"Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros." (João 13:35) "Onde estiverem reunidos, em Meu nome, dois ou três, lá estarei no meio deles." (Mateus 18:20)

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sábado, 10 de janeiro de 2015

Feitiçaria, Magia, Bruxaria, Necromancia, etc.

Extraído do  texto no site: http://www.paulosnetos.net/index.php/viewdownload/6-artigos-refutados/191-saul-nao-consultou-feiticeira-nem-bruxa-coisa-alguma quanto a afirmação, principalmente de protestantes, de que Saul consultou uma feiticeira no caso da comunicação do espírito Samuel.


Houaiss:

Feiticeira: bruxa
Bruxa: mulher que tem fama de se utilizar de supostas forças sobrenaturais
para causar malefícios, perscrutar o futuro e fazer sortilégios; feiticeira.
Pitonisa: na Grécia antiga, sacerdotisa do deus Apolo; na Antiguidade, mulher
que possuía o dom da profecia.
Necromante: praticante da necromancia; neciomante, nigromante (ETIM gr.
nekrómantis,eós 'adivinho que prediz o futuro evocando os mortos').

Aurélio:
Feiticeira: mulher que faz feitiços; bruxa, carocha, estrige, magia, mágica.
Bruxa: mulher que faz bruxarias; feiticeira, maga, mágica;
Bruxaria: ação maléfica atribuída a bruxos ou magos; magia negra;
acontecimento que, à falta de explicação, se atribui supersticiosamente a artes
diabólicas ou a espíritos sobrenaturais.
Pitonisa: na Antiguidade, adivinho que previsa o futuro; mago, nigromante
Necromante: pessoa que pratica a necromancia.
Necromancia: adivinhação pela invocação dos espíritos.

Dicionário Barsa:
Bruxaria, Feitiçaria: Real ou suposto poder sobrenatural, conseguido pela
venda da alma de uma pessoa ao demônio ou por algum outro comércio com os
espíritos maus. Estritamente falando a feitiçaria é sempre praticada com más
intenções; com ou sem eficácia, é um ato contra a religião e um pecado contra a
justiça e a caridade. A Igreja não nega que seja possível este comércio com o
demônio, mas o condena, mas isto não impediu que no século XVII se opusesse,
em nome da justiça, a perseguições injustas ou fanáticas contra pessoas
acusadas de feitiçaria. (p. 41).
Feiticeiro, Encantador: Pessoa que invoca a ajuda do demônio para fazer
maravilhas. Os encantadores atribuem mais poder ao demônio do que a Deus, e
desta maneira indiretamente negam a Santidade, Onipotência e Sabedoria de
Deus. Assim não se permitia aos israelitas consultá-los (Lev 19,31; Dt 18,10).
Por isso os feiticeiros deviam ser condenados à morte (Ex 22,18). (p. 104).


Percebe-se que, por detrás de tudo, a intenção em se relacionar necromancia como se
fosse feitiçaria ou bruxaria é para “fazer a cabeça” de seus fiéis, de forma que eles, por medo,
não recorram a tais práticas e muito menos simpatizem-se com os que dela se utilizam. Mas a
verdade é bem outra da que querem passar, pois o que se fazia à época, além da comunicação
com os mortos propriamente dita, era também a prática da necromancia, que consistia na
evocação dos mortos para fins de adivinhação. Vejamos os que encontramos como seu
significado:

Dicionário Bíblico Universal:
NECROMANCIA: Meio de adivinhação interrogando um morto. Babilônios,
egípcios, gregos a praticavam. Heliodoro, autor grego do III ou do século IV
d. C., relata uma cena semelhante àquela descrita em 1Sm (Etíope 6,14). O
Deuteronômio atribui aos habitantes da Palestina "a interrogação dos espíritos
ou a evocação dos mortos" (18,11). Os israelitas também se entregaram a
essas práticas, mas logo são condenadas, particularmente por Saul (1Sm
28,3b). Mas, forçado pela necessidade, o rei manda evocar a sombra de
Samuel (28,7-25): patético, o relato constitui uma das mais impressionantes
páginas da Bíblia. Mais tarde, Isaías atesta uma prática bastante
difundida (Is 8,19): parece que ele ouviu "uma voz como a de um fantasma
que vem da terra" (29,4). Manassés favoreceu a prática da necromancia (2Rs
21,6), mas Josias a eliminou quando fez sua reforma (2Rs 23,24). Então o
Deuteronômio considera a necromancia e as outras práticas divinatórias
como "abominação" diante de Deus, e como o motivo da destruição das
nações, efetuada pelo Senhor em favor de Israel (18,12). O Levítico considera a
necromancia como ocasião de impureza e condena os necromantes à morte por
apedrejamento (19,31; 20,27). (MONLOUBOU e DU BUIT, 1997, p. 556, grifo
nosso).
Dicionário Prático – Vozes
Necromancia: Ou evocação dos mortos, é uma prática que supõe a
possibilidade de entrar em contato com os mortos e de esses poderem
comunicar mensagens do além, e até de aconselhar os vivos em problemas
difíceis. A prática era conhecida da Mesopotâmia, no Egito e em Canaã.
Apesar da proibição (cf. Lv 19,31 e nota), Saul recorreu à necromancia (cf.
1Sm 28,7-10) e foi por isso punido (1Cr 10,13). (Bíblia Sagrada – Vozes, p.
1531, grifo nosso).

É importante registrar que nesses dois dicionários bíblicos, ambos de cunho católico, é
bom lembrar, afirmam que Saul recorreu a necromancia e não a feitiçaria ou bruxaria, como
querem fazer transparecer, não digo os adversários; mas os inimigos mesmo do Espiritismo.
Além disso, se confirma que o “Deuteronômio considera a necromancia e as outras práticas
divinatórias como 'abominação'”, o que comprovaremos um pouco mais à frente. Então,
baseando-se neles, podemos dizer que a verdade é que Saul procurou foi uma necromante e
não uma feiticeira ou bruxa, portanto, mente quem diz que Saul consultou feiticeira ou bruxa!!! Observa-se que não têm a menor cerimônia em mudar o significado do termo,
ferindo, com isso, o princípio de um mínimo comportamento ético aceitável. E certo estava
Orígenes de Alexandria, (185-254), célebre teólogo dos primórdios do cristianismo,
considerado, inclusive, como um dos “Pais da Igreja”, quando disse: “[…] mas as pessoas
dominadas pela cólera e o ódio lançam contra os que elas odeiam as injúrias que lhes passam
pela cabeça, impedidas pela paixão de formular suas acusações de maneira refletida e
ordenada”. (ORÍGENES, 2004, p. 81).

E, por fim, uma última definição, agora na obra Enciclopédia de Bíblia, Teologia e
Filosofia.
NECROMANCIA: Essa palavra vem do grego, nâkros, "morto", e mantéia,
"adivinhação". A expressão hebraica correspondente é doresh 'el-hammethim,
"aquele que indaga dos mortos". A necromancia consiste na comunicação com
os mortos, com o propósito de adivinhar, de obter ajuda, de prever o futuro, de
obter conselhos, etc. (CHAMPLIN, e BENTES, 1995a, p. 472).
Os autores Russell Norman Champlin (1933- ) e João Marques Bentes (1932- ), não
muito honrosamente, a nosso ver, colocaram coisas além do real significado do termo, pois não
poderiam incluir no rol as comunicações com o propósito de obter-se ajuda e conselhos,
quando isso não está relacionado a conhecimento de fatos futuros.
Confirma-se, nessas últimas citações, as dos dicionários, que necromancia, era uma
prática difundida àquela época. Veremos se há comprovação histórica disso como também da
comunicação com os mortos, que são assuntos interligados, os quais estudamos nesse texto.
Um fato que ficou claro para nós é que os que assim se posicionam, na verdade, não
são nem ao menos originais nisso, pois Kardec, a seu tempo, por volta da metade do século
XIX, já se via às voltas com essa mórbida acusação, tanto é que mereceu dele os seguintes
comentários:

Médiuns e feiticeiros
V. — Desde que a mediunidade não é mais que um meio de entrar em
relação com as potências ocultas, médiuns e feiticeiros são mais ou menos a
mesma coisa.
A. K. — Em todos os tempos houve médiuns naturais e inconscientes que,
pelo simples fato de produzirem fenômenos insólitos e
incompreendidos, foram qualificados de feiticeiros e acusados de
pactuarem com o diabo; foi o mesmo que se deu com a maioria dos sábios
que dispunham de conhecimentos acima do vulgar. A ignorância exagerou
seu poder e, muitas vezes, eles mesmos abusaram da credulidade
pública, explorando-a; daí a justa reprovação que os feriu.
Basta-nos comparar o poder atribuído aos feiticeiros com a faculdade
dos verdadeiros médiuns, para conhecermos a diferença, mas a maioria
dos críticos não se quer dar a esse trabalho.
Longe de fazer reviver a feitiçaria, o Espiritismo a aniquila,
despojando-a do seu pretenso poder sobrenatural, de suas fórmulas,
engrimanços, amuletos e talismãs, e reduzindo a seu justo valor os fenômenos
possíveis, sem sair das leis naturais.
A semelhança que certas pessoas pretendem estabelecer, provém do
erro em que estão, julgando que os Espíritos estão às ordens dos
médiuns; repugna à sua razão crer que um indivíduo qualquer possa, à
vontade, fazer comparecer o Espírito de tal ou tal personagem, mais ou menos
ilustre; nisto eles estão perfeitamente com a verdade, e, se antes de
apedrejarem o Espiritismo, se tivessem dado ao trabalho de estudá-lo,
veriam que ele diz positivamente que os Espíritos não estão sujeitos aos
caprichos de ninguém, que ninguém pode, à vontade, constrangê-los a
responder ao seu chamado; do que se conclui que os médiuns não são
feiticeiros. (KARDEC, 2001c, p. 103-104, grifo nosso)

Kardec deixa bem claro que “longe de fazer reviver a feitiçaria, o Espiritismo a aniquila”
e, ao final conclui: “os médiuns não são feiticeiros”. Nada mais se precisaria acrescentar, uma
vez que essas duas frases liquidam o assunto; porém vamos dar o tiro de misericórdia:

“Certamente, a distância que separa o Espiritismo da magia e da feitiçaria é maior do que a
que existe entre a Astronomia e a Astrologia, a Química e a Alquimia. Confundi-las é provar
que de nenhuma se sabe patavina”. (KARDEC, 2007c, p. 32). Ainda é atualíssima esta sua
assertiva que apenas lhe daremos uma outra roupagem, dizendo: “se antes de apedrejarem o
Espiritismo, se tivessem dado ao trabalho de estudá-lo” é certo que dele teriam uma outra
ideia e nunca diriam que ele é feitiçaria, bruxaria e outras possíveis “rias” a mais.
Ainda sobre o mesmo assunto, na obra O que é o Espiritismo, afirma categórico que:

Só a malevolência e uma rematada má-fé puderam confundir o
Espiritismo com a magia e a feitiçaria, quando aquele repudia o fim, as
práticas, as fórmulas e as palavras místicas destas. Alguns chegaram mesmo a
comparar as reuniões espíritas às assembleias do sabbat, nas quais se espera o
soar da meia-noite, para que os fantasmas apareçam. (KARDEC, 2001c, p. 70-
71, grifo nosso).
A crítica malévola representou as comunicações espíritas como
mescladas pelas práticas ridículas e supersticiosas da magia e da
nigromancia; se esses homens que falam do Espiritismo, sem conhecê-lo, se
dessem ao trabalho de estudá-lo, teriam poupado esses desperdícios de
imaginação, que só servem para provar sua ignorância ou má-vontade.
(KARDEC, 2001c, p. 168, grifo nosso).

E mais ainda nos dias de hoje, quando se tem tantas obras, incluindo aí todas as de
Kardec, à disposição do público, inclusive, muitas das quais sem custo algum, podendo ser
gratuitamente baixadas na Internet, relacionar Espiritismo com a magia e a feitiçaria somente
por “malevolência e uma rematada má-fé”. Aliás, isso nos parece ser algo recorrente na
história, pois Moisés foi acusado de feiticeiro pelos egípcios (ORÍGENES, 2004, p. 85); sobre os
judeus diziam que “foram incitados a adorar os anjos do céu pelos encantamentos da magia e
da feitiçaria, que fazem aparecer fantasmas aos encantadores” (ORÍGENES, 2004, p. 390); aos
cristãos de estarem “praticando a magia e a feitiçaria, invocam os nomes bárbaros de certos
demônios” (ORÍGENES, 2004, p. 489); inclusive, chegou-se a ponto de “espalharem contra o
evangelho a calúnia que os cristãos imolavam uma criancinha, cuja carne era distribuída entre
os convivas” (ORÍGENES, 2004, p. 478).
E aos que, porventura, se dizem ser “um pesquisador do Espiritismo no Brasil”,
recomendamos um estudo profundo das obras de Kardec, e, para ampliar as suas pesquisas,
irem a Centros Espíritas, para terem a oportunidade de, in loco, verem, “com os próprios
olhos”, o que, de fato, acontece no Espiritismo, e que não se coaduna com fraude e
fraudadores, pois, apenas pela leitura, terão um conhecimento limitado e deficiente.
Certamente, fazendo isso, iriam ver que usar os termos “mãe de santo”, “macumbeira”, etc.,
para designar uma médium espírita, não tem sentido algum. Tomará conhecimento que o
motivo que leva “milhões de brasileiros a buscarem uma solução para os seus problemas no
Espiritismo”, como se ouve por aí, é, exatamente, a ignorância do que realmente ele é.

Nota do blogueiro: Em I Samuel 28:7. na versão da João Ferreira de Almeida(Bíblia protestante):

 Então disse Saul aos seus criados: Buscai-me uma mulher que tenha o espírito de feiticeira, para que vá a ela, e consulte por ela. E os seus criados lhe disseram: Eis que em En-Dor há uma mulher que tem o espírito de adivinhar.

em várias traduções:

Então Saul disse aos seus auxiliares: “Procurem uma mulher que invoca espíritos, para que eu a consulte”. Eles disseram: “Existe uma em En-Dor”. (Nova Versão Internacional)

7 Então Saul ordenou aos seus oficiais: – Procurem uma mulher que seja médium, e eu irei consultá-la. – Em Endor há uma médium! – responderam eles. (Nova Tradução na Linguagem de hoje) 

Então Saul deu instruções aos seus ajudantes para tentarem encontrar alguém que consultasse o espírito dos mortos, e a quem perguntasse o que devia fazer; com efeito ainda acharam uma mulher que fazia isso, em Endor.  (O Livro)

Then said Saul unto his servants, “Seek me a woman who hath a familiar spirit, that I may go to her and inquire of her.” And his servants said to him, “Behold, there is a woman who hath a familiar spirit at Endor.” (King James 21st Century)

Then said Saul unto his servants, Seek me a woman that hath a familiar spirit, that I may go to her, and inquire of her. And his servants said to him, Behold, there is a woman that hath a familiar spirit at En-dor. (American Stand Version)

Resultado: era necromante/evocadora de mortos, não era feiticeira. Errada está a tradução que a chama de feiticeira. 

Não é porque a maioria a chama de algo no sentido de necromante/médium e, pelo que  vi, UMA tradução(Almeida) a chama de feiticeira que há alguma associação entre médium e feiticeira no original em hebraico. Negativo. Se em toda a Bíblia chamassem os fariseus de fariseus, mas uma versão maldosa os chamasse de protestantes, isso provaria que protestantes significa o mesmo que fariseus?

Errado, portanto, está quem fez essa tradução, pois certamente não é  a mesma palavra  usada para "feiticeira" em outros versículos, senão sem sombra de dúvida usariam aqui também a palavra "feiticeira" em todas as diferentes versões da Bíblia e não apenas na Almeida. 

Em inglês, em nenhuma tradução a mulher é chamada de feiticeira aqui.

De fato, a palavra hebraica em I Samuel 28:7 é ba alath-'obh. Em outros versículos em que não há discordância na tradução quanto a "feiticeira", a palavra hebraica é baaldt keshafim. É o caso, por exemplo, de "Não deixarás uma feiticeira viver" (Êxodo 22:18)

Portanto, comprovado que não há associação alguma entre feiticeira no original hebraico com a necromante que Saul consultou. Todas as outras traduções, fora Almeida, traduzem como médium, mulher que comunica com espíritos e termos similares. E a palavra usada como feiticeira na Bíblia em outras passagens é outra. Errou quem traduziu como feiticeira levianamente. Com certeza de má fé, querendo justamente associar mediunidade com feitiçaria.



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