se fazer para o espírito um invólucro especial, ele teria achado um já pronto. VESTIU-SE ENTÃO DAS PELE DE MACACO, sem deixar de ser espírito humano, como o homem não raro se reveste da pele de certos animais, sem deixar de ser homem" (A Gênese, Allan Kardec, FEB, Rio de Janeiro, 1985, 28ª ed., p. 212).
Allan Kardec, como se vê, ficou muito impressionado com a teoria revolucionista do seu contemporâneo inglês Charles Robert Darwin (1809-1882), e resolveu incluí-la na codificação do Espiritismo. Seus adeptos seguiram-lhe os passos. O espírita Alexandre Dias, no livro Contribuições para o Espiritismo (2ª ed., Rio de Janeiro, 1950, a partir da p. 19), além de corroborar o pensamento kardecista, acrescentou que antes de serem macacos, os homens foram um mineral qualquer, ou seja, uma pedra ou um tijolo. Não apenas isso: "A espécie humana provém material e espiritualmente da pedra bruta, das plantas, dos peixes, dos quadrúpedes, do mono (macaco). E, de homem, ascenderá a espírito, a anjo, indo povoar mundos superiores..." (Leopoldo Machado, Revista Internacional do Espiritismo, 1941, Matão, SP, p. 193).
"A espécie humana não começou por um só homem. Aquele a quem chamais Adão não foi o primeiro nem o único a povoar a Terra" (Livro dos Espíritos, Allan Kardec, resposta à pergunta número 50).
Primeiramente, queremos ressaltar que não é a Teoria Revolucionista de Charles Darwin, mas sim Teoria Evolucionista.
Se Kardec lança em 18 de abril de 1857 o “Livro dos Espíritos” e, Darwin só lança o seu, “A Origens das Espécies”, em 1859, ou seja, dois anos após o de Kardec, não dá para entender a sua afirmativa de que Kardec buscou a teoria evolucionista de Darwin para incluí-la na codificação!
Segundo a Enciclopédia Encarta, o cientista britânico Charles Robert Darwin apresenta o conceito de que todas as formas de vida se desenvolveram em um lento processo de seleção natural. Sua teoria sustenta que os membros jovens das diferentes espécies competem intensamente pela sobrevivência. Os que sobrevivem darão origem à geração seguinte, pois tendem a incorporar modificações naturais favoráveis, que se transmitem por meio da hereditariedade. Em conseqüência, cada geração será melhor, em termos adaptativos, em relação às anteriores. Este processo gradual e contínuo é a causa da evolução das espécies. Nota-se que sua teoria está centrada puramente na questão física.

Vejamos se na codificação encontramos Kardec dizendo o mesmo. Na questão 607 do “Livro dos Espíritos”, pergunta ele aos Espíritos:
“Foi dito que a alma do homem, em sua origem, está no estado da infância na vida corporal, que sua inteligência apenas desabrocha e ensaia para a vida (190); onde o Espírito cumpre essa primeira fase?”.
“ – Numa série de existências que precedem o período a que chamais humanidade”.
“ – A alma pareceria, assim, ter sido o princípio inteligente dos seres inferiores da criação?”
“ – Não dissemos que tudo se encadeia na Natureza e tende à unidade? É nesses seres, que estais longe de conhecer totalmente, que o princípio inteligente se elabora, se individualiza pouco a pouco e ensaia para a vida, como dissemos. É, de alguma sorte, um trabalho preparatório, como o da germinação, em seguida ao qual o princípio inteligente sofre uma transformação e se torna Espírito. É então que começa para ele o período da humanidade, e com ela a consciência de seu futuro, destinação do bem e do mal e a responsabilidade dos seus atos; como depois do período de infância vem o da adolescência, depois da juventude e, enfim, a idade madura. Não há de resto, nessa origem, nada que deva humilhar o homem. Os grandes gênios são humilhados por terem sido fetos informes no seio de sua mãe? Se alguma coisa deve humilhá-lo é a sua inferioridade diante de Deus e sua impotência para sondar a profundeza dos seus desígnios e a sabedoria das leis que regem a harmonia do Universo. Reconhecei a grandeza de Deus nessa harmonia admirável que torna tudo solidário na Natureza. Crer que Deus haja feito alguma coisa sem objetivo e criado seres inteligentes sem futuro, seria blasfemar contra a sua bondade, que se estende sobre todas as suas criaturas”. (os grifos são nossos).
Portanto, não é o Espírito propriamente dito que evoluí dos seres inferiores, mas o princípio inteligente. Somente poderemos dizer Espírito, quando o princípio espiritual estiver animando um ser humano, nos animais é princípio inteligente. Isso não fica difícil de entender, se utilizarmos para efeito de comparação uma semente. Até antes da germinação, poderemos dizer que é uma semente, mas depois de germinada, é uma plantinha, não mais uma semente, embora tenha procedido dela.
Constatamos que, na Codificação Kardequiana, é tratada a questão da evolução do princípio inteligente, enquanto que, pela Teoria de Darwin a evolução é do princípio material, portanto não estão falando da mesma coisa. Na Codificação não é citado Darwin em momento algum, o que encontramos Kardec falando foi sobre a geração espontânea (Revista Espírita, julho 1868), pelo que, para esclarecer dúvidas quanto à questão da evolução dos seres, citamos:
“A questão que se liga à formação desse envoltório não é menos importantíssima, primeiro porque ela resolve um sério problema científico, que ela destrói os preconceitos há muito tempo enraizados pela ignorância, e em seguida porque aqueles que a estudam exclusivamente, se chocarão com as dificuldades insuperáveis, quando quiserem se dar conta de todos os efeitos, absolutamente como se quisessem explicar os efeitos da telegrafia sem a eletricidade; eles não encontrarão a solução dessas dificuldades, senão na ação do princípio espiritual que deverão admitir no final das contas, para sair do impasse em que estarão empenhados, sob pena de deixarem a sua teoria incompleta”.

“Deixemos, pois, o materialismo estudar as propriedades da matéria; este estudo é indispensável, e o será tanto de fato: o espiritualismo não terá mais do que completar o trabalho naquilo que lhe concerne. Aceitemos as suas descobertas, e não nos inquietemos com suas conclusões absolutas, porque sua insuficiência, para tudo resolver, estando demonstrada, as necessidades de uma lógica rigorosa conduzirão forçosamente à espiritualidade; e a espiritualidade geral sendo ela mesma impotente para resolver os inumeráveis problemas da vida presente e da vida futura, encontrar-se-á a sua única chave possível nos princípios mais positivos do Espiritismo”.
Sobre a questão controvérsia do Evolucionismo ou Criacionismo, recentemente fizemos um artigo sobre esse assunto, motivo pelo qual não falaremos disso aqui. Pedimos ao Pastor para lê-lo.
Quanto a Kardec dizer que a espécie humana não começou por um só homem, além da ciência confirmar isso, podemos recorrer à Bíblia, já que você a aceita como totalmente inspirada por Deus, e por isso de autoridade absoluta.
Narra em Gêneses, capítulo 4, que Caim, após matar seu irmão Abel, vai habitar a região de Nod, ao Oriente do Éden. Nessa região conhece sua mulher, e chega a fundar uma cidade. Ora, se após ter assassinado seu irmão, ficam apenas ele (Caim) e seus pais, Adão e Eva, então que mulher é essa? E que povo é esse que veio habitar a cidade que se fundou? É de se supor que tenha existido um povo, pois que não vemos a menor lógica em se fundar uma cidade para que fosse povoada apenas pela família de Caim. Assim, meu caro, para se ter como verdadeiro o relato bíblico, é necessário aceitar que Adão e Eva não foram o primeiro casal humano, a não ser que você venha a dizer que somente aí a Bíblia tenha errado.
Vejamos o que diz Kardec, a esse respeito, conforme consta do livro “A Gênese”, cap. XI:

A doutrina que fez o gênero humano proceder de uma única individualidade, há seis mil anos, não é mais admissível no estado atual dos conhecimentos. As principais considerações que a contradizem, tiradas da ordem física e da ordem moral, se resumem nos seguintes pontos”:
“Do ponto de vista psicológico, certas raças apresentam tipos particulares característicos, que não permitem assinalar-lhes uma origem comum. Há diferenças que, evidentemente, não são o efeito do clima, uma vez que os brancos que se reproduzem no país dos negros não se tornam negros, e reciprocamente. O ardor do Sol tosta e amorena a epiderme, mas nunca transformou um branco em negro, achatou o nariz, mudou a forma dos traços da fisionomia, nem tornou encarapinhados e lanudos os cabelos longos e macios. Sabe-se hoje que a cor do negro provém de um tecido particular, subcutâneo, que se liga à espécie”.
“É necessário, pois, considerar as raças negras, mongólicas, caucásicas, como tendo a sua origem própria e nascidas simultaneamente, ou sucessivamente, sobre diferentes partes do globo; seu cruzamento produziu as raças mistas secundárias. Os caracteres fisiológicos das raças primitivas são o indício evidente de que elas provieram de tipos especiais. As mesmas considerações existem, pois, tanto para os homens como para os animais, quanto à pluralidade de estirpes”.
Assim, é também por pura questão de lógica que vemos a impossibilidade do homem ter vindo de um só casal. Veja, caro Pastor, se consegue contra-argumentar o que Kardec disse.
A PALAVRA DO CRISTIANISMO

A teoria da seleção natural das espécies é contrária ao que ensina a Bíblia Sagrada. Esta teoria diabólica que incorpora o pensamento panteísta (Deus é tudo em todos) é a negação do Deus criador de todas as coisas. "NO PRINCÍPIO CRIOU DEUS OS CÉUS E A TERRA". É assim que inicia o primeiro livro da Bíblia, Gênesis, escrito por Moisés. Com a Sua palavra, Deus criou a luz, as águas, o firmamento, a parte seca (a terra), a relva e árvores frutíferas para "darem frutos segundo a sua espécie"; depois produziu os astros luminosos para iluminarem a terra; produziu os peixes e as aves, segundo suas espécies; produziu Deus os animais domésticos, répteis e animais selvagens conforme a sua espécie.
"Então disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; domine ele sobre os animais domésticos, sobre toda a terra, e sobre todos os répteis que se arrastam sobre a terra. Formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida, e o homem tornou-se alma vivente. Assim Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou. Viu Deus que tudo o que tinha feito, e que era muito bom" (Gênesis 1 e 2).
"Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva" (1 Timóteo 2.13).
Como vimos, depois de fazer a terra e os céus, Deus criou as matas, as árvores frutíferas, os animais, e, enfim, o homem. O sopro de Deus no homem formado do pó representa que a vida é um dom de Deus; que o homem foi criado para ser moralmente semelhante a Deus, como expressão do seu amor e glória; para ter permanente comunhão com Deus. Portanto, não tem respaldo das Sagradas Escrituras a afirmação de que a alma humana encontrou morada primeiramente em animais, e que o homem é conseqüência de uma seleção natural das espécies. O Senhor Jesus legitima o livro de Gênesis, ao dizer: "Não leste que no princípio o Criador os fez macho e fêmea?”.
Como poderia a alma humana, nascida do sopro de Deus, haver se instalado no macaco, criado antes do homem? Por que então afirmar que espiritismo e cristianismo ensinam a mesma coisa? Proselitismo, engodo, mentira, hipocrisia ou leviandade? Moisés teria escrito uma asneira? Mas como, se o espiritismo diz que Moisés foi a Primeira Revelação de Deus? Se as revelações de Deus não sabem o que afirmam ou mentem, a Terceira Revelação, o espiritismo, seria uma exceção?
(Espiritismo e Cristianismo - Pr Airton E. da Costa)
Para os que se apegam à letra tudo é confuso e contraditório. Já que não percebem que a Bíblia Sagrada não é um compêndio de Ciência, que ela também é fruto do conhecimento e da cultura da época.


Você afirma que, conforme o Gênesis, Deus criou as águas, entretanto, seguindo estritamente o que lá consta não se encontra este fato. Ao dizer Deus criou os céus e a terra não diz que tenha criado as águas, mas que o Espírito de Deus pairava sobre as águas. Veja que quando se narra em detalhes a criação, nós iremos verificar que Deus em momento algum cria a água. O que podemos encontrar é Deus criando os céus para separar as águas das águas, ou seja, as águas superiores das águas inferiores. Pensavam que os céus era sólido, daí ser dito firmamento, que vem de firme, e ele tinha a função de separar as águas, já que nada sabiam sobre a evaporação da água, pensavam que existiam águas superiores mais ou menos conforme os mares. Depois Deus disse para se ajuntarem as águas debaixo, num só lugar, aparecendo a porção seca: a terra. Tudo é narrado como se a água já existisse, mas não fala como e quando ela foi criada.
Na passagem citada de Gênesis 1, 26, temos os seguintes questionamentos: o “façamos”, que dela consta, estaria a dizer que existem vários Deuses? Se não, quem estava lá com Ele? Se Deus é espírito, conforme disse Jesus, qual imagem seremos Dele? Devemos entender que Deus criou macho e fêmea, como fez com os animais, ou somente no caso do homem é que criou o macho e depois a fêmea? Mas, não seria isso apenas fruto de uma sociedade machista, onde a mulher não tinha o menor valor?
Interessante é que a criação volta a ser narrada em Gêneses 2, e é aqui que se diz que Deus formou o homem do barro da terra, e inspirou-lhe nas narinas um sopro de vida, e assim o homem se torna um ser vivente. Se somos a sua imagem e semelhança, como foi dito, terá Deus sido formado do barro também? Aqui fica mais evidente o reflexo cultural de uma sociedade machista, pois coloca o homem sendo criado primeiro, e não bastasse isso, ainda diz que a mulher veio de sua costela, ressaltando ainda mais a submissão da mulher em relação ao homem. Assim a própria Bíblia está a sustentar o domínio do homem sobre a mulher.
Pergunta o Pastor:Como poderia a alma humana, nascida do sopro de Deus, haver se instalado no macaco, criado antes do homem? Justamente por ele, o macaco, ter sido criado antes do homem. Por outro lado, se você aceita que Deus conseguiu colocar a alma do homem num monte de barro, porque motivo não poderia colocá-la num ser vivente? E, para os que ainda não sabem, 98% dos genes do homem estão no macaco. E mais ainda, os mesmos elementos químicos, carbono, oxigênio, hidrogênio e azoto, são encontrados em ambos, então onde reside a grande diferença material entre nós e eles? Será que é porque você não quer aceitar a idéia de ter vindo de um ser irracional? Entretanto, se, por um momento de lucidez, viesse a acompanhar as pesquisas científicas realizadas com os chimpanzés, você não teria mais dúvida alguma de que nossa origem é a mesma que a deles. Afinal, se tudo foi criado por Deus, e Ele afirma que tudo que criou é bom, então qual o problema? Não é mais racional dizer que viemos de um ser vivo do que de um monte de barro? Ah! E por falar em barro, de onde vem o tijolo? Não que estamos a sustentar a idéia que tenhamos vindo do tijolo, apenas para mostrar a você que ter vindo do barro e do tijolo é tudo a mesma coisa.



Na Revista Espírita, de março 1860, Kardec, responde:
“A questão do primeiro homem na pessoa de Adão, como única fonte da Humanidade, não é a única sobre a qual as crenças religiosas deverão se modificar”.
“O movimento da Terra, numa certa época, pareceu de tal modo oposto ao texto das Escrituras, que foi motivo de perseguições das quais essa teoria não foi o pretexto, e, todavia, vê-se que, Josué detendo o sol não pôde impedir a Terra de girar; ela gira apesar dos anátemas, e hoje ninguém poderia contestá-lo sem prejuízo de sua própria razão”.
“A Bíblia diz igualmente que o mundo foi criado em seis dias, e fixa-lhe a época em torno de 4 mil anos antes da era cristã. Antes disso, a Terra não existia, ela foi tirada do nada: o texto é formal; e eis que a ciência positiva, inexorável, vem provar o contrário. A formação do globo está escrita em caracteres imprescritíveis do mundo fóssil, e está provado que os seis dias da criação são igualmente de períodos cada um, talvez, de várias centenas de milhares de anos. Isto não é um sistema, uma doutrina, uma opinião isolada, é um fato tão constante quanto o movimento da Terra, e que a teologia não pode se recusar em admitir; também não mais senão nas pequenas escolas que se ensina que o mundo foi feito em seis vezes vinte e quatro horas, prova evidente do erro no qual se pode cair tomando ao pé da letra as expressões de uma linguagem, freqüentemente, figurada. A autoridade da Bíblia recebeu um insulto aos olhos dos teólogos? De nenhum modo, eles se renderam à evidência, e disto concluíram que o texto podia receber uma interpretação”.
“A ciência, folheando os arquivos da Terra, reconheceu a ordem na qual os diferentes seres vivos apareceram na superfície; a observação não deixa nenhuma dúvida sobre as espécies orgânicas que pertencem a cada período, e essa ordem está de acordo com aquela que está indicada no Gênese, com a diferença de que esta obra, em lugar de ter saído miraculosamente das mãos de Deus em algumas horas, cumpriu-se, sempre por sua vontade, mas segundo a lei das forças da Natureza, em alguns milhões de anos. Deus, por isso, é menos grande e menos poderoso? Sua obra é menos sublime por não ter o prestígio da instantaneidade? Evidentemente não; seria necessário fazer-se da Divindade uma idéia bem mesquinha por não reconhecer sua onipotência nas leis eternas que ela estabeleceu para reger os mundos”.
“A ciência, do mesmo modo que Moisés, coloca o homem em último na ordem da criação dos seres vivos; mas Moisés coloca o dilúvio universal no ano de 1654 do mundo, ao passo que a geologia nos mostra esse grande cataclismo anterior à aparição do homem, tendo em vista que, até este dia, não se encontrou nas camadas primitivas nenhum traço de sua presença, nem dos animais da mesma categoria no ponto de vista físico; mas nada prova que isto seja impossível; várias descobertas já lançaram dúvidas a esse respeito; portanto, pode ser que, de um momento para outro, adquira-se a certeza dessa anterioridade da raça humana. Resta a ver se o cataclismo geológico, cujos traços estão por toda a Terra, é o mesmo do dilúvio de Noé; ora, a lei da duração da formação das camadas fósseis não permite confundi-las, a primeira remontando talvez a cem mil anos. Do momento em que forem encontrados os traços da existência do homem antes da grande catástrofe, ficará provado, ou que Adão não foi o primeiro homem, ou que a sua criação se perde na noite dos tempos. Contra a evidência não há raciocínios possíveis; os teólogos deverão, pois, aceitar este fato como aceitaram o movimento da Terra e os seis períodos da criação”.
“A existência do homem antes do dilúvio geológico, é verdade, é ainda hipotética, mais eis o que o é menos. Admitindo que o homem apareceu pela primeira vez na Terra quatro mil anos antes de Cristo, se 1650 mais tarde toda a raça humana foi destruída com exceção de um único, disso resulta que o povoamento da Terra não data senão de Noé, quer dizer, de 2350 anos antes de nossa era. Ora, quando os hebreus emigraram para o Egito, no décimo oitavo século, encontraram este país muito povoado e já muito avançado em civilização”.
“A história prova que, nessa época, as Índias e outros países estavam igualmente florescentes. Seria necessário, pois, que do décimo quarto ao décimo oitavo século, quer dizer, no espaço de 600 anos, não somente a posteridade de um único homem pôde povoar todos os imensos continentes então conhecidos, supondo que os outros não o fossem, mas que, nesse curto intervalo, a espécie humana pôde se elevar da ignorância absoluta, do estado primitivo, ao mais alto grau do desenvolvimento intelectual, o que é contrário a todas as leis antropológicas. Tudo se explica, ao contrário, admitindo-se a anterioridade do homem, o dilúvio de Noé com a catástrofe parcial confundida com o cataclismo geológico, e Adão, que viveu há 6.000 anos, como tendo povoado um continente ainda inabitável. Ainda uma vez, nada poderia prevalecer contra a evidência dos fatos; por isso cremos prudente não se inscrever muito levianamente em falso contra doutrinas que podem, cedo ou tarde, como tantas outras, por em erro aqueles que as combatem. As idéias religiosas, longe de perderem, se engrandecem caminhando como a ciência; é o meio de não dar ensejo ao ceticismo em demonstrando um lado vulnerável”.
“Que teria acontecido à religião se ela se obstinasse contra a evidência, e se persistisse em cunhar de anátema quem não aceitasse a letra das Escrituras, disso resultaria que não poderia ser católico sem crer no movimento do sol, nos seis dias, nos 6.000 anos da existência da Terra; contai, pois, o que restaria hoje de católicos. Proscrevei também aquele que não se prende à letra, à alegoria da árvore e de seu fruto, da costela de Adão, da serpente, etc? A religião será sempre forte quando ela marchar de acordo com a ciência, porque ela reunirá a parte esclarecida da população; é o único meio de dar um desmentido ao preconceito que a faz considerar, pelas pessoas superficiais, como a antagonista do progresso. Se jamais, e isso a Deus não praza, ela repelisse as evidências dos fatos, hostilizaria os homens sérios, e provocaria o cisma, porque nada poderia prevalecer contra a evidência. Também a alta teologia, que conta com homens eminentes por seu saber, admite, sobre muitos pontos controversos, uma interpretação conforme a sã razão. Somente é deplorável que ela reserve suas interpretações para os privilegiados, e continue a fazer ensinar a letra nas escolas; resulta disso que esta letra, primeiro aceita pelas crianças é mais tarde rejeitada por elas quando chega a idade de raciocínio; nada tendo por compensação, rejeitam tudo e aumenta o número dos incrédulos absolutos. Não dai, ao contrário, à criança senão aquilo que sua razão possa admitir mais tarde, e sua razão, em se desenvolvendo, a fortalecerá nos princípios que lhe inculcaram. Assim falando, cremos servir aos verdadeiros interesses da religião; ela será sempre respeitada quando mostrada onde realmente está, e quando não fará consistir nas alegorias das quais o bom senso não pode admitir a realidade”.
Em “A Gênese”, capítulo XI, item 10, diz Kardec:
“Devendo a matéria ser objeto de trabalho do Espírito, para o desenvolvimento de suas faculdades, era necessário que pudesse atuar sobre ela, por isso veio habitá-la, como o lenhador habita a floresta. Devendo ser a matéria, ao mesmo tempo, o objeto e o instrumento de trabalho, Deus, em lugar de unir o Espírito à pedra rígida, criou, para seu uso, corpos organizados; flexíveis, capazes de receber todos os impulsos de sua vontade, e de se prestar a todos os seus movimentos”. (grifo nosso).
Com isso deixamos claro o ponto de vista de Kardec. Mas como não impomos nada a ninguém, podemos encontrar em nosso meio pessoas que podem pensar de maneira diferente, o que é um direito de cada um de nós. E sendo assim, isso está longe de significar que todos os Espíritas comunguem com esse pensamento ou que o próprio Espiritismo assine embaixo.
Nunca dissemos que Moisés tenha sido infalível, vocês é que o vêem desta forma. Para nós ele, querendo imprimir no povo hebreu algum censo moral, ditou diversas leis sociais, dizendo terem sido elas provindas de Deus. Segundo ele, Deus disse: “Não matarás”, entretanto se contradisse, quando, entre outras ordens, disse: “Aquele que ferir o seu pai e ou sua mãe, será morto”. Temos também, por um relato bíblico, que Moisés recebeu diretamente de Deus, no Monte Sinai, os Dez Mandamentos. Entretanto, em Atos 7, 53, encontramos: “Vós que recebeste a Lei pelo ministério dos anjos, e não a guardastes...” Afinal, os Dez Mandamentos foram recebidos pelo ministério dos anjos ou diretamente de Deus? E quanto ao aparecimento de Deus junto à sarça, veja o que encontramos em Atos 7, 35: “Este Moisés, que desprezaram, dizendo: Quem te constituiu chefe ou juiz?, a este Deus enviou como chefe e libertador pela mão do anjo que lhe apareceu na sarça”. Assim, perguntamos: quem apareceu na sarça a Moisés, foi Deus, pessoalmente, ou foi um anjo? E convém que se lembre aqui que, antes de mais nada, anjo é um espírito.
A Primeira Revelação Divina, que Moisés recebeu, foram os Dez Mandamentos, mesmo assim, em muito boa lógica, ainda poderemos colocar uma ressalva, pois como as mulheres irão cumprir o: “Não cobiçar a mulher do próximo”? Isso não reforça a idéia, que temos dito, a respeito da sociedade machista?
É assim que estudamos a Bíblia, com a razão e a lógica, muito longe da fé cega de alguns dos nossos detratores. Eis aí uma grande diferença entre o Espiritismo e o Cristianismo de alguns, não o do Cristo, certamente.
Continua, em seus argumentos:

A BÍBLIA SAGRADA
A PALAVRA DO ESPIRITISMO:
"A Bíblia não pode ser considerada produto da inspiração divina. É de origem puramente humana, semeada de ficções e alegorias, sob as quais o pensamento filosófico se dissimula e desaparece o mais das vezes" (Cristianismo e Espiritismo, de León Denis, p. 130, 5a, FEB).
"Do velho Testamento, já nos é recomendado somente o Decálogo, e do Novo Testamento, apenas a moral de Jesus. Já consideramos de valor secundário, ou revogado e sem valor, mais de 90% do texto da Bíblia" (FEB, O Reformador, p. 13, janeiro/1953).
"Nem a Bíblia prova coisa nenhuma, nem temos a Bíblia como probante. O espiritismo não é um ramo do cristianismo como as demais seitas cristãs. Não assenta seus princípios nas Escrituras. Não rodopia junto à Bíblia. A nossa base é o ensino dos espíritos, daí o nome espiritismo" (À Margem do Espiritismo, FEB, 3a edição, 1981, p. 2l4).
"A Bíblia, evidentemente, encerra fatos que a razão, desenvolvida pela ciência, não poderia hoje aceitar e outros que parecem estranhos e derivam de costumes que já não são os nossos" (A Gênese, p. 87, opinião de "espíritos").
Os evangelistas S. Mateus, S. Marcos, S. Lucas e S. João foram alvo de uma dura crítica do codificador da doutrina espírita: "Eles possivelmente se enganaram quanto ao sentido das palavras do Senhor, ou dado interpretação falsa aos seus pensamentos..." (A Gênese, p. 386). Contudo, na tentativa de legitimar seu espiritismo Kardec buscou a experiência cristã e as palavras dos evangelistas, principalmente de Mateus, muito citado no livro O Evangelho Segundo o Espiritismo. Ademais, como vimos inicialmente, Kardec declarou que o espiritismo é de tradição verdadeiramente cristã, e que no cristianismo estão todas as verdades. Podemos levar a sério o que o espiritismo diz? O kardecismo seria muito mais autêntico se se firmasse em seus próprios pés, na palavra e experiência de seus "espíritos".
Não necessitamos mais falar sobre a questão da Bíblia ser ou não ser a palavra de Deus, além do que já falamos um pouco atrás, mas não deixaremos de recomendar mais uma vez o artigo de nossa autoria intitulado “A Palavra de Deus na Bíblia”.
A ciência vem confirmando que alguns fatos narrados na Bíblia são impossíveis de terem acontecido como, por exemplo: a Terra não ser o centro do Universo, a Terra ter sido criada há pouco mais de 4.000 anos antes de nossa era, o dilúvio como sendo universal, a passagem Mar Vermelho adentro, a parada do Sol por Josué, etc. Se, nestes casos, não há como refutar a ciência, devemos convir que a Bíblia contém fatos que não são verdadeiros.


Quanto à questão dos evangelistas terem sido alvo de dura crítica de Kardec, é necessário, para que se esclareça, colocar o contexto em que isso foi dito, pois constantemente vemos a tentativa de mudar o sentido do que ele disse. Vamos, então, ao texto completo, quando comenta a passagem de João 16, 7-14:
“Esta predição, sem contradita, é uma das mais importantes do ponto de vista religioso, porque constata, da maneira menos equivocada, que Jesus não disse tudo o que tinha a dizer (grifo do original), porque não seria compreendido, mesmo pelos seus apóstolos, uma vez que era a eles que se dirigia. Se lhes tivesse dado instruções secretas, delas faria menção no Evangelho. Desde que não disse tudo aos seus apóstolos, os seus sucessores não poderiam saber mais do que ele; portanto, puderam se equivocar sobre o sentido de suas palavras, dar uma falsa interpretação aos seus pensamentos, freqüentemente velados sob a forma de parábolas. As religiões fundadas sobre o Evangelho não podem, pois, se dizerem na posse de toda a verdade, uma vez que ele reservou para si completar ulteriormente as suas instruções. Seu princípio de imutabilidade é um desmentido dado às próprias palavras de Jesus (grifo nosso)”.
Assim, não existe, por parte de Kardec, nenhuma dura crítica aos apóstolos, apenas uma conclusão lógica tirada do que consta do próprio Evangelho.
Mas, nós não os consideramos infalíveis, já que um deles mesmo alertado por Jesus, O negou por três vezes, portanto são homens como nós, sujeitos a erros e acertos. E para que você não fique com nenhuma dúvida que podem errar, vejamos algumas passagens narradas pelos evangelistas:

Cego e mudo, ou só mudo?

Mateus 12:22 – Então lhe trouxeram um endemoninhado, cego e mudo; e ele o curou, passando o mudo a falar e a ver.
Lucas 11:14 – De outra feita estava Jesus expelindo um demônio que era mudo. E aconteceu que, ao sair o demônio, o mudo passou a falar; e as multidões se admiraram.
Mateus diz ser o homem cego e mudo, mas Lucas diz tratar-se apenas de um mudo o que estava possesso.

Cegos de Jericó, um ou dois?

Mateus 20:29-30 – Saindo eles de Jericó, uma grande multidão o acompanhava. E eis que dois cegos, assentados à beira do caminho, tendo ouvido que Jesus passava, clamaram: Senhor, Filho de Davi, tem compaixão de nós!
Marcos 10:46-47 – E foram para Jericó. Quando ele saía de Jericó, juntamente com os discípulos e numerosa multidão, Bartimeu, cego mendigo, filho de Timeu, estava assentado à beira do caminho. E, ouvindo que era Jesus, o Nazareno, pôs-se a clamar: Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim!
Lucas 18:35-38 – Aconteceu que, ao aproximar-se ele de Jericó, estava um cego assentado à beira do caminho, pedindo esmolas. E, ouvindo o tropel da multidão que passava, perguntou o que era aquilo. Anunciaram-lhe que passava Jesus, o Nazareno. Então ele clamou: Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim!
Aqui temos Mateus dizendo que eram dois cegos em contradição com Marcos e Lucas que afirmam ser apenas um. Por que somente Marcos identifica quem era este cego?

Afinal quem carregou a cruz?

Mateus 27:32 – Ao saírem, encontraram um cireneu, chamado Simão, a quem obrigaram a carregar-lhe a cruz.
Marcos 15:21 – obrigaram a Simão Cireneu, que passava, vindo do campo, pai de Alexandre e de Rufo, a carregar-lhe a cruz.
Lucas 23:26 – E como o conduzissem, constrangendo um cireneu, chamado Simão, que vinha do campo, puseram-lhe a cruz sobre os ombros, para que a levasse após Jesus.
João 19:17 – Tomaram eles, pois, a Jesus; e ele próprio, carregando a sua cruz, saiu para o lugar chamado Calvário, Gólgota em hebraico.
Mateus, Marcos e Lucas dizem que o cireneu chamado Simão foi obrigado a carregar a cruz de Jesus, enquanto que João diz que foi o próprio Jesus quem levou a cruz. Com relação a João, alguém poderia alegar que Jesus saiu carregando a cruz (no início) e que Cirineu ajudou Jesus depois, entretanto isso foge ao narrado por João.

O que fez o “bom ladrão”?

Mateus 27: 38 e 44 – E foram crucificados com ele dois ladrões, um à sua direita e outro à sua esquerda. E os mesmos impropérios lhe diziam também os ladrões que haviam sido crucificados com ele.
Marcos 15:27 e 32 – Com ele crucificaram dois ladrões, um à sua direita, e outro à sua esquerda. Também os que com ele foram crucificados o insultavam.
Lucas 23:39-43 – Um dos malfeitores crucificados blasfemava contra ele, dizendo: Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós também. Respondendo-lhe, porém, o outro repreendeu-o dizendo: Nem ao menos temes a Deus, estando sob igual sentença? Nós na verdade com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos merecem; mas este nenhum mal fez. E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino. Jesus lhes respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.
João 19:18 - Onde o crucificaram, e com ele outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio.
Mateus, Marcos e João nada relatam de qualquer diálogo entre os três crucificados.Os dois primeiros dizem que os ladrões estavam, isto sim, entre os que escarneciam de Jesus. Só Lucas diz que Jesus teria dito para um deles que hoje estarás comigo no Paraíso. Se isso aconteceu, temos uma contradição de Jesus, pois Ele mesmo disse: “a cada um segundo suas obras” (Mateus 16, 27). Quando do episódio com Madalena, após sua ressurreição, disse Jesus a ela: “Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus” (João 20, 17). Ora, se Jesus três dias após sua morte ainda não tinha subido ao Pai, como ele poderia ter afirmado ao “bom ladrão” que hoje estarás comigo, ou seja, justamente no dia de sua morte na cruz? Por outro lado, o “bom ladrão” ao reconhecer que “Nós padecemos com justiça porque recebemos o castigo digno de nossas obras, enquanto este nada fez de mal”, ele está aceitando a justiça dos homens. Assim, por mais forte razão, aceitaria uma pena merecida pela justiça de Deus. Por isso ele não aceitaria uma recompensa por algo que não teria feito, não é mesmo? Já falamos, várias vezes, mas não custa repetir, coloquemos a frase do seguinte modo: Em verdade te digo hoje, estarás comigo no paraíso. É muito mais condizente com a justiça divina, pois alguém somente irá para o Paraíso, quando tiver realizado as obras que venham a fazê-lo merecer esse paraíso, não importando quanto tempo levará para isso.
Se lhe interessar mais algumas divergências, pedimos-lhe, novamente, que leia o nosso artigo “A palavra de Deus na Bíblia”.
Continuando, nossa leitura, diz o Pastor:
A PALAVRA DO CRISTIANISMO:
"Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente preparado para toda boa obra" (2 Timóteo 3.16-17).
Esta belíssima mensagem é da lavra do apóstolo Paulo, de quem Allan Kardec disse ter sido "um dos mais fortes sustentáculos do Evangelho". É o mesmo Paulo queescreveu 1 Coríntios 13.13, mensagem plenamente aceita pelo codificador da doutrina espírita. Podemos dizer que "o cristianismo e o espiritismo ensinam a mesma coisa"? No mesmo livro, em 1 Coríntios 15, Paulo empresta o devido valor às Escrituras Sagradas: "Pois primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; e que foi sepultado, e que ressurgiu ao terceiro dia, segundo as Escrituras".
"Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo" (2 Pedro 1.21). O Senhor Jesus confirma a inspiração divina da Bíblia quando diz:
"Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito" (João 14.26).
"Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus" (Jesus, Mateus 22.29). Quem assim falou foi o Senhor Jesus, aquele que veio em "missão divina" para ensinar a justiça de Deus aos homens", conforme assim definiu Allan Kardec, na embalagem do espiritismo. Podemos confiar no Livro dos Espíritos e nos demais, soprados por "espíritos" que dizem e se contradizem, fazem e desfazem, juram e negam? Fiquemos com o Salmo 119.105: "Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, e luz para o meu caminho".
Se Paulo voltasse hoje e resolvesse ler a Bíblia, com absoluta certeza não diria mais que toda Escritura é divinamente inspirada. Pois a Bíblia passou por tantas traduções e tantas adulterações que não é mais a original, conforme demonstra magistralmente os autores Dr. Severino Celestino da Silva em seu livro “Analisando as Traduções Bíblicas”, e José Reis Chaves no livro “A Face Oculta das Religiões”, os quais recomendamos ao nosso detrator estudar, mas estudar mesmo, não apenas ler.
Mas voltando à questão de Paulo, gostaria então de que me explicasse: considerando o que você pensa, ou seja, que a Bíblia é a palavra de Deus, como poderemos analisar estas passagens:
Romanos 7, 6: Mas agora, livres da Lei, estamos mortos para aquilo que nos conservava prisioneiros, de sorte que podermos servir a Deus conforme um espírito novo e não segundo a letra antiga.
Hebreus 7, 11-12 e 18-19:“Ora bem, se acaso a perfeição tivesse sido possível por meio do sacerdócio levítico – graças a cujo serviço o povo recebeu a lei – que necessidade haveria ainda de surgir um sacerdote de outro gênero, um sacerdote à maneira de Melquisedec, e não à maneira de Aarão? Pois, mudado o sacerdócio, deve também haver uma mudança de lei. Dessa maneira é que se dá a ab-rogação do regulamento anterior em virtude de sua fraqueza e inutilidade – A Lei, na verdade, nada levou à perfeição – e foi introduzida uma esperança melhor pela qual nos aproximamos de Deus”.
Hebreus 8, 6-7 e 13:“Mas, agora, Jesus foi encarregado de um ministério tanto mais excelente quanto melhor é a aliança da qual é mediador, sendo esta legalmente fundada sobre promessas mais excelentes. Se, na verdade, a primeira aliança tivesse sido sem falhas, não teria cabimento ser substituída por uma segunda. Dizendo; aliança nova, Deus declarou antiquada a primeira. Ora, o que se torna antiquado e envelhece está próximo a desaparecer”.
Veja Pastor, que apesar de estar bem claro na Bíblia que o Antigo Testamento (primeira Aliança ou regulamento anterior) foi revogado por Cristo, pois os seus ensinamentos eram superiores, ainda você o segue com fervor.
Devemos ter muito cuidado, ao analisar os textos Bíblicos, veja o que podemos encontrar em alguns textos de um mesmo autor. Neles realçamos o que julgamos ser mais importante observar:
Romanos 1, 17: Porque nele se manifesta a justiça de Deus, pela fé e para a fé, como está escrito: O justo viverá da fé!
Romanos 2, 5:Com essa dureza e esse coração impenitente vais acumulando ira contra ti para o dia de cólera e da revelação do justo juízo de Deus, que retribuirá a cada um conforme suas obras.
Romanos 2, 13: Porque diante de Deus é justo não quem escuta a Lei, mas quem a pratica.
Romanos 3, 27-28:Há, então, motivo de orgulho? Está excluído. Em virtude da lei? Da observância das obras? Absolutamente não! Mas em virtude da fé! Por isso concluímos que o homem é justificado pela fé, sem a prática da Lei.
2 Coríntios 5, 10:Porque todos nós devemos comparecer diante do tribunal do Cristo, para que cada um receba a recompensa das obras realizadas quando estava no corpo, quer boas, quer más.
Efésios 2, 8-9:Porque é de fato pela graça que estais salvos, por meio da fé: não por mérito vosso, mas por dom de Deus. E não por obras, para que ninguém se glorie.
Existem contradições ou não? É o mesmo Paulo que você cita. A não ser que consideremos Deus como falível, não poderemos insistir mais nesta tese da “infalibilidade bíblica”. Jesus deixa claro sobre o que nos salva: “Porque o Filho do homem há de vir na glória de seu Pai com os seus anjos: e então recompensará a cada um segundo suas obras”. E, como sempre, nós optamos por ficar com Jesus.
Sobre esta frase que disse: esta belíssima mensagem é da lavra do apóstolo Paulo, de quem Allan Kardec disse ter sido "um dos mais fortes sustentáculos do Evangelho", quando reporta ao que você tinha colocado como “A Moldura”: Sobre o apóstolo Paulo: "Meu Deus! Meu Deus! perdoai-me, creio, sou cristão!” "E desde então tornou-se um dos mais fortes sustentáculos do Evangelho" (E.S.E., cap. I, item 11), já que não temos nenhum elemento em que possamos dizer que você está falseando, pelo menos poderemos dizer que na pressa de ler, já que obviamente não estudou, você misturou “as bolas”, como se diz popularmente. Vejamos o texto por completo:
Santo Agostinho é um dos maiores vulgarizadores do Espiritismo. Manifesta-se quase por toda parte. A razão disso, encontramo-la na vida desse grande filósofo cristão. Pertence ele à vigorosa falange dos Pais da Igreja, aos quais deve a cristandade seus mais sólidos esteios. Como vários outros, foi arrancado ao paganismo, ou melhor, à impiedade mais profunda, pelo fulgor da verdade. Quando entregue aos maiores excessos, sentiu em sua alma aquela singular vibração que o fez voltar a si e compreender que a felicidade estava alhures, que não nos prazeres enervantes e fugitivos; quando, afinal, no seu caminho de Damasco, também foi dado ouvir a santa voz a clamar-lhe: “Saulo, Saulo, porque me persegues?” exclamou: “Meu Deus! Meu Deus! Perdoai-me, creio, sou cristão!” E desde então tornou-se um dos mais fortes sustentáculos do Evangelho. Podem ler-se, nas notáveis confissões que esse eminente espírito deixou, as características e, ao mesmo tempo proféticas palavras que proferiu, depois da morte de Santa Mônica: Estou convencido de que minha mãe me veio visitar e dar conselhos, revelando-me o que nos espera na vida futura. Que ensinamento nessas palavras e que retumbante previsão da doutrina porvindoura! Essa a razão por que hoje, vendo chegada a hora de divulgar-se a verdade que ele pressentira, se constituiu seu ardoroso disseminador e, por assim dizer, se multiplica para responder a todos os que o chamam. – Erasto, discípulo de S. Paulo. (Paris, 1863)”. (grifo nosso)


Assim, meu caro e muito apressado, Pastor, é Santo Agostinho que desde então se tornou um dos mais fortes sustentáculos do Evangelho, e não S. Paulo, como você entendeu ou, então, quem sabe se quis mesmo fazer os outros entenderem desta forma, com o objetivo de desvirtuar propositadamente o sentido do texto? E também não foi Kardec quem disse isso, mas um espírito que diz ser Erasto, e citado por Kardec.
Na passagem em que Jesus diz: “Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus” foi a resposta que deu aos saduceus que lhe questionavam a respeito de quem seria a mulher que teve sete irmãos por marido. Vamos completar a resposta para melhor entendimento: “Porque, na ressurreição, não haverá esposo nem esposa, mas serão todos como os anjos no céu. E quanto à ressurreição dos mortos, não lestes o que vos foi dito por Deus: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó? Ele é o Deus não dos mortos, mas dos vivos” (Mateus 22, 30-32). O que Jesus deixa claro é que Deus é Deus dos vivos porque o espírito não morre, continua vivendo no “céu”, assim nossa ressurreição é do espírito, e não do corpo físico. A não ser que você prove que Abraão, Isaac e Jacó tenham ressuscitado de corpo e alma, principalmente diante do que Paulo diz: a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus” (1 Coríntios 15, 50), e, o mais importante, confirmando assim o que, também, dissera Jesus: “O espírito é que dá vida; a carne de nada serve (João 6, 63). Daí também, podemos dizer que a nossa “ressurreição” é do espírito e não no corpo físico como crê. E é Paulo que ainda afirma: “E semeando um corpo animal, ressuscita um corpo espiritual. Como há um corpo animal, há também um corpo espiritual”. (1 Coríntios 15, 44).
Desta forma demonstramos, do princípio ao fim, que não existe nenhuma contradição no Livro dos Espíritos. E, como Deus é Deus dos vivos, ou seja, dos espíritos, deixamos aqui uma pergunta: Quem, realmente, se contradiz, são os espíritos ou os supostos seguidores de Jesus?
Assim, como Jesus sofreu um sistemático combate por parte dos sacerdotes, dos saduceus e dos fariseus, e, diga-se de passagem, foram eles, na verdade, que em última instância pregaram Jesus na cruz, é exatamente a mesma coisa que determinados líderes religiosos de hoje fazem com a Doutrina Espírita. Será mera coincidência, ou serão eles os antigos líderes reencarnados?

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