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sábado, 10 de janeiro de 2015

Livro Eclesiástico confirma a comunicação de Samuel

Trecho extraído do texto: http://www.paulosnetos.net/index.php/finish/6-artigos-refutados/191-saul-nao-consultou-feiticeira-nem-bruxa-coisa-alguma

O livro Eclesiástico servirá para se confirmar a comunicação com os mortos como algo
real, quando faz referência à manifestação de Samuel a Saul, profetizando-lhe o fim. Essa
aparição é, sistematicamente, negada pelos fanáticos (geralmente, são evangélicos), que não
querem algo parecido nas páginas da Bíblia, pois se tiver, serão obrigados a se capitularem
diante dos fatos e reformarem seus dogmas. Recorreremos a ele, pois seu autor “era um
escriba originário de Jerusalém” (Bíblia Sagrada – Ave-Maria, p. 35) e um “judeu piedoso,
leitor assíduo das escrituras” (Bíblia Sagrada - Santuário, p. 973), fazemos isso também por
esses outros dois motivos: 1º) serve de atestado canônico para os católicos, e 2º) por ser
comprovadamente histórico aos protestantes, que mesmo não o tendo em sua Bíblia, são
constrangidos, pela coerência e lógica, a aceitá-lo sob esse aspecto. Vejamos o que os
tradutores da Bíblia de Jerusalém falam na introdução deste livro bíblico:


Este livro foi transmitido nas bíblias grega, latina e siríaca, mas não figura no
cânon hebraico. Entretanto, ele foi composto em hebraico; Jerônimo diz tê-lo
conhecido em sua língua original e alguns rabinos, até o século IV, o citaram: o
Talmude conserva seu testemunho. Aproximadamente dois terços desse texto
hebraico, perdido há séculos, foram reencontrados, desde 1896, em seis manuscritos medievais fragmentários, provenientes de uma antiga sinagoga do
Cairo. Mais recentemente, alguns fragmentos saíram das grutas de Qumrã e, em
1964, foi descoberta em Massada uma cópia igualmente fragmentária (39,27-
44,17) numa escritura do início do século I a. C. As variantes de um testemunho
para outro e em relação às traduções grega, latina e siríaca indicam que o livro
muito cedo conheceu diversas recensões.
No início do século II a.C.; Jesus Ben Sira, mestre de sabedoria em
Jerusalém - ver as subscrições de 50,27 e 51,30 - reuniu em um livro o melhor
de seu ensinamento, ver Prólogo 7-14. Seu neto, que chegou ao Egito muito
provavelmente em 132 a.C., empreendeu a tradução em grego da obra de seu
avô, ver Prólogo 27s. Esta tradução continua sendo o melhor testemunho do
livro de Ben Sira; ela foi transmitida pelos três principais manuscritos, o
Vaticano, o Sinaítico e o Alexandrino, que formam o que se chama de "texto
recebido".
Entretanto, o livro conheceu, provavelmente desde o século I a.C., uma
revisão e a inserção de numerosas adições. Esta segunda edição, com efeito,
deixou marcas nos fragmentos hebraicos reencontrados e na versão siríaca
Peshitta, mas ela é sobretudo transmitida, em muitos manuscritos gregos, que
são designados aqui pela sigla Gr li, e na antiga versão latina que passou na
Vulgata.
A Igreja recebeu e conservou as duas edições do livro de Ben Sira: os Padres
gregos citam tanto uma como a outra, os Padres latinos utilizam normalmente o
texto longo. A Igreja reconhece este livro como canônico, sem precisar sua
língua e sem excluir a segunda edição.
[...]
O autor se chama em hebraico Ben Sira e, em grego o Sirácida, segundo a
forma grega Sirac. Nascido provavelmente no meio do século III a.C.; ele viu
Jerusalém passar da dominação dos Lágidas à dos Selêucidas em 198 a.C.:
conheceu o sumo sacerdote Simão, o Justo (50,1-20) que morreu após 200 a.C.
[...]
Ben Sira é o último testemunho canônico da sabedoria bíblica na Terra santa.
É o representante por excelência dos hassidim, esses "piedosos" do judaísmo
(cf. 1Mc 2,42+), que logo defenderão sua fé na perseguição de Antíoco IV
Epífanes e que manterão em Israel ilhotas fiéis em que germinará a pregação de
Cristo. (Bíblia de Jerusalém, p. 1141-1143).

Vê-se, portanto, que o autor é alguém que conhecia os costumes do seu povo;
certamente, tinha autoridade para falar das várias virtudes e feitos de Samuel, e para, ao final,
peremptoriamente, afirmar que Samuel:
“Mesmo depois de sua morte, ele profetizou, predizendo ao rei o seu fim. Mesmo
do sepulcro, ele levantou a voz, numa profecia, para apagar a injustiça do povo”. (Eclo
46,202
).

Vejamos o texto pela versão da Bíblia Sagrada Edição Barsa, tradução do Pe. Antônio
Pereira de Figueiredo (p. 571):
“E depois disto dormiu Samuel o sono da morte, e apareceu ao rei, e lhe
predisse o fim da sua vida, e saindo da terra, levantou a sua voz, profetizando o golpe,
que estava para se descarregar sobre a impiedade da nação” (Eclo 46,23).
Aqui, nesse passo, se está falando da manifestação do espírito Samuel ao rei Saul,
através da necromante de Endor, confirmando, portanto, a narrativa constante de 1Sm 28,3-
25 como verdadeira.
O Eclesiástico não faz parte do conjunto de livros da Bíblia dos protestantes. Entretanto, como já dissemos, apelamos para seu valor histórico para justificar a esses últimos como fato real e inconteste.

Para corroborar a realidade da manifestação, podemos ainda nos apoiar, por exemplo,
no que os tradutores da Bíblia de Jerusalém dizem, em relação a 1Sm 28,12, esclarecendo
que: “A mulher conhece o relacionamento que Samuel teve com Saul. Se, para seu grande
assombro, o profeta defunto se manifesta, é porque o consulente é o rei de Israel” (p. 428).




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