"Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros." (João 13:35) "Onde estiverem reunidos, em Meu nome, dois ou três, lá estarei no meio deles." (Mateus 18:20)

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Sobre a origem dos textos sobre a vida de Jesus

Assim diz o historiador e pesquisador sobre a Bíblia Bart D. Ehrman em seu livro "Como Jesus se tornou Deus": 

"Toda a história sobre Jesus (ou qualquer outra figura histórica) ou é historicamente exata (algo que ele realmente disse ou fez),ou é inventada, ou é uma combinação de ambas. E o único jeito de saber se um detalhe da vida de Jesus é historicamente exato é investigar nossas fontes de informação. As fontes disponíveis para o leigo, para um historiador e para um professor de catequese são todas as mesmas. As narrativas sobre Jesus circularam pelo boca a boca e por escrito desde o tempo em que ele viveu e morreu. Obviamente as histórias que começaram a ser contadas pela primeira vez no ano passado foram
inventadas. Assim como as histórias que começaram a circular inicialmente há cem anos. O que queremos, se queremos relatos historicamente fidedignos, são fontes que possam ser traçadas até o tempo de Jesus.
Queremos fontes antigas. 
Temos fontes antigas, é claro, mas não são tão antigas quanto gostaríamos. Nosso primeiro autor cristão é o apóstolo Paulo,que escreveu entre vinte e trinta anos depois da morte de Jesus. Várias cartas de Paulo estão incluídas no Novo Testamento. Outros autores cristãos podem ter escrito antes de Paulo, mas nenhuma de suas obras sobreviveu. Os problemas com Paulo são que ele, na verdade, não conheceu Jesus pessoalmente e não nos conta muito sobre os ensinamentos, atividades ou experiências de Jesus. Às vezes dou a meus alunos a tarefa de ler todos os textos de Paulo e listar tudo que Paulo indica que Jesus fez e disse. Meus alunos ficam surpresos ao descobrir que não precisam sequer de uma pequena ficha de anotação para listar (Paulo, a propósito,jamais diz que Jesus se declarou divino).
Nossas próximas fontes de informação mais antigas sobre o Jesus histórico são os Evangelhos do Novo Testamento. Com efeito, são nossas melhores fontes. São as melhores não porque calham de estar no Novo Testamento, mas porque também são as primeiras narrativas remanescentes da vida de Jesus. Muito embora sejam as melhores fontes disponíveis para nós, realmente não são tão boas quanto poderíamos esperar. Isso por vários motivos.
Para começar, há uma possibilidade de que os Evangelhos não tenham sido escritos por testemunhas oculares. Chamamos estes livros de Mateus, Marcos, Lucas e João porque receberam o nome de dois discípulos diretos de Jesus - Mateus, o cobrador de impostos, e João, o discípulo amado - e de dois companheiros próximos de outros apóstolos - Marcos, o secretario de Pedro, e Lucas, o companheiro de viagem de Paulo. No entanto, os livros de fato foram escritos anonimamente - os autores jamais se identificaram - e circularam por décadas antes que alguém afirmasse que foram escritos por essas pessoas. A primeira atribuição confirmada desses livros a esses autores é de um século após terem sido produzidos.
Existem bons motivos para se pensar que nenhuma dessas atribuições esteja correta. Primeiro, os seguidores de Jesus, como sabemos pelo Novo Testamento em si, eram judeus incultos da classe baixa da Palestina, de língua aramaica. Esses livros não foram escritos por gente desse tipo. Seus autores eram muitíssimo cultos, cristãos de idioma grego de uma geração posterior.
Provavelmente escreveram após todos, ou quase todos, os discípulos de Jesus terem morrido. Escreveram em partes diferentes do mundo, em uma língua diferente e em um período mais tardio.
(..)
Os estudiosos geralmente datam os Evangelhos do Novo Testamento da última parte do século. A maioria concorda que Jesus morreu por volta do ano 30 d.C. Marcos foi o primeiro Evangelho escrito, provavelmente por volta de 65-70 d.C.;
Mateus e Lucas foram escritos cerca de quinze a vinte anos depois, aproximadamente em 80-85 d.C.; e João foi escrito por último, por volta de 90-95 d.C. O que importa aqui é o hiato envolvido. O primeiro relato sobrevivente da vida de Jesus foi escrito trinta e cinco a quarenta anos depois da morte dele. O último Evangelho canônico foi escrito sessenta a sessenta e cinco anos depois de sua morte. Obviamente é um bocado de tempo. Se os autores não foram testemunhas oculares, não eram da Palestina e sequer falavam a mesma língua de Jesus, de onde tiraram as informações"

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