"Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros." (João 13:35) "Onde estiverem reunidos, em Meu nome, dois ou três, lá estarei no meio deles." (Mateus 18:20)

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sábado, 10 de janeiro de 2015

Saul poderia ou não poderia estar com Samuel em breve?

Trecho do texto em http://www.apologiaespirita.org/apologia/artigos/025_Quem%20apareceu%20a%20Saul.pdf


Que por sua vez é uma resposta ao texto em http://www.cacp.org.br/quem-apareceu-a-saul/


Saul não foi para o mesmo lugar que Samuel (“…estareis comigo”, 1 Sm
28.19). Outra profecia inversossímil: interpretar o “comigo” por simples “além”
(Sheol), é tergiversar. Samuel estava no “seio de Abraão”, sentia isso e sabia a
diferença que existe entre um salvo e um perdido. Jesus também o sabia, e
não disse ao ladrão que estava na cruz: “Hoje estarás comigo no além (Sheol)”,
mas sim no “Paraíso”. Logo, Samuel não podia ter dito a Saul que este estaria
no mesmo lugar que ele: no “seio de Abraão”. Porque com o ato abominável e
reprovado de Saul em consultar uma feiticeira e não ao Senhor, foi
completamente anulada a sua possibilidade de ir para o mesmo lugar de
Samuel – o “seio de Abraão”.

Entendemos que não se trata de tergiversar em citar que Saul viria a estar com
Samuel no Sheól, pois era o destino comum a que todos, ou seja, no mundo dos
mortos, assim como os judeus àquela época acreditavam que o mundo dos mortos, ou
o Sheól, tal como está sendo relatada, era embaixo e um lugar comum aos mortos.

Basta conferirem no nosso texto “O Inferno existe?” e as citações abaixo:

Am 9,2 Ainda que cavem até o próprio Sheól (morada dos mortos), Minha
mão ali os alcançará; mesmo que escalem até o céu, dali hei de baixá-
los.(TANAH, p. 583)
Pv 27,20 Assim como o Sheól e a destruição, nunca se saciam os olhos do ser
humano. (TANAH, p. 700, )
Ele sobe do Xeol, a morada subterrânea dos mortos (cf. Nm 16,33). No Xeol,
morada comum de todos os mortos, bons ou maus (cf. Nm 16,33+). (Bíblia
de Jerusalém, em relação aos vv. 12 e 19 de 1Sm 28, p. 428-429, ).
Embora se tenham apresentado diversas derivações da palavra hebraica
she'óhl, parece que ela deriva do verbo hebraico [?????] (sha-ál), que significa
“pedir” ou “solicitar”. Isto indicaria que o Seol é o lugar (não uma condição) que
pede ou exige todos sem distinção, ao acolher os mortos da humanidade.
(veja Gen 37:35 n e Is 7:11 n.) Encontra-se no solo da terra e sempre é
associado com os mortos, e refere-se claramente à sepultura comum da
humanidade, ao domínio da sepultura, ou à região terrestre (não marítima) dos
mortos. [...]
[...] Hades é o equivalente do Seol, e aplica-se à sepultura comum da
humanidade (em contraste com a palavra grega tá-fos, uma sepultura
individual). A palavra latina correspondente a Hades é in.fér.nus (às vezes
ín.fe.rus). Ela significa “o que jaz por baixo; a região inferior”, e se aplica bem
ao domínio da sepultura. Ela é assim uma apta aproximação dos termos grego
e hebraico.
Nas escrituras inspiradas, as palavras “Seol” e “Hades” são associadas com a
morte e os mortos, não com a vida e os vivos (Re 20;13) [...] (Traduções Novo
Mundo das Escrituras Sagradas, p. 1514, ).
Sepultura. Heb., Sheol. Esta palavra é usada 65 vezes no A.T. Frequentemente
significa a sepultura onde o corpo é colocado após a morte (cf. Nm 16;30,33,
Sl. 16,10). Pode também referir-se ao lugar dos espíritos dos mortos, tanto
dos justos (como aqui) quanto dos ímpios (cf. Pv 9;18). (Bíblia Anotada -
Mundo Cristão, p. 60, ).
Nm 16,33. Sepulcro. Em hebraico sheol. Esta palavra designa as profundezas
da terra onde descem os mortos bons ou maus para uma vida de letargia. A
doutrina da retribuição de além-túmulo e a da ressurreição, preparada pela
esperança dos salmistas (Sl 16,10s; 49,16), não aparecerão claramente senão
no fim do A.T. (Bíblia Sagrada - Santuário, p. 203)

Sl 6,6: Habitação dos mortos: expressão frequente que traduz o vocábulo
hebraico Cheol. Os antigos hebreus não tinham, da vida futura, uma ideia tão
clara como nós. Para eles, a alma separada do corpo permanecia num lugar
obscuro, de tristeza e esquecimento, em que o destino dos bons era
confundido com o dos maus. Donde a necessidade de uma retribuição terrestre para os atos humanos. (Bíblia Sagrada – Ave-Maria, p. 660)

O que nós compreendemos na concepção judaica, em conformidade com o
Tanah, é que o Sheól é um lugar-comum e que Samuel disse a Saul que estaria com
ele como representação de sua iminente morte diante dos filisteus (1Sm 28,19).
Comparar este evento ao ocorrido entre Jesus e ladrão na cruz que se arrepende de
seus atos, onde sabemos que Marcos relata que dois bandidos foram condenados
com Jesus (Mc 15,27-28), já Mateus diz que os dois ladrões zombavam de Jesus (Mt
27,44), embora Lucas tenha dito que havia um a sua esquerda e outro a sua direita (Lc
23,33), mas que apenas um reconhece que Jesus era Justo, apregoando ao outro que
escarnecia de Jesus que eles mereciam passar pelo suplício, mas Jesus não (Lc
23,41), diante desse fato, Jesus anuncia ao ladrão arrependido que estaria com Jesus
após a sua morte no paraíso (Lc 23,43). Não comentaremos a diferença do relato
entre Marcos, Mateus e o de Lucas, pois este não é nosso objetivo.

Contudo, são fatos completamente distintos, pois de um lado temos a
concepção judaica do Sheól comum a todos os mortos, sendo neste caso a de Samuel
e Saul, e noutro momento Jesus que anuncia o arrependimento e resgate de nossas
faltas (Mt 5,26), a fim de que possamos ver a Deus, através da reencarnação (Jo 3,1-
16). Certamente que o ladrão arrependido teria o resgate necessário, assim como Saul
certamente o tivera. 


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